Comentários em “OFIÚCO: OS PERGAMINHOS PERDIDOS.”: ““A adversidade une os homens...”. Soren Kierkegaard.”

Aeger

Olá, Sam.

Nossa! Leciona nos três períodos? Deve ser um tanto corrido, de fato. Bem, mas o recesso em breve chegará ao fim e sua rotina retornará ao normal. Admito que gosto do ócio no presente momento, apesar de que acaba por ser uma fase. Há períodos em que sou como você, nos quais simplesmente me sufoca a ideia de ter a vida “interrompida” abruptamente, com a rotina de aulas sendo substituída pelo silêncio da casa vazia.

Oh, não. Devo ter me expressado mal, ou então não compreendi com exatidão seu comentário inicial que levou a esta deliberação. Eu acredito que todo o texto precise ser revisado, obviamente. Minha premissa consiste no fato de não acreditar que toda estória precise ser reescrita muitas vezes, como foi dito. Acho que isto acaba por ser necessário na maioria dos casos; contudo creio que, excepcionalmente, podemos nos deparar com bons textos onde o autor não precisou reconfigurá-lo/reestruturá-lo mais de duas ou três vezes. Trata-se de casos difíceis de ser encontrados, concordo com você quanto ao fato de que todo material pode ser lapidado através do esmero, até porque o conhecimento é acumulativo e a tendência é de que o texto torne-se rico em detalhes a cada novo olhar do autor, porém pelo motivo anteriormente citado neste comentário é que não posso aceitar a premissa de que “uma estória precisa ser reescrita muitas vezes” como uma verdade absoluta, pois uma parte de mim crê que, em alguns poucos casos, “muitas vezes” não se fazem necessárias.

Sim, parece-me um personagem curioso e cujo passado despertou meu interesse, dentre os demais, confesso. Mas segredo-lhe que a personagem que vem conquistando minha afeição, até o presente momento, é Muriel, com suas indagações perspicazes. Falei que não revelaria preferências por enquanto, afinal ainda é cedo para tal, mas creio que já posso revelar isto com certo grau de segurança.

Que hábito curioso este seu, eu diria. Lembrou-me agora de outro amigo, no entanto ele leva suas observações um pouco além: gosta não apenas de analisar as pessoas visualmente, como de testar suas reações perante as situações, visando saber a maneira como pensam. Particularmente desaprovo tal comportamento, ainda que inofensivo (refiro-me ao segundo citado). Em todo o caso concordo com você, qualquer ambiente que reúna pessoas pode servir para este fim, no entanto uma universidade concentra indivíduos dos mais variados tipos, o que a torna realmente um local interessante para a observação do bicho-homem.

Sim, de fato deveria ser o leitor, mas não sou eu também uma leitora dos meus próprios textos? Aliás, não devo ser eu aquela que impõe maior rigor ao julgar o material? Pois se eu não for capaz de discernir entre o bom e o ruim num material próprio, aí será um problema... Talvez neurológico. Haha, só um humor negro para descontrair. E desculpe-me, os textos são realmente pessoais e eu prefiro mantê-los para mim. Quem sabe em outra oportunidade... Mas agradeço à persistência, mostra que é uma pessoa atenciosa (haha).

Uau... (estou rindo de mim mesma) Como eu disse, não tinha conhecimento do local e pelo modo como havia citado previamente, sobre fatos culturais, além das descrições ricamente detalhadas, eu realmente achei que fosse um lugar verídico. Me pegou neste fato, rs. Mas neste caso tudo o que posso dizer é: meus parabéns. Se os locais não existem, são totalmente oriundos de sua mente, a criação e descrição dos mesmos merece mérito ainda maior.

Muito animador saber disso. Estou certa de que o próximo capítulo será completamente instigante, com a reunião dos eleitos e tudo o que irá se suceder a partir de então.

Bem, creio que sua preferência por gatos acabou por vir a calhar, afinal. É uma figura que remonta ao misticismo, além de ser um animal doméstico, portanto é totalmente plausível que Cesar mantivesse um – ou vários – em casa. Seria mais difícil fazer o mesmo com águias, haha. Achei que foi uma opção inteligente.

Rsrsrs não, não constam, é o que também acredito. Usei tal comentário apenas como um ardil para introduzir o assunto. Confesso que fiquei um tanto abismada com sua frase, até ler “tudo carregado com muita, muita ficção, devo alertar”, então compreendi. Compartilhar experiências deste gênero sem qualquer filtro... Bem, digamos que é algo que eu não te imaginaria fazendo (e olha que nem te conheço, rs). Quanto ao fato de ser um iniciado, eu poderia ter suposto tal fato previamente, talvez, se fosse um pouco mais astuta, mas não é este o caso, tal possibilidade só me ocorreu após ler o capítulo anterior.

Eu certamente não julgaria o autor como machista ou sexista pautando-me apenas nestas informações. Tudo bem, aceito a culpa por certo julgamento prévio que fiz, mas tal fato não se repete aqui, até porque eu não vejo o comportamento da Akila como uma expressão em afirmação ao machismo, ao contrário, como um brado ao feminismo! Ela mostra-se uma personagem forte, independente, decidida, que sabe dos atributos que possui e os utiliza a seu bel prazer, sem deixar que a lei dos homens lhe dite o que é moralmente certo ou errado. Minha interpretação pode ser considerada como equivocada, talvez, contudo é a maneira como penso. Penso que você a definiu bem ao utilizar a palavra “polêmica”, não que esta assuma aqui uma conotação negativa.

Eu realmente sei menos de passagens teológicas do que gostaria, ou mesmo deveria, procurarei ler a respeito sim!

Ressalto que a construção do personagem como um todo foi muito completa, pois os elementos se encaixam de maneira primorosa.

Quanto ao capítulo atual eu começo dizendo que a descrição da parte externa da fundação Krause me surpreendeu um bocado. Eu imaginava o ambiente com uma fachada opulenta, mas também convidativa. O modo como meu raciocínio fluía pela trama e deparou-se com a descrição totalmente oposta ao que eu previa me deixou um tanto surpresa. Foi, na verdade, um presente. Acredito que o mais instigante para o leitor é a possibilidade de sempre descobrir fatos novos durante o texto, afinal se tudo fosse previsível a leitura se tornaria maçante.

Devo dizer que Cailin me parece a doçura em forma humana. Agraciada com muitas virtudes, pude notar, além de um gênio fácil de lidar. Creio que sua faceta apaziguadora será um bálsamo para este grupo tão disfuncional (ao menos neste primeiro momento) que você tem em mãos, se me permite dizer. E CÉUS! Como eu adorei o fato de serem tão disfuncionais juntos! Fiquei simplesmente fascinada ao ver as pequenas interações ocorrerem entre eles, os ânimos se exaltarem e apaziguarem, as diferentes personalidades reagindo de maneiras tão distintas mediante a uma mesma situação. Foi realmente algo muito prazeroso de acompanhar. O momento do jantar, onde Muriel parou para fazer suas orações e todos acabaram por segui-la, cada um a sua maneira: um deleite para a imaginação.

Ainda referente à Cailin: completo que, após Iris, mantenho um pé atrás com estas suas personagens extremamente benevolentes (risos).

Aaron para mim permanece uma incógnita, logo não poderei expressar maiores opiniões sobre ele neste comentário, penso que ainda é muito precoce.

Samuel também merece nota por aqui. Alguns podem taxá-lo como clichê, por ser o rapaz grandão e abobalhado, que sempre faz trapalhadas; mas eu achei que ele adicionou leveza à trama com seus modos desengonçados e puros. Creio que sua personalidade esconda mais nuances do que nos foram reveladas até então. Aguardarei.

Senti falta de Vachan no decorrer do capítulo, mas tenho um palpite de que o propósito para sua ausência será elucidado mais rápido do que eu possa supor. (>:

Gostei excepcionalmente do capítulo e acrescento que a última frase me deixou extremamente intrigada...

Até breve,

Aeger

Sam Roque
Sam Roque Autor

Hello again...

Sim, nos três turnos... O campus é praticamente minha segunda residência rs... Realmente minha rotina é corrida, mas eu amo lecionar e o cansaço torna-se prazeroso, não um sofrimento como associam em Psicologia do Trabalho rs... Essa rotina me faz bem, promove minha missão, reforça minha identidade, por isso me sinto um tanto desconfortável quando estou de férias rs...

Certo, concordo com você! Um bom textoprecisa delapidação, mas, sim, reescrevê-lo muitas e muitas vezes em busca de uma forma ideal não parece razoável. Cesar Dominavit citaria que “a diferença entre o antídoto e o veneno está na quantidade”. A propósito, recentemente assisti “Encontrando Forrester” com o admirável Sean Connery. Numa passagem seu William Forrester aconselha, basicamente, que o primeiro texto nós escrevemos com o coração e depois o editamos com a razão... Gostei!

Muriel?! Interessante, em parte me surpreendeu! Decidi cria-la para explorar questões relacionadas à espiritualidade e a busca pelo autoconhecimento. Gosto de provocar o leitor com seus dilemas e questionamentos, mas é curioso que a maioria não se identifique com ela, por acha-la insossa, prolixa... Eu sou simpático a ela... Gosto da sua afeição pelo conhecimento, pela importância que dá à espiritualidade num mundo despido da fé, dilapidado das melhores valores... Gosto disso!

Acho que todo tímido é um bom observador, concorda? É o meu caso! E, sim, não acompanho a prática do seu amigo, aliás, no passado conheci um iniciado que tinha postura similar: realizava certos experimentos sem comunicar as pessoas envolvidas, praticava envenenamento mental deliberadamente para testar reações, tudo em nome do Conhecimento... Não, isso não me agrada...

Uma pitada de persistência taurina foi inevitável! Muito bem, respeito sua reserva em não publicar rs.

Sim, San Thomas é minha criação, sob certas influências inspiradoras, é verdade, mas se trata de um cenário fictício que eu concebi. No segundo livro da série cada bairro da cidade, Éden, Nostradamus, Exílio, e outros, serão apresentados detalhadamente, mas neste primeiro apresento-os en passant, pois a busca pelos pergaminhos perdidos será concentrada na Europa.

Gatos, gatos... Adoráveis...

Midnight, not a sound from the pavement

Has the moon lost her memory?

She is smiling alone

In the lamplight

The withered leaves collect at my feet

And the wind begins to moan…

Agora lembrei do musical “Cats”… Simone, do Epica, cantando “Memory”, acompanhada apenas pelo piano… Impecável!!!

Sim, sempre conveniente alertar sobre teor ficcional dos capítulos. Eu gosto de escrever a ficção como se fosse realidade ao ponto do leitor não consegui distingui-las facilmente... Jo Soares e Dan Brown, só para citar dois contemporâneos, fazem bem isso... Eu me deleito com a dúvida, com a suspeitaao se deparar com fatos desconhecidos... Por outro lado, “esconder-mostrando” também é interessante, disfarçar com o manto da ficção o que deve permanecer oculto... Huuuummm... Que sabe?!

Adorei sua perspectiva sobre Akila! Como bem disse, trata-se de uma personagem polêmica, concebida para também fomentar o debate sobre a postura da mulher da sociedade... Ela já recebeu rótulos como “egoísta”, “vulgar”, “dissimulada”... Recebo todos com alegria, a ideia é essa, e melhor ainda é contrapô-los com outros adjetivos inversos... É o que se verifica em astrologia... No plano positivo o taurino, por exemplo, incorpora a virtude da determinação, da persistência, mas a mesma característica no plano negativo pode se manifestar como teimosia, obstinação... Então, quem realmente é Akila rs? E se ela fosse um homem, seus atributos, suas características e decisões seriam rotuladas da mesma maneira? Gosto dessa provocação rs...

Ah, a sede da Fundação Krause... Inicialmente sua edificação foi concebida como um castelo preservado como patrimônio histórico de San Thomas, mas preferi mudar para uma visão mais obscura, melancólica e decadente... Daí o velho hotel Redenção estava perdido no cenário, sem qualquer relevância na construção de San Thomas, por isso preferi adequá-lo. Ademais, creio que as atividades reservadas da Ordem Ofiúco seriam mais resguardas nesse local, ao invés de um castelo imponente que atrairia mais curiosos rsrsrs...

Cailin... Excelente percepção da personagem... Entre os eleitos ela também demonstrará ser o membro mais comprometido com o propósito da Ordem Ofiúco. Nos próximos capítulos, você observará, Cailin fará o possível para manter o grupo unido, reforçando a importância da vossa missão... Também tenho muita simpatia por ela que também personifica o Arcano XII do Tarô, a força interior que doma a fera...

Samuel é sim um clichê, admito,mas é o meu querido clichê, rsrsrsrs... Ele foi inspirado no personagem de um filme, o Sloth, de “Os Goonies”... Não é um personagem muito autêntico, é verdade, mas não resisti à vontade de incluir sua presença especial neste primeiro livro, quase em homenagem à lembrança querida da minha infância rsrsrs... No segundo, porém, penso que ele atuará mais efetivamente...

E Vachan Siraj...

Continua rs...