Art, Drarry

4 Chapter three


Notas iniciais
Eu espero que não tenha ficado tão maçante a parte da aula (⁠ ⁠◜⁠‿⁠◝⁠ ⁠)⁠♡




Chapter three-

If I Can't Have You



Draco nunca havia visto tantos objetos trouxas na vida.

Ele sabia o que era um telefone, uma caneta, um carro. Mas nada o havia preparado para encontrar aquela borracha amarela e laranja sobre a mesa.

Era estranho, parecia com um Quackerus— sem a pelagem verde metálica, claro. Hesitou antes de tocar, como se o objeto pudesse o atacar. Quando finalmente apertou, um som agudo preencheu o ambiente. Draco deu um salto e gritou fino, o suficiente para que os outros na sala caíssem na risada.


"Muito engraçado," ele resmungou, os olhos gelados para os amigos rindo.

Sem dar atenção, jogou a borracha longe, como se quisesse apagar sua humilhação.

“Quero minha cama…” murmurou Nott, largado na cadeira ao lado, com uma expressão de quem estava sob efeito de algo.

“São quase sete da manhã, cara… Todo mundo quer estar na cama,” respondeu Blaise, afundado em outra cadeira, os olhos semiaberto.


“Eu avisei… Uma perda de tempo…” Pansy olhava o lugar com desgosto, rindo e fazendo piadas sobre a decoração extravagante.


O monitor passou o olho rapidamente pelas cadeiras desconfortavelmente moles e coloridas, em um canto peças de madeira esculpidas em formas estranhas, coloridas com flores e padrões que lembravam as ondas do mar. Draco achou meio bonitinho, mas não fazia ideia para que serviria. Havia também uma cabine telefônica vermelha — que Draco já viu uns autores usando para entrar no ministério.

Ao redor vários livros, largos ou finos, pequenos bonecos e tecidos. Porém, o que realmente chamou atenção de Draco foi uma câmera fotográfica em prateleira. Era cinza e preta com uma faixa vermelha escuro.

Ele não o maior amante da fotografia. Não poderia ser.

Tirou poucas fotos na vida, e nunca revelou — sabia como fazia, mas ainda tinha memórias do seu avô, Abraxas M. Malfoy, quebrando sua única câmera que ganhou antes de entrar em Hogwarts. Segundo seu avô, aquele objeto era coisa de “traidorzinho” o mundo trouxa havia se apossado de uma invenção bruxa e que agora poderia prender a alma se usasse errado.

Draco não acreditava, e duvidava que um dos seus pais compartilhasse da mesma ideia — afinal, foi sua mãe quem lhe presenteou e ela adorava modelar. Mas ainda sim, máquinas fotográficas eram proibidas em qualquer mansão Malfoy, ainda que Abraxas tenha morrido.


Talvez, se conseguisse usar aquele objeto, precisaria de um feitiço de expansão para o seu baú.


Bateu os dedos na mesa ignorando o comentário de Pansy sobre como Glinda McLosyer, uma lufana do último ano, estava ridiculamente arrumada e sorria demais na direção de Theodore, que a respondia com olhares — porém o lado dele era muito mais gozação do que desejo.


“Vai dar uma chance?” Vincent perguntou entediado.

A principal coisa que notou foram as mãos do amigo sentado ao seu lado, os dedos de Vincent seguravam distraidamente os dedos de Gregory — Que lia algum quadrinho sem importância. Por algum motivo, os dois estavam próximos a todos momentos.

O sonserino precisou morder a língua para não comentar.

Ergueu uma sobrancelha os encarando e segundos depois Vincent soltou a mão de imediato. Gregory levantou finalmente o olhar da revistinha, porém parecia interessado em algo atrás de Draco.


Perto da porta, uma risada ridiculamente alta e rouca surgindo, acompanhada de outras duas mais baixas e igualmente escandalosas.

O trio-ridículo-de-ouro — como eram conhecidos por Hogwarts, afinal cada um ali parecia incrivelmente bom em algo

Hermione Granger: segunda melhor da turma;

Harry Potter: Melhor e mais jovem jogador de quadribol;

e Ronald Weasley:…. que até o momento Draco não fazia ideia no que Ronald Weasley poderia ser bom...


Garotas e garotos suspiravam, enquanto o eles parecia intocável a toda aquela atenção.

Conversavam sem olhar para o lado, Ron e Hermione se sentaram lado a lado e Harry os encarando.


Potter passava a língua entre os lábios e jogava os cachos para longe do óculo, o objeto sempre ia parar ali quando ele sorria ou só dizia algo. Na orelha, um pequeno brinco em formato de estrela — O loiro engoliu seco, aquilo não estava ali ano passado e muito menos uma pequena linha fina preta no pulso, que descia se escondendo na camisa, como uma marca.


Ele fez a porra de uma tatuagem?”, Draco pensou


Aquilo era novidade.


Merda”, pensou.


O problema começou, queria muito o desenhar naquele instante, capturar cada detalhe daquela expressão — o brinco, a tatuagem e o franzir do nariz.

Era irritante como tudo em Harry parecia involuntariamente marcante.


“Draco!” Sentiu um tapa na nuca antes do seu nome ser dito por Blaise Zabini.

“Que foi porra?”


Blaise indicou com os olhos entre o amigo e o trio de ouro.

Draco não entendeu nada, apenas que estava ferrado.

Engoliu seco e quando foi questionar teve de fechar a boca e se endireitar: McGonagall, Argo Filch e uma criatura de aparência tão enigmática quanto as paredes de Hogwarts passaram pela porta em silêncio.


A criatura tinha orelhas pontudas como as fadas do jardim, olhos grandes e amarelos em contraste com a pele prateada — parecia iluminar a sala —, sua boca pálida e fina linha desenhada com precisão.

Goyle se inclinou para o grupo.


“Eu ouvi que os Zymeritis não são exatamente os mais bem-vindos entre as outras criaturas mágicas…” sussurrou entre risadas. “pelo que sei, o lugar onde vivem as árvores crescem mais rápido que os neurônios”

Os comentários rendeu risos abafados dos mais próximos.


Malfoy observou os alunos rindo dos comentários de Goyle, odiou — por poucos segundos — como sua casa parecia se afundar na mediocridade fácil.

Aquelas piadas, pareciam, apenas uma tentativa de fazer alguém rir.

Suspirou e se remexeu desconfortável, por uns segundos desejou uma conversa um pouco mais inteligente e sem ser previsível.

A criatura piscou lentamente.

Vestia um terninho azul perfeitamente ajustado ao seu pequeno corpo, um contraste elegante com sua pele luminosa. Os óculos eram quadrados e finos repousavam na ponta do nariz alongado e fino, dando-lhe um ar de exigência — mas um leve sorriso sutil quebrava qualquer impressão.


“Alunos, esta é a Professora Zyphora, especialista em estudos interdimensionais e comunicação entre comunidades mágicas e não mágicas.” anunciou McGonagall, com um tom de respeito incomum. “Ela quem irá ministrar as aulas toda segunda feira na parte da manhã, a tratem com respeito e não ajam como babuínos bobocas balbuciando na salam.”

Pelo canto do olho, Draco viu Granger segurar o braço do namorado, provavelmente questionando, sobre a criatura nova, que quase nunca aparecia nos livros. Revirou os olhos. Patética. Ron resmungou e sorriu para a namorada, Draco quase vomitou.

Ela se moveu com rapidez e leveza, subindo na mesa da frente com a praticidade — semelhante à de um lagarto. Ela ajeitou os imensos óculos e colocou as mãos à frente, com a postura impecável de alguém acostumada gostar de ser ouvida.

“É um prazer estar aqui, jovens bruxos e bruxas. Vamos falar sobre algo que, para muitos de vocês, pode parecer… incomum: as profissões dos não-mágicos.”

Alguns alunos trocaram olhares desconfiados.

Outros a encaram, como se tivessem ouvido um feitiço em uma língua desconhecida, havia alguns felizes e comentando sobre o assunto.

Sra. Zyphora apenas sorriu, como se já esperasse exatamente aquela reação.

“Silêncio” Filch exigiu dando um passo ameaçador “não achem que por que a professora McGonagall está aqui que não posso levar vocês para correntes…”

Os sussurros só continuaram baixinhos.


Alguns alunos sussurram nervosos enquanto olhavam curiosos a Zyphora. Havia algo em sua presença que tirava o fôlego de todos, mesmo os mais céticos, como Draco. Ele podia sentir uma pressão invisível no ar, como se uma força maior estivesse observando a todos com paciência, esperando o momento certo para agir

“Está tudo bem Argo, querido” deu tapinhas rápidas no ombro do zelador. “McGonagall e você já podem ir. Eu cuido deles agora.”

Filch pareceu relutante, mas Minerva o levou, dando um sorriso severo de aviso a todos.

Sozinhos com ela, Zyphora deu tapinhas na própria mão chamando atenção, antes de descer e começar a andar de forma calma. A sala de aula estava mais silenciosa do que o normal. Cada passo que ela dava, fazia a sala parecer mais pequena, como se fosse suficiente para preencher o espaço. Ela tinha uma postura de quem se importava em ser observada.

Zyphora deu mais um passo à frente, como se sentisse os olhos de todos sobre ela.


“....Vocês têm muito o que aprender.” Ela continuou se aproximando de um grupo de alunos da Lufa-Lufa. “Não se enganem pela falta de uma varinha ou pelos feitiços não lançados. A magia pode ser relativa e bem frágil se mal executada. O mundo fora deste castelo está repleto de complexidade místicas, apenas uma fração dele é acessada por bruxos. Vocês acreditam que têm o controle dele? Seria demasiada burrice acreditar nisso.”


Draco sentiu um arrepio na espinha. Ela parecia certa no que estava dizendo. Não que ele fosse admitir, mas havia algo inquietante nela, uma verdade no fundo do subconsciente. Os olhos cinzas ficaram na câmera da estante — por um tempo esquecida.

As falas de seu avô voltaram rapidamente, balançou a cabeça e se afastou delas. Draco sentiu uma leve dor de cabeça, mas não se afastou. Algo nele queria continuar ali, ver até onde aquela sensação poderia levá-lo.

A aula estava apenas começando, mas Draco sabia que as palavras da criatura tinham forças suficientes para plantar dúvidas na mente, e ele faria qualquer coisa para sumir com ela — como fez todas as vezes que ela surgiu.


“Para muitos de vocês, a vida trouxa pode ser… ‘nojenta’ como vocês dizem. O fato do novo ministro ser um…” ela faz uma pausa, estratégica “Um sangue-ruim fez muitas famílias brigarem. Aos que vão continuar e vou ver na próxima aula, eu vou contar um segredo, no mundo não-mágico também há preconceitos. O humano ainda é burro e intolerante. Vocês vão encontrar pessoas com pensamentos piores, melhores, diferentes culturas, e terão que lidar com eles da mesma forma que lidam com seus colegas bruxos.”

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Draco, olhou rapidamente para Blaise, que parecia igualmente intrigado, mas tentando esconder a expressão. Então vagou e viu Harry Potter olhando as próprias unhas — parecia entediado. Diferente de Ronald, tão atento às falas da criatura, quase curioso. Hermione, assim como o garoto Potter, não parecia surpresa. As expressões eram parecidas entre os alunos das outras casas.

Entre os sonserinos presentes, o descendente de italiano foi o que mais transitou entre o mundo bruxo e trouxa por conta do dinheiro de seu progenitor — Blaise já foi em festas onde trouxas transitavam na ignorância do mundo bruxo, segundo ele, foi assustadoramente divertido. e apesar de algumas falas indecisas entre os dois mundos, os Zabini eram o mais mente aberta dali.

A criaturinha bateu as duas mãozinhas fazendo a palma ter um eco na sala toda, e, como uma pluma, várias folhas surgiram do teto a cada mesa. Os olhos amarelos agora buscavam encarar cada aluno.


“Cada espécie é uma, mas antes de se definir como uma precisamos entender quem somos internamente!”


Caminhou devagar pela sala, as pernas se mexiam tão rápido que se misturavam a olho nú, mas ainda era bem demorado até chegar à frente da sala.


“Isso não é uma prova,” ela disse, parando com um sorriso sutil, “é o que os trouxas chamam de teste vocacional. Responda com calma, as perguntas vão aparecendo baseadas no que for respondido anteriormente, moldando o seu perfil. Ao terminar, pode colocar aqui na mesa e sair. Os resultados serão enviados por corujas, e aqueles que não voltarem na semana que vem, bem... foi uma desonra ter vocês aqui.”

Draco olhou para a folha em sua frente, sentindo um frio na espinha ao perceber a complexidade da situação.

Ele nunca gostou de nada que o forçava a olhar para dentro de si mesmo. Por isso adorava aquele baú do seu quarto, tão profundo e infinito, pronto para guardar qualquer segredo sem julgamento.

A primeira pergunta fez sua garganta fechar. Draco levantou o olhar. Alguns estavam tão concentrados que nem pareciam respirar. Ele poderia mentir, marcar qualquer opção sem pensar. Afinal, que diferença fazia aquela aula? Mas reler aquela pergunta o fez suspirar.


Molhou a pena no tinteiro, pensando antes de assinalar:


O que mais te fascina no mundo?

a)As cores, formas e todos os detalhes.

b)As emoções e histórias por trás dos momentos.

c)Os sons e ritmos da vida.




Que porra de pergunta é essa?” ele pensou encarando bem o potinho de tinta respingo no papel. Draco franziu a testa. Ele esperava uma prova, cálculos, perguntas objetivas, não... isso. Ele odiava esse tipo de coisa.


Seu cérebro rodou, ele não fazia ideia do que poderia responder a algo tão abrangente.

A b) parecia a mais certa, mas Draco L. Malfoy não deveria prestar atenção nessas coisas. seus olhos percorreram o local por alguns segundos.

Pansy parada olhando para as próprias unhas, entediada; Gregory coçando a cabeça, Vincent olhava como se o papel fosse um dragão prestes a atacar.

Theo coçava a nuca e batia os dedos, cansado e ansioso para sair dali.


O olhar cinza rodou a sala por segundos ele notou a pelo canto do olho Harry Potter com a cabeça apoiada na mão o encarando…

Demorou alguns segundos para Draco raciocinar, sentindo um leve calor no pescoço e a pena mais preocupada na palma da mão. Harry James Evans Potter estava o encarando descaradamente do outro lado da sala com um maldito sorrisinho de lado totalmente natural. A boca de Draco parecia seca, mas ao mesmo tempo era como se estivesse salivando para dizer algo ou perguntar o porquê daquele olhos tão fixos. O sonserino passou a língua entre os lábios e como se acordasse de uma hipótese, Harry remexeu a cabeça e virou o rosto tão rápido como um flash.

Draco desviou o olhar rapidamente, sentindo uma irritação familiar crescer dentro de si.


O que diabos Potter estava olhando? E aquele sorriso?” , pensou respirando fundo e colocando a mão no peito tentando fazer o coração não ir tão rápido


Ele respirou fundo e voltou os olhos para a prova, mas as palavras pareciam se embaralhar.


O que mais te fascina no mundo?


As emoções e histórias por trás dos momentos.

Seu peito apertou.

Draco mordeu o lábio e apertou mais a pena entre os dedos. Por que essa opção parecia tão errada e ao mesmo tempo tão certa? Ele não deveria perder tempo com isso. Deveria se importar com coisas práticas ou objetivas. Mas por que ele não conseguia parar de pensar no maldito olhar de Potter?

Ele apertou os olhos, frustrado. Se culpando. Foi um erro olhar ao redor. Talvez Potter nem estivesse olhando de verdade e tudo fosse ilusão da sua cabeça. Um nó apertou sua garganta e o ar ficou fino, tudo dentro dele se dividiu entre a raiva e algo que ele se recusava a nomear. Virou a cabeça, olhos afiados, pronto para fuzilar Potter com um olhar mortal. Mas o Grifinório apenas rabiscava calmamente sua prova, os lábios ainda com um traço de sorriso natural, como se nada tivesse acontecido.


Desgraçado.”, xingou mentalmente, decidindo por focar na prova

__________

Draco respirou fundo antes de sair da sala. Andando calmamente, deixou o teste na mesa e, ao não olhar para a criatura, se deu por satisfeito — não importava o teste, ele não pretendia voltar àquele cômodo de Hogwarts. Seu olhar cinza levantou até a câmera parada na estante, refletindo a luz, quase como se estivesse pedindo para ser usada. Ele suspirou e saiu, não se permitindo olhar para trás.

A sala estava quase vazia. Foi um teste rápido, mas Draco só queria se livrar daquelas perguntas e da sensação incômoda de ter encarado Harry Potter por mais tempo do que gostaria de admitir.

Assim que pisou no corredor, avistou Pansy, impaciente — ela foi uma das primeiras a sair, sem se importar em responder nada, deixando a folha vazia sobre a mesa da criatura —, e Gregory, ouvindo pacientemente, mas claramente entediado, ansioso para que mais algum dos amigos saísse.


“Finalmente!” Pansy bufou, impaciente. “O que você ficou fazendo aí dentro?”

“Respondendo o questionário…” Draco respondeu, o tom rápido e sem paciência, lançando um olhar seco para ela.

“Por que perder tempo com aquilo?”

Gregory suspirou e se remexeu, ajeitando a bolsa no ombro.

“Vocês já vão para aula de Economia Bruxa Avançada?” ele perguntou, como se isso fosse um fardo.

“Não conseguiu mudar a aula?” Draco perguntou.

“Podemos ir logo, Drac?” A voz dela saiu baixa, impaciente e irritada, enquanto o sapato pontudo batia impacientemente no chão, como se o tempo estivesse se arrastando.


Gregory apenas assentiu com um aceno de cabeça, já se afastando, e Draco se virou para se despedir, foi quando ele trombou com alguém. O choque foi imediato. Seu corpo parou bruscamente. Seu nariz quase tocou o pescoço da outra pessoa, e o cheiro que invadiu seus sentidos fez seu peito apertar de imediato. Draco quase tropeçou para trás, mas dedos firmes envolveram seu braço, segurando-o no lugar. O toque era quente, sólido — irritantemente sólido.

Âmbar. Chá preto. Limão. Algo fresco e quente ao mesmo tempo. Harry.

Draco congelou, sentindo o ar preso na garganta.

Ele piscou, como se sua mente precisasse processar o calor da proximidade. A sensação era irritante, aquele calor vindo de alguém que estava perto demais. O perfume parecia grudar nele, denso e impossível de ignorar. Draco jurou que seu coração deu uma batida mais forte, e isso o deixou furioso.

Ele ergueu o olhar e encontrou o verde escuro de Harry, brilhante, o encarando com intensidade, como se observasse tudo de perto demais — marcante, sutil o suficiente para se infiltrar nos sentidos de Draco sem aviso.

Algo que ele sentiu deslizar para dentro de si antes que pudesse evitar. Engoliu seco e piscou, estagnado por um segundo a mais do que deveria, mas, ao invés de recuar, empurrou os ombros de Harry com um movimento brusco.


Malfoy,” Harry disse, a voz rouca terminando num riso baixo. “Se você continuar me encarando assim, poderia pelo menos me pagar um jantar antes.”


Draco quis morrer ali.


Vermelho e com o coração martelando. Ouviu piadinhas idiotas dos amigos. Abriu a boca, mas fechou, pensando em como poderia fazer aquele sorriso ridículo desaparecer. Mas nada grandioso o suficiente para um Malfoy passar por sua língua.


“Ah, Potter, que adorável. Mas você sabia que cheira a jornal velho?” Sorriu em uma falsa gentileza, fazendo aquele maldito sorriso sumir e assim sei coração diminuir um pouco.


Porém, o real cheiro de Harry permaneceu mais tempo do que queria, preso na memória como um feitiço difícil de dissipar. Seu rosto vermelho, erguido sem de forma insolente e natural a uma fala ácida.

No ombro de Harry, Neville Longbottom estava rindo timidamente e repetindo a fala de Harry para os outros. Draco mordeu o lábio, a raiva subindo enquanto sua postura se endireitou mais, de olhos afiados no primo bem distante.


“Como estão seus pais?” Draco perguntou calmamente, fingindo simpatia, mas um sorriso venenoso se alargando ao o ver se tornar sério. “Ouvi dizer que o hospital St. Mungus tem uma bela vista nesta época do ano.” Neville, respirando fundo, provavelmente amaldiçoava as gerações futuras. “Uma pena que eles não conseguem compreender a beleza na condição… indelicada deles”


“Malfoy…” A voz de Hermione Granger se levantou, em alerta ao tom cruel.


Draco encontrou os olhos dela, aqueles castanhos claros, e abriu a boca para soltar algo amargo. Porém, Pansy o puxou pelo braço com pressa antes que pudesse dizer qualquer coisa, mudando a perspectiva de Draco sobre o seu arredor.


Merlin! Draco, vamos logo! Você fica se distraindo com pouca coisa e depois reclama que tudo te irrita. Fala de mim, mas você também né…” Draco não entendeu o comentário, mas ficou quieto, deixando-se ser puxado.

Ouviu murmúrios, virou o rosto, viu uma cena estranha: Simas Finnigan correndo para alcançar e tocar o ombro Gregory Goyle.


“Draco, tá me ouvindo?” Pansy perguntou, mas ele não estava ouvindo nada.


Não respondeu. Ele apenas seguiu em frente, sentindo um gosto estranho na boca — como se tivesse mordido a isca de provocações. Ele apertou os olhos, irritado. Por que diabos o cheiro de Potter ainda estava ali? E pior... por que aquilo era tão insuportavelmente bom?

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