Covenant of Risk
1 A não tão típica história de origem
Notas iniciais
Emily estava fazendo uma trança no cabelo da pequena Carrie de cinco anos. Essa era a primeira vez que Carrie iria para uma escola e a menina estava odiando a ideia de aprender tudo o que ela já sabia, mas ela não tinha escolha, desde a morte de seu pai, Emily tem feito de tudo para que a filha levasse uma vida normal, o que é meio complicado para uma criança de cinco anos que é bem mais inteligente que um adulto mediano.
— Mãe, tenho mesmo que ir? —Carrie perguntou bem desanimada.
— Carrie, você sabe que é para o seu próprio bem. — Emily argumentou cansada. Ela já havia dito isso para a filha várias vezes durante o fim de semana, mas a menina não se conformava. — Pronto! – disse Emily, terminando de fazer uma trança no cabelo de Carrie. — O que você acha? – perguntou Emily, colocando Carrie na frente de um espelho.
— Um pouco mais de fofura e o meu contrato com a Disney já está garantido! – ironizou Carrie enquanto Emily viu as horas no relógio.
— Vamos! A Sra. Hermman já deve estar te esperando!
***
— O que você acha de pedirmos pizza no jantar? — sugeriu o pai de Amy enquanto ia com a filha até o elevador.
— Ótima ideia! — respondeu Amy entrando no elevador junto com o pai.
— Espera! — gritou Emily correndo junto com Carrie em direção ao elevador, o pai de Amy resolveu segurar o elevador para as duas entrarem. — Muito obrigada! — agradeceu Emily entrando no elevador com a filha.
— Disponha! — ele respondeu. — Você deve ser a vizinha nova.
— Sim, eu sou Emily e essa é a minha filha Carrie, nós nos mudamos para cá faz dois dias. — explicou Emily.
— Bem, eu sou Joshua e essa é a minha filha Amélia.
— Amy. — corrigiu a garota que preferia ser chamada pelo apelido.
— Mas ela prefere que a chamem de Amy. — completou o pai e o elevador parou em um andar e logo em seguida Ally entrou nele.
— Amy não é um apelido próprio para Amélia, mas é um bom apelido. — comentou Carrie.
— Obrigada. — respondeu Amy estranhando o fato de Carrie falar como se fosse um adulto.
Quando chegaram ao térreo, Ally resolveu caminhar até a escola, enquanto Amy entrou em um carro junto de seu pai ao mesmo tempo em que Emily levou Carrie até uma van cheia de crianças.
— Eu posso ter aulas em casa então? — perguntou Carrie, que não estava com vontade nenhuma de entrar naquela van.
— Até mais tarde, Carrie! — respondeu Emily colocando a filha dentro da van.
***
Logo que Ally chegou ao colégio ela foi abordada por uma colega da aula de geografia.
— Você ainda está com o meu livro. — disse a garota.
— Ah sim! É claro! — respondeu Ally pegando o livro, mas quando ela devolve o livro as duas se distraem ao ver uma garota alta e de cabelos pretos chegando. Ela nem chamaria tanta atenção se não fosse pelo fato de que ela estava usando um short e um sutiã vermelho sem nenhuma blusa por cima com apenas uma jaqueta preta de couro aberta.
— Quem é ela? — perguntou a garota que estava com Ally.
— Eu sei lá! Ela deve ser novata. — respondeu Ally.
— Com licença... — disse um garoto indo até a garota nova. — Quem é você?
— Eu sou a Kat, eu me mudei para cá faz pouco tempo.
— Eu sou o Oliver, se precisar de qualquer coisa você pode contar comigo.
— Tudo bem então... Oliver. — respondeu Kat e o sinal tocou avisando que estava na hora de todos irem para as suas salas.
***
A motorista da van estacionou na frente da escola onde Carrie iria estudar e levou a menina até a porta.
— Srta. Dopperman, essa é a Carrie, a nova aluna.
— Carrie, é um prazer conhece-la. — disse a Srta. Dopperman, mas Carrie não esboçou nenhuma reação. — Você vai adorar a nossa escola.
— Improvável. — respondeu Carrie fazendo com que a Srta. Dopperman estranhasse o jeito de ela falar, mas ela resolveu não questionar e levou a menina até a sala de aula.
— Com licença... — disse a Srta. Dopperman entrando em uma sala junto com Carrie. — Turma, essa é a nossa nova aluna, Carrie. O que devemos dizer para ela?
— Seja bem-vinda, Carrie! — disseram todas as crianças juntas e logo em seguida Carrie foi se sentar em uma mesa que fica bem no canto da sala.
** *
Horas depois no colégio onde Kat e Ally estudavam...
O sinal tocou avisando que já estava na hora, então todos saíram de suas salas, incluindo Kat, que foi direto até o armário dela.
— Ei, puta vermelha! — gritou uma garota chamando a atenção de Kat. — Como é ser uma vadia?
— Eu não sei, mas acho que é você quem deveria saber. — rebateu Kat.
— O que você está insinuando? — questionou a garota.
— Oh, não! Eu só estou sendo educada ao dizer que você também é uma vadia.
— O que diabos você pensa que é?
— Eu sou Katherine Hargen, tenho dezesseis anos e apesar de eu ter nacionalidades estadunidense, britânica, espanhola, portuguesa, brasileira, russa, francesa, egípcia, sueca, canadense, porto riquenha, argentina, chilena e muitas outras, eu nasci na Califórnia, então, teoricamente, eu sou uma garota da Califórnia. Também sei falar cinquenta e sete idiomas, incluindo alguns que são desconhecidos. E você, quem é você mesmo?
— Eu...
— Ah! É mesmo! Eu não me importo! Deixa-me adivinhar, você deve ser uma daquelas típicas bullies americanas, não é mesmo? Eu não me importo com o que o que você faz ou deixa de fazer, eu só quero que você saiba que é bom você não mexer comigo, porque se você mexer, eu vou revidar e acredite, no quesito vingança eu não sou uma amadora. Agora, se você puder me dar licença, eu estou faminta e não pretendo desperdiçar mais um minuto com você. — assim que Kat terminou ela tomou o caminho do refeitório e deixou a garota que a estava implicando sem ter o que dizer.
***
Enquanto isso na escola onde Carrie estudava...
Carrie já estava cansada das aulas e ainda não havia se enturmado. Sem querer ficar mais um minuto naquele lugar, a garota começou a bolar um plano no qual ela saísse da escola sem ninguém perceber. Então ela pensou em uma maneira de sair dali e voltar antes do fim das aulas, assim ninguém notaria que ela saiu e a garota não teria que ficar em um lugar onde se sentia deslocada. Assim que a professora se distraiu, Carrie saiu da sala sem ser vista e logo em seguida ela pulou uma das janelas do térreo e conseguiu sair de lá.
***
Kat pegou o lanche e procurou uma mesa para se sentar, após dar uma rápida olhada pelo refeitório, ela viu Ally sozinha em uma das mesas e resolveu se sentar ao lado dela.
— Oi! — cumprimentou Kat se sentando ao lado de Ally.
— Oi... — respondeu Ally sem entender direito o que estava acontecendo.
— Você é religiosa? — perguntou Kat.
— Hã... Acho que não...
— Moralista?
— Não.
— Luta pela moral e os bons costumes?
— Isso não é a mesma coisa que moralista?
— Puritana?
— Acho que não. — Ally já não estava entendendo mais nada. — Aonde você quer chegar com isso?
— Só quero descobrir quanto tempo durará a nossa amizade. — explicou Kat.
— E como você sabe que seremos amigas?
— Sexto sentido. — respondeu Kat que logo em seguida foi abordada pela diretora.
— Srta. Hargen, podemos conversar? — perguntou a diretora.
— Depende, isso vai demorar? — questionou Kat.
— O que está tentando provar? — questionou a diretora.
— Como é?
— O que está querendo provar vestida como uma prostituta?
— Eu só estou fazendo o que eu quero, como uma típica adolescente da minha idade.
— Então pare de fazer o que quer e vista-se adequadamente ou eu terei que tomar as devidas providências, estamos entendidas? — questionou a inspetora fazendo com que Kat feche o zíper do casaco, tampando o sutiã e a falta de uma blusa.
— Prontinho! — respondeu Kat com certo deboche no tom de voz e logo em seguida a diretora saiu dali.
— Pra alguém que desafiou a escola inteira, até que você não é tão rebelde assim. — comentou Ally.
— É que eu não pretendo ser expulsa, pelo menos não ainda. Quero fazer algo bem marcante antes.
— Mais marcante que hoje eu acho que é impossível.
— Impossível é algo que eu desconheço. — respondeu Kat. — Mas me fale sobre você.
— E o que você quer que eu fale sobre mim?
— Ok... Vamos jogar aquele velho jogo. Oi! Meu nome é Katherine, mas todos me chamam de Kat. Qual é o seu nome?
— Alyssa, mas todos me chamam de Ally.
— Por que Alyssa precisaria de um apelido?
— Sei lá, é assim que todos sempre me chamaram.
— Qual é a sua matéria favorita?
— História, e a sua?
— Física.
— Sério? — questionou Ally.
— Sim, e a minha segunda matéria favorita é química e logo em seguida vem matemática.
— Uau! — Ally estava admirada.
—O que foi?
— Você não parece ser do tipo cientista.
— E você não parece ser do tipo antissocial. Por que não consegue arrumar amigos?
—Eu tenho alguns amigos, eu só não gosto de ser cercada por pessoas.
— Então você não arruma amigos de propósito? — questionou Kat.
— É por aí!
— Por quê?
— Eu não me sinto confortável em um grupo de pessoas.
— E eu achando que você estava desconfortável por estar conversando com uma garota que você mal conhece e que ficou conhecida por puta vermelha.
— No seu caso é isso também.
— Com certeza seremos melhores amigas! — disse Kat.
***
Enquanto Carrie andava pela rua, a menina notou alguns olhares curiosos voltados para ela. Todos com o mesmo pensamento “Cadê os pais dessa criança?”.
— Ei pirralha, passa um dólar! — disse um menino em tom ameaçador.
— E por que eu faria isso mesmo? — questionou Carrie.
— Porque se não fizer, eu quebro o seu nariz! — ameaçou o menino.
— Vá em frente, se não tiver nenhum amor a sua coluna cervical. — Carrie ameaçou.
— Você está me ameaçando?
— Sim, ela está! O que você vai fazer? — perguntou Amy em tom de ameaça fazendo o menino fugir assustado.
— Como você fez isso? — Carrie perguntou admirada.
— É que eu já quebrei o braço dele uma vez. — Amy explicou.
— Você sabe quebrar braços?
— E pescoços também, apesar de nunca ter tentado. — respondeu Amy. — Você não é meio nova para estar matando aula?
— Não é meio nova para saber quebrar pescoços? — Carrie questionou.
— Como fez para que ninguém soubesse que saiu? — perguntou Amy.
— Se eu voltar antes das aulas acabarem ninguém perceberá. — respondeu Carrie.
— E o que você vai fazer enquanto as aulas não acabam?
— Alguma sugestão?
— Poderíamos tomar um sorvete. — Amy sugeriu.
— Essa seria uma boa ideia se eu tivesse dinheiro.
— Não se preocupe, eu pago! — Amy respondeu.
***
Algumas horas depois na escola onde Ally e Kat estudavam…
O sinal tocou avisando que estava na hora de ir embora. Todos os alunos saíram de suas salas e foram para o lado de fora incluindo Ally e Kat.
— Até amanhã Ally! — disse Kat surpreendendo Ally por trás.
— Até! — respondeu Ally e logo em seguida Kat entrou em um carro onde a mãe a esperava.
— Como foi a aula hoje? — perguntou a mãe de Kat.
— Normal. — Kat respondeu friamente.
— Vai ter um jantar hoje à noite...
— Eu não vou. — Kat interrompeu.
— Mas...
— Se me obrigar a ir, eu juro que vou usando apenas uma lingerie e vou dançar em cima da mesa.
— Katherine, já chega! Nós vamos a um psiquiatra agora mesmo!
— Para o carro! — Kat gritou.
— Não!
— Pare a merda do carro ou eu pulo! — Kat ameaçou.
— Você vai é ficar nesse carro e me acompanhar até o psiquiatra agora mesmo!
— Se você prefere assim! — Kat abriu a porta do carro e ameaçou se jogar fazendo com que a mãe parasse o carro. A garota saiu correndo e nem fez questão de olhar para o carro onde a mãe estava gritando por ela. Quando a garota estava andando pela rua, ela viu Ally entrar em um prédio e deduziu que era ali que a amiga morava.
***
Emily e Carrie chegaram à porta do apartamento e Emily começou a destranca-lo.
— Como foi a aula hoje? — Emily perguntou.
— Normal. — Carrie respondeu.
— Oi, Carrie! — Amy disse de longe.
— Oi, Amy! — disse Carrie e logo em seguida Amy entrou no apartamento onde morava.
— Quem é ela? — Emily perguntou curiosa.
— A garota que estava no elevador com o pai dela mais cedo. — Carrie respondeu.
— Não sabia que eram amigas.
— Não somos.
— Carrie, eu tenho que ir a uma entrevista de emprego, então daqui a pouco eu vou te levar para conhecer a sua nova babá... — Emily percebe que Carrie não está mais lá. — E lá vamos nós...
***
Quando Ally estava destrancando a porta do apartamento ela teve uma surpresa ao encontrar Carrie atrás dela.
— Posso ajudar? — Ally perguntou estranhando a presença da menina ali.
— Você tem Netflix? — Carrie perguntou.
— Não, mas a minha tia tem.
— E HBO?
— Sim, por que quer saber disso? — Ally questionou.
— Quer ser a minha babá?
— O quê?
— A minha mãe quer me deixar com uma velha chata, por favor, aceita ser a minha babá antes que seja tarde! — Carrie implorava.
— Eu...
— Eu juro que fico calada, não te peço nada e nem vou ser uma criança mimada e birrenta.
— Se eu fizer isso, quanto a sua mãe vai me pagar?
— Eu juro que muito bem.
— Carrie. — disse Emily indo até as duas. — Vamos daqui a pouco. Nós temos que ir até a sua babá.
— Não vamos precisar, ela vai me olhar. — disse Carrie apontando para Ally.
— Filha, eu não sei se ela...
— Tudo bem, eu tomo conta dela. — disse Ally. — Nós moramos no mesmo prédio mesmo, assim fica mais fácil para você.
— Como ela te convenceu? — Emily perguntou.
— Digamos que ela é bem persuasiva. — Ally explicou.
— Por favor... — Carrie pediu.
— Está bem! Qual é o seu nome mesmo? — Emily perguntou.
— Alyssa.
— Eu venho buscar a Carrie mais tarde, e então combinaremos o quanto eu vou te pagar e, por favor... Tente faze-la ficar longe da internet. — Emily aconselhou.
— Pode deixar!
Mais tarde...
A campainha tocou e Ally foi atender e se surpreendeu ao ver Kat lá segurando uma mochila e uma sacola com produtos para cabelo dentro.
— O que você está fazendo aqui? — Ally perguntou.
— Eu posso me esconder aqui? — Kat perguntou.
— Por quantas horas?
— Até amanhã.
— Não...
— Por favor, eu só quero ficar em um lugar onde ninguém da minha família me ache, só até amanhã. — Kat pediu.
— Tudo bem, entra. — disse Ally deixando Kat entrar.
— Oi... — disse Kat para Carrie.
— Oi. — Carrie respondeu.
— Carrie essa é a Kat. Kat essa é a Carrie. Fique a vontade, mas não quebre nada. — disse Ally que logo em seguida voltou a escrever no notebook, então Kat se sentou ao lado de Carrie no sofá.
— O que você está fazendo? — Kat perguntou curiosa.
— Olhe para a televisão e terá sua resposta. — Kat deu uma rápida olhada para a televisão e viu que Carrie estava assistindo Game of Thrones.
— Game of Thrones, você tem bom gosto. — Kat comentou. —Deixe-me adivinhar... Você é algum tipo de criança prodígio incompreendida que não gosta que a trate como criança. Acertei?
— Uau, você é boa nisso! — Carrie comentou. — Você está se escondendo de quem?
— Dos meus pais. — Kat respondeu.
—Então vocês têm uma péssima relação?
— É por ai.
— É por causa de sei lá... Eles terem sido péssimos país ou algo do tipo?
— Não. É algo pior. Algo terrível e sem concerto ou perdão. — Kat respondeu. — Você é o quê da Ally?
— Ela é meio que minha babá. — Carrie explicou.
— Que pena... Pensei que vocês fossem irmãs. — Kat respondeu.
— Isso seria completamente impossível. — Ally comentou.
— Por quê? Ela poderia ser algum tipo de irmã perdida. — Kat sugeriu.
— Os meus pais morreram há dez anos então a não ser que isso seja American Horror Story e fantasmas possam engravidar pessoas vivas, as chances dela ser minha irmã são menores que zero.
— Foi mal, eu não sabia que eles tinham morrido... — Kat tirou uma tintura da sacola. — Você acha que eu pinto o meu cabelo todo de ruivo ou faço apenas uma mecha na frente.
— Acho que a mecha ficaria legal. — Carrie respondeu e então Kat foi até o banheiro e se trancou lá.
— O que ela foi fazer? — Ally perguntou.
— Acho que ela foi fazer uma mecha no cabelo. — Carrie respondeu.
Uma hora depois...
— O que acham? — Kat perguntou ao sair do banheiro e mostrar a nova mecha no cabelo.
— Não é tão chocante quanto o sutiã vermelho, mas é legal. — Ally comentou.
— Sutiã vermelho? — Carrie perguntou sem entender do que elas estavam falando.
— Você quer mesmo saber? — Ally perguntou.
— Sim, eu quero. — Carrie respondeu e então Kat abriu a jaqueta de couro mostrando o sutiã vermelho.
— E foi desse jeito que ela foi pra escola. — Ally explicou.
— Ual... Você acaba de virar a minha nova rainha das coisas malucas que eu adoraria fazer um dia. — Carrie comentou e então alguém tocou a campainha.
— Fecha a jaqueta. — disse Ally e então Kat a obedeceu e Ally atendeu a porta e viu que quem estava lá era Amy.
— Você é a Alyssa?
— Sim.
— O meu pai pediu para eu vir te avisar que o concerto da… Maquina, acaba em cinco dias. — disse Amy que logo em seguida viu Carrie lá. — Carrie?
— Amy?
— O que você está fazendo aqui? — Amy perguntou.
— A Ally é meio que a minha babá. — Carrie respondeu e então Amy entrou e Ally fechou a porta.
— O que você está assistindo? — Amy perguntou curiosa.
— Maratona de Game of Thrones. — Carrie respondeu.
— Sério? Eu posso ficar para ver também? — Amy perguntou.
— Ela pode? — Carrie perguntou para Ally.
— Ela já está aqui! É claro que pode. — Ally respondeu e então Amy se sentou ao lado de Carrie e pouco tempo depois ela notou a mecha no cabelo de Kat.
— Gostei do seu cabelo. — Amy comentou.
— Obrigada, saiba que você tem olhos lindos. — Kat respondeu.
— Obrigada.
Uma hora depois…
— Alguém aqui está com fome? — Kat perguntou.
— Não. — Ally e Carrie responderam.
— Um pouco. — Amy respondeu.
— Eu vi que tem uma lanchonete aqui perto. — Kat disse.
— Você nos ouviu dizendo que não estamos com fome? — Carrie questionou.
— A Amélia disse que estava.
— É Amy!
— Por favor! Eu estou com tédio! — Kat implorou.
— Foi você que quis ficar aqui, lembra? — Ally avisou.
— Por favor, Alyssa, eu faço o que você quiser!
— Me chamar de Alyssa não vai me convencer a levar vocês até a lanchonete.
— Alyssa… Seja uma boa garota.
— Talvez não seja tão ruim se formos até a tal lanchonete. — Carrie interviu.
— Até você?
— Você sabe que ela não vai desistir até conseguirmos chegar até a tal lanchonete, não sabe? — Amy perguntou.
— Por favor… — Kat implorou.
— Ok… Mas é você quem vai pagar a conta! — Ally esclareceu.
— Você é a melhor amiga do mundo! — Kat gritava enquanto abraçava Ally.
***
Ally, Kat, Carrie e Amy entraram na Lanchonete e se sentaram em uma das mesas.
— Acho que eu vou comer um cheeseburger. — Carrie disse.
— Que clichê! — Kat comentou.
— É o que o meu estômago quer então foda-se o clichê!
— Acho que eu vou querer um cheeseburger também. — Amy disse.
— Já que é assim, então acho que nós quatro iremos comer cheeseburgers. — Kat disse.
— Na verdade, eu vou tomar um milk-shake mesmo. — Ally respondeu. — Mas peçam o que quiserem, afinal é a Kat que está pagando.
— Vão querer alguma coisa? — uma garçonete perguntou se aproximando da mesa.
— Um Milk-shake e três cheeseburgers. — disse Ally.
— Acho que eu vou querer um Milk-Shake para acompanhar o cheeseburger. — Carrie disse e a garçonete estranhou o jeito adulto que a Carrie falava.
— Então são três cheeseburgers e dois Milk-shakes.
— Mais alguma coisa? — A garçonete perguntou.
— Uma Coca Cola. — Kat disse.
— Duas. — Amy interviu.
— É só isso? — A garçonete perguntou.
— Sim. — Ally respondeu.
— Aguardem um pouco, eu já trago os pedidos de vocês. — a garçonete se afastou da mesa e um rapaz loiro de aparência de vinte anos entrou ao lado de um negro que tinha dezenove anos.
— Oi, Alyssa! — o loiro disse passando pela mesa.
— Oi, Ethan! — Ally respondeu e então os dois se sentaram em uma mesa um pouco afastada.
— Quem são eles? — Kat perguntou.
— Amigos.
— Você tem amigos?
— É, me lembro de ter dito isso a você mais cedo. — Ally respondeu e logo em seguida a garçonete voltou trazendo os pedidos delas.
— Mais alguma coisa? — a garçonete perguntou.
— Não. É só isso mesmo. — Ally respondeu e a garçonete foi atender outros clientes.
— Isso foi rápido. — Carrie comentou.
— Ally, vem comigo no banheiro? — Kat pediu.
— Por que você não vai sozinha? — Ally sugeriu.
— Porque eu preciso conversar com você longe da criança.
— Sério isso? — Carrie não gostava de quando a infantilizavam.
— Eu não estava falando de você. — Kat explicou apontando para Amy.
— Como é que é? — Amy havia entendido que Kat se referia a ela quando disse “criança”.
— Ally, apenas vem logo! — Ally se deu por vencida e acompanhou Kat até o banheiro.
— Criança… Espera só até o punho da criança ir parar na sua cara. — Amy resmungou fazendo Carrie dar um pequeno sorriso ao ouvir o que ela havia acabado de dizer.
No banheiro…
— De onde você conhece aquele cara? — Kat interrogou.
— Quem? — Ally não havia entendido a quem Kat se referia.
— O cara que te disse “Oi, Ally”.
— O Ethan?
— É!
— Moramos no mesmo prédio.
— E…
— Nós conversamos às vezes.
— E…
— Eu não tenho que te dar detalhes da minha vida pessoal. — Ally respondeu nervosa fazendo com que Kat percebesse que talvez estivesse sendo invasiva demais.
— Ok, mas e o cara do lado dele? Você o conhece?
— Não faço ideia de quem seja. — Ally não conseguia entender onde Kat estava querendo chegar.
— Eu não acredito que você não reconheceu o Roger! — Kat disse incrédula com a situação.
— Quem?
— O jornalista/ativista daquele blog… Que eu esqueci o nome. Acho que era Liberdade… Alguma coisa com liberdade e fronteiras. — Kat estava se esforçando para lembrar o nome do blog, mas ela não conseguia lembrar de nada. — Liberdade sem Fronteiras!
— O que fez aquele post épico sobre a “Batalha de Nova Iorque”?
— E que vazou vários documentos das Industrias Stark e quase foi indicado ao Pulitzer por causa do post sobre a batalha de Nova Iorque? É esse mesmo.
Enquanto isso…
Carrie e Amy estavam comendo os seus respectivos lanches, quando Carrie olhou pela vitrine e viu sete homens suspeitos conversando do lado de fora.
— Você trouxe um celular? — Carrie perguntou.
— Não, eu deixei em casa antes de ir no apartamento da Alyssa. — Amy respondeu.
— E você acha que ela ou a Kat possam ter trazido um celular? — Carrie perguntou com certa ansiedade.
— Quase nenhum adolescente sai de casa sem o celular então é bem provável que sim. — Amy respondeu e foi surpreendida por Carrie se levantando. — Aonde você vai?
— Ao banheiro, se quiser vir junto então venha. — Amy acompanhou Carrie até o banheiro e logo em seguida a mais nova bateu na porta.
— Kat, precisamos conversar com vocês! — disse Carrie batendo na porta.
— O que vocês querem? — Kat perguntou.
— Apenas nos deixe entrar! — Kat abriu a porta e deixou as duas meninas entrarem e logo em seguida ela fechou a porta novamente.
— O que vocês querem? — Kat perguntou.
— Preciso de um celular. — Carrie tentou explicar.
— Por quê? — Kat perguntou confusa.
— É um pouco complicado, apenas me empreste o celular. — Kat entregou o celular para Carrie que discou 9-1-1.
— Alô, é da polícia? Preciso de ajuda! — Carrie disse no telefone.
— O que você está fazendo? — Ally perguntou ao perceber que Carrie estava ligando para a polícia.
— Senhorita, eu preciso que você me diga onde está e o que está acontecendo. —um policial orientou do outro lado da linha e logo em seguida as quatro ouviram tiros vindos do lado de fora seguidos por gritos desesperados.
— O que foi isso? — Amy perguntou assustada.
— Atenção todo mundo! Isso aqui é um assalto e quem tentar uma gracinha vai levar bala. — gritou um bandido rendendo todos na lanchonete e logo em seguida mais seis entraram e foram direto ao caixa.
— Senhorita? — o policial perguntou do outro lado da linha.
— Nós estamos… — quando Carrie ia completar a frase a ligação caiu repentinamente. — Isso só pode ser piada!
— E agora? — Ally perguntou.
— Precisamos fazer alguma coisa. — Carrie disse.
— Tipo o quê? Vestir um uniforme e enfrenta-los? — Ally questionou.
— Não é uma má ideia. — Kat comentou.
— Você está de brincadeira, né? — Ally havia achado um absurdo o que Kat disse.
— Se a tal de Sammy pode, então podemos também. — Kat respondeu.
— Essa não é uma comparação justa, a Sammy tem superpoderes. — Ally rebateu.
— Será que tica e teca podem parar? Eu estou tentando pensar em algo útil. — Carrie interrompeu.
— Conseguiu pensar em algo? — Amy perguntou apreensiva.
— Eu tenho cara de quem teve uma ideia? — logo após a resposta de Carrie, Kat viu alguns produtos de limpeza largados em um canto.
— Tive uma ideia. — Kat pegou o celular de volta e os produtos de limpeza. — Preciso de um clip de papel.
— O que você vai fazer? — Amy perguntou.
— Uma bomba de fumaça. — Kat respondeu sem fazer rodeios.
— O quê? Como isso pode ser uma boa ideia? — Ally questionou.
— A fumaça os deixará desorientados por um tempo que será o suficiente para irmos para cima deles, desarma-los e de alguém ligar para a polícia. — Kat explicou, mas Ally continuou achando aquela ideia desastrosa.
— Isso é suicídio! — Ally disse.
— Tem ideia melhor? — Kat interrogou.
— Que tal deixarmos isso para a polícia? — Ally tentou sugerir.
— Até eles chegarem inocentes já terão morrido. — Kat respondeu.
— Jogar uma bomba de fumaça não vai ajudar em muita coisa também. — Ally tentou argumentar.
— Se fizermos do jeito certo, talvez ajude. — Carrie disse. — Kat fabrica a bomba de fumaça e a joga e eu… Luto com eles.
— Você? — Ally questionou.
— Você vai mesmo me subestimar? — Carrie questionou.
— Tudo bem que você é uma criança muito acima da média, mas eu sou sua babá o que teoricamente significa que se algo acontecer com você eu vou estar completamente encrencada. — Ally tentou explicar.
— Não vai acontecer nada com você simplesmente porque nada acontecerá comigo. — Carrie argumentou.
— Eu desisto! Vocês venceram! Vamos ao suicídio coletivo! — Ally havia se dado por vencida.
Enquanto isso…
Escondida em baixo de uma mesa, uma mulher tentava ligar para a polícia.
— Alô, é da polícia? Eu… — a mulher foi tirada debaixo da mesa por um dos bandidos que apontou uma arma para a cabeça dela.
— Será que eu não fui muito claro quando disse que quem tentasse uma gracinha ia levar bala? — o bandido perguntou apontando uma arma para a cabeça da mulher que gritava desesperada.
— Desculpa! — Ela chorava desesperada.
— Eu até aceitaria as suas desculpas, mas é que se eu desculpa-la, vou deixar de cumprir as suas promessas, e que tipo de homem desprezível não cumpre as suas promessas, não é mesmo? — o bandido olhou para os lados e teve uma ideia. — Ei! Você! — ele chamou apontando para Roger. — Você trouxe um celular?
— Hã… Sim… — Roger respondeu nervoso.
— Ótimo! Eu quero que filme isto! — disse o bandido jogando a mulher no chão e apontando uma arma para ela.
— Eu não…
— Eu não estou pedindo garoto! Filme ou leva bala! — assustado Roger pegou o celular e começou a filmar.
— Cara, isso é mesmo necessário? — um dos parceiros do bandido perguntou preocupado com a proporção que a situação estava tomando.
— Vamos apenas pegar o dinheiro e ir embora. — disse outro bandido que também estava preocupado.
— E deixar de cumprir uma promessa? Nem pensar! — o bandido engatilhou a arma e estava prestes a atirar.
Enquanto isso no banheiro, Kat termina de fazer as alterações nas peças do celular usando um clip de papel.
— Já misturaram todos os produtos? — Kat perguntou.
— Só falta o detergente. — Amy respondeu.
— Não coloquem o detergente, nós queremos confundi-los, não mata-los. — Kat avisou
— Ok… — disse Amélia que entregou o pote com os produtos misturados.
— Walter White ficaria muito orgulhoso. — disse Kat que destrancou a porta e jogou o celular dentro do pote com os produtos misturados. Após isso ela rapidamente abriu a porta e jogou o pote com o celular e produtos de limpeza do lado de fora. Em segundos o celular explodiu e gerou uma nuvem de fumaça dentro da lanchonete na qual ninguém conseguia ver nada.
— Que porra foi essa? — perguntou um dos bandidos que não conseguia ver nada. Logo em seguida ele foi surpreendido por Carrie que deu uma cadeirada nele por trás.
— Eu não sei, Brô. — outro bandido respondeu sem ter percebido que o colega estava desacordado no chão. — Brô? — e continuou sem resposta o que fez com que ele sacasse a arma e apontasse para todos os lados. — Seja lá quem for o filho da puta que estiver fazendo essa merda, se não parar com isso eu mato todo mundo nessa porra! — o bandido ameaçou tentando esconder o quanto estava assustado. Entretanto, isso de nada adiantou porque Carrie conseguiu tirar a arma da mão dele bem facilmente e atirou na perna dele, fazendo-o cair no chão gritando de dor.
— Mas que merda! — gritou um dos bandidos que ainda não havia apanhado. No total ainda havia cinco bandidos.
— Pessoal, fiquem atentos! Temos um babaca tentando bancar o super-herói! — avisou o bandido que há alguns minutos atrás havia tentado matar uma mulher que tinha ligado para a polícia, mas a bomba de fumaça frustrou seus planos. Logo em seguida, Kat seguida por um impulso de adrenalina saiu do banheiro, pegou uma cadeira e a jogou na cabeça de um dos bandidos que caiu desacordado no chão. Agora restavam quatro.
— O que você está fazendo? — Ally perguntou se aproximando de Kat.
— Improvisando. — Kat respondeu e então Amy resolveu sair do banheiro também e pegou uma das armas caídas no chão.
— O que estamos fazendo? — Amy perguntou confusa.
— E você pergunta para mim? — Ally estava ainda mais confusa que Amy. A última ouviu alguns passos próximos e em um ato impulsivo ela disparou a arma e acertou no joelho de um dos bandidos. Restavam três.
— Que merda foi essa? — Amy perguntou a si mesma após ouvir o bandido gritar de dor.
— Quantos será que faltam? — Kat perguntou curiosa, afinal era quase impossível enxergar alguma coisa com toda aquela fumaça.
— Três. — Carrie respondeu e logo em seguida ela pegou a arma na mão de Amy e disparou acertando um dos bandidos no ombro e este caiu no chão agoniando por causa da dor. — Agora são dois. — Ally e Amy estavam impressionadas com a frieza de Carrie diante daquela situação, elas não achavam aquilo normal para uma criança daquela idade.
— Já chega! Apareçam ou eu explodo isso aqui tudo! — o líder dos bandidos ameaçou pegando alguns explosivos, graças a fumaça ele não conseguia ver que sua quadrilha estava sendo derrotada por quatro garotas. Carrie se afastou das três amigas e deu um tiro à queima-roupa no ombro do líder fazendo com que ele soltasse os explosivos e logo em seguida a menina atirou na perna dele fazendo-o cair no chão. Restava um. Foi nesse momento que Ally percebeu que graças a fumaça ninguém conseguia encontrar a saída e os reféns não conseguiam sair do local. A garota sabia que precisava fazer algo para que aquilo não se tornasse um desastre. Ela pegou uma cadeira e a jogou contra a vitrine o que quebrou o vidro e fez com que parte da fumaça se dissipasse fazendo com que os reféns finalmente conseguissem encontrar a saída e saíssem. Roger e Ethan saíram apressados da lanchonete junto com os outros reféns, eles ainda não acreditavam no que tinha acabado de acontecer.
— Você viu aquilo? — Roger perguntou impressionado com o que havia acontecido.
— Vi! Eu só ainda estou tentando entender se foi real ou não. — Ethan respondeu questionando se aquilo era algum tipo de sonho estranho ou se havia acontecido mesmo. O último bandido que havia restado tentou fugir, mas foi cercado por vários policiais e foi algemado. Logo em seguida vários policiais entraram na lanchonete e encontraram ou outros seis bandidos feridos e caídos no chão, mas não havia nenhum sinal de quem havia feito aquilo.
***
Ally, Kat, Carrie e Amy voltaram ao apartamento sem acreditar no que tinham acabado de fazer.
— Isso foi…
— Muito insano! — Amy completou o que Kat ia dizer.
— Acho que insanidade define o dia de hoje. — Ally comentou.
— Me empresta o seu notebook? — Kat pediu e Ally emprestou o notebook para a amiga por saber que esta não tinha mais um celular.
— Acho que nunca tive tanta adrenalina no meu sangue. — Carrie observou.
— Nem fala… — Amy completou sem ar.
— Ei! Vocês precisam ver isso! — disse Kat fazendo com que as outras três se aproximassem do notebook. — Eu acabei de receber esse link no twitter. — Kat explicou clicando no link que abriu em um post do “Liberdade sem Fronteiras” sobre o que havia acontecido.
— Uau. Isso foi rápido! — Carrie comentou. As quatro viram vídeos e fotos onde dava para ver apenas sombras no meio da fumaça lutando contra os bandidos.
“E após os Vingadores em Nova Iorque, parece que a febre começou a se espalhar por Seattle também. ”
— Eles pensam…
— Que somos algum tipo de equipe de super-heróis? É exatamente isso que eles pensam. — Carrie respondeu interrompendo Ally.
— Ei, até que seria uma boa ideia se vestíssemos uniformes e combatêssemos o crime. — Kat comentou.
— Seria arriscado. — Ally comentou.
— Mas nós temos potencial, e talvez valesse a pena. — Kat disse.
— Uma equipe de heróis? Insano, mas eu estou dentro. — Carrie respondeu, talvez aquilo fosse o que ela precisasse para poder aturar a “vida normal”.
— Tanto faz! Estou nessa também. — Amy completou, ela gostava da ideia de ser como os heróis dos filmes.
— Não contem comigo, eu nunca mais farei nada como isso na minha vida. — Ally respondeu indo para a cozinha. Ela achava aquilo insano demais para ser uma boa ideia.
— Parece que seremos um trio por enquanto. — Kat comentou, mas ela estava determinada a convencer Ally a entrar na equipe futuramente.
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