Último Primeiro Beijo

7 Capítulo 7 - Grandes Mudanças


Faltava uma semana para a volta dos rapazes aos Estados Unidos. O general e o sargento concordaram que enviariam de volta todos que estavam servindo há mais de dois anos, portanto, Jack, James e John não haviam que se preocupar com a ida deles fazer falta ou não.

James recebia recebera cartas durante um mês, quase todos os dias, e era a “barriga de aluguel” informando como ela e o feto estavam. Jack achava suspeito, mas decidiu não perguntar, já que James merece sua privacidade. Apesar disso, perguntou para John algumas vezes se ele sabia de alguma coisa, até que um dia John decidiu falar.

“Estamos em privacidade aqui, certo? Não quero que ninguém ouça.”

“John, relaxa. O que é?”

“As cartas que James tem recebido... eu sei sobre o que são.” Jack o encarou por alguns instantes. Ambos permaneciam sérios. “Resumindo toda a história: você será pai.”

Jack deu um meio sorriso, colocou a mão na testa, passando-a pelo cabelo. E então ele começou a rir nervosamente. “O que? Eu... não... isso... Sério?” John assentiu. “Isso é... é lou- Por que ele não me contou antes?”

“Ele queria te contar quando voltassem para a América.”

“John, eu vou ser pai? Você consegue me imaginar fazendo uma coisa dessas?” Ele dizia, com o meio sorriso transformando-se num sorriso de orelha a orelha. “Eu não sei ser pai! Eu mal consegui olhar pelo Scott! E olha o que aconteceu com ele!”

“Não acho que lembrar disso era necessário...”

“John, o ponto é... eu não vou conseguir isso, cara! Isso realmente é loucura!”

“Jack, serei franco com você. Eu também acho loucura você ser pai. Mas eu também achei louco quando nos mudamos para Nova York. Achei louco quando conheci a Maggie. Mais louco ainda quando viemos para o exército! E olha onde tudo isso nos levou. Eu achei a garota dos meus sonhos, e você achou o cara dos seus sonhos... bom, pelo menos eu acho que sim!” Ele riu, e Jack riu também, enquanto assentia. “E nós conseguimos passar por tudo isso! Sem contar os obstáculos no caminho, e olha que não foram poucos! Principalmente para você. Então me diga, nós conseguimos passar por todas essas loucuras. Você realmente acha que ser pai vai ser pior do que tudo isso? Eu acho que vai ser mais normal do que as coisas pelas quais passamos. E quer saber? Eu estarei lá com vocês. Assim como eu sempre estive por você.”

Jack se jogou nos braços do amigo, dando-lhe um abraço bem apertado. “Obrigado, cara. Você realmente passou por tudo comigo.”

“Desde os sete anos.”

“Isso é muito tempo!”

“E mais virão!”

• • •

Jack sabia que não podia falar com James que o amigo deles, a quem James confiara o segredo, havia compartilhado o segredo com ele. E Jack conseguia guardar seu ânimo, não sabia se faria um bom trabalho desta vez, mas ia tentar.

Para ele, alcançar a vida perfeita estava apenas a alguns dias de distância. Viver com o amor da vida dele, numa casa ótima, com um filho ou filha. Nada o deixava mais feliz do que imaginar o que estava por vir. Ele estranhava estar sonhando acordado com isso já que ele nunca foi do tipo que imaginava o futuro, ele era mais do tipo que vivia o presente. A relação com James realmente o fez mudar. Mas ele se forçou a parar de imaginar isso, ele tinha que se concentrar na guerra. O que estava acontecendo ali e agora.

Os alemães os atacavam, pareciam mais fracos e mais desmotivados do que antes, mas o líder deles, Hitler, os motivava cada vez mais, e isso preocupava os soldados americanos e britânicos. Eles não faziam ideia do que fazer. Jack se lembrou do que Alan comentou sobre a bomba nuclear. Será que é verdade? O mundo está preparado para tal coisa? Jack não era cientista, mas sabia que isso causaria muita bagunça, e muita morte. Ele pode até estar no meio de uma guerra, mas ele não gosta muito da ideia de matar pessoas. Ele o faz para proteger seus amigos, para proteger seu país. Mas uma bomba? Onde eles iriam atacar? Será que todos envolvidos estavam de acordo? “Eu não preciso me preocupar com isso! Isso não vai me afetar.” E então ele direcionou seu pensamento, novamente, para o agora.

O general gritava algumas coisas, enquanto os soldados revezavam entre os que atacavam e os que ficavam protegidos no forte. A cada vinte tiros eles trocavam. Jack achou James no meio de toda aquela confusão, e viu o quão sério James estava, mas de alguma forma percebeu o medo em seus olhos, e nesse mesmo instante, o medo tomou conta de si próprio. Ele não quer perder James. E se James morresse no meio de toda essa guerra? E se ele, Jack, morresse? O sofrimento de James é a última coisa que ele deseja. Mais uma vez, ele afastou o pensamento.

Procurou por John. Quando o viu, percebeu que ele segurava algo em sua mão, um papel. John encarava o papel, e então beijou o papel – era uma foto de Maggie. John fechou os olhos, pareceu murmurar alguma coisa para si mesmo e então voltou à ação. Jack, pela primeira vez, percebeu o quão frágil seu amigo estava. Estar longe de Maggie por todo esse tempo, “Como ele consegue?” Jack pensou, “Ficar longe da pessoa que ama, isso é impossível.” Jack se agachou, dentro do forte, levemente protegido. Engatinhou até o fundo do forte, onde podia ficar mais sozinho. Todos estavam fazendo seu trabalho, ele não ia fazer falta.

Ele começou a imaginar a dor que John estaria sentindo. Ele está sempre tão sorridente, e sempre ajudando Jack e James, ouvindo eles quando necessário, e quando eles fogem, ele dá cobertura para os dois. Isso deveria ser difícil para John, não estar fazendo isso com Maggie. Ele estava a dias de distância, e não podia ligar para ela, não podia vê-la todo os dias. Jack nunca suportaria tal dor. Ele percebeu o quão forte seu amigo realmente é. Por trás daquele cara divertido, estava alguém que talvez era o mais triste no meio deles.

Atrapalhando seus pensamentos, alguém gritou:

“Homem abatido, homem abatido!”

Jack viu John correr em direção a alguém, ele se levantou para ajudar o amigo. Quando chegou perto do corpo, percebeu quem era. Era James.

Eles levaram o corpo para dentro do quartel. Jack estava tremendo de pavor.

“Onde ele foi atingido?”

John permaneceu quieto.

“John. Me diga, onde?”

Nada.

“John!” Ele gritou.

“No peito. Pelo que me parece, perto do coração.”

Jack perdeu a noção do que estava acontecendo. Ele não conseguia mover suas pernas, não conseguia pensar, e não conseguia mais ver direito. As lágrimas tomaram conta de seus olhos.

“Jack, é melhor você sair daqui.” John disse, tentando afastar o amigo.

“Não. Eu vou ficar aqui, junto dele.”

Jack procurou por James, e viu que ele estava no chão, ele seguiu até lá, cambaleando. Sentou atrás dele, colocando as costas dele em seu colo, e segurou sua mão.

“James? James, por favor me diga que ainda está vivo.”

James abriu seus olhos, e sorriu.

“Jack, você está aqui.” Ele tentou apertar a mão de Jack, mas estava fraco demais para isso.

“Claro que eu estou aqui, onde mais eu estaria?”

James deu um sorriso mais largo, seguido de um gemido de dor.

“John, tem como você fazer alguma coisa? Por favor, diz que sim.” Jack pediu, com a voz fraca, falhando.

“Eu... eu preciso de mais tempo, se você deixasse ele por alguns-”

“Eu não vou deixá-lo.”

“Jack, só por alguns minutos.”

“Eu vou ficar aqui, perto dele.”

John respirou fundo e começou a analisar James. A bala estava muito funda em seu peito, não havia nada que ele pudesse fazer. Ele tentou tirar a bala, mas não conseguiu. Jack estava desesperado, mas aqueles poucos minutos que ele tinha com James estavam o acalmando um pouco.

“Não há nada mais que eu possa fazer. Eu tentei a única coisa que eu poderia, e isso só aliviaria a dor dele, mas a bala está muito funda.” John disse, mas Jack o ignorou completamente, enquanto conversava com James.

“Eu não quero que você vá. James, por favor.”

“Jack... eu... eu não posso mais aguentar.”

“James, por favor! Só mais um pouco. Eu não quero te perder. Eu...” Jack engoliu em seco. “Nossa vida, a nossa criança. Eu não vou conseguir criar uma criança, James.”

“Você vai ter a ajuda de John. Eu tenho certeza disso. E pelo jeito ele te contou.”

“Culpado.” John sussurrou. “Você só tem mais alguns minutos, pelos meus cálculos. Adeus, James.” E John saiu, com um aperto no coração. Ele ficou no outro cômodo, esperando por Jack.

“Amor.” James disse, e Jack apertou sua mão um pouco mais, para mostrar que ainda estava lá. “Estou com medo.”

“Da morte?”

“É.” Ele respirou fundo, sentindo dor em seu peito. “Jack, eu não quero que você fique sozinho. Me prometa que você vai achar outra pessoa.”

“Eu não vou fazer isso.”

“Você não pode ficar sozinho. Eu detesto a ideia de você estar com outra pessoa, mas detesto mais ainda a ideia de você estar sozinho. Me prometa.”

“Eu prometo.” Ambos sabiam que a promessa não era verídica, mas bastava para o momento.

“Eu te amo.”

“Eu te amo, também.” Jack se aproximou de James, beijando-o. Ele não sentiu mais a respiração de James. Afastou-se rapidamente, colocando a mão no peito do amado, não sentindo nenhum batimento. “Não. Não, não, não. Por favor, James. Não. Volta pra mim. James. James!”

Ele se fora.

Jack o abraçou, ainda negando sua morte. John voltou, correndo em direção do amigo, abraçando-o e soltando-o do corpo de James. Adam entrou no cômodo, ajudando John a tirar Jack de lá.

“Não, John. Você tem que fazer alguma coisa.” Jack dizia, em prantos.

“Jack, não há nada que-”

“Faça alguma coisa!” Ele gritou. “Por favor! Eu não quero ficar sem ele, John.”

Alguns soldados retiraram o corpo de James do chão, e Jack viu, com a vista desfocada e embaçada, o corpo de James ser levado. Ele sabia que ele estava morto. Sabia que não havia mais nada a se fazer, mas não queria acreditar nisso. O único homem que ele verdadeiramente amou foi tirado dele. E ele não conseguia aceitar isso.

Notas finais
Eu demorei mais de uma hora para escrever a cena da morte. Eu não conseguia me concentrar, porque sempre que eu ia escrever eu começava a chorar, ai já viu né? Não dá pra escrever assim. Acabou saindo pior do que eu imaginava, mas ainda assim eu chorei, imaginando a cena.
E apesar de ser o capítulo da morte de James, ainda estou pensando em mais um capítulo! E talvez duas one-shots. E acho que eu já disse isso antes, mas enfim, é bom reforçar isso.
Beijos.