Lume Rubro

5 Capítulo 5 - 1676, Lume Rubro, Lion - O mentiroso


Notas iniciais
Olá pessoas! Desculpe a demora. Eu estou com muitos trabalhos na faculdade e infelizmente, meu ganha pão, têm de ser minha prioridade! T.T Bom, vamos parar de chiar, né? Boa leitura, espero que gostem.

1806, Atlântico, Barco Lume Rubro, próximo ao porto de Lion

Fazia dias que estavam naquela maresia pouco estável. Era dia 12 de fevereiro, aproximadamente meio-dia. Darin sentia enjoo. Até ele não aguentava mais. Não tinham mais comida, fora uns poucos biscoitos duros e roídos por camundongos. Restava pouca água.

— Eu quero atracar! — Xingou Ian, que já estava na milionésima marca no convés, feita por sua faca. Que, por sinal, era algo antigo. Cravado em marfim com letras belas e bem marcadas: ‘Ian Rosenhoff I’. Enquanto isso, a bandana suada e nojenta não saia de seu pulso. Aquilo, ninguém, mesmo, entendia.

Darin o fitou. Não gostava daquilo, mas não ia opinar. Continuava com a bússola, girando o timão que fazia as velas tremularem de um lado para o outro. Will estava no mastro, segurando uma corda, descendo como rapel um segundo depois, com sua luneta, indo diretamente para Darin, e lhe questionando sobre algo, que respondeu assentindo, movendo a cabeça de forma tão leve, que parecia ter se movido pelo vento. Em seguida, encaminhou-se rapidamente para as portas largas do quarto do capitão.

— Capitão? — Chamou.

— Que é, Will? — A voz baixa e rouca dava a entender que o capitão dormia. Obviamente, já que ainda era meio-dia, e ele só costumava acordar às duas da tarde.

— Estamos próximos de Lion e... — Foi interrompido.

— Lion? — Abriu-se uma das portas, com o capitão apenas com a blusa de baixo e uma calça. — Interessante. — Um sorriso trapaceiro surgiu em seus lábios finos. — Vamos atracar. — Indagou.

— Graças a Deus! — Expressou-se Will, junto a Nathan, que já se sentava à mesa, sem ajudar ao companheiro.

Nathan riu. Arqueando a sobrancelha. Sempre a mesma. — A comida acabou. Vocês não aguentariam dois dias sem comida... — Ricocheteou ele. Era verdade. Todos concordaram sem muita discussão.

— Capitão!! — Ouviu-se um grito baixo de dentro do navio. Logo, um jovem alto e magro, que provavelmente se encurvava para adentrar os compartimentos de carga, saiu para o convés e a luz do sol. Apertando os olhos, reclamando mentalmente pela curta cegueira repentina.

— Meu Deus. O que foi, Timmy? — Perguntou.

Timmy estava levemente ofegante. Mostrou um papel mofado, como todos os outros, mas, provavelmente, um pouco pior, para o capitão. Ainda atônito, sussurrou. — Pode estar em Lion.

— O quê? — O capitão apertou os olhos, pegando o papel e lendo-o melhor.

— Isso é só lenda. — Darin refutou. — Não tem como.

— É mesmo. Faz quase ou mais de 18 anos... não tem como. — Will teve que concordar.

— Mas e se... — Timmy forçou, sorrindo como um bobo. Seus olhos brilhavam.

Sean arqueou ambas as sobrancelhas. — É... Quem sabe. — Ele sorriu para o papel, apertando-o de leve. — Vamos mesmo... atracar! — Afirmou mais alto e claro, cantarolando um pouco.

Naquela tarde chegaram à França. Atracaram e esperaram que os outros navios atacassem primeiro. Eles não queriam muita coisa. Um pouco de ouro e prata, comida e água. Mas o tesouro deles não era nem um pouco equiparável ao que pareceria.

Naquela noite, eles atacaram, e fogo, gritos e choros irromperam por todos os cantos daquele pequeno porto. Um estalo forte.

O grupo naquele momento já havia obtido quase tudo que queria... só faltava uma coisa.

Foi aí que se separaram. Foi aí que aconteceu. Uma enorme explosão. Um farol caindo. Pobre farol... Pensou-se Will e Timmy, seguindo para o meio da floresta.

Darin se ateve um pouco ao canhão. Percebendo que entre as pedras, caia um corpo. — Mas o quê? — Reclamou, apertando os olhos. A noite estava escura, já devia ser dia 13 de fevereiro. Ele tinha que estar imaginando, mas de qualquer forma, fora investigar.

Jogou-se na água. Estava frio, estava escuro. Um corpo então se fez aparente. Parecia uma alga esbranquiçada, era um vestido. Contra a água, um rosto e cabelos quase tão claros quando a "alga-vestido". Darin apertou os olhos, sentindo a ardência do sal. Um colar se fez presente em seguida. Um camafeu. Darin apertou os olhos mais ainda. Era impossível. Puxou a garota até uma ilhota seca. Ela estava desacordada. Ótimo. Além de pesada, não sabia nadar.... Ou apagou, o que era pior ainda.

— Mas o que é isso? — Darin apertou os olhos. Não enxergava, é lógico. Tocou no objeto, estava gelado devido à água, reluzia com a luz da lua. Era um camafeu grande e reluzente, para abrir, um enigma. — Será possível que é o Criptex? — Tinha a base arredondada e áspera. — Não é possível... — O jovem riu, soltando o colar e colocando a garota loira desmaiada em suas costas. — Vamos lá... Catarina. — Resmungou o jovem, carregando-a até o Lume Rubro.

Subiu pela proa, colocando a jovem nos caixotes. Esperou que todos chegassem.

— Mas em?! — Ian exaltou-se, como nunca havia feito. Estava suado, manchado de sangue, mas sorrindo.

— Meu Santo... que beleza de sereia... — Riu-se Will, caminhando para perto do corpo desacordado.

— Não. Toque. — Foram as poucas palavras de Darin.

— Como é? — Sean agora quem já estava com um dos dedos sob a clavícula da moça. — O que é você? E o que fez com Darin?

— Não. Toque. — Repetiu mais uma vez. Agora estavam os cinco ainda mais encantados pelo corpo feminino, se Darin a queria só para ele, algum motivo deveria haver.

— Por quê? — Arriscou Timmy, achando que sua amizade não estaria desprotegida.

Darin não emitiu palavras. Pegou ambas as espadas, uma de cada bainha que estava em sua cintura. — Cacete! Façam o que mandei! — Ordenou, guardando uma das armas em seguida.

— Quem acha que é? — Sean arqueou uma sobrancelha. — Darin?

— É sério. — Mandou de novo.

Todos os jovens o fitaram. Ele estava incrivelmente sendo sincero. Nenhum deles entendia o que estava acontecendo. Mas preferiram não perguntar. Estavam bêbados, tontos, cheirando a pólvora, machucados e manchados em sangue alheio. Era melhor não questionar. Não por hoje.

Darin suspirou aliviado, mas todos os outros o acharam estranho. Caminhando cada um para o seu quarto, ou melhor, rede. Ele encarou o corpo por mais alguns instantes. Fitando o pingente, este se encontrava por baixo do vestido. “Por favor, lua, não brilhe tanto hoje... Por favor...”. O pingente se encontrava muito pouco visível mas, brilhava. Não era para brilhar.

— Ninguém encontrou, né? — Perguntou Sean, logo depois que Darin adentrou o quarto das redes.

— Não. — Todos responderam em uníssono.

Infelizmente, nem todos falavam a verdade.

Notas finais
Espero que tenham gostado!! Qualquer coisa vocês gritam, esperneiam, ok? :3 Mais uma coisinha linda... Deixei um review para a minha pessoa!! o/ Obrigada!! Beijos!