Doce Red
18 Zarpar
Notas iniciais
— Levantar âncoras e sarpar.
A voz. Doce. Fina. Esvaece pelo cômodo. Red está girando, com um navio de brinquedo em mãos, saltita até mim, entregando e levando o dedo indicador até os lábios vermelhos, vermelhos sangue, sangue, pintados dele. Sangue dela. Está toda cortada, com várias marcas pelo corpo, o sorriso desaparece e começa a chorar. O som agudo reverbera, pura dor e agonia.
Pisco. Ela está no chão, largada, meio sentada meio deitada, cabeça pendurada para o lado, levemente caída. A olho. Apenas metade de seu braço presente, os pés arrancados, com marcas de dentes ao redor da carne viva.
Pisco. Ela some, tudo some. No lugar agora apenas uma câmera sobre a mesa de vidro, a mulher em minha frente, esperando. Devo ter parado novamente. Limpo a garganta.
— Na quinta tentativa de fulga, Red se tornou instável, como se houvesse duas personalidades em si. Fugia e voltava. Então decidi levá-la para nossas formosas luas de mel. Em outra cidade, com campos e florestas, uma casa abandonada, com vasos de greda, um estúdio e greda para formá-los. Na primeira vez, Red acabou vegetando, pendurando de cabeça para baixo da cama para o chão, olhando à janela, estava caçando.
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