Shell Hudson
3 Ganho uma super mochila e um amigo bode.
Notas iniciais
CERTO, pensei, normalmente eu deveria estar surtando agora, mas a historia deles meio que explicava todas as “bizarrices”da minha vida, e o fato de eu nunca ter tido um pai.
Minha mãe disse que ele foi embora quando eu tinha um ano e meio, por causa do trabalho, mas ele nunca voltou depois. Eu já tinha perguntado à ela se ele tinha morrido, nessas horas ela sempre tomava um ar sonhador e dizia: “Ah, não, querida! Seu pai esta vivo, ele só deve estar muito ocupado.”. Bem, compreende-se, deve ser muito complicado ser um deus. Mas bastante para impedir alguém de conhecer sua filha?
Dou uma olhada em Leo que caminhava ao meu lado e me pergunto qual seria seu pai/mãe olimpiano.
– Ok. Se isso tudo que vocês estão dizendo é verdade, quem é o parente imortal do Leo?
– Meu pai é Hefesto. — Ele disse. — O deus grego das invenções, da construção...
– Não foi aquele que Zeus jogou do Olimpo? Eu achava que ele era o Deus do fogo. — Falei me lembrando da historia.
– Isso é o que dizem, mas na verdade quem o jogou foi Hera. — Leo corrigiu e, pelo tom da sua voz, ele não era muito fã da rainha dos deuses. — E, sim, uma das especialidades de Hefesto é o fogo. — Quando disse isso, ele deu uma piscada para Grover, como se fosse uma velha piada.
– Legal! Então você constrói coisas ou algo assim? — Pergunto enquanto subíamos as escadas do prédio.
– Acertou. — Enquanto falava, ele tirou sua mão do bolso e me mostrou um pequeno objeto redondo de ferro. — Eu acabei de fazê-lo, ele desarma alarmes.
Uau! Subestimei este garoto, ele construiu um sistema para desarmar alarmes só enquanto nós andávamos.
– E você Grover? — Eu quis saber, ao mesmo tempo que apertava o botão do 16° andar no elevador.
– Ah! Bem... Eu não sou um semideus. — Ele disse meio desconfortável.
– Como assim?
– Mostra logo para ela, cara! — Leo o encorajou.
Grover deu de ombros e começou a tirar os sapatos, mostrando os seus pés. Não, não pés, CASCOS!
Eu sei, é feio encarar, mas quando se descobre que o cara com quem você passou os últimos dez minutos tem cascos no lugar dos pés... bem, só encarar não é tão errado assim.
Agora ele estava tirando o gorro e, como se já não fosse o suficiente, lá, no meio dos cabelos enrolados, tinham dois montinhos pontudos. Sim, os montinhos eram exatamente isso que você está pensando: chifres.
– O que você é?! — Perguntei com uma voz aguda.
Caramba! Deuses, monstros e agora isso!
– Eu sou um sátiro: meio bode / meio homem. — Ele respondeu ofendido.
– Como você esconde seus chifres nesse gorro? Eles são grandes.
– Magia.
A resposta foi curta, como se ele esperasse que eu podia deduzir o resto. Bem, eu tenho uma coisa para te dizer, querido Grover: NÃO SOU BOA COM DEDUÇÕES!
A porta do elevador se abriu, eu ouvi um pequeno “Uau!” vindo do lado do Leo. Pena que mamãe não está em casa, ela me deve algumas explicações.
– Sinto muito, está um pouco bagunçado. — Eu digo, indicando algumas caixas no canto da enorme sala de estar.
– Bagunçado? Você devia ver o chalé de Hermes lá no acampamento! — Leo exclamou, o que me fez sorrir. Ele falava desse acampamento como se fosse a casa dele.
– Garoto bode, você e o Leo aqui, podem ir ali na cozinha comer o que quer que sátiros e filhos de Hefesto comem. Eu vou tentar descobrir o que eu preciso levar e...
– Eu vou com você. — Leo interrompeu. — Você vai precisar da minha ajuda, e eu não estou com fome mesmo. — Ele continuou antes que eu pudesse contestar.
Olha, dês de que nós somos pequenos ouvimos os adultos dizerem coisas como: “Não fale com estranhos.” Ou “Não deixe ninguém entrar em casa quando estiver sozinho.”. Considerando que eu acabei de quebrar essas duas regras, eu acho que levar um garoto para o meu quarto não será um grande problema.
Ah! E caso você esteja se perguntando: Não, eu não faço isso com todos os garotos que eu conheço.
De qualquer maneira, eu fui até o meu novo quarto, Leo me seguindo em silêncio.
– O que é esse acampamento que você e o Grover vivem falando? — Perguntei para começar uma conversa.
– O Acampamento Meio-Sangue? É um dos únicos lugares onde pessoas como você e eu podemos viver sem ser atacados por monstros toda semana. — Ele respondeu, aparentemente, ele adorava aquele lugar.
– Um dos?
– Sim, também existe o Acampamento Romano, para os semideuses romanos. Caramba!
Eu tinha acabado de abrir as portas do meu armário, que não tinha nada demais a não ser roupas, muitas roupas. Metade delas eu nunca tinha usado.
– Você tem tanta roupa quanto uma filha de Afrodite. Se eu não tivesse visto aquela sua foto com sua mãe, eu poderia achar que ela fosse Afrodite. — Disse Leo olhando admirado para as montanhas de roupas.
– Minha mãe adora tentar fazer com que eu socialize mais. A maneira mais direta que ela encontrou é me dando roupas e arranjando ocasiões para que eu possa usá-las. — Eu expliquei. — Então, do que eu vou precisar? — Mudei de assunto.
– De tudo o que se precisaria se fosse para um acampamento de férias. Sabe: camisetas, shorts, meias,...
– Certo. — Disse. — Enquanto eu separo tudo, você poderia pegar, ali no canto, do lado da cama, a minha mochila? — Pedi, enquanto enfiava a cabeça dentro do guarda roupas à procura de calças.
– Ah! Esqueci de te dar isso! — Ele exclamou de repente, tirando a própria mochila das costas e a estendendo para mim. — Ela é especial, cabe tudo o que você quiser aí dentro, e ela é sempre leve.
– Obrigada. Mas e as suas coisas?
– Grover tem tudo na mochila dele. A gente trouxe essa para você, o único problema é que nós não sabíamos se você era menino ou menina, então eu instalei uns apetrechos. — Ele deu de ombros.
– Bom. Como eu faço para usá-la? — Disse saindo do armário, uma pilha de camisetas, shorts, calças, meias e roupas intimas no braço.
– Aqui. — Ele se aproximou e abriu o zíper da mochila. — Ponha tudo dentro.
Eu obedeci.
Quando as coisas tocaram o fundo da mochila, elas simplesmente afundaram, voltando a deixar a mochila vazia.
– Agora ponha a sua mão aí e pense em algo que está dentro. — Mais uma vez, fiz o que ele disse.
Olhei de volta no fundo da mochila. Minha calça jeans rasgada, estava lá, como se nunca tivesse sumido.
– Demais! E se eu esvaziar a mochila e esquecer alguma coisa aí, ela vai aparecer sem eu ter que pedir? — Perguntei, porque sou meio esquecida para essas coisas.
– Não se preocupe. Quando ela não está muito cheia as coisas aparecem de volta. — Ele me deu pequenos tapas amicais no ombro.
Eu gritei, fazendo ele pular para traz.
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