Sverige

2 Convivendo com um sueco


Notas iniciais
Entschuldigung! Sem criatividade para o nome do cap... Peço desculpas pelo atraso, eu queria um segundo capítulo perfeito e trazendo algumas coisas sobre e da Suécia que eu achei interessante, adorei mesclar tudo de maneira que combinasse com o jeito que eu estava pensando. O capítulo é grandinho e bitte, por favor, leia as notas finais que tenho tudo explicado sobre cada palavra que estiver em negrito, é importante, todas as curiosidades, comidas e traduções estão lá. Sobre as traduções e palavras em sueco/finlandês eu tirei de uns arquivos que eu possuo como o "aprender sueco" e "aprenda o finlandês básico" 8D sim eu estou estudando ambos, além do alemão. Enfim, leiam com carinho. Kuss.

Fazia um mês que havia visto e trocado palavras com Yekaterina, e todos os dias eles conversavam sobre assuntos banais quando se encontravam nas ruas pela manhã, e mais ou menos uma semana que voltará de Copenhague após sua última exposição, sentia-se novo, afinal, era sua primeira vez fora do país natal e claro que não deixou de sentir aquele friozinho na barriga só de lembrar-se do quão ansioso estava. Agora era focar na próxima exposição, o que não demoraria muito, sempre aparecia grandes oportunidades, seus quadros faziam sucesso.

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A loira olhava distraída para o mais novo casal à sua frente. Sim! A morena e o albino haviam se entendido depois da pequena briga, eram normais as alfinetadas durante o dia, mas antes mesmo de completar duas horas sem conversar eles já pediam desculpas e voltavam melosos e cheios de carícias. Nesse dia, percebeu que estava passando de nível “vela” para “castiçal”, essas carícias estavam passando além dos seus limites visuais e era hora de dar no pé; Yekaterina pegou seu cachecol azulado e saiu de fininho.

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Pousou a xícara de porcelana azul na mesa e fitou a janela da sacada. Ou era impressão sua ou a moça costumava a tomar chocolate quente naquela lanchonete todas as tardes? Ao menos ela sabia que ele morava tão perto dali? Inclinou de leve a cabeça e ficou a ponderar; tinha se passado um mês que ela começou a frequentar a loja e sentar na mesma mesa, e ele a fita-la em silêncio. Achava os traços dela suaves o suficiente para enfiar na cabeça que deveria ter mais ou menos 25 a 27 anos. Virou e passou os dedos pela tela levemente áspera e pintada, de maneira ou outra acabou por lembrar que tinha que comprar algumas bisnagas de tinta que tinham acabado dois dias atrás. Sem pressa alguma pegou o casaco de cor avelã e as chaves, saindo em seguida.

Já na loja, tentado a levar, além das já adquiridas bisnagas nas cores verde-folha e bege, uma nova paleta, ele voltou ao caixa.

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Saiu do estabelecimento pensando se compraria ou não um livro. Gostaria de ler o dia inteiro, já que Elizabeta e Gilbert estavam na casa, nesse momento discutindo/matando/amando um ao outro, eles eram barulhentos; mas isso a deixava feliz. Sem muita opção parou em uma livraria duas quadras antes da casa da morena.

Com os dedos finos e delicados ela sentiu o volume de cada livro nas prateleiras, sentia-se perdida entre qual escolher. Foi quando deu com uma edição em inglês de Kalevala[1], como só tinha encontrado em finlandês aproveitou para comprar. Saiu feliz da vida e abraçou o pacote do livro, massacrando o pobre objeto contra seus seios fartos. Parou no sinal ao ver uma pessoa do outro lado da rua segurando uma sacola de papel com todo o cuidado, seus olhos brilharam e, após olhar os dois lados, ela atravessou correndo.

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Berwald estava distraído pensando em um próximo tema para mais uma exposição. Antes mesmo de ter saído da loja teriam ligado para expor seus quadros na Alemanha, sem querer acabou aceitando, suspirou e levou a mão à testa tentando acalmar-se. Acabou que se surpreendeu com a aparição repentina da alguém ao seu lado e quase caiu com o baque de algo volumoso macio em seu peito, sentiu a apneia atacar ao ver os seios enormes prensarem contra seu corpo inocentemente, parecia que o casaco marrom dela estava apertado nessa parte… bem; e voltou os olhos a ela. A moça estava sorridente e começou a perguntar sobre as fotografias que ele havia tirado dela dias atrás. Convidou-o para ir à loja que passará a frequentar; o sueco, curioso, perguntava-se internamente o que realmente a atrairá naquele lugar.

–Ontem tomei um chá verde delicioso, não sou fã desse tipo de bebida, mas confesso que já está na minha lista de favoritos. – sorriu, as mãos apertavam o pacote do livro que, claro, não passou despercebido pelos olhos do sueco.

–Sim, é delicioso. – fez uma breve pausa – Desculpe-me, mas esse livro… — estagnou no fim.

–Ah, é Kalevala. – tirou o volume de capa bege do pacote e lhe mostrou – Eu o tenho em finlandês, mas como ainda estou aprendendo a língua e não sei de muito… achei melhor optar por um em inglês; dei sorte por achar este.

–Meu filho tem um deste.

–Tens um filho? – seus olhos brilhavam. A ucraniana tinha um lado maternal tão grande que ela nem ao menos se importa em saber a idade, basta dizer “filho(a)” e ela já estará do seu lado lhe apertando as bochechas e mimando – Quantos anos?

–Dezoito. Ele é finlandês, e na verdade é filho de minha falecida irmã, fiquei com sua guarda quando seus pais morreram em um acidente aéreo enquanto voltavam dos Estados Unidos a negócios; eu tinha ficado com ele e… era pequeno demais para lembrar; tinha cinco anos apenas. – ele olhou para sua xícara, a fumaça embaçava levemente a lente de seus óculos.

–Meus pêsames.

–Não se preocupe com isso, até porque Tino logo estará comigo. – sorriu – Ele viajou para a Finlândia para visitar o túmulo dos pais, todos os anos ele faz isso.

–Deve ser um menino bem responsável.

–E é… gostaria de conhecê-lo?

Ela acenou positivamente, seus olhos brilharam mais ainda, em um tom de azul tão fascinante que prendeu a atenção do homem. Adorava o azul de suas íris, amava o loiro de seus cabelos; Tino adoraria conhecê-la.

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Yekaterina estava radiante, tanto que já fazia mais de dez minutos que olhava para a mesma fórmula química e nem havia movido a lapiseira para resolver. Guardou seus papéis e saiu do quarto; na sala estavam Elizabeta e Gilbert, ambos assistiam a um filme de comédia que arrancava risadas extravagantes do alemão; percebeu os dois de mãos dadas e sorriu maliciosa, quase não dormirá direito aquela noite por causa de certos gemidos. Ah! mas como adoraria estar tomando chá verde com Berwald…

Foi à cozinha preparar algum lanche, logo voltou com um copo de suco e pães; pegou seu notebook e ligou ao sentar na poltrona, olhou de esguelha para o casal. A jovem sentava-se comportadamente, mas o outro se via esparramado no chão com algumas garrafas de cerveja ao redor e um prato com salsichas. Fechou os olhos, sentia sono, mas tinha de se manter acordada ao menos para ler à primeira Runa de Kalevala[2]. Ela segurava umabisnaga de queijo[3], abriu a tampa e passou nos pães, comeu-os vagarosamente; abria as pastas de documentos e analisava alguns arquivos em PDF.

–Deixa esse Pc e vem ver o filme mulher.

–Bem que eu gostaria Gil, mas não posso, tenho algumas coisas para terminar.

–Ah, ontem e lhe vi voltando com um cara, está saindo com algum sueco é? – teve a orelha capturada pela morena – Hei, não arranca!

–Deixa a Katia curtir a cidade.

Riu. Seu celular vibrou; uma mensagem.

Hej! Ursäkta[4] eu não queria incomodar, apenas gostaria de convida-la para vir hoje à tarde até minha casa, você queria conhecer meu menino. Har ni några planer för idag?[5] Se não, podemos nos encontrar naquela lanchonete da loja.

Hjärtliga hälsningar[6], Berwald”

Oh! Mas é claro que iria.

Tack för att ni bjöd in[7], estarei a caminho agora mesmo se for possível para você” – ela respondeu.

Ja, estou indo então. Vi ses![8]

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Tino só faltava babar com o doce que seu “pai” havia feito para lhe recepcionar, era uma deliciosa Prinsesstårta[9], genuinamente sueca; adoraria comer de uma vez, mas foi chamado pelos primos. Sim, os primos estavam lá, Mathias e Lukas acabaram por se deixarem levar pela onda do finlandês de ir visitar Berwald.

–Tino eu vou sair para buscar uma amiga, ela vai tomar um chá conosco. Tudo bem para você? – pegou as chaves já com o casaco nos braços.

–Tudo bem por mim, só não demore muito, quero comer a Prinsesstårta.

–Ok.

O homem saiu, deixando o garoto sobre cuidados dos primos, sabia que isso não daria muito certo, mas arriscou, afinal, sabia que Yekaterina era pontual e não demorariam a voltar, mas mesmo assim tinha medo dos primos acabarem pondo seu apartamento abaixo.

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Assim que viu a moça chegar logo ouviu sua doce voz.

Tack så mycket[10], adorei o convite.

–Não tem de que, seu sotaque sueco está melhorando.

–Tack, você tem me ajudado.

Começaram a puxar alguns assuntos enquanto caminhavam, o outro até tinha se esquecido dos primos e da possível bagunça que estaria seu apartamento em uma hora dessas. De alguma maneira aqueles lindos olhos azuis o deixavam mais calmo que o normal. Os curtos e macios fios loiros, ele adoraria senti-los, a forma natural e suave com que eles se moviam com a brisa despertava aquela deliciosa vontade de registra-la em um quadro. O rosto angelical, a combinação perfeita do azul os olhos com o loiro dos cabelos… o fascinava, sonhava todas as noites com ela, sentia algo, mas não conseguia descrever e muito menos saber o que era, precisava descobrir.

–Você está bem?

–Hm? – e só agora se deu conta que estavam em frente à porta de seu apartamento, podia até mesmo ouvir os ruídos que vinha do outro lado; estava tão distraído… — Ah nada não, só pensando em umas coisas.

–Ok.

Com medo de ver a bagunça que poderia estar aquilo, abriu a porta (bem) devagar. Lukas e Mathias estavam sentados no sofá, e incrivelmente de mãos dadas, que progresso era aquele tão repentinamente? Virou, Tino voltava da cozinha com seu prato de Prinsesstårta.

–Garotos… está é Yekaterina. – os dois do sofá levantaram e a cumprimentaram.

–Bem vinda. – falaram ao mesmo tempo, encararam-se e logo começaram a se alfinetar em suas línguas maternas. Pulando a parte deles Berwald aproveitou para apresentar o outro loirinho.

Hyvää iltapäivää. – disse gentilmente – Tervetuloa[11]. – voltou-se para o sueco segurando o prato com mais força – Posso comer?

–Ah, pode Tino, pode.

Alegre, jogou-se no sofá para comer seu doce. A moça riu com a fofura dele, seguiu o maior até a cozinha.

–Tino é um tanto tímido, mas logo cativa.

Jag Förstå[12]

Serviu-a com uma Prinsesstårta, já tinha visto vários daquele doce na semana passada quando foi ao Saluhall[13] fazer compras com a Liz; não estava com muita vontade de doces naquele dia e deixou sua curiosidade em prova-la para outro dia. Delicadamente cortou a parte esverdeada, mesmo com pena, pois era linda aquela massa verde. O sabor do morango e da baunilha parecia explodir em sua boca, a parte mais suave do chantilly e a fofura do pão de ló combinavam naquela bomba açucarada; nunca provará algo deliciosamente igual, será que era por ser feito por um legítimo sueco? Ou algum segredo no doce? Seu lado culinário despertava, talvez mais tarde pudesse pedir a receita.

A pequenina flor vermelha de marzipã fora apreciada devagar.

–Tu és um amante de doces, certo? – o encarou.

–Sim, cozinhar doces é um dos meus muitos hobbies.

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Estava ficando tarde, mas a morena não precisou se preocupar com a ausência da amiga. Quase caindo de sono; na noite passada não dormirá direito porque tinha dormido no quarto da loira para conversarem melhor enquanto o alemão aproveitou para sair com os amigos para beber. Gilbert apareceu na porta do quarto dela com o passarinho no ombro, tinha terminado o banho e a toalha ainda estava no pescoço.

–Agora durma, estás cansada. Assim que Katia chegar eu deito, ainda vou ver um jogo kesese~ – beijou-lhe a testa e pousou a pequena ave adormecida em seu colo – Cuida do pequeno para mim.

–Cuidarei.

Viu-a fechar os olhos e sorrir, a bolinha amarela remexe-se devagar. Seus dois amores.

Jogou-se no sofá e pegou uma garrafa de hidromel, ligou a Tv. Ponderou rapidamente sobre seu relacionamento com Liz, ainda não havia a pedido formalmente em namoro, mas não precisava, sabia qual era a resposta; mas mesmo assim o faria, para poder enfim sentir-se completo.

Sua garrafa estava quase esvaziando, os que tinham na geladeira eram em torno de sete. Scheiße[14], ele precisava comprar mais hidromel.

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Tino havia enganchado seu braço nos da moça e começado a desfiar uma longa conversa sobre Kalevala, além de ensina-la pequenas frases em finlandês. Berwald estava adorando a interação de ambos, já que o garoto não costumava fazer tantos amigos, ficou feliz por ele. A moça abriu o livro que o garoto lhe apresentou.

–Em que parte do livro tu estás lendo?

–Ah, está aqui. […]Väinämöinen, antigo menestrel,

Passou seus últimos anos em pleno contentamento,

Nos prados de Väinölä,

Nas planícies de Kalevala,

Cantando lendas sempre maravilhosas,

Canções de sagacidade e antiga sabedoria[…][15]

–Runa III, gosto desse também.

Berwald nunca havia parado para ler o tal Kalevala, mas depois de ver tamanha empolgação dos dois acabou por anotar mentalmente para tirar um dia e o ler.

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Yekaterina já havia voltado para casa, dando com Gilbert comendo pipoca, havia cinco garrafas vazias de hidromel ao seu lado e ele nem sentia os efeitos da bebida; não costumava se embriagar facilmente. Adivinhando que a amiga já devia estar no décimo sono foi até seu quarto pegar um pijama e tomar um banho quente para dormir.

Tino lhe cativou, era um doce de rapaz, apesar dos seus dezoito anos ele aparentava ter em média uns dezesseis. O vasto conhecimento que ele possuía sobre Kalevala era algo assustador, deveria ser um amante do livro tanto quanto ela mesma. Antes de ela ir embora o garoto a tinha pedido para voltar mais vezes e continuar a conversa. Durante o caminho para a casa, o sueco a acompanhou, parecia estar bem alegre com a conversa que tinha tido com o finlandês.

Agora ela estava cansada, queria uma boa noite de sono. Mas precisava acordar cedo, pois sabia que Elizabeta gostaria de sua ajuda durante a manhã para fazer Krémes[16] que só ela sabia fazer, só de pensar sentia água na boca. Gilbert que o diga! esse come dois se for deixar.

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Lukas acordará sem o seu habitual mau humor, surpreendendo o sueco que já estava de pé faz bom tempo. Não sabia e nem queria saber o porquê do norueguês estar com dor no traseiro e estar sorrindo ao mesmo tempo; melhor deixar o assunto para depois, nada de discutir sobre a relação de ninguém durante o café da manhã.

Mathias apareceu depois de meia hora, os louros cabelos pareciam mais um ninho de gaivotas, só faltava os filhotes. A camisa amarrotada já era comum nele, a cara de bobo também, mas o abraço que dera em Lukas e não levar uma voadora era uma surpresa. Oh! Tinham novidades no ar!

Achou melhor deixar os dois sozinhos e se ocupar com alguma coisa produtiva, afinal, tinha trabalho a resolver. Parou ao ver o livro do “filho” no sofá, curioso, tratou de sentar e ler. Logo na primeira runa ele não largou mais a leitura de tão empolgado.

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O cheiro de baunilha emanava do kréme que lhe fora dado, a culinária húngara era o forte de Elizabeta; e provar seus quitutes era seu prazer nos finais de semana, sempre havia algo novo, não parava de se surpreender. Seu notebook estava ligado em seu colo, a xícara de café na pequena mesa ao lado; tinha de terminar as anotações sobre as suas novas experiências com nitroglicerina e seus resultados, até agora nada havia evoluído, suspirou cansada.

Na noite anterior tinha pegado a biografia de Nobel e terminado de ler, costumava sempre ler um capítulo antes de dormir; até tinha tido uma nova ideia para seus experimentos, mas como não anotará acabou esquecendo. Gilbert apareceu na porta da sala comendo pão e segurando uma bisnaga de caviar[17]; não gostava daquilo, achava salgado demais, perceberá que os suecos amavam comer caviar e usavam diariamente durante o café da manhã. Certas coisas da Suécia ela não apreciava. Tipo no dia em que havia saído para passear e passou por uma praça, viu um grupo de amigos abrindo uma lata amarela dentro de um balde com água; podia jurar que eram Lukas e Mathias que estavam naquela roda também. Yekaterina sabia muito bem o que era aquela latinha, nada mais nada menos queSurströmming[18]. Nunca tinha provado, e nem queria, manteve distância suficiente para que o cheiro do peixe não chegasse perto dela.

A culinária sueca ainda lhe era um tanto estranha. E surpreendente!

Ao terminar as anotações e fazer pequenos cálculos químicos, levantou e fez uma massagem nas mãos que começavam a ficar dormentes; certas vezes se perguntava por que tinha escolhido a química como profissão…

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Em plena madrugada e o apartamento do sueco ainda estava com as luzes acesas. Sentado em sua cama, Berwald avaliava suas fotografias e selecionava aquelas que participariam da sua exposição na Alemanha, deveria ter rejeitado, mas agora era tarde, as preparações já haviam começado. A tela que havia pintado de Yekaterina estava embalada em plástico-bolha e guardada dentro do baú do outro lado de sua cama; gostaria de dar a ela.

No seu colo o mais novo pacote de folhas A4, os seus favoritos para desenhar, pois era mais durinho. Procurou o lápis 2B dentro de sua gaveta e pensava em um rabisco para passar o tempo.

Tulipas.

Isso! Desenharia tulipas negras. Os traços leves começaram a ganhar forma rapidamente. Não demorou muito para logo estarem prontas; cerca de meia hora se for contar o tempo gasto produzindo as sombras das pétalas e folhas. Faltava algo…

Uma hora depois e lá estava o sueco jogado na cama, o desenho em cima de um travesseiro. Não sabia como simples rabiscos de tulipas foram se transformar no rosto de Yekaterina, estava pensando demais naquela moça, não conseguia nem mesmo um simples desenho como aquele sem pensar nela. E o pior, não conseguiu ainda descobrir por que se sentia dessa forma com ela, nunca sentiu nada igual por pessoa alguma. Pegou o celular de dentro de seu bolso e digitou o número de um amigo seu; talvez ele o ajude a desvendar aquilo.

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O celular de Gilbert tocou três vezes e nada de atenderem. Elizabeta acordou com aquele toque irritante e pegou o aparelho, conhecia Berwald e o atendeu.

Hej?[19]

Godkväll[20] Elizabeta, desculpe por lhe incomodar este horário. Eu precisava falar com Gilbert, é urgente.

–Ok, passarei a ele.

Levantou da cama preguiçosamente e foi até a sala, sabia que ele não deitará por causa do jogo ainda; provavelmente encheu a cara, e como de costume, dormia no sofá. Sem excitar pegou um livro do chão, que fora colocado ali para dar espaço às garrafas de hidromel na mesinha, e sem dó a jogou na cabeça do albino; este se levantou de um só salto armando-se com a almofada.

–Porra Liz! Que maneira linda de me acordar viu?

–Tack! – estendeu o celular – Berwald quer falar com você, disse que é urgente. Eu vou voltar a dormir se não se importar. – cambaleou pelo corredor e sumiu pela porta.

–Diga amigo, o que te perturbas nesta linda manhã?

–São três da madrugada.

–…Nesta linda madrugada?

–Preciso te perguntar uma coisa, mas não posso lhe falar por celular, será que tem como nos encontrarmos mais tarde? – guardava seus papéis, o celular no viva voz.

Klar[21], só diga-me o horário e estarei sem atraso.

Notas finais
[1]Kalevala: “Terra de heróis” em finlandês. Uma epopeia finlandesa escrita por Elias Lönnrot, ele utilizou várias lendas antigas finlandesas que até hoje permanecem preservadas, já que eram feitas em forma de cantigas e passadas oralmente. Narra a história de quatro heróis, o principal é Väinämöinen. Eu possuo o arquivo em pdf, são mais de 460 páginas em inglês e 400 em finlandês. [2]Runa de Kalevala: É como se fossem capítulos. (Runa I, Runa II etc.) [3]Bisnaga de queijo: Sim, é comum no café da manhã sueco ter bisnagas de queijo, assim como o de caviar como mais a frente. É esquisito, mas deve ser bom. [4] Hej! Ursäkta: “Olá! Desculpe” em sueco. [5] Har ni några planer för idag?: “Você tem planos para hoje?” em sueco. [6] Hjärtliga hälsningar: “Com carinho” em sueco [7] Tack för att ni bjöd in… : “Obrigada pelo convite” em sueco. [8] “Ja, estou indo então. Vi ses!”: “Sim, estou indo então. Até logo!” em sueco. [9] Prinsesstårta: “Bolo de princesa” em sueco. É um bolo sueco e é montado por camadas; é feita de pão de ló, pode ter geleia de morango ou framboesa, creme de baunilha e uma espessa camada de chantilly e por fim uma camada de marzipã moldado de forma que o bolo fique redondinho, polvilhado com açúcar; geralmente é encontrado na cor verde e em cima uma pequena flor de marzipã em vermelho ou rosa. [10] Tack så mycket: “Muito obrigada” em sueco. [11] “Hyvää iltapäivää. / Tervetuloa.”: “Boa tarde / Bem vinda” em finlandês. [12] Jag Förstå: “Entendo” em sueco. [13] Saluhall: “Mercado Municipal” em sueco, um dos principais mercados de Estocolmo. [14] Scheiße: ‘merda’ em alemão [15] […]Väinämöinen, antigo menestrel, Passou seus últimos anos em pleno contentamento, Nos prados de Väinölä, Nas planícies de Kalevala, Cantando lendas sempre maravilhosas, Canções de sagacidade e antiga sabedoria[…]: É um pequeno trecho da já dita Runa III que eu traduzi do inglês com ajuda de uma amiga, como já dito também, eu tenho o livro Kalevala em inglês e em finlandês, caso esteja curioso em ler, deixarei um pequeno pedaço dos mesmos. A tradução eu não sei ao certo se está completamente correta, qualquer coisa avisem nos comentários, bitte. “Vaka vanha Väinämöinen elelevi aikojansa noilla Väinölän ahoilla, Kalevalan kankahilla. Laulelevi virsiänsä, laulelevi, taitelevi.” Em finlandês. x “Wainamoinen, ancient minstrel, Passed his years in full contentment, On the meadows of Wainola, On the plains of Kalevala, Singing ever wondrous legends, Songs of ancient wit and wisdom.” Em inglês. [16] Krémes: Bolo húngaro. São bolos de baunilha e creme envoltos em massa folheada com uma pitada de polvilho de açúcar por cima. Em Budapeste se veem vários tipos de krémes que levam geleias e outros tipos de recheios. [17] bisnaga de caviar: como já dito, é muito consumido assim como o queijo em bisnaga. E é salgado... [18] Surströmming: É uma comida muito popular sueca e consiste em um tipo de peixe chamado Arenque, ele é fermentado e vendido em latinhas, tipo os de sardinha. O problema é que por ser fermentado com salmoura quando abertas as latas o peixe solta um forte cheiro de podre, além disso a pressão que forma dentro da lata é grande, então cuidado ao abrir uma, e principalmente, abrir em local ABERTO, pois o odor é quas insuportável, ao fazer isso, use de preferência, máscara apropriada, luvas e tenha um balde de água por perto para abrir a lata dentro. Para amenizar um pouco o sabor ele é comido com pães e outras especiarias típicas suecas. Uma pequena curiosidade sobre essa comida; em abril de 2006 algumas empresas aéreas proibiram a venda de Surströmming no aeroporto de Estocolmo porque havia o risco de explosão, afirmando que as latas pressurizadas eram altamente explosivas, seus produtores afirmam que a explosão é um mito. Mas enfim… só não coma isso. Se tiver alguma dúvida quanto ao alimento, pesquise no Youtube, há vários vídeos de pessoas abrindo latas ao ar livre. [19] Hej?: “Olá?” em sueco. [20] Godkväll: “Boa noite” em sueco. [21] Klar: ‘Claro’ em alemão Eu sei, foi cansativo ler isso tudo, mas só uma coisinha que eu acabei deixando passar no primeiro capítulo. Hidromel é uma bebida fermentada, logo alcóolica; feita com água e mel ela era muito utilizada em cerimônias na Roma e Grécia Antiga, pelos celtas, saxões e vikings, poderia ser esse o tão falado “Néctar dos deuses” para os nórdicos. Tem uma pequena historinha sobre a bebida que não explicarei, pois está muito extenso isto aqui, mas ela tem a ver com o significado de “Lua-de-mel”. Era só, até o próximo capítulo. Kuss.