Lume Rubro

6 Capítulo 6 - 1676, Atlântico, próximo à França


Notas iniciais
Oie gente! Desculpem a demora, mesmo... Eu estou simplesmente bloqueada. Mas agora, já tenho esse e mais um capítulo começado!! *-* Hihi... Espero que gostem!!! :3

Não se tinha certeza do que fazer. Ninguém fazia. Era uma mulher em um navio pirata inglês. Realmente, a maioria daqueles no navio só queria despachá-la, ou tê-la, o que, infelizmente, não era possível. De preferência, ainda na França.

— Darin, por que a trouxe aqui? — Perguntava o capitão, Sean, tentando tirar a informação que não conseguiu na noite anterior, em uma reunião no meio da noite, enquanto a francesinha, Catarina, dormia.

— Do que lhe interessa?! — Respondeu o jovem, nem um pouco respeitoso.

— Você está muito brusco. — Reclamou o mais velho, o sotaque forte, incomodando aqueles que haviam nascido na Inglaterra.

— Não é nada. Só a deixe aqui. — Ele mandou.

— Mas nem gosta dela. Ao menos se estivesse lá em baixo, fazendo outras coisas ao em vez de estar aqui, eu não reclamaria.

— Até parece. — Respondeu, revirando os olhos.

— Vamos esquecer um pouco isso. — Mandou Ian. — Não encontramos o que queríamos. Para onde vamos, então?! — Ele xingou. Batendo o punho fechado contra a mesa de centro.

— Nós vamos para Deauville. — Disse Timmy, mostrando no mapa um ponto um pouco a oeste de onde estavam.

— Por quê? — Agora o reclamão era Nathan. Ele só queria ir para casa, o mais rápido possível.

— Porque estamos quase sem mantimentos! — Falou o magrelo. — Você, mais do que ninguém deveria saber.

Nesse momento Will concordou. — Vou voltar para o meu posto. — Ele confirmou animado, voltando para o caralho* logo em seguida, contudo, parou no batente da porta por um instante, voltando-se para Timmy. — Você vai me substituir de manhã. — Mandou.

— Então estamos de acordo. — Falou Darin, também querendo se esquivar de mais conversa, saindo junto com o jovem anterior, votando para o leme. — Ian, depois já sabe. — Ele não terminou, era o pedido de substituição, o mais próximo que ele chegaria de ter um diálogo real com qualquer pessoa.

Enquanto os últimos detalhes eram concordados entre os marinheiros, Catarina dormia em uma das redes no casco. Por sinal, ela não sabia em qual dormir. Tentou encontrar aquela que fosse mais limpa e longe do resto. Aquela rede se encontrava contra o casco do navio, o que era ruim porque se ouviam os ratos em movimento, as ondas do mar e às vezes, encostava no molhado e no mofo da parede, mas, ao lado tinha uma mesinha com uma vela, o que aliviava um pouco a garota. Ela não conseguia realmente dormir, mas se esforçava para ser o mais madura possível. Pelo menos, aquele péssimo incidente, facilitou ela de ter que se desvencilhar de Nicolas mais uma vez. Afinal, ele era um francês pacato, dono de alguma manufatureira em Paris... Ok... Dono da maior manufatureira de Paris, mas, ainda assim, não iria atrás de Cat, né? Ela suspirou, virando-se para encarar a madeira molhada e escura, iluminada pela minúscula vela.

No dia seguinte, Catarina estranhou que ninguém pediu para que ela se levantasse, o que, contudo, achava mais que lindo... Férias em um navio pirata, quem diria. Ela acordou com a batida de uma onda enorme contra o casco, e sentiu a iluminação de fora pelas frestas entre a madeira. Aquilo era horrível. Ela se sentia horrível. Devia ter dormido poucas horas, se é que contou-se mais de sessenta minutos.

— Bom dia, flor do dia. — Falou Will, que ajeitava a calça. Ainda bem que ela havia acordado dois segundos depois, senão veria algo que não queria. Não mesmo.

— Oi. — Ela disse baixinho, subindo para o convés.

— Vamos. O que faz aí em cima?! — Reclamou Nathan, que estava também no convés.

— Quero respirar, ué. — Ela insistiu, se sentindo ofendida.

— Vamos lá para baixo. Só esperava que acordasse! — Ele xingou, apertando seu antebraço e a guiando pela minúscula escada, de volta ao casco, para uma sala à esquerda do 'quarto'. — Você sabe descascar batatas? — Indagou o jovem de olhos castanhos, entregando-lhe uma faca e uma saca com três batatas. — São as últimas. Não desperdice. — Ordenou.

— Vocês confiam em me dar uma faca? — Ela indagou, olhando para as batatas.

— Não é como se você fosse mais hábil que eu... ou qualquer um nesse navio. — Ele riu, colocando lenha em um pequeno espaço que detinha uma panela não muito limpa em cima.

— Só tem isso de comida? — Perguntou novamente.

— Você vai continuar fazendo perguntas?! — Ele reclamou. Mas não se negou a responder. — Sim. Na verdade, vamos zarpar em Deauville, para conseguirmos mantimentos pelo menos até um lugar mais próximo da Inglaterra.

— Vamos para a Inglaterra? — Perguntou novamente.

— Olha. Pense bem na pergunta, porque só vou lhe deixar fazer mais uma. Não seja idiota. É claro que vamos para a Inglaterra, é nossa casa. — O jovem se sentia enfadado. Aquele diálogo não era nem um pouco produtivo.

A garota concordou, picando a primeira batata já descascada. Enquanto isso, Nathan pegava as cascas e as colocava junto com o caldo que fazia, para dar sustância. Catarina observou. — Não faça assim! — Mandou, movendo-o para longe do fogo e retirando as cascas.

— Pare! Já não temos o que comer, e vai proliferar insetos! — Ele a xingou, puxando-a forte pelo braço, fazendo com que se desequilibrasse com o movimento do navio.

— Escuta! — Ela mandou nele, quase contra a parede. – Deixa que eu faço. Juro que vai ficar bom.

O jovem a encarou, não queria concordar. Não mesmo. Contudo, sentou-se na cadeira e deixou-a solta, levantando as mãos. — Ok. Se quer trabalhar por dois... — Ele ficou a observá-la. Achou-a bonita. Ela tinha poucas, mas belas curvas. Agora, porque tinha pouco peito?! Ele se perguntava.

Enquanto isso, a menina, ignorando-o completamente, continuava a cortar parte dos alimentos, só que não mais descascava as batatas, cortava-as com casca e tudo. Aquilo fazia com que as batatas não encolhessem. A água não ficou tão robusta quanto Nathan queria, mas, ainda assim, ele gostou do caldo-sopa feito pela moça, afinal, ficou salgado e tinha pedaços de batata e cenoura. O outro acompanhamento era as bolachas secas e roídas pelos ratinhos.

Nesse momento, Catarina apertou o cenho. — Espera... Tá acabando a comida.

— É... — O jovem falou baixinho, como se a ignorasse, não tinha certeza se era para contar ou não.

— Adivinha, Cat!! — Disse Will, se aproximando de forma que ela voltasse um degrau da escada que subia com os biscoitos, enquanto Nathan, atrás, quase deixava cair toda a sopa recém-pronta.

— Hum... — A menina perguntou, ficando irritada com o apelido.

— Nós vamos zarpar amanhã!! — Ele se aproximou mais. Ela se distanciou mais, de novo.

— Que legal. — Sorriu a menina. Ficando agradecida, principalmente pela preocupação com o alimento, que ela viu ser urgente.

Will finalmente começou a se distanciar aos poucos, contudo, sem retirar o sorriso maroto e jovem da face. Ela foi subindo, voltando à polpa, colocando os biscoitos na mesa que se estendia contra o sol. Não muito depois algumas aves se acumularam e ela teve que espantá-las. Estava começando a perceber algumas coisas difíceis naquela vida. Não que achasse que seria fácil.

O almoço havia sido feito. Estavam todos contentes. Nessa hora, Darin, que não abriu a boca um instante, desceu para dormir, junto de Timmy. Os outros cada um com seu papel se foram. Ian continuava ajustando algumas cordas, olhando Catarina em alguns momentos, mas também, sem falar. O mais aberto era Sean, que começou a explicar para Catarina o que iria acontecer.

— É até bom que esteja aqui. — Disse ele. — Assim não vão suspeitar tanto que somos piratas.

Logo Cat se retraiu. — Não vou ajuda-los a roubar! — Ela logo falou.

— Não vamos roubar. — Riu Sean. — Mas também não queremos assustar ninguém. — Ele sorriu, tocando-a no ombro e olhando o vestido sujo e surrado. — Mas para isso, era melhor... — Ele franziu o cenho. — Você trocar de roupa, né... — O jovem sorriu maliciosamente.

A menina se distanciou um pouco. — Co-como assim?

O escocês riu, pegando-a pelo pulso e puxando-a para o seu quarto.

Notas finais
*Caralho: Gente, o 'caralho', antes de ser um palavrão era o significado do topo do mastro, onde fica o marinheiro com a luneta. Fonte: Dicionário. ^^ Obrigada por lerem até aqui!! Eu espero que tenham esperado! :3 Kissus!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.