Art, Drarry
3 Chapter two

Chapter two -
Lose My Breath
Durante o terceiro ano, um dos padrinhos de Harry Potter veio dar aula DCAT — Defesa contra a arte das trevas —Hogwarts toda estava animada em ter um dos melhores aurores, Remus J. B. Lupin, como professor.
Todos menos, Harry Potter.
Draco se lembra de o encarar bastante. Naquele ano, houve algumas tragédias: Harry estava dois centímetros mais alto e o cabelo raspado sem seus adoráveis cachos, — Draco achou um disparate e de grande ofensa, ele não fazia ideia de como desenhar uma cabeça raspada, poderia parecer mais fácil, mas ele precisou estudar sobre pontilhismo para conseguir finalizar seus desenhos inspirados no irritante Potter.
Então apenas de birra mandou uma cartinha desejando que ele caísse da vassoura em um jogo de quadribol.
Draco achou bem justo. Um ou dois braços quebrados não iriam lhe fazer mal.
De qualquer forma, as aulas com o Sr. Lupin foi algo único. Draco nunca admitiria em voz alta, mas ele foi, definitivamente, o melhor professor que teve. Suas aulas eram divertidas e tudo soava tão natural, porém ele mantinha a pose entediada e murmurava que eram totalmente ridículas e sem graça. Draco tinha treze anos… não se pode esperar muita coisa de um garoto rodeado de pessoas com pensamentos retrógrados e inteligentes, — ele já se martirizava ao conhecer um pouco do mundo novo e distante dos trouxas.
Quando foi descoberto que o professor Remus Lupin era um lobisomem, foi um grande escândalo.
O nome do professor de DCAT estampou os corredores de Hogwarts, gerando um ultraje hipócrita dos alunos que um dia o apoiaram. Lupin renunciou ao cargo no final do ano.
Draco Malfoy lembrava-se bem do alvoroço, achando irônico o quão dissimuladas as pessoas poderiam sers. Para o menino Malfoy, não era sobre moralidade, mas sobre conveniência — algo que, como um sonserino, conhecia bem e permaneceu onde lhe convém: observando tudo com um olhar escrupuloso fazendo uma piadinha sutil aos amigos.
Ele não foi hipócrita aos olhos de ninguém, afinal, sempre se manteve contra ao Sr. Remus J. B. Lupin. No entanto, também foi no terceiro ano que algo ainda mais incomum aconteceu e parou Hogwarts: Seamus Finnigan se assumiu gay. — ou, melhor, um rumor se espalhou como fogo em pólvora, e o garoto não fez questão de negar.
Draco, na época, — novamente — fingiu não se importar, mas secretamente o observava com uma curiosidade ácida. Era estranho, quase fascinante, ver alguém aceitar um escândalo tranquilamente. Os nascidos trouxas pareciam os mais incomodados. Com olhares, murmúrios e apontamentos ao Grifinório.
Para um puro sangue, o que os trouxas chamavam de sexualidade, era indiferente; desde que houvesse um herdeiro e nada manchasse a imagem da família, estava tudo bem, porém como todo curioso sonserino, se alguém chamava atenção, havia uma tendência quase automática a diminuir a pessoa — uma inveja disfarçada com o humor ácido.
Simas Finnigan ser assunto na escola foi irritante. Mas também... invejável.
Finnigan parecia não se importar com nada e isso era o que mais incomodava a todos — Simas não parecia carregar necessidade de provar nada para ninguém. Um luxo que, na Sonserina, era desconhecido. Ainda assim, quando Crabbe fez um comentário sobre Simas observando uma aula, Draco não perdeu a oportunidade de alfinetar a cada segundo.
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“Draco!” Um estalar de dedos o tirou de seus pensamentos. O jantar já estava quase no fim, seu prato vazio, e Theodore Nott o encarava como se fosse agredir
Nada novo, apenas mais uma noite na mesa da Sonserina.
“O que foi?!”
Theodore apontou com a cabeça para as novas crianças sentadas à mesa. Oito ao todo — um bom número, superando as outras casas, talvez ganhassem pontos por isso.
Ergueu uma sobrancelha, forçando um sorriso calmo enquanto acenava para os novatos. Respirou fundo e começou a falar, apresentando as regras da Sonserina com a voz no automático e direto de alguém repassando um manual. Vestimenta, horários, toques de recolher, monitores para cada matéria. Tudo com um sorriso forçado e um olhar frio que deixava gritante: ele não tinha a menor paciência para pirralhos.
Há algo nelas que o deixava desconfortável. Talvez fosse a forma como seus gigantes olhos enxergavam o mundo com esperançosa e uma inocência ridícula.
“...E, aliás, eu sou Malfoy, Draco Malfoy, o monitor-chefe. Me procurem apenas em caso extremo, certo? Qualquer coisa, podem chamar os monitores Astoria Greengrass ou Graham Montague.” Seu sorriso agora era quase um aviso, sem qualquer traço de calor.
As crianças balançaram a cabeça, quietas — algumas evitavam o observar, e, secretamente, achou isso um alívio. Melhor que ficassem com um pouco de medo.
Afinal, sabia bem que na sonserina, a inocência não era algo que se podia proteger por muito tempo.
Voltou sua atenção para a quantidade de alunos novos em outras outras casas — ignorando a vozinha irritante que o mandava observar Aquele-Idiota-Potter, ridiculamente rindo alto de alguma piada boba dos amigos ridículos.
Draco tentou não reparar nos cachos sendo jogados para trás, longe dos óculos pendurados na ponta do nariz curvado — um nariz marcante, forte, que combinava perfeitamente com a expressão marota e o sorriso atrevido nos lábios, um sorriso de alguém que parecia sempre prestes a aprontar algo.
Bateu as curtas unhas na mesa, o som impaciente ecoando.
Gregory quase segurou sua mão, interrompendo sua conversa com algum garoto do quinto ano.
“Para, é irritante.”
Bufou.
Levou o olhar por alguns segundos al indivíduo. Irritantemente bem iluminando por um laranja quente da Casa, que fazia sua pele — naturalmente rica e marcante — reluzir em tons de dourado e âmbar.
O jogo de luz e sombra o fazia parecer ao mesmo tempo impossível de ignorar e insuportavelmente confortável. O riso rouco e alto de Potter só intensificava essa noção de uma harmonia irritante que Draco não conseguia evitar. Por pouco não correu ao quarto e desenhou, ou queria ter uma câmera para capturar aquela imagem.
Foi sufocante.
E como nada que é bom dura, o cinza captou Ronald Weasley sussurrando algo ao modelo de Draco, então logo em seguida o olhar verde se tornou sério e bateu fortemente no cinza.
Encarar Harry fazia as pernas do sonserino tremer e o coração ir rápido. Draco desviou, como se suas unhas — Pintadas estrategicamente de um verde musgo — fossem incrivelmente interessantes. Suspirando e contando até dez antes de levantar o olhar novamente e lá estava Harry Potter — Bem mais calmo, sem a risada e sua luz quente parecia se tornar azul.
O sonserino fez o mais óbvio: manteve o olhar firmemente, sem nenhum pudor ou vergonha. Aguentou a compostura e não suspirou aliviado quando Potter foi o primeiro a ceder.
“Tudo bem?” Theo perguntou, levantando.
Draco assentiu. Agradecendo ao fato de alguns alunos estarem se arrumando para sair e o jantar estar finalizando.
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No quinto ano, Pansy Parkinson ganhou um quarto só para si perto na entrada da Sonserina — privilégio concedido a todos os monitores da casa das serpentes.
O espaço logo se transformou em um refúgio para seus amigos.
Bebidas grátis. Conversas com julgamentos. Um lugarzinho reservado onde Theo pudesse fumar em paz. Doces contrabandeados. E, claro, um sofá verde bem largo e confortável estrategicamente posicionado perto das janelas, com vista para as águas inqueitas do lago negro.
Draco Malfoy também tinha seu próprio quarto e era raro abrir as portas para visitas. Gregory e Vincent eram as únicas exceção. Quase todas as noites, os dois se esgueiravam para dormindo no tapete felpudo ou encostados nos móveis, transformando o quarto de Draco num segundo dormitório só deles e sem os roncos de Nott.
Agora, no quarto de Pansy, seguia uma rotina de escapismo e familiaridade, que seguia em um ritmo anual.
“Isso tudo é ridículo!” Pansy exclamou, cruzando os braços com indignação. Seus olhos faiscavam enquanto ela jogava a cabeça para trás, encostada no ombro de Draco. “Vou perder minha manhã inteira aprendendo sobre algo que nem quero, quem quer saber profissões trouxas? É uma perda de tempo! Como se eu fosse usar algo tão patético na minha vida.”
“Quando Dumbledore comentou, muita gente gostou da ideia.” Theo disse do banheiro entre as tragadas.
“Cala boca.”
Blaise Zabini, sentado numa poltrona ao lado, revirou os olhos e tomou um gole de uma bebida de gosto duvidoso que havia pegado no fundo de um armário.
“Qual o problema com isso, Pansy?” Ele suspirou, seu tom levemente sarcástico. “Por Merlin, é só uma aula!”
“Você só fala isso porque vai vender vinho para qualquer um, seja bruxo ou trouxa. Então não faz diferença para você.” Pansy rebateu, os lábios se curvando em um sorriso provocador.
Blaise arqueou uma sobrancelha, mas escolheu ignorar o comentário. Ele voltou sua atenção para o livro antigo que tinha em mãos, os olhos escuros deslizando pelas páginas de um conto italiano que parecia ter sido arrancado de outra era.
Enquanto isso, Vincent estava estendido no tapete, com a cabeça apoiada na perna de Goyle. O amigo, sem dizer uma palavra, passava os dedos distraidamente pelos cabelos de Crabbe, fazendo-lhe carinho. Havia uma tranquilidade peculiar naquela cena, como se estivessem em um mundo à parte, só deles.
No canto, Theo Nott estava próximo à janela do banheiro, tragando calmamente seu cigarro enquanto observava as águas escuras do lago se agitarem levemente. O som distante de bolhas subindo à superfície parecia ecoar em sintonia com seus pensamentos.
Draco permaneceu calado, aparentemente alheio à conversa. Ele estava recostado no sofá, com Pansy quase deitada sobre ele, brincando distraidamente com os botões de sua blusa. Seus olhos cinzentos fixavam-se em um ponto vazio no tapete, mas sua mente vagava longe, ocupada com pensamentos que ele preferia manter para si.
Por um momento, os seis pareceram um grupo de amigos normais — sem o peso das ideologias que lhes foram impostas, sem as expectativas sufocantes de suas famílias. Apenas jovens bruxos tentando escapar, ainda que brevemente, da realidade que os aguardava lá fora.
Era uma calmaria temporária, uma pausa em meio ao futuro caos do ano.
“Vocês parecem que não entendem…” Pansy continuou, mas sua voz foi ficando mais baixa, como se já não esperasse ser ouvida, buscando algum apoio. “Vocês deveriam pensar como eu.”
E, no fundo, talvez ninguém realmente entendesse. Ela olhou para Draco, esperando qualquer tipo de comentário sarcástico, mas que concordasse com ela, porém ele parecia distante, absorto em seus próprios pensamentos.
Theo se aproximou do sofá, pegando a garrafa das mãos de Blaise. Ele deu um longo gole, os olhos fixos no chão.
“Existe uma linha muito tênue entre pensar e falar, Pansy.” Sua voz carregava uma amargura que cortava o ar. “Acha mesmo que alguém aqui quer passar a manhã toda ouvindo sobre como as vidas trouxas são difíceis? Ninguém se importa, nem os que lutam por eles. No fim, todo mundo é hipócrita e só pensa em si mesmo. Bruxos ou trouxas, tanto faz.”
A sala ficou em silêncio. Pansy se mexeu desconfortável, os olhos faiscando com indignação, mas sem força para responder.
“Você não deveria…” começou, mas parou. A frustração contida refletia na forma como ela apertava os braços do sofá, os nós dos dedos brancos.
“Não deveria o quê? Dizer a verdade?” Theo deu de ombros, o tom ácido de sempre. “Pode falar o que quiser, mas não espere que alguém se importe de verdade.”
Ela suspirou, derrotada, e tomou a garrafa de sua mão. Sem outra palavra, virou um longo gole.
Draco a observava de canto de olho, mas não disse nada. Voltando a Pansy, ela se afastou ligeiramente de Draco, seus olhos ainda lançando faíscas enquanto olhava desafiadora para os outros no quarto.
Se manteve calado.
Deu uma virada no restante de um vinho barato e foi pego pelo olhar de canto, cheio de frieza da única garota ali e sua expressão mais evidente agora.
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