Art, Drarry
1 Prólogo
Draco Malfoy sempre gostou de arte.
Gostava de rabiscar esboço no grafite, ou se aventurar sujando a tela com técnicas expressivas. Já se arriscou vagamente na fotografia, e, como bom Malfoy — e descendente dos Black, sabia pelo menos quatro instrumentos: piano, violino, canto e violoncelo.
O primeiro contato foi ainda na barriga de sua mãe, Narcisa. Ela passou horas sentada tocando piano e murmurando canções de ninar. Seu pai, Lucius, também ajudou na arte — ele tocava violino e fazia pinturas após o nascimento do bebê.
Cresceu cercado por arte.
E como bom artista a paixão era bem volátil e gritante na sua vida. Não era como se nunca acordasse no meio da noite cheio de inspiração e no outro dia tudo sumisse como um estalar de dedos.
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A primeira vez que Draco viu Harry seu coração disparou e sua vida mudou.
Ele não entendeu bem. Apenas sentiu uma enorme vontade de saber tudo da sua vida. O menino baixinho ao seu lado vestia uma blusa estranha, com uma estampa de tartarugas bizarras. Por isso, seus lábios foram mais rápidos que sua mente.
Draco respirou fundo, o coração martelando como um feitiço fora de controle.
“Eu também gosto de tartarugas.” murmurou, as palavras saindo rápidas demais para serem entendidas. Quando criou coragem para repetir, o garoto já tinha saído, e o som da porta fechando foi como um estalo doloroso no peito.
O loirinho se encolheu na hora e ficou totalmente vermelho. Na hora ele lembrou de seu pai com o rosto erguido, enfrentando qualquer situação e soube que nunca poderia ser assim. Se sentiu envergonhada e se encolheu no canto em pé, mexendo o próprio cabelo. Agradecendo quando Madame Malkin voltou dos fundos para lhe atender e por nenhum dos seus responsáveis estarem presentes.
Seria ainda mais constrangedor.
Afinal, Draco sempre se lembrou desse dia.
Após a humilhação, ao chegar em casa, não remexeu os livros comprados e muito menos brincou de lançar feitiços básicos — Lucius e Narcisa, seus pais, estranharam, mas não falaram nada. Concentrou no quarto e desenhou o olhar de Potter. O resto do dia passou em um borrão. Mas, naquele momento, usou o lápis pela primeira vez em semanas e, como se fosse movido por magia, começou a rabiscar olhos curiosos e com um toque de vulnerabilidade, os óculos mal ajustados naquele rosto redondo. Quando terminou, suspirou alto e escondeu o papel no fundinho do baú. Ninguém podia ver aquilo — nem ele, por muito tempo
Aquele desenho foi por anos o seu favorito. Estava no fundo do baú, junto de qualquer coisinha que amasse demais e fosse difícil explicar à seus pais.
Entendia que era para o seu bem. Aprendeu cedo a não deixar coisas assim à vista. Aquele fundo escondia um universo inteiro: rabiscos, rascunhos, memórias que Draco nunca deixaria à vista. Aos dezoito anos, ele sabia que não podia guardar tudo para sempre. Mas o que mais um garoto como ele poderia fazer além de fingir que nada disso existiu.
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