Notas iniciais
Hey, guys! Aqui vai um novo capítulo. Não era meu plano postar hoje, afinal tenho muita coisa da faculdade pra fazer, mas né, já estava pronto e eu não consegui me controlar, hahaha. É um capítulo curto, mas eu gosto particularmente dele. Espero que gostem também! Boa leitura! []

— Srta. Lucas!

Minhas patas derraparam no chão. Depois de um segundo paralisada, meu corpo voltou-se para a figura trêmula de Regina.

— Não acho que valha a pena perseguir a criatura — ela disse, em uma tentativa de soar equilibrada e superior que falhou miseravelmente. — Afinal, ela já deve estar bem longe agora.

Bufei, balançando a cabeça. Ela tinha razão. Aproximei-me, disposta a continuar em minha forma de loba para evitar uma conversinha constrangedora. Mas foi aí que percebi um arranhão seu rosto, na pele avermelhada da bochecha. Aquilo não estava ali antes.

Sentei-me, as patas dianteiras postadas juntas diante de mim, e fechei os olhos. Invocando meus pensamentos e emoções mais racionais possíveis, concentrei-me na Red, na Ruby, na parte humana de mim, até que senti uma brisa suave me envolver, movimentando meus pelos longos e castanhos. Se estivesse de olhos abertos, poderia contemplar uma luz azul tremeluzente a minha volta, e saber que era dali que vinha a brisa. Depois de um segundo de transformação, pude sentir terra na palma das minhas mãos. Abri os olhos; eu era Ruby outra vez.

Levantei de minha posição ajoelhada, limpando a terra grudada na calça e nas mãos. Então olhei para Regina de novo.

— O que aconteceu com o seu rosto? — Perguntei, preocupada. — Você está bem?

Ela levou uma das mãos até o machucado, limpando uma gota minúscula de sangue que havia brotado. Contemplou a ponta dos dedos.

— Ela... me arranhou, antes de fugir.

Sem saber o que dizer, observei-a apenas, vendo sua testa se franzir ao analisar o sangue nos dedos. Devia ter os mesmos pensamentos que os meus – o que a vampira pretendera com aquele gesto? Regina parecia não estar entendendo muito bem, assim como eu. Depois de um momento de hesitação, ela olhou para mim com os olhos chocolates mais sinceros que eu já havia visto.

— Se você não tivesse aparecido, ela teria me matado. — Ela deu uma pausa, encarando-me, e então percebi que essas palavras era sua forma de me agradecer por tê-la salvado. Assenti com a cabeça, apertando os lábios. — O que estava fazendo aqui?

— Eu estava... correndo. Ou melhor, iria começar a correr. É lua cheia — Apontei para o céu com um sorrisinho mínimo e quase imperceptível. Seus olhos seguiram a direção que apontei, e ela sorriu também.

— Pude perceber.

Outra pausa. Então, foi minha vez de falar.

— Aquela... criatura — limpei a garganta. — Ela é uma vampira. Provavelmente vai vir atrás de você outra vez, talvez até fazer outras vítimas...

— Eu sei o que ela é, Srta. Lucas — Regina me interrompeu, com voz dura. Olhei surpresa para ela, mas pude perceber que esse era apenas o tom de voz que ela era acostumada a usar. — Quero que saiba que sei me defender sozinha. Não se ofenda, mas não preciso de cão de guarda.

Estreitei os olhos.

— É mesmo? Não parecia ser essa a situação, um momento antes.

Ela olhou para baixo, engolindo, e então passou a mão pela parte da frente de sua roupa, como se desamassasse algumas dobras. Olhou-me de volta.

— Foi uma anomalia. Não vai acontecer outra vez.

Levantei as mãos, rendendo-me. Era ela quem estava rejeitando minha ajuda.

— Bem, acho que devo ir embora agora — ela disse formalmente, um momento depois.

— Ah, claro — exclamei, começando a andar. Em seguida parei, olhando para ela de forma hesitante. — Não acho bom você ficar zanzando pela cidade agora, com uma lunática sedenta de sangue à solta... Vou levá-la para casa, em caso de a “anomalia” não ter se normalizado ainda.

Pude ver que ela estava prestes a recusar veementemente minha oferta, mas então pensou melhor e, com um grande esforço para aceitar ajuda, balançou a cabeça, com um sorriso pequeno. Sorri mais sinceramente agora para ela. Comecei a caminhar pela floresta, e ela me seguiu.

Chegando na pousada, contornei o prédio e dirigi-me até o estacionamento do Granny’s. Meu Volvo vermelho cintilante me esperava em uma das vagas para funcionários. Andei em volta do veículo até a porta do carona e a abri, fazendo um gesto para que Regina entrasse. Fiz isso apenas porque senti que ela estava desconfortável. Quando ela entrou, andei de volta até o lado do motorista, batendo a porta com força depois de entrar. Segurei o volante com as duas mãos, respirando fundo. Aquele carro tinha um efeito estranho sobre mim; eu me sentia livre e poderosa dentro dele. Lancei um olhar rápido para um pequeno lobo de vidro, enfeitado com finas linhas vermelhas, que estava pendurado no espelho retrovisor. Meus lábios se abriram num sorriso. Até mesmo a Ruby da maldição tinha uma queda por lobos.

Dirigi em silêncio pelas ruas desertas de Storybrooke, atravessando a cidade. A casa da prefeita ficava no centro, enquanto a pousada ficava bem na beira da floresta. Não era um caminho muito longo, principalmente de carro, mas dava uma boa caminhada a pé, ainda mais quando se tem uma assassina mística às soltas.

Estacionei no meio fio e contemplei a grande, branca e luxuosa mansão de Regina Mills. Todas as luzes estavam apagadas. Henry deveria estar com Emma.

O que me fez lembrar...

— O que você estava fazendo na floresta? — Perguntei, não escondendo a curiosidade na voz.

Ela mordeu o lábio.

— Estava procurando Henry. Emma havia me ligado, perguntando se ele estava comigo e, como nenhuma de nós duas sabíamos onde ele poderia ter se metido, achei melhor procurá-lo. Não acho que isso tenha funcionado...

A voz dela falhou no final da frase. Em um clique, as coisas se ajeitaram em minha cabeça.

— Está preocupada que a vampira possa tê-lo feito mal? Não se preocupe. Eu senti o cheiro dele na floresta, e levava direto à cidade. Ele está bem. Há essa hora, já deve ter voltado para casa... de Emma. — Eu tinha que acrescentar essa última informação, afinal agora Henry tinha duas casas. Além de uma família bem grande e confusa.

Ela me olhou, com os olhos grandes de alivio. Eu sorri.

— Posso fazer outra pergunta? — Não dei espaço para ela dizer algo, logo emendando essa pergunta à frase anterior. Ao me ouvir, ela imediatamente voltou à postura defensiva. — Não precisa responder se não quiser — me apressei em dizer.

Ela mordeu o lábio de novo por um bom tempo. Notei que nunca tinha percebido esse costume nela; talvez fosse porque eu a via poucas vezes, ou então porque nunca a tinha visto dessa forma, tão... humana. Vulnerável.

— Vá em frente — ela disse finalmente.

— O que aconteceu... — eu hesitei, mas resolvi continuar. — Com seus poderes? Digo, por que não usou magia lá na floresta?

Ela suspirou pesadamente. Percebi que ela não temia responder essa pergunta.

— Gold — ela rosnou, e eu entendi tudo. Claro. Era sempre Gold. O Rumpelstiltskin de Storybrooke era ainda mais temível do que o do Reino Encantado. — Ele roubou o livro de magia de minha mãe, que estava comigo. Como sabe, a magia em Storybrooke é diferente, e eu só conseguia praticá-la com um certo auxílio, digamos.

Assenti com a cabeça, olhando para meu colo. Ficamos em silêncio outra vez. Em seguida, ela se endireitou no assento.

— Acho que está na hora de eu entrar — ela disse, abrindo a porta do carro. Colocou as pernas para fora e, antes de sair, me desejou boa noite. Balancei a cabeça outra vez, desejando o mesmo.

Depois de fechar a porta, antes que se afastasse para sua casa, ela virou e me olhou de uma forma diferente. Eu não conseguia identificar a diferença, mas ela estava lá, nitidamente.

— Obrigada, Srta. Lucas.

Então ela sorriu, um sorriso imperceptível mas ainda assim um sorriso, e virou outra vez, seguindo a passos decididos para sua mansão. Eu fiquei ali, paralisada, com a boca aberta de surpresa por mais algum tempo, até conseguir me mover outra vez. Segui o caminho de volta para a pousada.

Notas finais
E então, gente, que acharam? Comentem a opinião de vocês, vou amar saber se estão gostando ou não. Ah, uma pequena coisinha: sou um tanto perfeccionista e gosto de colocar detalhes mínimos na história como, por exemplo a marca do carro que tal personagem usa. Mas não entendo nada de carros, e não sei a marca de nenhum da série a não ser o fusquinha amarelo USHUAS então se alguém souber qual é o carro da Ruby e da Regina e quiser me dizer, vou ficar muito grata, hahaha. É isso! Beijinhos. ♥