Sverige
1 Amarelo e azul
Notas iniciais
Fanfiction escrita por:Beilschmidt/Juliana
Swerige
Capítulo:Amarelo e Azul
Mais um clique e lá tinha uma belíssima foto da paisagem a sua frente; um lindo e calmo mar azul que refletia as cores do sol que, ao longe, escondia-se por trás das montanhas cobertas de neve. O céu límpido estava todo mesclado por cores em diversos tons, mas o que mais predominava era o alaranjado. Ele amava a harmonia com que o sol e o céu lhes transmitiam o amarelo cádmio e o azul celeste, suas cores favoritas. Respirou fundo e olhou para o lado esquerdo, a areia branca tomava conta, decidiu caminhar um pouco para ver se encontrava um ângulo perfeito para mais fotos.
Ah, a Suécia! Como amava seu país matriz, tanto que nunca viajou internacionalmente, aliás, para que? Tudo que precisava estava ali à sua frente, o mar e o sol.
Chegou a seu apartamento e guardou sua bolsa e a câmera profissional. Como havia comido antes de ir tirar fotos resolveu que não precisava preparar o almoço, qualquer coisa poderia comer um pedaço deKladdkaka [1]que tinha feito mais cedo, mas… opa! tinha esquecido do creme de nata batida, não conseguia comer o bolo sem o creme, era seu ritual de todo fim de semana.
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Hoje estava mais frio que de costume em Estocolmo, mas nem mesmo isso a desanimaria, afinal, estava radiante com tudo, mas não tanto quanto a vontade de conhecer o maior país da Escandinávia, mesmo depois de já ter viajado pelos outros países Nórdicos, esse deixara por último para se tornar uma das suas grandes recordações. A história de Sverige lhe fascinara desde os seus inocentes dez anos, já com doze começou a aprender sueco com uma amiga que morava em Estocolmo, conversavam pelo celular sempre que podiam. No dia que lhe falou sobre sua viagem esta lhe ofereceu sua casa para que pudesse se hospedar. Agarrou o saco de papel com as compras para uma sobremesa que faria para ela e a amiga. Elizabeta virou para a porta quando a mesma abriu-se revelando a moça com as compras. Sorriu e limpou as mãos no pano de prato ao ver a loira ir até a geladeira e pegar uma garrafa deKva [2], sabia que não costumava beber, só em momentos especiais; ficou curiosa para saber o que Yekaterina escondia.
Esta disse que estava feliz demais por conhecer mais sobre a Suécia, tinha ficado fascinada com um artigo falando sobreAlfred Nobel [3], a quem admirava muito e principal influenciador em suas pesquisas químicas com nitroglicerina. Ela tinha em mãos a biografia de Nobel que tinha um papel retangular colorido marcando a página em que parou. Ela já o lerá sete vezes; adiantando que tinha lá sua paixão por literatura, sorriu e deixou a amiga encher seu copo com Kva.
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Sentia-se sozinho, nessas horas que gostaria de ter os primos dentro de casa lhe torrando a paciência, mesmo que tenha de limpar toda a cozinha melecada de algo preto que deveria ser comestível. Mathias e Lukas eram barulhentos demais e brigavam muito, menos quando dormiam; sabia que eles se amavam e negavam um ao outro com a desculpa de serem “irmãos”, mas sabiam que Lukas era filho adotivo.
Olhou para a mesa da cozinha, a bandeja com o Kladdkaka estava lá ao lado de um vaso de tulipas negras. As flores lhe fascinavam, gostava de pinta-las em enormes quadros e deixar cada detalhe bem nítida, desde a bainha da folha até uma minúscula gotícula de orvalho. Sua casa era repleta desses quadros, apenas na sala que ele tinha algumas pinturas do mar, de pôr-do-sol e montanhas. Fechou os olhos sentindo-se cansado demais para ficar acordado encarando seus quadros, dormiu.
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Acordara bem cedo naquele domingo e resolveu sair para andar um pouco, deixou um bilhete grudado na geladeira para Elizabeta ficar ciente de onde estaria assim que acordasse. Tinha em mente passear um pouco pela orla da praia ali perto e foi; levou o casaco azulado e o cachecol em um tom amarelo canário, rapidamente calçou as botas e saiu fazendo o mínimo de ruído possível.
Passou alguns minutos se deliciando com a paisagem dali e sentou-se em uma enorme pedra, passando a admirar o mar que mais parecia um espelho refletindo o reflexo dos raios solares matinais. Sorriu. Como a Suécia é incrível e misteriosa…
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Ajoelhou-se com a perna direita e a esquerda serviu de apoio para sua câmera, tentava encontra o ponto certo para sua primeira foto do dia e, claro, carecia ter o mar nela; foi quando avistou o paredão de pedras. Aproximou-se lentamente e sempre atento aos pequenos detalhes que pudesse lhe interessar. Estagnou ao ver uma jovem sentada em uma rocha, seus pés dentro d’água se movimentando lentamente; o olhar perdido em algum ponto do céu, talvez do mar. Não resistiu, mesmo com certa batalha em seu consciente sobre ir ou não e as suas consequências, ele foi, até porque seus pés moveram-se mecanicamente.
Amoça assustou com a aparição repentina dele e instintivamente agarrou as botas, pediu desculpas e sorriu. Berwald era tímido e não costumava falar muito, logo corou e tentou dizer algo para usar como desculpa para conseguir o que queria.
–Sou um fotógrafo e eu gostaria de lhe perguntar se eu poderia tirar uma foto tua. – mostrou-lhe a câmera para evitar qualquer tipo de desconfiança, mas ela apenas sorriu em resposta, gostava de tirar fotos. Perguntou se precisava fazer algum tipo de pose. – Não precisa, apenas sinta-se à vontade e finja que não estou aqui. Continue olhando o horizonte como antes para ser mais natural.
Radiante ela voltou à posição inicial enquanto o sueco tomava distância para fotografa-la; aquela seria uma bela obra de arte para sua vasta coleção, nem ao menos sabia que seria a principal não só da coleção, mas da sua vida.
Berwald manuseava a câmera com maestria, parecia que era algo tão simples… Ele tirou umas cinco fotos a mais antes de terminar. Meio acanhado ele as mostrou uma por uma achando que a loira poderia acabar não gostando de alguma, mas fora o contrário, ela adorou todas. Sem mais o que dizer ou fazer, ele sentou-se ao seu lado e depois de uns quinze minutos ou mais ele puxou conversa que levou até o começo da tarde.
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Elizabeta preparava o almoço e nada de Yekaterina voltar, ela devia estar mesmo visitando todos os cantos de Estocolmo que poderia; conhecia-a desde a infância, ela sabia que a ucraniana quando botava algo na cabeça só parava ou dava um tempo depois de tê-lo ao menos deixado pela metade, e até ela voltar demoraria mais um pouco. Só estava preocupada porque ela ainda não sabia andar direito pelas ruas, havia ensinado apenas o caminho até a orla e algumas praças, por ser perto. Sentou-se depois de preparar um Borsch[4], depois de meses aprendendo por receitas enviadas pela amiga no facebook e muita beterraba; ao menos agora saía mais delicioso e aceitável, quando aprendia algo ela apenas o aperfeiçoava a cada tentativa.
Despertou dos devaneios e sentou, infelizmente teria de ligar para a amiga ou acabaria se perdendo. Mas antes tinha de responder a mais uma mensagem idiota de Gilbert, esse idiota…
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Aconversa estava animada e tinha tomado um rumo diferente do inicial. Ela falava energicamente sobre suas experiências químicas no laboratório de sua universidade. Berwald conseguia acompanha-la na explicação, até porque tinha lá sua parcela de paixão por química. Yekaterina gesticulava freneticamente demonstrando domínio no assunto de tão compenetrada que estava. Ele ficara calado boa parte da conversa por não gostar muito de prolongar assuntos, mas a maneira como a moça dizia cada palavra até mesmo no menor dos dedos pequenos e delicados enchia-lhe os olhos. Ela fez uma pausa e sorriu para o horizonte; queria saber no que pensava, encarou a máquina fotográfica em seu colo. Um toque suave e agudo ecoou um pouco alto demais os assustando de tão concentrados em permanecer no silêncio. Ela pediu desculpas e pegou o aparelho no bolso de seu casaco para em seguida ficar de pé.
Como um grande detalhista, claro que ele reparou nas cores das vestimentas dela. Azul e amarelo, como na bandeira da sua amada Suécia, lembrou-se que tinha uma forte atração pelas duas cores. Ao vê-la desligar o aparelho e ajeitar o casaco presumiu que a jovem teria de partir, levantou-se também já adiantando um “Obrigado” por ela ter colaborado com seu trabalho. Mas antes dela começar a caminhar ele resolveu tirar mais uma foto.
–Você gosta de amarelo e azul, né? – perguntou curioso após guardar a câmera.
–Gosto, tanto na bandeira da Suécia quanto no da Ucrânia. Eu vou indo, encontramo-nos por aí. – acenou e foi afastando-se lentamente enquanto sorria singelamente.
Só agora que ele tinha parado para pensar em como ambas as bandeiras tinham mesmo a mesma cor. Amarelo e azul.
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Gilbert tagarelava incansavelmente sobre seu novo bichinho de estimação; um passarinho que encontrara enganchado em alguns galhos na árvore em frente à casa da moça, e tinha cuidado da asinha da ave e já se tornaram amigos. Elizabeta ergueu colher de pau ameaçadoramente, mas quem disse que ele percebeu? A porta da frente se abriu devagar, salvando o homem escandaloso de uma possível viagem de ambulância e hospedagem no hospital; sorridente, correu até a moça e a abraçou logo desandando em perguntar sobre o que ela achava da cidade, se estava tudo bem, etc. Yekaterina assustou-se, não costumava ser pega de surpresa, lágrimas formaram-se e a morena aproximou-se sorrateira por detrás do jovem.
Bufou já incomodado com a permanência do braço na mesma posição há mais de meia hora, sentia sua mão dormente e o antebraço latejar; segurava uma bolsa térmica que continha vários cubos de gelo, que por sua vez era pressionado contra o lado esquerdo de sua cabeça. Arrepiava-se só de lembrar pancada que levará daquela monstruosa frigideira. A loira que estava com sentada no sofá retirou a bolsa de suas mãos e lhe deu chocolate quente para tomar. Elizabeta voltou seus olhos para o filme que passava.
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Com a paleta de madeira no colo e a mão esquerda sustentando duas bisnagas de tinta acrílica de um amarelo ouro e outro azul celeste. Olhou ao seu redor e pegou o pote com pincéis e pôs-se a escolher uma para espalhar as cores que logo misturaria; arquitetava uma paisagem que combinasse, mas até agora nada tinha em mente, vinha pensando em pintar desde a madrugada. Pensou em mudar de lugar, levantou-se e foi até a sacada de seu sua sala, o vento gelado lhe era ótimo e já acostumado com o frio; tanto que às vezes as pessoas achavam eu ele havia adquirido o frio em seu coração, mal elas sabiam que ele apenas não sabia expressar suas emoções de maneira correta.
Arrumou o seu tripé para que ficasse de costas para a porta de vidro, logo encaixando o quadro. Olhou para a palheta com as tintas e pegou um pincel de cerdas macias e largas para que pudesse misturar e obter a cor que desejava; já com a imagem na mente ele começaria a riscar os traços finos com um lápis 2B. É importante em uma pintura já ter o desenho em mente e traçar as linhas com um lápis, mas bem de leve, na hora de pintar é de extrema importância começar primeiro com as sombras e preencher os espaços vazios que “ficam por baixo” dos outros traços para dar a impressão de profundidade à pintura. Para deixar o desenho mais realista e natural possível é preciso ter conhecimento de luz e sombra e sabe aplica-las com excelência e habilidade, utilizar todos os métodos possíveis. Saber pintar e pintar direito é completamente diferente uma da outra, não é todo mundo que sabe, e não é todo mundo que consegue fazer direito. Ao terminar o rápido rascunho empunhou o pincel e passou a espalhar o verde pelo espaço em branco de forma suave e em pequenas batidas. Ao terminar tratou de cuidar do restante da tela para começar a delinear os outros detalhes.
Meia hora depois já se via a tela pronta. Um lindo campo de girassóis sobre um céu algumas nuvens, parecia tão real que não evitou um sorriso de satisfação.
Ajeitou os óculos e virou até o parapeito a fim de ver o longo da rua foi quando se deparou com Yekaterina virando a esquina e parando em uma floricultura, ela observava algumas tulipas negras, das quais ele possuía e cuidava com todo seu carinho. Cuidar de flores era um de seus maiores prazeres, já que maior parte de seu tempo ele ficava sem fazer nada; não que fotografar fosse deixado em hiatus, afinal, era seu trabalho e ele amava tirar fotos. Já tinha todas as fotografias organizadas e guardadas para sua próxima exposição que seria um dos museus de Estocolmo. Suspirou e passou os dedos pelos cabelos levemente bagunçados, pensava seriamente se ia ou não aceitar aquela grande proposta de uma exposição em Copenhague, na Dinamarca. O problema era que ele nunca havia saído da Suécia. Novamente olhou para a rua, ela ainda estava lá. Mas agora segurava um pequeno vaso contendo tulipas negras.
Levantou rapidamente e foi até seu quarto pegar a câmera fotográfica, ao voltar aproveitou que a moça conversava com a florista e tirou apenas um foto. Sabia que era errado tirar fotos sem permissão da pessoa, mas ele precisava fazer isso para dar um toque a mais em sua pintura. Tinha deixado um espaço vazio e pouco sombreado no canto da tela.
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Yekaterina se despediu da florista e saiu a passos lentos em direção da esquina e caminhar até a rua principal para chegar à casa da amiga. Apertou o vaso que carregava; as tulipas eram lindas e exóticas. Parece que Gilbert havia quebrado o vaso de Elizabeta, consequentemente acabou desacordado no carpete da casa. Aproveitou a deixa, a loira se ofereceu para ir comprar outro vaso de tulipas, também querendo passear mais um pouco.
Agora ela olhava seu próprio reflexo no espelho da vitrine de uma loja em frente a um prédio de cinco andares entretida com algum produto que vira ali, mas não, estava pensando no que faria em seguida: voltar para casa ou continuar a explorar as ruas. Ainda meio indecisa ela entra na loja.
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Berwald percebeu que bastava de tinta e deixou o braço descansar na lateral de seu corpo enquanto ainda vislumbrava seu trabalho. A parte que antes estava em branco havia uma jovem loira de curtos cabelos e usando um vestido azulado, ao redor havia um imenso campo de trigo em um amarelo quase pastel, mas as cores na garota eram tão vivas e vibrantes que podia até transmitir calor próprio. Os traços dela pareciam tão reais que qualquer pessoa perguntaria se era uma foto. Descansou a palheta em cima de uma mesinha ao seu lado, as bisnagas que foram separadas para o processo estavam em seu colo, sorte que estava de avental. Limpou as mãos sujas de tinta e voltou a encarar seu quadro; com certeza era o mais bonito que pintará em sua vida.
Tinha uma lanchonete dentro daquela loja. Sentou-se em uma mesa encostada de uma janela e tinha a vista para o lado de fora da rua; ficou fitando o vaso que deixou em cima da mesa. Pediu um chocolate quente para poder se distrair/relaxar um pouco.
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Elizabeta cortava a beterraba para preparar uma salada, de vez em quando olhava de soslaio para o corpo jogado no sofá com mesma bolsa térmica com gelo do dia anterior, mas dessa vez comprimia-o em cima das costelas do lado direito. Às vezes ela se pegava pensando nele e se perguntava mentalmente: “Com mais de sete milhões de pessoas no mundo… por que eu fui gostar logo dele, esse diabo?”. A resposta ela sabia, só não conseguia dizer em palavras, muito menos a ele.
Gilbert estava esparramado em um monte de almofadas no sofá, estava ali desde que levou a mais recente "frigideirada". Havia entrado na cozinha com seus fones e movia os dedos freneticamente como quem tocando uma guitarra invisível, foi quando sem querer ele esbarrará no vaso de tulipas da morena, era o preferido dela. Fez bico e encolheu-se ao lembrar-se dos seus gritos. Ele era meio estranho; todos os dias a provocava e acabava tendo alguma lutinha com colheres de pau no meio da sala, nada de muito grande, mas naquela manhã fora diferente, sentiu que as palavras o atingiram pela primeira vez e da forma mais dolorosa possível. Sentou-se devagar ainda sentindo uma leve pontada nas costelas, levando involuntariamente a mão até a parte direita de sua caixa torácica.
“Tenho pena da sua futura esposa, se não cuida nem de um vaso imagine ela”.
Sim, ela exagerou! Vaso era um objeto que qualquer quedinha ela quebra ou trinca, mas uma esposa não.“A deixar cair e ela vira milhões de caquinhos, você junta e joga no lixo”era meio estranho, mas de qualquer forma aquilo o ofenderá e muito, não apenas essa frase, mas outra piores. Pobre Gilbert, sem defesa ou reação ficou em pé ouvindo cada palavra ácida que lhe era dirigida, as recebia como tapas. Não! Que ele saiba os seus tapas doíam muito menos, chegou a quase resmungar um“Bata-me com a frigideira até me desacordar, seria melhor do que ouvir isso tudo”.
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Yekaterina olhou para os lados com pontos de interrogações flutuando em seus olhos. A casa emanava uma aura sinistra que fez seu estômago apertar consideravelmente, e ficou se perguntando o que acontecerá depois que saiu? Gilbert estava sentado no sofá ainda e olhava para uma caneca, que antes estava cheia de hidromel, e mastigava uma salsicha; seu lado alemão falava mais alto. Já a amiga encontrava-se sentada na poltrona da sacada e fitava algo de interessante na rua, nem ao menos notou quando a loira se aproximou, tirou as luvas e tocou-lhe o ombro, estava tensa.
–O que aconteceu? – foi quando viu lágrimas em seus olhos. Espantou-se, ela não era de chorar tão facilmente, pensando bem, nunca a vira chorar, logo devia ser algo grave. Após ouvir a versão dela, a moça puxou a cortina para que o albino não as atrapalha-se, como se ele realmente quisesse deixar sua zona de conforto. – Aconselho você dizer logo a ele, e não me venha perguntar o que, eu sei muito bem o que passa com esse seu coração, você pode ser uma pedra por fora, mas é um pudim por dentro.
Amorena sorriu com a comparação e apertou a mão da loira, de certa forma era verdade, e já que não poderia escapar teria de resolver essa situação desconfortável que ficou entre ela e Gil, mesmo querendo correr dali.
Continua...
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