Lume Rubro

2 Capítulo 2 - Memórias 1675, Paris, O Tomate


Notas iniciais
Olá pessoas, boa noite!! Desculpe a demora em postar (primeira coisa~~) É que tenho aulas em julho e ainda por cima, tenho trabalhos da faculdade (ME MATE~~) Ok, é isso mesmo! Boa leitura, espero que gostem. Obrigadíssima pelas leitoras~~ *-*

Dia 06 de Dezembro de 1805, onze horas, Paris.

— Vamos meus filhos! Se apressem. — A Senhora de cabelos vermelhos reclamava com as duas filhas e o filho mais velho que a seguiam desgostosos pelas ruas chiques de Paris.

— Está quente! — Reclamava Daiana.

— Estou com coceira! — Reclamava Filipe no colo da irmã, Catarina, e essa por sua vez, também não poupava palavras:

— Mãe, esta roupa é demasiado pesada e acaba por sujar-se contra as defecações dos cavalos. Poderíamos ir logo para casa? — A menina praticamente implorava, apesar da formalidade que ela mantinha fora de casa. Estava quase desmaiando com o sol quente contra o rosto e o irmão no colo. Aquele dezembro estava quente demais para seus padrões de inverno francês.

— É verdade, mamãe. Se quer casar Catarina ela não deveria cheirar estrume, não é mesmo? — Riu-se Joan, que mais dificultava o processo que ajudava com as compras.

A mulher olhou feio para as crianças, logo em seguida abrindo o leque para se abanar. — Não devem reclamar. Sigam-me. — Ordenava como se fosse Maria Antonieta.

Os quatro bufavam resolutos.

Alguns minutos depois, com Flávia caminhando na frente, as crianças começaram a correr mais uma vez. Filipe era o que mais preocupava, ele já havia sumido três vezes, e não seria a última. Catarina se distraíra com uma pilha de tomates maduros, o irmão, ainda em seu colo.

— Dariam um ótimo prato com o salmão do mês... — Pensou alto.

— Aéh! Quem se importa? — O menor xingou, chutando o estômago da irmã que o soltou por instinto. No mesmo instante que caíra no chão, o menino fugiu para Deus sabe aonde, mas não era como se ela fosse se preocupar, quando via uma pilha tão adorável daquele fruto.

Apesar de estar com luvas brancas, correu os dedos por alguns tomates, colocando-os em uma pilha que apelidou de ‘quem sabe’. Estava no penúltimo de sete tomates quando o mesmo escapou de suas mãos e se espatifou no chão. Ela apertou os olhos, visivelmente irritada!

‘E lá se vai o maldito vestido que custou as economias...’. Ela pensou, rezando para que sua mãe não a tivesse visto. Mas algo pior aconteceu.

— Com licença, deixe-me ajuda-la. — Um jovem se agachou diante dela, limpando delicadamente o suco de tomate que manchava a barra de seu vestido.

Ela queria chutar o jovem, mas sabia que seria pregada em uma cruz se o fizesse. — Não há problema. — Sorriu. — Eu tirarei a mancha ao chegar em casa. — Confirmou.

— Não duvido de suas habilidades na lavadeira, mas não gostaria que desse ao trabalho de suas delicadas mãos fazerem isso. — O garoto se pôs de pé, agora olhando-a nos olhos. Seus olhos eram de um azul tão profundo que assustava, e os cabelos tão claros que pareciam o sol, a brancura afligia qualquer um que olhava. — Por favor? — Ele pediu a mão de Catarina. — Sou Nicolas Trimente. — Ele sorriu, mostrando impecáveis pérolas por debaixo dos lábios. O que era raro naquela época.

— Ah. Claro. — A garota estava desconfortável por ser fitada tão de perto, até seus poros eram visíveis da distância em que ele estava.

— Gostaria de andar comigo. — Realmente, não foi uma pergunta. E mais uma vez, o sorriso perolado surgiu na face do jovem.

Ele não era feio, isso não, mas era pálido, como uma boneca de porcelana de exposição. Provavelmente, trabalhava em um banco, ou em uma rota de comércio, algo em que não precisasse sair do escritório. Um relógio de bolso se fazia presente em seu colete, como ela imaginava, ele tinha dinheiro, e, provavelmente, pensava que ela também, não é mesmo? Arqueou uma das sobrancelhas decidindo se arriscava uma pergunta ou não.

Preferiu não fazê-lo, afinal, como ela queria mesmo era simplesmente dizer não. Queria sair dali e nunca mais ver o tal jovem. Até assustava. Desde aquele momento ela percebeu o quão importuno e chato ele seria. Por quê? Por quê? Por quê? Era tudo que ela perguntava, repetidas vezes em seu cérebro... Eu odeio isso. Eu odeio isso. Eu odeio isso.

O resto das memórias vocês já sabem. Ela realmente teve que acompanha-lo, ser delicada, sorrir, rir e dançar.

Dois meses depois, dia 10 de fevereiro de 1676, ele estava na porta de sua casa, de joelhos. Sujando uma bela calça azul de caxemira:

— Por favor Catarina, nunca fui tão feliz em todos os meus anos de vida. Vou ficar sem respirar se não me responder com a mesma alegria que lhe faço esse pedido. Por favor, case-se comigo? — Ele abriu uma caixinha de cetim, mostrando o diamante de zilhões de quilates que ela jamais imaginaria usar.

Ela olhava para baixo, e, não sabendo o que dizer, olhou para a mãe, que naquele momento já se abanava de felicidade. Ela queria gritar, sentia vontade de se esconder dentro de casa e de nunca mais sair.

— Eu... — Ela hesitou. — Eu não sei. — Disse por fim, soltando um suspiro longo e envergonhado. — Não posso aceitar assim... — Tentou se corrigir, pensando rapidamente em uma desculpa. Ela realmente, simplesmente queria dizer não. — Nem... — Parou de novo. — Nem conheço sua irmã ainda!! — Exclamou já ofegante de nervoso. Ainda bem, ela havia lembrado de algo que poderia adiar o casamento.

— Verdade. — O jovem herdeiro mordeu o lábio, fechando a caixinha com o brilhante, mais uma vez bem guardado, e longe do dedo anelar de Catarina. — Em demasia, querida Catarina. O que eu faria sem você?

‘Seria menos babaca...’. Pensou ela, não evitando um sorriso triunfante. — Ah... — Hesitou mais uma vez. — Não sei, querido Nicolas, casaria com outra? — Disse acidamente, tentando não parecer óbvia.

— Não. — Ele se fez firme. — Eu jamais me apaixonaria por outra que não você.

‘Ah! Não me enche!’. Ela queria gritar, não podia. Um sorriso cálido e tão falso quanto um burro rosa surgiu em sua face. — Claro... Claro... — Respondeu virando-se de costas e voltando para a porta de casa, sem abri-la, Sr. Trimente a interrompeu.

— Vamos conhecer minha irmã. — Ele afirmou. — Semana que vem, está selado! — Ele pareceu animado. — Assim, nós poderemos nos casar antes do outono.

‘Por que a pressa? Quem sabe acha uma vagabunda melhor.’. — Mas, por que... — Ela se interrompeu. Não poderia fazer isso com sua família. — Quero dizer, — Sorriu para ele, que já se punha em cima de seu cavalo tão pálido quanto ele. — É claro, querido. — Sorriu.

Ele sem mais palavras partiu para Paris.

Vendo-o já longe, soltou. — Preferia casar com o cavalo. — Entrou em casa irritada.

— Para com isso. — Começou Daiana. — Você bem que não vai arranjar nada melhor mesmo. — Ela riu, só porque Flávia ainda não a importunava, resumiu-se a pensar Catarina.

— Que eu fique sozinha, então. — Virou-se para o bordado que acabara de começar. — Nada disso faz sentido. — Ela pareceu irritada, colocando-se de pé, correu até a sala – minúscula – de música e bateu no piano, tocando Vivaldi.

— Vê? — A voz da irmã se fez mais uma vez presente. — É por isso que todos querem a você e não a mim! — Ela parecia uma adolescente reclamona, espera, era mesmo.

— Para de reclamar! Deveria ser grata por eu ser a mais velha. Ninguém te oportuna porque nem menstruou ainda! Pare de reclamar! Não seja retardada! — Começou Catarina, sem tirar os dedos do piano. Queria xingar mais, e falar mais alto, mas sua mãe, estando na cozinha, logo a repreenderia.

— Isso é porque tem certeza de que não vai ficar sozinha! — A irmã pareceu não se importar com os gritos da mais velha, mas bateu o pé com salto no assoalho, como quem esperneia, saindo do cômodo.

— Eu preferiria ficar sozinha a casar com um estranho... — Sussurrou Catarina para o marfim sob seus dedos, fechando os olhos para se acalmar.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Até o próximo! Kissus! Lucyanni!