Comentários em “OFIÚCO: OS PERGAMINHOS PERDIDOS.”: ““E uma vez lançada, a palavra voa irrevogável”. Horácio.”

Aeger

Olá novamente, Sam.

Como breve resposta ao comentário anterior, ressalto que sou solidária às dificuldades que passa na transição de uma escrita técnica – como creio ser a que utilizou no decorrer da faculdade –, para uma escrita mais lúdica e, ouso dizer, informal em alguns trechos (como diálogos), como é requerido para que este tipo de texto se torne atraente, como você mesmo disse. Mas meu comentário referente ao seu vocabulário foi com o intuito de elucidar que você se expressa de maneira articulada, tornando a leitura dinâmica; não tive a intenção de censurá-lo por fazer uso de palavras rebuscadas em seu texto, ao contrário.

Quanto à Liga dos Betas não posso dar maiores informações, afinal aqui participo apenas como leitora. Nunca submeti qualquer texto para análise. Como já comentei: para mim seus textos são praticamente impecáveis gramaticalmente, um ou outro erro pode escapar aos olhos durante a revisão, o que é natural; entretanto sempre alerto o autor, pois, me colocando em seu lugar, gostaria de ser alertada. Contudo não depreciarei o trabalho por eles realizado, de maneira nenhuma. Sei que seus textos serão muito bem recebidos lá, caso decida enviá-los em algum momento.

Concordo com sua opinião sobre a pesquisa quando irá se descrever, não apenas cenários, como também culturas. Algumas pessoas se esquecem de que, muitas vezes, retratar uma cidade vai muito além de descrever a fachada de um prédio, este ou aquele monumento; trata-se de falar sobre as minúcias do povo que vive naquele local, explorando locais menos conhecidos, sob um olhar pouco convencional. Isso sim torna a escrita bela, e isto requer pesquisa. Infelizmente não são todos os autores – refiro-me apenas àqueles aqui do Nyah – que o fazem. Em seus textos tenho a graça de ter percebido esta característica até então, como já havia dito.

Referente ao capítulo atual: devo dizer que foi muito bom poder acompanhar um pouco de cada um dos personagens. Confesso que, em livros, não costumo ser grande fã deste tipo de narração intercalada (acho que é porque a expectativa me corrói, até que eu possa ler o próximo capítulo sob a perspectiva de determinado personagem, que muitas vezes demora a chegar), todavia não foi algo que me incomodou neste capítulo, justamente por todos os trechos estarem ali, prontos para serem acompanhados. Somado a isto, eu tive a oportunidade de conhecer um pouco mais de cada personalidade aqui presente. Em sumo: gostei da abordagem utilizada.

Outra coisa que me despertou o interesse foi encantamento utilizado por Cesar, cujo nome agora me fugiu à mente (memória ruim, perdão). Achei realmente interessante o fato de ele utilizar os gatos para localizar os eleitos. Há de fato um misticismo em torno do animal, mas eu poderia perguntar se há algum outro motivo por trás da escolha, ou é mera casualidade? Pergunto por pura curiosidade, espero não estar sendo enxerida. Haha (:

Você havia falado sobre uma pesquisa futura, para saber quais personagens mais agradam. Acho que ainda é precoce dizer, uma vez que conheço muito pouco da psique de cada um, mas consigo pensar em dois, talvez três, que já me despertaram o interesse. Mais para frente lhe direi.

Por fim, deixo o trecho de uma das falas da Muriel, que achei profundamente inspirador. Ainda que seus textos tratem de ficção, penso que estas palavras carregam em si mais verdade do que você possa ter se dado conta. Na minha opinião foram as mais belas linhas do capítulo. Realmente tocaram meu coração.

“Talvez o mundo velasse monstruosidades, discriminasse aberrações, pendesse para os homens e desconfiasse dos prodigiosos, mas o que não se percebia é que nem os olhos, nem a inteligência ou o coração seriam capazes de separá-los. Talvez todos fossem idênticos e só o espírito poderia verdadeiramente diferenciá-los.”

Acho que me alonguei demais, tenho este mau-hábito inoportuno às vezes. Perdão.

Prazer conversar com você, até breve.
Aeger.

Sam Roque
Sam Roque Autor

Olá, Aeger, como vai a semana?

Continuando o papo, ainda tenho dificuldade para escapar à redação mais técnica e rebuscada. Certa vez alguém disse que “uma boa estória é aquela que é reescrita muitas vezes”; então, acolhendo essa ideia, costumo escrever em camadas para diluir o vocabulário, para simplifica-lo e torna-lo mais agradável ao leitor. Admito, fiquei mais à vontade para incorporar Sir Donovan Krause, Cesar Dominavit, Muriel e outras personalidades que aparecerão na trama, contudo, Nicholas O’connor sempre foi um desafio, pois ele é descomprometido, despojado, portador de uma casualidade cativante e, principalmente, engraçado. A questão é que não tenho essas características, sobretudo não sou engraçado!!! Então construir o Nic não foi fácil! Aaron Balack, outro personagem que aparecerá também exigiu mais tempo de produção por se tratar de um homem com humor agressivo, pouco delicado e sensível, você verá... A propósito, entendi seu comentário anterior e fiquei lisonjeado!

Ora, então a senhorita não publica aqui? Uma pena, realmente, mas ainda terei a oportunidade de apreciar algum material seu?

Quanto à gramática, reitero, esteja à vontade para retificar, não me incomodo! Faço o possível para cultivar a forma mais correta, porém tenho resistido ao impulso de ler, reler, e ler novamente o material, senão tenho vontade de mudar muitos pontosfugindo à pretensão deconservar o texto e a trama original rsrsrs...

Estamos de acordo sobre a pesquisa para um bom texto! E se você aprecia dados culturais, espero que esteja gostando San Thomas e divirta-se mais ainda com a cidade fictícia de Zagra que aparecerá mais à frente! Além de dados históricos, nela incorporei o folclore com diversos elementos pagãos e uma celebração da cristandade, salvo engano à Santa Anezka de Zagra.

Também fico satisfeito que esteja curtindo a narração intercalada. Como disse, não me agrada privilegiar um personagem, criar um herói incontestável cercado por coadjuvantes inexpressivos. Pelo contrário, adoro escrever para vários, me divirto muito! E na minha mente eles competem pelo seu momento! Por outro lado, já posso adiantar que o destino dos eleitos irá convergir e a trama se tornará mais linear, mas sem perder em vibração e intensidade...

Ah, sim, o primeiro ritual realizado por Cesar, o “Imperium feline”. Ótima observação! Esse ritual foi inspirado na cultura celta, indígena e vampírica que relatam pessoas capazes de enxergar com os olhos de um animal. No meio exotérico, aliás, professam que os gatos são guardiões-videntes do plano espiritual e uma conotação similar aparece na mitologia egípcia, entretanto, a verdadeira razão por optar pelos gatos é que ADORO os felinos! Bem, gosto de todos os animais, porém tenho uma relação com os gatos como parte da minha cultura familiar. A propósito, todos os gatos pertencentes a Cesar realmente existiram ou ainda estão vivos na casa da minha avó rsrsrs...

Isso mesmo! O aprendizado de Muriel! Reparou que ela prosperou na sua jornada evolutiva com esta compreensão? Acredito que sempre que galgamos um degrau superior as nossas vibrações agem como um “campo de força” contra as negatividades mundanas... Mas a questão nessa passagem, a proposta para o leitor foi essa: não ter preconceito e abstrair da confusão dos sentidos para aprender a discernir e amar.

Muito bom conversar com você.

Continue se alongando rsrsrs...