Brinquedo Torto
6 Somewhere between the sacred silence
Notas iniciais
♦ Titulo é um trecho de Toxicity - System of a Down
Um novo contrato estava para ser fechado e graças à louca cor-de-rosa eu me atrasei para a reunião.
Odeio atrasos.
–Com o uso de nanotecnologia nos novos brinquedos a serem lançados na inauguração da filial aqui no Brasil, haverá um impacto no preço do produto fazendo com que ele aumente em 20%, diferindo-o dos demais que prescindem da nova tecnologia aplicada. –Eu disse enquanto analisava as reações dos quatro engravatados ali presentes. Fechar contrato com a este grupo não seria tão lucrativo quanto fechar com uma empresa de eletrônicos, mas é sempre bom “expandir horizontes”. A Tanoshī omocha* era uma grande empresa japonesa que fabrica e distribui brinquedos e que recentemente decidiu abrir uma filial no Brasil e para isso quatro dos seis acionistas vieram ao país.
–E qual e o seu lucro com essa proposta?- Minato, o acionista majoritário me pergunta. Ao passar os olhos pela sala procurando a cabeceira da mesa onde o homem estava me detenho no ser ao seu lado direito que me encarava com as sobrancelhas juntas e os lábios em uma linha reta. Naruto parecia tão nervoso que chegava a ser cômico.
–Quero 40% do retorno das vendas dos produtos – falei deixando de olhar para meu amigo loiro e sustentando o olhar de seu pai, Minato. Os burburinhos e protestos começaram. Eu estava ciente que eles considerariam minha proposta absurda, mas era necessário arriscar na primeira jogada, certo? Quem sabe eu não teria sorte?
Como se isso fosse possível, provavelmente eu teria que ceder se quisesse fechar um acordo, o que — infelizmente — foi o que aconteceu. Não faço a mínima ideia de quanto tempo passamos discutindo, mas tive que baixar a porcentagem inicial me contentando com 27% dos lucros.
Ao final de todo aquele circo, Naruto se aproximou de mim mantendo a mesma expressão que tinha no inicio da reunião, sua tensão era palpável.
– Sasuke... Você sabe! Eu e a Karin, aquilo foi um erro cara! Mas... –Ele começou
– Já a substitui. – disse me desviando, tentando ir em direção à saída. Claro que ele não permitiria, por que nada na vida é tão simples.
–Substituiu? Você não devia falar assim, a garota realmente gostava de você – ele disse fazendo uma careta.
–Claro! Ela me amava. Tanto é que ficou cega de paixão e dormiu com meu amigo loiro – eu disse revirando os olhos impacientemente. A reunião tinha sido produtiva, mas cansativa. Eu só queria ir pra casa.
– Sasuke! Você sabe que eu nunca faria aquilo se estivesse são, além disso, eu nunca trocaria a minha Hina-chan, fofa, linda e maravilhosa. Eu já disse o quanto ela é incrível? A Karin nem se compara, a Hina-chan... – E lá vem o discurso sobre a Hyuuga .
–Naruto! Chega cara. Se você calar a boca eu esqueço essa merda toda. — eu disse inquieto. – e desde quando a Hyuuga é sua? — Ele abriu um sorriso enorme e depois corando disse:
– Ela ainda não é minha. O pai dela é muito difícil – disse fazendo careta novamente. — Mas um dia ela vai ser! Ou eu não me chamo Naruto Uzumaki, to certo!
– Então você não se chama Naruto Uzumaki. — Eu falei dando um sorriso irônico fazendo com que ele bufasse irritado. – O que você esta fazendo aqui? Digo, você participando de uma reunião de fechamento de acordo? Quem pôs a arma na sua cabeça?
– Há-Há. Meu pai quer que eu participe dos negócios. Vai haver outra reunião daqui uma hora, com um investidor brasileiro. – ele fechou a cara – odeio esse tipo de coisa, e ficar com essa desgraça de gravata. Provavelmente eu terei que tomar conta da nova filial, mas eu só quero a minha Hina-chan!
Eu ia retrucar quando vejo que a maluca cor-de-rosa estava entrando no recinto. Só pode ser perseguição! Devo ter fechado a expressão já que o Uzumaki acompanhou meu olhar, mas aparentemente não entendeu o motivo de minha mudança de humor – de ruim pra pior.
– Hey Uchiha, eu achei que era impossível, mas você ta mais feio ainda. Ta com dor de barriga? Se você quiser eu arranjo um laxante pra você. Vem vamo pra farmácia.
–O que? Para de falar besteira Naruto. – voltei meu olhar a ele juntando minhas sobrancelhas. Pela visão periférica pude ver a rosada se aproximando de onde estávamos. O que diabos ela quer? Já acertei minhas contas com ela, o que mais ela quer de mim? Ela parou em frente à Naruto e a mim logo tirando algo da bolça e me entregando.
– Não preciso do seu dinheiro. – ela disse devolvendo a quantia que eu havia lhe entregado no hospital.
– De onde vocês se conhecem? – o Loiro perguntou.
– Fique com ele, não me faz falta nenhuma – disse indiferente, ignorando Naruto. Não satisfeita com a minha resposta ela tomou a liberdade de enfiar o dinheiro no bolso do meu blazer.
–Repito: não preciso do seu dinheiro. – Disse me encarando com a expressão fechada.
–Não me ignorem! – Naruto disse histérico, com o tom beirando um grito chamando a atenção dos que ainda estavam ali. – Agora, primeiro: quem é você estranha do cabelo rosa? Segundo: de onde você conhece o Sasuke? E terceiro: o que diabos foi essa discussão?
– Sou Sakura Haruno – a moça respondeu.
– Sakura? É japonesa também? Que coincidência! Eu e o Emo aqui também somos do Japão. De onde você é? Por que ta aqui?- despejava Naruto rapidamente não permitindo que ela respondesse. Bom, o nome dela faz jus à coloração do cabelo.
– Não sou japonesa – falou rápida cortando o questionamento o qual fora imposta. – Meus avós eram, mas eu nasci e cresci aqui. – Ela sorriu pra o idiota do Naruto que fico todo derretido. Pergunto-me onde é que foi que ficou todo aquele papo de “Hina-chan–não –sei-o-que-lá” .
– Então você é sensei**... – o loiro disse balançando a cabeça como se confirmasse algo a si mesmo.
– É sansei***, seu idiota. – eu me pronunciei revirando os olhos e me retirando dali. Ainda pude ouvir Naruto dizer algo como “não liga pro emo idiota”, aquele imbecil.
Minha amizade com o Naruto é baseada nos insultos, nós nos conhecemos ainda no jardim de infância e ele sempre teve um jeito escandaloso. Quando estávamos no ensino médio meu pai decidiu se mudar para o Brasil, mas ainda assim mantive contato com ele. Depois que nos formamos na escola retornei a Tóquio apenas uma vez, pois Naruto insistia em vir ao Brasil alegando que adorava as praias que aqui existem. As visitas dele nunca duravam mais que uma ou duas semanas, já que ele começou a trabalhar para o pai.
Aquele mentecapto! Aposto que a ideia da filial aqui no Brasil foi dele, provavelmente uma desculpa para passar mais tempo no país onde ele “curte todas”.
Mas tenho que admitir que mesmo que ele seja o cara mais idiota que eu conheço com certeza ele pode ser considerado o que se chama por ai de “meu melhor amigo”.
Notas finais
Eu sei que o nome é um lixo, porem foi o que consegui pensar.
**Sensei (先生) = professor (a), mestre, doutor (a)
*** Sansei = terceira geração de famílias japonesas nascidas fora do Japão.
E mais uma vez peço a vocês que por favor comentem!Obrigada a todos os leitores.
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