Epitáfio

10 Capítulo 10


Lá estava 21 de agosto de três anos a trás, a primeira vez que Sophia foi levada a uma clinica para fazer “exames de rotina”. Foi submetida a experiências e a torturas. O pai de Sophia tinha descoberto que Ruth havia traído ele com um homem “da noite”. E desse concubinato havia nascido à garota. Robert fazia parte de um centro de pesquisas do governo e foi quando Sophia tentou matar sua própria irmã Valentina que ele a levou para a para esse tal lugar. Ela descrevia tudo que eu sentia ao sugar um humano. Eu era normal agora morta, mas ela viva era uma assassina psicótica. Então a partir dos nossos quinze anos, começaram os testes para saber o que ela era. Eu não sabia como eles haviam descoberto que o pai biológico dela era um semi-humano, mas descobriram. Foi então que ela finalmente tinha conseguido, ela havia perdido o controle e matado uma médica.

Eliza me assustou quando eu lia sobre a morte da médica. – Você deveria estar dormindo.

– Ah eu, estava pesquisando. E você está acordada por quê? – tentei tirar o pendrive antes que ela percebesse.

– Eu não durmo tanto quanto você. Minhas horas de sono já estão diminuindo. E como está sua pesquisa?

– Já consegui o que eu queria, vou dormir. Boa noite

– Boa noite. Ah Sophia eu... – então ela parou e eu também.

Olhei para trás mais gelada e trêmula do que era possível. Ela ficou mais branca do que o normal. Ela sacudiu a cabeça – Droga. Me desculpe.

Cheguei perto dela e gaguejando perguntei como ela sabia do meu nome de viva. Ela me puxou pela mão e me levou até o quarto dela. – Eu... Eu não sou uma morta normal. Eu vejo as coisas. Vi você lendo sobre você na informática e foi por isso que fui até lá. Pra saber se era verdade. Eu ando enlouquecendo com essas coisas. – ela começou a chorar.

– Eliza você viu mais alguma coisa sobre mim?

Ela desviou o olhar – O que você viu?

– Vi você sugar um homem no cemitério.

Então eu me sentei no chão e fiquei olhando para o nada. Isso não podia estar acontecendo.

– Me desculpe, foi sem querer, essas coisas simplesmente acontecem. Eu fico desesperada, não sei o que fazer.

– Eu vou te ajudar. Mas você tem que prometer que não vai contar pra ninguém, e toda vez que você achar que está pirando vai me procurar imediatamente. Combinado?

Ela ainda não havia parado de chorar, mas sacudiu a cabeça concordando.

Eu puxei meu colchão e dormi no quarto dela aquela noite. E lá estava eu. Observando Sophia sair de uma festa toda maquiada e meio bêbada. Um carro prateado parou ao lado dela, e dois homens a puxaram para dentro do carro.

Quando acordei Eliza estava lendo um livro na cama.

– Oi, você está melhor?

– Um pouco. Não durmo muito.

Levei meu colchão de volta para o meu quarto e depois de tomar um belo banho fui encontrar com Eliza no refeitório. Quando chegou às 9 horas Thomas veio me encontrar. Eu entreguei o pendrive a ele e disse que dessa vez eu iria sair com Eliza que precisava de ajuda. Ele concordou e nos deu carona até um shopping. Obvio que quando chegamos lá saímos andando para o outro lado. Eu ia arrumar um humano para ela sugar. Perto de um bar sujo encontramos um homem tentando assaltar uma mulher. Era perfeito, salvaríamos uma vida.