Brinquedo Torto
7 Meet me after dark
Notas iniciais
aproveitem o cap!
Já eram três da manhã e cá estava eu no apartamento de Ino observando o teto de seu quarto enquanto pensava nos próximos projetos da empresa, ela estava ao meu lado na cama e, pelo suave ritmo de sua respiração, provavelmente dormia.
Eu não conseguia dormir. Por alguma razão desconhecida eu não conseguia dormir sem estar na minha casa, me sentia desconfortável.
Naruto dizia que eu era paranoico, estressado e maluco, mas também dizia que de certa forma eu estava certo – segundo ele, não era possível prever quando os extraterrestres atacariam e se eu ficasse acordado poderia acorda-lo quando acontecesse, daí ele fugiria para o México e mudaria seu nome para Ricardo. Quando estávamos no fundamental o desgraçado me convidava para ir “dormir” em sua casa todo dia, crente de que tudo o que imaginou iria acontecer e que seu plano daria certo. Eu não tenho ideia de que diferença faria ir para o México e mudar o nome se houvesse um ataque de seres de outro planeta.
Mas Naruto era Naruto, e ele seria para sempre um idiota.
Levantei-me recolhendo minhas roupas e logo em seguida vestindo-as enquanto me retirava do quarto o mais silenciosamente possível, não estava sem a mínima vontade de ficar ouvindo a loira falar, ela conseguia desviar qualquer assunto que fosse de uma forma em que ela acabasse falando sobre sapatos. Era extremamente irritante.
Peguei a chave do carro em cima da mesinha de centro e saí do apartamento na ponta dos pés – literalmente- fechando a porta com o maior cuidado e concentração para que não houvesse ruídos desnecessários.
– O que diabos você esta fazendo no apartamento da Ino? – tamanho foi o meu susto que cheguei até a ofegar ao som da voz que cortou o silencio sepulcral em que aquele corredor se encontrava. – Hey! Você é o emo amigo do Naruto. Como veio parar aqui?
Após me recompor passei uns poucos minutos pensando que se existisse um Deus, ele estava de sacanagem comigo. Virei-me em direção ao ser que me questionava, e lá estava a criatura que parecia me perseguir nos últimos dias. Os fios de cabelo rosados presos em um coque desleixado e os enormes olhos verdes me encarando desconfiados. Sakura Haruno.
– O que diabo você faz aqui – perguntei dando ênfase ao “você”, deixando que a indignação falasse mais alto que minha vontade inicial que era sair dali sem reponde-la.
– Eu moro aqui, sou vizinha da Ino – disse apontando para o apartamento ao lado do da loira. Só me faltava essa. — o que você faz aqui?
–Não interessa. – eu disse seco. Não devia satisfações a uma estranha. – Tem certeza que não esta me seguindo? – perguntei sarcástico.
– O que? Por que eu faria isso? – ela disse abrindo a porta de seu apartamento comprovando que não me seguia. – Eu ainda quero saber o que fazia no apartamento de Ino e não venha me dizer que não é de meu interesse, porque se não fosse eu não estaria perguntando.
– Por que quer saber o que eu estava fazendo no apartamento da Ino? – retruquei. Acho que o sono estava me afetando, o que diabos eu estava fazendo conversando com uma estranha as três da manha no corredor de um prédio?
– Oras é que nós somos... amigas – disse meio incerta olhando para a porta a sua frente como se fosse a coisa mais interessante do mundo.
– “Amigas”? Isso soa como uma namorada obsessiva tentando disfarçar ciúmes – disse dando um sorriso de canto. De namorada obsessiva eu entendia, já tive pelo menos umas duas namoradas assim.
– Hey! Não estamos namorando! — Ela se virou rapidamente em minha direção ralhando – Somos amigas. — ela fez uma pausa — é só que... Estamos meio que brigadas.
– Hm – murmurei sem resposta.
– Mas eu ainda me preocupo com ela e você é muito suspeito. – Disse estreitando os olhos para mim.
– Suspeito? –perguntei.
– É. Saindo de fininho do apartamento dela, parece até um ladrão. – Segurei o riso. Parece que consegui encontrar alguém mais idiota que o Naruto.
– Se achou que eu era um ladrão, por que não ligou para policia? – pergunto irônico me aproximando dela e a vejo endurecer a expressão enquanto endireita a postura parecendo perceber algo, provavelmente seu erro de conduta diante a desconfiança. Segurei o riso novamente me mantendo com uma expressão indiferente no rosto.
– Se eu fosse realmente um ladrão eu não ficaria aqui batendo papo. – eu disse serio e ela nada respondeu, mas aliviou um pouco sua tensão. – Quanto a sua pergunta, o que você acha que dois adultos fariam a essa hora sozinhos em um apartamento? – completei enfatizando a palavra “adultos” e mexendo no colarinho da minha camisa mal abotoada chamando atenção dela para a parte de meu peitoral que estava expostas e cheia de arranhões feitos pelas unhas Ino além de ter um pequeno chupão próximo a minha clavícula .
Ela pareceu levar uns poucos segundos para entender e quando o fez corou tanto que parecia um tomate. Dei um sutil sorriso de canto e me retirei dali. Aquela rosinha era uma peça.
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