Epitáfio
9 Capítulo 9

Coloquei as duas pernas para fora da janela e simplesmente me joguei. Quando bati no chão senti que meus ossos haviam virado poeira. Mas Thomas pulou logo atrás e me fez sair correndo que nem uma louca. Não tinha como ir até o carro, então pulamos a cerca da casa de Sophia e continuamos correndo pelo matagal que havia atrás do quintal. Eu nunca havia corrido tanto, e o pânico de ver que aquelas pessoas estavam vindo com tanta fome para cima de nós me fez ver que sim eu poderia sentir alguma coisa.
– Thomas, pra onde? O que vamos fazer? – eu estava desesperada.
Quando me dei conta tínhamos atravessado a cidade pelo aquele mato e estávamos em outra rodovia, onde Thomas roubou um carro e nos levou de voltar a mansão.
– Não conte a ninguém sobre isso, ok? – pediu ele.
Eu disse que sim. Nós dois já estávamos calmos quando chegamos a mansão. Eu assisti as aulas, com minha mais nova mascara de estou adorando tudo isso. Mas a única aula que eu realmente gostei era como lidar com caçadores, nós estávamos aprendendo a lutar e a usar armas, o que pelo o que eu havia presenciado ia ser bem útil. Eu não me importava de como nós havíamos sido criados, e nem com os humanos. Eu sentia fome e precisava sacia-la, não interessava como. Só que Thomas não concordava comigo e então eu tinha que me comportar.
Antes de adormecer comecei a folhar o diário de Sophia, eu sabia que ela era mais solitária do que aquele sorriso na foto aparentava, eu via isso naquele caderno. Eu esperava que se de alguma forma ela estivesse me ouvindo não ficasse magoada. Mas a vida dela era fingir ser feliz, era bem o que eu estava fazendo. Talvez não fôssemos tão diferentes. Ela tinha a mãe chamada Ruth que era estilista e o pai Robert que era presidente de uma empresa, isso era o mesmo do que viver dia-a-dia sozinha. Eles não davam atenção a ela e o resto da família morava longe. E mesmo sentindo pena dela, o diário não me apresentava algo útil. Até que percebi uma anomalia na capa do diário. Ele era desproporcional ao resto e depois de fuçar com uma tesoura encontrei um pendrive. Precisei pensar duas vezes antes de levantar e ir escondida até a sala de informática. Me surpreendi ao ver que eu não era a única fora da cama aquele horário, e que talvez não fosse proibido ir até lá no meio da noite.
Escolhi o computador mais escondido e coloquei o pendrive. Foi ali que encontrei o verdadeiro diário dela, o problema é que eu me reconhecia naquelas palavras. Minha teoria de roubo de corpo estava indo por água a baixo, eu estava viva sim, eu era parte da Sophia. Ela não era aquela garota doce das fotos, ela fingia ser. E eu era o lado assassino e descontrolado do corpo dela.
Fale com o autor