Doce Red
28 Quente, Red
Notas iniciais
Não sinto meus braços, estão à tanto tempo estendidos que vibram constantes. O vaso que demorei à construir caído, quebrado. Coração disparado, estou ofegante, as penas cansadas de lutar, chutar, derrubar aparelhos, objetos, a candeia que ilumina o local agora no chão, formando uma poça de óleo quente perto de meu corpo, minha única fonte de calor desde o início. Ofego. Minha pele exposta, congelando. Os ossos duros como pedra. Quero gritar, mas minha garganta se fecha a cada tentativa de abrir os lábios trêmulos. As lágrimas congelam no meio do caminho, não sinto nada e ao mesmo tempo sinto tudo, cada toque, cada rajada de vento.
Carlos está em pé perante a porta, fechando, organizando, limpando. Volta ao quarto, tremo, o medo consumindo minha alma, viro o rosto, não consigo encarar, a face que tanto amo distorcida em puro ódio.
— Carlos... — Nada além de um murmúrio sôfrego, e minha pele do abdômen queima, olho para baixo, há sangue, um corte limpo, grito, outro golpe, mais abaixo, minhas pernas. O ar, não consigo respirar, sua mão está ao redor, obstruindo, aflita. Garganta se fechando, bile subindo, viro o rosto, regurgito, tusso. Ele ergue minha cabeça, lançando ao chão violentamente.
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