Comentários em “OFIÚCO: OS PERGAMINHOS PERDIDOS.”: “"Prova-se a virtude de um homem apenas na hora do perigo". Friedrich Schiller.”

Aeger

Olá.

Você faz algo que gosta para viver, logo pode exercer sua profissão com paixão e entregar-se realmente, dia após dia. Além de bom para você é bom para aqueles ao seu redor, lhe asseguro. (:

Ah sim, Paracelso... De fato visualizo (e creio que esta é a ideia que busca exprimir) Cesar Dominavit como um homem ponderado, de modo que estas palavras caem como veludo sobre sua personalidade, ajustando-se precisamente. (Não creio que acabei de fazer uma comparação usando um tecido, ainda mais veludo, mas vou ignorar meus próprios receios, rs).

Desconheço o filme, contudo me agradou a ideia trazida neste pequeno trecho sobre o qual acaba de mencionar. Nunca havia parado para pensar de tal maneira, mas faz muito sentido. Digo que também gostei. Haha.

Sim, tenho gostado particularmente da Muriel. Devo dizer que não esperava uma surpresa (risos), você tem uma gama variada de personagens neste livro e dá atenção a todos igualmente, logo é natural que o interesse dos leitores aponte para um ou outro conforme fatores extrínsecos determinarem. Meu interesse pela Muriel provavelmente se deve ao fato de eu me considerar insossa e prolixa também: conexão instantânea (risos). A frase anterior foi uma brincadeira, mas céus! Eu não a julgo insossa de maneira nenhuma. Talvez ela não seja interessante de uma maneira óbvia, como aquelas [personagens] enigmáticas e/ou sombrias; todavia ela é sim muito interessante com suas crenças, sua visão de mundo, sua postura ética, seus medos, suas indagações sempre pertinentes. Acho que Muriel é uma personagem absolutamente real, quase consigo tocar suas inseguranças, seus medos e sim: creio que a adição deste componente foi uma boa forma de resgatar a espiritualidade no contexto caótico do mundo em que estamos.

Bem, acho que não havia parado para pensar sob este âmbito, mas me parece lógico que pessoas tímidas sejam observadoras, sim.

“Tudo em nome do conhecimento[...]” Este parece ser um mal da humanidade, que vem se perdendo em busca do dito conhecimento. Pois lhe digo que os fins não justificam os meios, Maquiavel que me perdoe.

Haha, bem, seria a persistência taurina contra a reclusão canceriana e devo dizer que é um embate árduo, rs. Mas, novamente, obrigada.

Oh sim, compreendo. Bem, fico ansiosa para conhecê-los na sequência deste livro. Principalmente o Exílio – se a memória não me falha, novamente –, é o bairro onde se situa o circo, não?

Você parece ter um gosto um tanto erudito para música, se me permite dizer. Sempre tive muita vontade de assistir ao musical (pelo conjunto da obra, claro), contudo devo alegar que em suma maioria pela dança. Meus olhos são mais influenciáveis que meus ouvidos, um triste fato.

Sim, compreendo exatamente o que quer dizer, já me peguei inúmeras vezes presa nestas “armadilhas” ficcionais, me perguntando se aquilo era de fato verdade ou ficção, mas é realmente ainda mais intrigante prosseguir a leitura com a possibilidade em mente.

Sua indagação final sobre a Akila é realmente interessante e eu já lhe advirto que provavelmente não, ao menos na maioria das sociedades, não enquanto vivermos neste regime patriarcal, rs. Mas achei muito pertinente a inclusão de uma personagem como ela à trama: polêmica, carnal, no entanto com o propósito de gerar reflexão, não apenas de ser “a moça bonita” da história e ponto, fim. A Akila é muito mais do que isto.

Uau... Você tem algo como uma maquete de San Thomas planejada em sua mente por acaso? Parecem-me muitos lugares para se guardar, rs. Mas compreendo sua mudança de roteiro para um local que despertasse menos atenção.

Quanto ao capítulo atual digo que foi bastante estimulante. Tendo dito isto eu não espero que me entenda mal, o intuito não foi dizer que sua narrativa é monótona e sim exaltar que neste capítulo em especial grandes acontecimentos ocorreram, o que tornou a leitura empolgante. Gostei.

Cesar e Nigredo... Este me parece um núcleo à parte para ser desenvolvido durante a trama. A expectativa de que esta personalidade conjugada possa pôr a missão a perder a qualquer momento é definitivamente intrigante.

Torno a comentar sobre a pesquisa que fez para a construção da obra, que se mostra clara neste capítulo, sobretudo na descrição da sala de armas e nas obras literárias diversificadas ante a escolha de Muriel na biblioteca.

O desenrolar da luta no labirinto foi realmente o ponto alto do capítulo, sob a minha concepção. Gosto de uma boa e velha cena de ação, não nego. Não estou certa de ter conseguido compreender claramente as habilidades de todos os integrantes do grupo, no entanto penso que isso seja uma vantagem para mim, uma vez que a curiosidade apenas me instiga. Aliás, outro fato que permeia meus pensamentos é quão estreitos são os laços de Cailin com os elementais; mas realmente não quero saber a resposta a esta pergunta ainda, prefiro que a trama vá me revelando pouco a pouco, rs.

Apreciei poder conhecer um pouco mais da personalidade de cada um enquanto aguardavam na enfermaria, onde você pôde explorar mais intimamente cada personagem. Nicholas de fato trás descontração ao grupo! Confesso que em alguns pontos eu achei que o humor passou um pouco dos limites, adquirindo um tom quase escrachado. Você já havia alertado que o Nick possuía esta personalidade libertina, mas penso que talvez seja válido você avaliar estes traços para poder dosá-los. Apenas uma sugestão. (:

Vachan Siraj... Com sua postura austera, finalmente juntou-se ao grupo.

Devo dizer que a descrição do caminho até a cerimônia ritualística foi de uma caracterização, sutileza e detalhes incríveis. Realmente me conquistou.

Desculpe pela demora. Eu talvez demore a partir de agora, mas prometo que apareço por aqui, rs.

Até breve,
Aeger.

Sam Roque
Sam Roque Autor

Boa tarde...

De fato... Acho que não permaneceria muito tempo no trabalho estagnado, alienado... Aqui na docência uma das recompensas mais atraentes para mim é a possibilidade de conhecer muitas pessoas com histórias diferentes, cultivar afetos, tudo muito motivador e adorável, que me faz abdicar das maiores ambições financeiras. A propósito costumo dizer aos alunos que o salário não é indenização para infelicidade, tem que ser prazeroso, de coração...

Agora repercutindo o capítulo, novamente você fez uma ótima leitura do personagem, parabéns! Em Cesar coloquei a virtude da temperança que entendo não poder faltar em um mago experiente. Considerando sua estadia na Ordem Ofiúco, os graus iniciados, o conhecimento e a sabedoria acumulados, creio que a moderação e a disciplina foram atributos enraizados em sua personalidade...

Muito bem, assista ao filme para conversarmos a respeito rs... Gosto dos valores e princípios que ele transmite...

Isso, isso, meu “coração autoral” pende mais para um personagem dependendo da situação, mas eu gosto e tento advogar igualmente para todos. Imagino o que aconteceria se um editor pedisse para excluir algum personagem, como eu ficaria chateado rs... Ilanna Kossler, por exemplo, era uma personagem existente nos rascunhos e foi difícil excluí-la do primeiro livro enterrando-a nas profundezas da Capela de Gelo em San Thomas! Tenho vontadede despertá-la no segundo livro da série,pois mantê-la agora talvez comprometesse a organização do grupo e a melhor identificação dos leitores com todos os personagens.

Em relação à Muriel eu louvo sua empatia e perspicácia... Sorrio todas as vezes que você sente e identifica precisamente os conflitos e as necessidades da personagem! Isso mesmo! Em Psicologia diríamos que Muriel conserva o locus de controle interno... Seus dilemas são quase viscerais e se porventura os leitores suporem que ela atua com menos efetividade na trama, justifico que a personagem continua muito “dentro de si” tentando decifrar sua própria identidade e resolver certos conflitos internos que passam despercebidos ou inexistem para outras pessoas... De certo modo, a religião foi um caminho que ela buscou para encontrar respostas, mas atualmente, influenciada por Cesar, Karin Krause e a Ordem Ofiúco, ela começará a se abrir para outros movimentos em busca de respostas...

Concordo com você, os fins não justificam os meios... Cesar Dominavit provavelmente acataria, mas Nigredo, em contrapartida, insistiria que situações extremas requerem medidas extremas... Pensando na busca pelo conhecimento, lembrei da Árvore do Conhecimento em Gênesis e do mito de Pandora... O que pensa a respeito? Já alcançamos a maturidade evolutiva para administrar o conhecimento? Para exercer com propriedade o livre-arbítrio? Ou talvez, na perspectiva de certos personagens, uma ditadura benevolente cairia melhor para nossa condição atual?

Sim, a reclusão canceriana! Não foi por menos que os Vedas elegeram o caranguejo com sua carapaça impenetrável para simbolizar o estereótipo dos nativos de certo período rs... Pensando bem, Muriel ou Nicholas seriam cancerianos? Ela com a forma espectral, intangível, ele com o corpo de espinhos... Hum...

Isso, o Circo de Órion fica no Elísio, mas o bairro foi apelidado como“Exílio” por suas peculiaridades...

Gosto pela música... Erudito eu não sei; excêntrico e eclético é o que dizem... Além do rock, mpb e samba-de-raiz, também gosto muito, muito, de música folk, instrumental e voices (que associam à “New Age”)... Em verdade eu gosto da música que inspira e fomenta as emoções... Danças... Adoro dança-de-salão, bem como danças nativas, folclóricas... Faz um tempo assisti um festival muito bom de dança-do-ventre...

Pois bem, eu aprecio essas “armadilhas” ficcionais. Nesse contexto é interessante notar como certos fatos transformam-se em histórias que se tornam mitos e depois lendas (como diria Galadriel em Tolkien)... Gosto de pensar que certas ficções podem guardar uma verdadeira essência ancestral e com a Ordem Ofiúco não é diferente... Tantas descrições foram inspiradas em histórias, doutrinas e práticas verdadeiras, mas não desejo apontar a linha tênue entre a realidade e a suposta ficção para instigar os leitores... “Há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia”, Shakespeare em Hamlet...Charles Baudelaire escreveu que “a maior astúcia do Diabo foi convencer-nos de que ele não existe”... Neste contexto creio que nem tudo que ignoramos ou desacreditamos inexiste... Então, querida leitora, continue receptiva e, se possível, aberta às possibilidades...

Este é o propósito de Akila...

Não, nenhuma maquete, mas por muitos anos conservei o mapa de San Thomas que produzi no computador... Nota, quando criança eu adorava fazer todos os tipos de mapas, um entretenimento solitário... A concepção de San Thomas foi se desdobrando com o processo construtivo do seu mapa, mas eu creio que o tenha perdido com a mudança de casa ou então que ele esteja esquecido dentro de algum livro... Felizmente ainda recordo de certos detalhes e também tenho anotadas as referências e descrições dos principais cenários... Acho que terei mais trabalho com o segundo livro, pois a trama se passará em San Thomas e talvez precise refazer o mapa da cidade para minha orientação e como um brinde para o leitor...

Entendo, também é um dos meus capítulos favoritos pela interação entre os personagens, pelo desafio de Quíron e a preparação para a Metanóia no próximo capítulo!

Cesar e Nigredo... Foi divertido explorar a tensão e o drama no confronto psíquico deste capítulo, que teve como pano de fundo o Circulus palladium... Neste ritual foi possível agregar mais elementos materiais, diferente do Imperium feline, por isso foi mais prazeroso para mim... Espero que os leitores percebam e gostem do ritual mais consistente e palpável, diferente do primeiro, abstrato e onírico...

A pesquisa das armas brancas não foi difícil porque eu tenho um compêndio de armas e armaduras medievais... As obras compiladas por Muriel exigiram mais atenção porque eu não poderia ser desleal aos interesses da personagem, mas também precisava ajustá-los à sua curiosidade visionária, motivo pelo qual ela escolheu doutrinas conhecidas pelos estudiosos da Igreja e obras extravagantes. Eu tenho exemplares da “Divina Comédia” e do “Martelo das Bruxas” para explorar com segurança, mas citar o Zohar e o Manuscrito Voynich foi temerário e divertido rsrsrs...

Aaaaaah, o desafio de Quíron!!! Aeger, na época eu brinquei muito, me diverti bastante no processo criativo da coreografia desse combate! Quanto à visualização dos poderes, por favor, me avise e oriente se ficar confuso... Digo isto porque uma leitora perguntou-me o que era telecinese e então me dei conta que ocasionalmente eu usei este termo para designar certa capacidade psíquica sem ponderar se todos saberiam do que se tratava... Quando eu terminar o livro talvez crie uma seção para definir alguns termos “técnicos”. Assim os leitores poderão consultá-lo antes da leitura... Outra opção é inserir notas de rodapé... Não sei...

Sim, sim, a relação entre Cailin Druantia e os elementos será explicada gradativamente até que no terceiro livro, em que ela será a protagonista central da trama, seus segredos serão desvendados...

Nicholas, de acordo! Perceba que ela, Aaron e Akila já se extressaram ou repudiaram seu humor... Tem razão, Aeger, algumas vezes ele passa da medida, talvez confiando em seu carisma despojado para garantir indulgência. Mas considere que, antes de se transformar na fera de espinhos e assassinar os agressores da irmã, Nicholas era um universitário escrachado, um tantinho vulgar, fútil e superficial, bem do tipo que eu vejo aqui e você deve conhecer aí rs... Mas ele tem um bom coração, então vamos esperar que a convivência possa moderá-lo. Se não for o caso (ainda não decidi), este será um "defeito" seu, mas talvez os rapazes leitores se identifiquem mais com seu humor, diferente de leitoras mais elegantes e sensíveis... Vejamos qual será a repercussão rs...

Sim, o caminho para o átrio... A maior fantasia foi a passagem secreta pela Virgem de Nuremberg... A descrição seguinte, digamos, extrapolou a ficção...

Até (muito) breve, espero...

Sam.