Comentários em “Um minuto para o fim do mundo”: “6 - 14 de Outubro de 2005”

Charbitch
Destacado pelo autor

Eu visto calça 46, kkkkkkkkk. Se a Lola se acha gorda, então eu sou um elefantão ;-; Minha buzanfa é grande e eu sou barrigudinha ×-× Nunca fui do tipo magrinha, acho que só quando eu era criança. Eu fico triste porque eu olho para aquelas meninas magras, altas, pálidas, elegantes, de cabelos longos e claros, olhos claros e feições delicadas, e penso: "Eu só queria ser elas" ;-;

A pressão do vestibular é terrível mesmo. Confesso que só joguei pra Letras porque eu não tinha estudado nadica de nada, por isso tirei uma nota razoavelmente ruim e, por medo de ter que fazer cursinho, joguei a minha nota na primeira coisa que vi. Queria não ter feito isso, daí eu não teria perdido dois anos da minha vida fazendo algo que eu não gostava de verdade ;-; O vestibular é uma coisa absurdamente cruel.

Mary
Mary Autor

Sei como essa sensação de olhar para as moças que se encaixam no padrão e por conta de construções sociais, acreditar que seus traços, suas curvas, tudo isso parece inadequado diante do que a sociedade aponta como certo. Espero que o feminismo liberte cada vez mais as mulheres dessa pressão para entrar num manequim 36, que o padrão é ser branca, loira, ter olhos claros e pernas longilíneas.

Se for parar para pensar, o mundo tem 7 bilhões de pessoas e sabia que como as digitais em nossos dedos, por mais que tenhamos olhos escuros, eles não são iguais, cada olho bem de perto é diferente do outro. O mundo é muito grande, então o padrão varia em cada região. Aqui no Brasil, provavelmente em função da cultura norte-americana, nós brasileiras superestimamos a beleza. Na Ásia, elas se sentem menos interessantes se não forem consideradas inteligentes.

Faz alguns meses que achei na biblioteca da faculdade um livro que falava sobre a mulher e os padrões de beleza e como eles foram se transformando ao longo do tempo. Na década passada era moda o cabelo liso extremo, em função disso minha irmã quase ficou careca. Um dia uma menina falou pra ela no colégio: "ah, vai pentear esse cabelo!", ela tava na 5ª série, tadinha, aí quando ela cresceu um pouco mais, se tornou escrava da chapinha pra decerto nunca mais ouvir piadinha idiota com o cabelo dela sendo que nunca teve nada de errado em não ter cabelo liso de comercial de xampu, porém hoje em dia ela conseguiu se livrar disso, não suporta nem ver a chapinha na frente.

A Lola ainda não é desconstruída, então não consegue enxergar que é linda do jeito que é. A Paty é linda como é. A beleza da Paty não anula a dela. A Paty destoa das loiras descritas em livros porque não trata isso como um triunfo, como se tal fato a tornasse melhor que as outras, pra ela é só um detalhe, como ter uma marca de nascença no interior da coxa direita.

Uma razão pela qual eu amo escrever Primeiros Erros é porque a Paty encara todas as transformações que ocorrem na vida dela, desde a separação dos pais até a mudança de cidade, os primeiros questionamentos sobre sexualidade, a maneira como lidou com a virgindade. Ela é uma garota que procura viver, aprender, observar. Ela é curiosa e às vezes se fere porque tenta enxergar o lado bom de todas as pessoas, porque questiona certos valores da sociedade e o faz sem medo.

Nunca quero que as pessoas leiam minhas histórias e se sintam mal. Se algum dia eu fiz isso, peço desculpas. Dá vontade também de avisar que em caso de gatilho emocional, a pessoa pode vir desabafar ou então, se for algo muito doloroso de ler, só o fazer quando sentir que está pronta. Não quero machucar ninguém, mas sim ser uma mão que mesmo distante se oferece pra dizer que tudo vai ficar bem. ♥

GarotaX

Quem nunca se sentiu o cocô do cavalo do bandido ou até o cocô a mosca do cocô do cavalo do bandido kk

Mary
Mary Autor

Olá! =)

Quem nunca, né?

O pior é que quando você é adolescente, um pingo de chuva em tempestade, tudo é muito intenso, inclusive a dor, que parece não dar trégua.

A questão da autoestima é tão difícil de tratar porque quando se é adolescente, você quer se encontrar no mundo, sentir que pertence a algum lugar, que sua presença é bem-vinda, você quer se sentir bem, bonita, desejada, importante e aí se você anda com pessoas que não te valorizam, cabe ressaltar a ideia de rever certos conceitos, se não é questão de procurar pessoas com quem se tenha afinidade.

É fácil falar que cada menina é bonita do seu jeito, mas aí vem a mídia, todas as construções sociais que pregam um padrão de beleza, um modismo novo e se você não reflete sobre o que é importante para você, no seu mundo, acaba se deixando influenciar.

É muito difícil se desvencilhar das construções sociais, desconstruir muitos dos valores que foram carregados por toda uma vida, leva tempo, demanda paciência, mas como cada pessoa tem o seu tempo, cada menina/mulher vai ter o seu momento de se sentir bonita como é e entender que é importante por ser como é, que tem muito a dizer, que o que é dito importa (e muito).

A Lola é uma lagarta que talvez se esconda no casulo por ter medo do que a espera fora dele, mas pode não ser tão ruim assim...

Obrigada por ler, viu? Espero que esteja gostando! Até mais! ♥