Último Primeiro Beijo
8 Capítulo 8 - John, dor e mágoas.
Notas iniciais
Jack sabia que sua ação perante a morte de James ia mostrar que eles namoravam, mas ele pouco se importava, não mais. Não adiantava mais esconder, e nunca houve um porque para esconder, mas eles achavam que era o melhor.
Apenas depois que o corpo de James foi retirado, Jack percebeu os olhares fixos nele.
“O que é?” Ele gritou.
Eles ficaram em silêncio, por exceção de Carl, que evidentemente queria rir, então bufava de vez em quando. Jack andou até ele, e sentiu seu rosto queimar de raiva.
“Eu perguntei: o que é?” Disse lentamente, enquanto encarava Carl, raivoso.
“Só uma bichinha chorando por causa de outra bicha.”
Alguns soldados presentes se assustaram com a resposta de Carl. Eles sabiam que Carl não era o que se pode chamar de fã de gays, mas isso já era muito. Ainda mais para a situação em que se encontravam. E Jack pensava a mesma coisa. “Essa foi a gota d’água.” E num grito embravecido, ele socou Carl. Os outros soldados saíram do semicírculo em que estavam e formaram um círculo, observando a briga.
Jack, com lágrimas escorrendo em seu rosto, socou Carl novamente, mas dessa vez mais forte, tanto que Carl caiu. Apesar de caído, ele ainda lutava. Chutou o calcanhar de Jack, que agachou e socou Carl novamente, mas dessa vez repetitivamente. Ele sentia seu sangue fluir pelo corpo tanto quanto sentia o sangue de Carl em suas mãos.
Ele gostava dessa sensação, ele queria fazer isso há anos. O que ele estava fazendo agora não era uma revolta apenas por culpa de Carl; de jeito algum. Era por culpa de tudo que ele já teve que aturar na vida. Todas as pessoas dizendo que o modo dele de viver era errado, as palavras afiadas como facas, os punhos duros como pedras. Por isso que ele socava Carl. E nenhum soldado o impediu, exceto quando John ouviu a confusão e voltou para o quarto.
“O que está acontecendo?” Ele gritou, indo em direção ao círculo de soldados. “Jack!” Correndo em direção do amigo, ele gritava: “Jack, pare! Vocês têm que parar! Carl, Jack!” Até que também foi socado no rosto. “Ok, agora já chega!” Gritou ainda mais alto, parando entre Carl e Jack. “Todos vocês, para fora. Todo mundo.” Quando Carl estava prestes a levantar para sair, John segurou sua camisa, assim como a camisa de Jack e disse entre os dentes “Menos vocês dois”.
Quando todos voltaram para a guerra, John trancou a porta e olhou para os dois.
“Vocês dois... Vocês são inacreditáveis!”
Os dois estavam sentados, cada um, em lados opostos do quarto, e John estava andando no meio deles.
“Jack, eu, sinceramente, esperava isso de você. Você acabou de perder o James, e eu faria a mesma coisa se eu estivesse no seu lugar. Mas Carl... Apesar de toda a sua insensibilidade, estupidez, brutalidade...”
“Ei!” Carl falou, sentido-se ofendido. John lançou-o um olhar que o aquietou no mesmo instante.
“... E ignorância, eu esperava mais de você. Todos nós sabemos da sua rixa inútil com o Jack, mas esse comentário era totalmente desnecessário!”
“Você nem estava aqui!”
“Os soldados falam, Carl! Eles me contaram!”
“Mas ele mereceu, sabe? O James mereceu a morte.”
“Não diga isso!” Jack se levantou, coberto de raiva, mas John o impediu. “Não diga isso sobre James! Você não tem o direito de falar isso!” Falava apontando o dedo à Carl, e quase cuspindo em seu rosto.
“Mas é a verdade, ele merecia. Pena que não foram os dois de uma vez só.”
“Parem!” John vociferou. “Sentem-se, agora.”
Eles se sentaram.
John riu histericamente.
“Jack... eu sei o que aconteceu com você. Eu não posso dizer que entendo, mas eu vi o que aconteceu. Você acha que não dói em mim também?! Ele era meu amigo, Jack. Podíamos não ter o que eu e você temos, mas caramba, nós éramos amigos. E ter que segurar as pontas enquanto eu ajudo você, não é fácil.”
Ele parou por uns segundos.
“Eu não me importava de vocês dois namorando, nunca me importei, e você sabe muito bem disso. Mas você sabe o que é ficar longe da pessoa que ama, enquanto ela tem que viver sozinha? Hein? Faz ideia de como é?”
Agora ele já gritava com eles, desabafando, sem dar a mínima se eles estavam ouvindo ou não. Ele só precisava tirar aquele peso do peito dele.
“Sabe o que é não poder ouvir, não poder tocar, não poder falar com a pessoa que ama?! Claro que você não sabe, você tinha ele aqui com você o tempo todo! Enquanto eu estava longe de Margareth! Eu amo ajudar você, sério. Me sinto muito feliz em ajudar você, mas eu também preciso de ajuda.” John estava com lágrimas em seu rosto, e as secava com as costas das mãos, enquanto escorriam por suas bochechas.
Jack se sentiu culpado. Ele sabia que o amigo não dizia por mal, ainda mais no momento de agora, pouquíssimo tempo depois que James morreu, mas ele entendia. Ele lembrou de tê-lo visto com a foto de Maggie na mão, lá na guerra, poucos minutos antes de James ser ferido, ele lembrou de vê-lo tão destruído quanto agora. E então começou a lembrar de vezes em que John olhava para o nada, com os olhos tão brilhantes que pareciam vidro, o rosto limpo, sem expressão alguma. Ele entendeu porque ele ficava assim. Eram os momentos em que John parava para pensar em Maggie, e sentir sua dor, compartilhá-la com o silêncio.
Jack então percebeu que isso seria algo comum em sua própria vida. Esses momentos de dor e silêncio virariam rotina em sua vida.
Carl também se sentia mal. Ele sabia que isso não era diretamente para ele, me ele se sentiu mal pelo colega, e refletiu um pouco sobre Jack e James. Quando John citara um pouco da dor dele próprio, comparando-a com Jack, Carl pode perceber que ele maltratava Jack e James constantemente. Carl, a partir do desabafo de John, refletiu sobre esses anos no exército. John sempre esteve lá por Jack — e James também, depois de um tempo – porque ele estava sofrendo. Ele ainda não gostava nem um pouco de Jack, mas enfim percebeu que ele realmente era insensível, estúpido, bruto e ignorante. Com os três. Era tarde de mais pedir perdão a James, mas não era tarde para se desculpar com Jack e John.
Só depois de alguns minutos que perceberam que estiveram calados, cada um refletindo sobre o que acabara de acontecer.
Eles limparam seus rostos, ainda com sangue, em alguns pontos já seco. Eles olharam um para o outro, até que Carl foi o primeiro a se pronunciar. Ele levantou e foi em direção à eles.
“Olha, me desculpem. John, eu sei que o que você falou agora não era muito para mim, mas ainda assim, me sinto mal por tudo isso que você disse. E Jack... eu não sei o que dizer. Eu sei que você não falou nada, mas os seus socos já demonstraram o bastante. E meus pêsames pelo James. Quando eu disse que vocês mereciam morrer, não foi por querer, realmente não foi. Eu nem sei explicar...”
“Carl. Eu não acho que eu posso te perdoar, não totalmente. Mas obrigado. E eu acho que eu também devo um pedido de desculpa, para os dois. Você...” disse apontando para Carl “pelos socos. E você...” apontou para John “por tudo isso”.
Carl percebeu que ele já tinha feito o que devia ali, e se retirou. John e Jack ficaram lá, parados, trocando olhares e assim pareciam conversar entre si.
“Desculpa pelo que eu disse...”
“Você não precisa se desculpar. Por nada! John, por que você nunca disse que essas coisas? Dá para perceber que isso te sufocava!”
“Eu não queria magoar vocês.”
“Mas John, é para isso que amigos servem!” Jack pôs as mãos nos ombros do amigo. “Amigos servem para dividir mágoas, dividir alegrias, dividir preocupações! Eu sempre o fiz contigo, mas nunca percebi que você se retraía tanto com isso. Se você está triste, você tem que falar! E isso é sempre, tá?”
John assentiu.
“Agora é sua vez. Comece a falar.” John disse, se referindo à dor que Jack estava sentindo por causa de James.
Notas finais
Agora, às notas usuais: Perdão por qualquer erro gramatical, ou literalmente, qualquer erro! E quero que eu seja atentada com relação a isso, hein! E, diferente do que eu planejava, esse não é o último capítulo, como se percebe. Decidi dar foco em um personagem, aí mudei os planos todos... mas isso acontece, certo? Sir Conan Doyle quis dar o fim ao Sherlock Holmes mas mudou seus planos e ressuscitou o cara, então mudança de planos de histórias acontece com todos.
(Ok, eu acabei de me comparar à um homem que odiava seu próprio personagem e só o ressuscitou porque precisava de dinheiro e não aguentava mais as cartas dos fãs pedindo mais da estória? ._. Fora que ele era um dos melhores escritos que já existiu.. e eu me comparei à ele? Onde eu deleto minha existência, por favor?)
Beijos, até o próximo capítulo!
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