Comentários em “Hunter's Instinct”: “Episódio 82 - Leave It Behind”

Filho de Kivi

Alô criançada, o Filho de Kivi chegou! Trazendo alegria para esse mundo apocalíptico repleto de desgraças, dor e sofrimento! Eu sei que não rimou, mas isso não vem ao caso heheh
Hei!
Olá, Mentita! Como estão as coisas?
Por aqui tudo está tão caótico quando poderia estar. Nossa, recebi uma notícia terrível esses dias, que me deixou sem chão. Esclarecerei os fatos por outras vias de contato, e então você entenderá o que ocorrera. Bom, de toda fora, você sabe que a terra gira mais devagar por essas bandas, então, nada de espantos quanto a minha demora, não é? Considerando os paradoxos do tempo, acho até que estou comentando com certa rapidez heuheuehe.
Mas não vou enrolar mais do que já ando enrolando nos últimos 24 anos de minha vida hehe. Vamos direto ao comentário desse capítulo fantástico, pois há muitas coisas a serem ditas sobre esse episodiozão da porra! Hueheu
Comecemos com o POV de Peggy, a menina mulher com o desenvolvimento mais latente dentre todos os personagens da sua fic. Peggy sofreu pra caralho pra chegar onde chegou, passando por poucas e boas (ou poucas e más, para combinar melhor heehe). Perdeu praticamente todos que amava, mas ainda assim encontrou forças para seguir todas as vezes. Ah, e poderíamos muito bem dizer que o seu pilar era Moritz, o mestre e amante que lhe ensinava filosofia e novas formas de se enxergar a realidade tangível (e intangível também). Mas, com a morte do palhaço, novamente Peggy se vira sozinha, e dessa vez tendo de contar consigo mesmo para encontrar as respostas. Engraçado como a perda de um personagem pode de certo modo ser bom para a história, pois prevejo um puta crescimento (ainda maior) para Peggy, agora que será a mestra de si mesma, ao mesmo tempo em que ainda é aprendiz. Prevejo a adoção de uma postura mais centrada, assim como Moritz o faria, ao mesmo tempo em que pulsará a vontade de guerrear contra os algozes de seu povo (mesmo que não considere o seu povo). Quero muito saber como será essa nova Peggy, a Peggy professora, a Peggy mestra. Realmente ansioso para o desenvolvimento dessa personagem, que nos cativa a cada episódio. Esse despertar mostrado nessa primeira parte foi muito bem construído e delineado. Todos os contornos estavam perfeitamente encaixados, e aqui, novamente exalto a sua fodaralhicidade e adaptação, pois conseguiste trazer Peggy ao Reino (o que, claro, não ocorrera na série) e trabalhá-la de tal forma, que até temos a impressão de que o roteiro da série fora feito por encomenda a você, pois tudo se encaixara perfeitamente. Acho que o momento atual de HI fora o que mais necessitara de adaptações em relação ao material original, mas ainda assim você conseguira desenvolver tudo com tanta perfeição, que me arrisco a dizer que ficara até melhor do que a própria série, em termos de coerência com o rumo que se quer dar a história. Mentita... Parabéns!
Ah, claro, não poderia deixar de falar do POV que chegou chutando todas as nossas bolas! E se você não as tem, cara leitora que por alguma razão (talvez inveja heuehue) esteja lendo o comentário do fã número 1 de HI, duas foram geradas espontaneamente para que nossa cara Mentita chutasse com força depois! PQP! Que POV foi esse, Menta? Caraca... Mavie chegou chegando (não, não é uma referência àquela música) aplicando na prática tudo o que conversara com os seus aliados dentro do Santuário. Fico pensando cá com os meus botões, se Mavie estivesse realmente sozinha dentro daquele covil, digo, sem ninguém para minimamente instruí-la, será que já teria desistido de tudo? Bom, de toda forma, assim como o famigerado grupo de RPG Cyberpunk recebe a mensagem de Shimira, Mavie viu que não estava sozinha (pescou essa referência hueheueh). Percebeu então que para jogar o jogo psicológico de Negan, precisaria mover as peças com muita inteligência. Naquele momento o mais importante era ter cérebro e não força. Como sabemos que a Esquila possui os dois, ela acabara conseguindo jogar com muita inteligência, mantendo-se segura, mantendo Daryl segura, e tudo isso sem necessariamente precisar ceder às barbáries de Negan. Ela entendeu que ele quer levá-la ao limite, para que não lhe reste opção a não ser aceitar submeter-se a ele. Ele fizera o mesmo com as outras meninas, essa é a parada desse monstro. Estou gostando muito da forma que vem conduzindo essa questão, sabe, sem medo de tocar na ferida, usando as palavras certas, e fazendo da sua fic uma puta ferramenta de conscientização. Sim, digo isso e ainda repito, pois HI foge daquele modelo de romantização de Negan e seus atos, mostrando a verdadeira faceta do monstro que ele é.
Nossa, tantas coisas a serem ditas... Vamos lá.
Primeiro preciso destacar um diálogo que você escreveu, que para mim ficou simplesmente sensacional! Negan ameaça matar Daryl por ele ter dado um soco no rosto de Dwight após ter sido, propositalmente, provocado. Esse diálogo em específico deixou muito evidente uma coisa: Você tem um talento que não acaba mais, Menta! Embarcamos tanto na história, no momento em específico, já que Mavie está passando por uma situação fodidamente fodida, que parece que estamos do lado ela, praticamente segurando sua mão. Estilisticamente as palavras foram muito bem encaixadas, claro, fator resultante do seu vasto vocabulário, sempre muito bem acionado. Dá pra ouvir a voz do Negan, sabe? Dá pra imaginá-lo perfeitamente dizendo cada uma das palavras escrita por você. Isso é muito foda, é de deixar qualquer um de boca aberta mesmo! Ah, outro destaque em relação à escrita... Você consegue como ninguém, trabalhar entre dois limiares com a mesma perfeição. Você de uma linguagem mais formal e rebuscada em certos trechos de descrição, o que novamente mostra o quanto o dicionário léxico é bem acionado, já que certos sinônimos são necessários para enriquecerem o texto, a uma linguagem informal e crível, nos momentos em que a história pede, como nas falas os personagens. Trabalhar essas duas coisas, com a mesma qualidade e sem deixar a peteca cair é difícil pra caralho. De duas uma, ou as descrições se tornam uma embromação foda, ou as falas ficam uma merda, já que o escritor não consegue trazê-las para o mundo real. Mas você não, você faz de forma primorosa. Você é a Mentinha, porra! Hueheuheueh
Claro, não poderia deixar um review e não comentar a respeito do trecho mais foda de todo o capítulo. O primeiro (de muitos, creio eu) enfrentamento entre Mavie e Callie. O que é McGregor vs Mayweather (olha só os irlandeses aí, rapá hehe) ante esse duelo de titãs em HI! Heuheueheu. Olha, preciso confessar que fiquei com medo pra caralho heuheueh. Tipo, a todo o momento eu fiquei pensando se a Esquilinha conseguiria se manter fria o bastante para aguentar toda aquela merda sem quebrar a cara da princesinha do Negan. Admito que foi mega tensa a leitura. Sabe quando você vai lendo, mas começa a tapar os olhos e fazer algumas pausa, pois está com medo que virá? Então, foi bem assim que me senti huehuehue. O “pinte minhas unhas” é quase o “cante uma canção” dos quadrinhos. Foda pra caralho! Callie deixou ali clara não só a sua aversão a irlandesa, como também o quanto se sente ameaçada por ela. Ela sabe tudo o que Negan tem feito para ter Mavie como uma de suas esposas, o que faria com que Callie perdesse o posto de preferida do maldito déspota. Preciso dizer que é muito interessante a forma como você tem trabalhado essa personagem. A obsessão que ela demonstra por Negan chega a nos assustar, ao mesmo tempo em que deixa mais e mais curioso por outras informações acerca dessa personagem e as razões de ela ter ficado dessa forma. Claro que depois de tamanha provocação, as cartas foram finalmente postas na mesa, e aí então veio a parte mais foda de todo o capítulo (eu já devo ter falado isso umas cinquenta vezes, mas fazer o quê, o capítulo inteiro foi muito foda! hueheu). Mavie foi fodasticamente inteligente ao usar o psicológico de Calliope contra ela mesma. Ao perceber sua insegurança, toara na ferida certa, deixando-a ainda mais insegura. Isso foi uma resposta muito mais foda e assertiva do que qualquer agressão física. Mitou, Mavie! Mitou, Menta! PQP! Quase arranquei os cabelos e sai gritando: Aqui é Esquila, porra! Heuheuehuehe
Ainda tivemos o diálogo final, onde ficara claro que a primeira parte do jogo fora vencida por Mavie, a Esquila irlandesa. Utilizando-se de estratégia, Mavie conseguira não apenas sobreviver, mas ganhar tempo e espaço para futuramente, movendo as peças certas, sair de lá em segurança junto a Daryl. Olha só, ganhou até um quarto melhor hehe. É isso aí, Esquila, continue assim, tenho certeza que tudo dará certo para você!
Que capítulo, Menta! Porra, que capítulo! Emocionante do início ao fim, tenso do inicio ao enfim, foda do início ao fim! Novamente preciso agradecê-la pelo empenho e pela constante busca em melhorar o seu trabalho. HI jamais se estagnara, e a cada capítulo que passa essa fic consegue ficar ainda melhor! Kiitos!
Beijos, minha amiga! Nos vemos nos próximos!
Moi moi!

Menta
Menta Autor

Boa tarde, meu caro amigo Daniel! Rapaz, você some por uns dias para aparecer com uma metralhadora de comentários! Isso que eu chamo de compensar, hehehehehe! Fiquei mais surpresa com esses presentes todos recebidos assim de supetão, do que fui surpreendida ao ver o Tucano aparecendo no programa da Ana Maria Braga hahahahahahaha!

Você me contou sobre essa notícia, e, como sabe, estou torcendo para que tudo dê o mais certo possível. Não perca as esperanças, pois eu tenho prova no meu histórico familiar que mesmo essas doenças horrorosas podem ser contornáveis, minha avó sobreviveu como uma guerreira ao que ela sofreu, e está aqui até hoje, lúcida, forte, aproveitando a vida e vivendo longos e sadios anos! Não desista de acreditar, sério mesmo! E espero que essa semana que se passou e a que começa agora lhe seja mais leve e digna de alegria!

Vinte e quatro anos de enrolação é de fato uma afirmativa um tanto quanto preocupante, meu amigo =P mas sei que isso sem dúvidas é apenas parte do seu charminho de "se hypar pra baixo", heehehehhe, então nem te dou confiança... Te conheço de outros carnavais amazonenses, Daniel! #EsseÉoFilhodeKivi...

Eu gostei muito de desenvolver esse POV da Peggy, como eu sempre gosto de fazê-lo. Acho que a dor que ela passa ficou latente nesse capítulo, e baseei um pouco em dores internas minhas refletidas à época, muito diferentes do que ela passava, mas ainda assim, dores internas. Lidei com alguns fracassos no início desse ano, como comentei com você por whatsapp, então pude usar essa energia negativa para desenvolver bem o emocional da personagem nesse momento tão sensível e dolorido para ela. Peggy e sensibilidade, aliás, é um tanto quanto redundante, ela é de longe uma das personagens mais sensíveis de todo o rol de personagens de Hunter's Instinct, originais ou não, e sem dúvidas uma das mais sagazes. Gosto de ver como a personagem tem coragem de lidar com seu emocional, quando muitas pessoas negariam suas dores internas e fingiriam que nada está acontecendo, julgando assim que estão sendo fortes, seguindo em frente, quando na verdade estão somente armando verdadeiras bombas-relógios dentro de si... A qualquer momento, podem explodir, e tornar ainda pior o que já era pra ser dolorido naturalmente... "To live is to suffer, to survive is to find meaning in suffering", como diria Nietzsche, o grande mentor filosófico escolhido por Peggy (e por mim, ehheheeheheheheheh)! Essa é uma das frases do Mestre que mais concordo... A interferência do Rei é também um ponto importante desse POV, porque Peggy não só consegue dar alguma abertura para o Zé (hehehehee, sempre adoro chamá-lo assim), o que seria avesso à sua personalidade mais fechada, como enxergar nele alguém que pensa parecido, um ser mais reflexivo, mais calculista, mais mente aberta dentro de uma ampla gama de sobreviventes que não consegue pensar muito além do "hoje", do que é necessário ser feito para aguentar mais um dia. Ezekiel está sendo muito relevante para Peggy lidar com seu luto de uma maneira saudável, é um ombro amigo fundamental nesse momento tão difícil, assim como Delilah. A inocência de Lilah ajuda Peggy a ver algum lado doce nesse mundo tão destruído, embora ela considere a amiga ingênua por pensar assim. Ela precisa desse carinho que ambos são capazes de dar, e do auxílio respeitosamente distante de Billy Ray Holloway e de Rebecca Gable.

Em relação as partes reservadas a Mavie, esse sofrimento que ela passa no Santuário está levando ela ao limiar de sua sanidade. Podemos dizer que um dos defeitos de Mavie, que não é um dos de Peggy, por isso esse confronto entre a maneira de lidar com a dor das duas é também um ponto chave desse capítulo, não sei se reparou, eu mesma pesquei esse contraste bem só agora HUAUHAHUE! Peggy não nega seu emocional, pelo contrário, ela mergulha fundo na cara e na coragem. Mavie é uma negadora exemplar, assim como Daryl, os dois tentam entubar tudo, cada um à sua maneira. Mavelle com seu panorama "devo apenas me focar no que preciso fazer", para não lidar com seu emocional atribulado, acabou deixando tudo chegar ao limite, mais uma vez. E ao se ver tão sem saída, tão pressionada, tudo descambou para um ataque de pânico. Mavelle, sobrevivendo a esse caos do Santuário de Negan, vai desenvolver síndrome de pânico, nada além do esperado depois de tamanha tortura mental. Talvez se ela conseguisse lidar com o que sofre de frente, sem empurrar para o lado, isso não acontecesse. Mas, lógico, não consigo julgá-la por isso, porque ela é apenas uma vítima de condições completamente turbulentas. É muito cruel que ela tenha de passar por tudo isso, e Daryl também. Ele é outra pessoa que foi perversamente traumatizado pela vida desde a infância, e por isso é muito frágil emocionalmente, psicologicamente muito imaturo e quebrado de muitas maneiras diferentes. E Negan, sendo o homem cruel, inteligente e maquinador que é, não deixou isso passar. Pelo contrário, ele enxerga esses pontos fracos nos dois, e usa isso ao seu próprio favor.

O interessante é que, como você mesmo percebeu de forma tão perspicaz, Mavelle continua inteligente, sua cabeça não foi nublada pela ansiedade, o que também seria possível de ocorrer. Seu amor por Daryl é tamanho que ela consegue, mesmo em meio ao pleno terror que sofre dentro e fora dela, enxergar ferramentas para possibilitar uma fuga desse pesadelo todo. E uma delas foi notar as fragilidades de Calliope.