Gregório terminou de limpar a sujeira no tapete e se sentou no sofá. Ele ouviu o chuveiro ser aberto no banheiro e deu um sorriso malicioso. Pelo jeito não era só ele que se sentia daquela forma perto dela. Ele estava de quatro pela madame. Ele alcançou o controle da televisão e a ligou, tentando se entreter com qualquer programa, mas nada prendia sua atenção. Nada.

Sua atenção estava na água que caia no chão do banheiro ao lado e ele imaginava a água escorrendo pelo rosto de Margot e logo, em seguida pelo o seu corpo.

Ela não era tão magrinha, não. ‘Cê é louco, cachorro.

Ela mexia com a cabeça dele.

Grego sabia que tinha se aproximado dela apenas para uma parceria, Margot também queria separar Benjamin e Marizete. Esse era o objetivo principal: separar os dois e cada um se divertir com o seu troféu, porém depois de tê-la conhecido melhor ele ainda ponderava se aquilo era mesmo o certo. Era mesmo aquilo que ele queria?.

_ Grego, Grego... – ele falou sozinho, balançando a cabeça.

Margot era bem mais do que uma patricinha qualquer, ela era de responsa. Ponta firme. E ainda o escutava, escutava suas lamúrias e compartilhava suas experiências de vida. Os dois tinham sido abandonados na vida por seus grandes amores e ele não podia negar que aquilo tinha mexido com ele.

Margot se enrolou em um roupão branco e saiu do banheiro. Grego estava jogado no sofá com Romano em seu colo, ele acariciava os pelos do filhote. Ele a viu parada ali com o roupão, parecia uma cena de filme. O vapor que saia pela porta a envolvia e ele a mediu de cima a baixo. Desde seus pés descalços e pernas desnudas até o colo exposto e seu cabelo molhado.

Ela fingiu não estar incomodada com o olhar de Grego, pois para quem já tinha saído na rua sem roupa nenhuma aquilo não era nada.

_ Grego, você não tem mais o que fazer? – ela perguntou. – Tipo, eu não estou te expulsando... Mas, agora eu já to bem, você não precisa ficar de babá. – ela deu de ombros.

_ Ih... Tá tirando? Quer mesmo que eu vá embora? Vai que ‘cê passa mal de novo. Aí ferrou, tá ligada? Quem vai te ajudar?

_ Eu já estou me sentindo melhor. – ela repetiu.

_ Oxê, eu não vô te deixar sozinha aqui, não. Fica de boa.

Margot revirou os olhos, mas sorriu em seguida.

_ Parece que tá incomodada com a minha presença, tá é? Tá incomodada?

_ Eu? Claro que não. – ela agiu naturalmente. – Vou me trocar e já volto, tá?

Margot subiu as escadas deixando Grego no sofá. Ele observou ela subir e ficou com os olhos fixos onde ela tinha desaparecido.

Seu corpo estava enterrado no sofá, mas na verdade o que ele queria era ter perseguido a trilha dos passos dela.

Ele deixou Romano sentado ali e subiu as escadas pulando degraus. Seu coração batia forte no peito como poucas vezes já tinha batido. Ele andou devagar pelo corredor estreito, a última porta que estava entreaberta era a do quarto de Margot. Gregório parou no vão, Margot estava de frente para o guarda roupas e de costas para a porta. Ela escolhia uma roupa nos cabides e bufou, parecia indecisa.

Grego a analisava, o jeito que ela se movia com toda a delicadeza que só ela tem, a forma como ela mexia em seus cabelos olhando as roupas penduradas e ele sentia o perfume delicioso que ela tinha acabado passar. Ele lutava com a sua consciência irracional e emocional. Racionalmente, ele iria virar as costas e ir embora e emocionalmente, ele iria fazer uma loucura.

E isso é uma coisa que ele é: louco.

Ela se aproximou da cama, em uma posição mais próxima da porta, permanecendo de costas para ele.

_ Meu Deus, Margot... Você não tem o que vestir! – ela olhava algumas peças largadas na cama.

Grego abriu a porta sorrateiramente e devagar se aproximou dela. Ele tocou os seus braços cobertos pelo roupão com as pontas de seus dedos e Margot se enrijeceu. Suas costas estavam eretas em susto, porém ela sabia muito bem quem a tocava. O coração dela estava tão veloz que ela pensava que iria cair, ele subia e descia os dedos em seus braços em um caminho lento e tortuoso e ela suspirou.

Ele aproximou seu peito das costas dela, a apoiando. Margot respirou fundo e ela queria ter palavras para falar algo, queria ter forças para afastá-lo de si. Suas costas tocando seu peitoral era mais do que ela conseguia expressar, ela não queria afasta-lo de forma alguma. Ela sentiu o tecido do roupão deslizando de seu ombro direito, ela fechou os olhos e Grego estava finalmente satisfazendo sua vontade de tocar aquela pele.

Ele afastou os cabelos lisos dela da região do ombro e a tocou ali. Uma trilha que deixava um rastro quente e levava eletricidade para todos os cantos do corpo de Margot.

Ele levou seus lábios até ali e beijou sua pele branca, sentindo o cheiro do perfume caro invadindo seus sentidos. Sua boca explorava aquela região e ele sentia o corpo dela tremer próximo ao seu. A respiração dela descompassada estava o deixando mais maluco e quando ele finalmente tinha alcançado o pescoço, a voz dela o interrompeu.

_ Grego? Grego?

Era um tom bem diferente daquilo que ele imaginava que fosse um gemido ou um suspiro.

_ Grego? – ela falou mais alto.

Gregório pulou no sofá, Romano que cochilava em seu colo também acordou assustado. Ele piscou diversas vezes até focar nela a sua frente: a verdadeira Margot, muito bem vestida e levemente maquiada. Ela o olhava com curiosidade e ele ficou sem graça, incomodado com certas partes de seu próprio corpo. Ele agradecia mentalmente por estar com uma almofada em seu colo. Aquele sonho não tinha feito bem a ele.

_ Dormiu, é? – ela perguntou em um tom de brincadeira.

_ É, né, tio. ‘Cê é louco. Acho que eu preciso puxar o carro. – ele passou a mão na cabeça, coçando a nuca.

Margot estava achando estranha aquela atitude, mas não iria questionar. Alguém que dez minutos atrás não queria deixa-la sozinha, agora iria embora sem mais nem menos. Fazia parte do pacote da caixinha de surpresas que Grego era.

_ Beleza. – ela respondeu.

_ Ah, é que eu lembrei que eu tenho umas coisas pra resolver lá na quebrada, tá ligada? Mas, eu volto. – ele se levantou do sofá e ergueu a mão para o toque deles.

Margot sorriu agradecida e respondeu o toque.

_ Valeu, viu, Grego? Pela companhia e tudo, hoje.

_ Independente, independente. Não foi nada, mano. Te cuida, hein? – ele deu uma piscadela para ela.

_ Te cuida também, mano. Firmeza? – ela piscou de volta.

Os dois sorriam um para o outro e Grego caminhou até a porta.

_ Grego?

_ Fala, magrinha. – ele se virou pra ela com a mão na maçaneta.

_ Amanhã eu tenho uma consulta no médico e eu vou sozinha... Quer ir comigo, mano? – ela o imitou na última frase.

Ele abriu um sorriso enorme e aceitou o seu convite.

_ Não vacilo, nega. Amanhã eu apareço aqui. Falou.

Margot acabou ficando sozinha, ela balançou a cabeça se divertindo com o jeito de Grego. Queria que ele tivesse ficado mais, estava se acostumando com a sua presença, com o jeito maluco. E era estranho quando ele partia.

Ela se afundou no sofá no mesmo lugar que ele tinha dormido e sentiu o cheiro do perfume forte dele pairar no ar. Ela abraçou uma almofada próxima e tentou prestar atenção na televisão. Romano se ajeitou no chão próximo ao sofá e ela sorriu para o cachorro.

Era estranha a forma como ele a fazia sorrir, involuntariamente. O tempo todo.

Notas finais
Obrigada por todo o retorno, estarei respondendo os comentários em breve! :)