Ódio no passado. Amor no futuro?
3 Capítulo 3
Notas iniciais
John
– Celular tocando-
Acordo de meus pensamentos com o celular tocando, aquela conversa com Dave me deixou exausto mentalmente, ele me disse palavras que ficam rodando na minha cabeça a todo instante. Eu, talvez, não tivesse certo em tirar Anna da vida de meus filhos e nem de dar um jeito para que ela saísse de Nova York, mas eu precisava que ela saísse de minha vida, eu a amava e ela brincou comigo e eu cai como um bobo apaixonado, caso não tivesse afastado ela dessa maneira, teria cedido a suas mentiras de novo. Aperto os olhos como se tentasse acordar de um sonho, mas logo percebo que isso não passa da realidade.
– Alô – Minha cabeça parece ser martelada a cada movimento que eu faço.
– Meu amor! Que bom ouvir sua voz, só liguei para avisar que acabei de chegar no aeroporto, o avião teve um leve atraso por causa do mal tempo em Paris. Onde você está? – Droga, com essa bagunça toda nem me lembrei que Rebecca voltava hoje de Paris.
Rebecca é minha noiva, estamos juntos a 5 anos, foi ela quem me ajudou a passar pelo choque que foi descobrir a traição, na verdade, foi ela quem me contou a verdade sobre a Anna e já que nós fomos namorados na faculdade antes de eu conhecer a Anna, eu só relembrei o passado com ela.
– Rebecca, querida, que bom que chegou, eu estou no escritório, está uma bagunça aqui então recomento que nem venha pra cá, temos muitos projetos para entregar. Vá para casa e eu passo ai para te ver, certo? – Não vou contar nada sobre a volta da Anna, criaria só mais problemas, até porque mesmo que Anna esteja em Nova York eu não pretendo vê-la nunca mais.
– Claro! Meu amor, eu vou para a sua casa e depois a gente se encontra lá para a gente jantar. Beijo, te amo. – Droga, eu nem percebi a hora passar, já são quase 18h.
– Ok, tchau.
O escritório deve estar praticamente vazio. Na mosca, apenas Dave e Elise ainda estão trabalhando mas vejo que ela já está se arrumando para sair.
– John, eu já estou indo, precisa de alguma coisa? – Elise me pergunta assim que percebe minha presença.
– Não, eu também estou de saída, precisa de carona? – Elise morava em um apartamento a certa de 6 quadras do meu apartamento sempre que dava eu lhe oferecia carona.
– Não obrigada, a Mika vem me buscar para a gente ir jantar. – Ela deu um sorriso tão entusiasmado, eu queria poder retribuir com um igual, mas eu não conseguia nem falar direito devido a toda essa onda de novidades.
– Certo, bom divertimento para as duas – ela me respondeu com outro sorriso e foi embora.
Eu não queria falar com Dave pelo menos não agora, seu olhar iria apenas piorar a situação, desci com elevador até a garagem do prédio e peguei meu carro, era uma BMW nova já que tinha dado a antiga para a Rebecca trocar por um carro do gosto dela. Meu apartamento, ficava a uns 15 minutos do escritório, eu queria chegar em casa e me deitar e ficar lá até isso tudo passar, ou na verdade, isso poderia nem ter começado, Anna poderia ter ficado onde ela estava e eu aqui, levando minha vida como sempre, mas eu acho que o destino sempre quer se divertir às custas de nós, o destino é cruel ou nos é que traçamos o caminho errado. Quando eu chego a garagem do prédio do apartamento, me apoio ao volante e fico pensando se deveria realmente subir, lá estaria pior, já que eu provavelmente ia brigar com a Hannah, a nossa relação já não é muito boa e a Rebecca está aqui, Hannah não suporta a Rebecca, ela acha que a culpa da minha separação com a mãe dela foi culpa da Rebecca. Às vezes, me pergunto se eu não estaria começando uma guerra me casando com a Rebecca, quer saber quando eu tomar a decisão definitiva eu penso nesse ponto.
Assim que eu abro a porta e coloco as chaves na mesinha de entrada, Rebecca vem em minha direção e pula em meus braços e me dá um longo beijo.
– Meu amor, que saudade – Rebecca ficou duas semanas em Paris, em uma Conferência sobre novas técnicas de arquitetura e designer de interiores.
– Também senti sua falta – Assim que ela me solta, tiro o paletó e afrouxo a gravata – E como foi em Paris?
– Percebi que a nova moda é a arquitetura ecológica e a nova tendência de interiores é reutilizar móveis antigos e decorar com produtos reciclados – Eu mal estou prestando atenção ao que ela fala, tudo o que consigo pensar no momento é em como minha vida está uma bagunça com a Presença da Anna aqui.
– Hum, que interessante.
–Mas deixa para lá, vamos falar daqui, como foi suas duas semanas de férias de mim? – Não posso contar nada a Rebecca, pelo menos não aqui, se Hannah ficar sabendo que Anna está aqui, seria um completo desastre, ela iria querer ir atrás dela e isso estragaria toda a cúpula que eu venho construindo a anos para me proteger.
– Normal, como qualquer semana.
– Ótimo, vou me arrumar e a gente saí para jantar, vamos no La Violetta, Certo? – Respondo com um leve aceno de cabeça. O La Violetta é um dos restaurantes mais famosos de Nova York, cheio de pessoas, é com certeza o que eu preciso nesse momento (ironia).
Subo, tomo um banho e visto outra roupa, quando desço, Rebecca está arrumada já, ela está com um vestido, que eu suspeito que seja cetim, amarelo na altura dos joelhos. Rebecca é uma mulher muito bonita, ela é loira, mas um loiro que eu chamaria de louro dourado, ela tem um corpo de modelo, afinal ela era modelo, desistiu da carreira para fazer arquitetura, mas ela não é alta, tem 1,68, eu acho. Ela pega a bolsa e uma echarpe, e saímos para jantar, eu ia chamar as crianças para irem juntos, com toda essa confusão eu havia me esquecido que elas iam dormir na casa de uns amigos. E então saímos.
....
Anna
–Eu não acredito que ele falou isso! – Mary falou indignada – Ele acha que é quem? Ele não tem direito de expulsar ninguém de lugar nenhum! Aff.
Mary era minha amiga mais fiel, era quase minha irmã, eu a conheci em uma festa de um amigo do John, ela era namorada de um dos amigos dele, a gente logo de cara já se deu super bem, ela foi a única a ficar do meu lado e me apoiar quando John me tirou as crianças e, praticamente, me expulso de Nova York.
– Calma, eu nem me importo mais com isso. Já doeu tanto que me acostumei com a dor. – Sinto minha voz ficar mais fina, como se fosse chorar – Deixa, vamos falar de outro assunto, pode ser?
– HUMM, falando em outro assunto, olha quem está ligando – Eu estava fazendo um chá e Mary estava sentada na bancada da cozinha.
– Quem? – Realmente não esperava ninguém.
– É o policial bonitão !! – Ela me olhou com um olhar travesso.
– Como ele conseguiu meu número? – Se bem que, como ele é policial, ele pode ter olhado naqueles arquivos loucos de policiais.
– Eu passei o seu número para ele – Ela estava com uma cara de criança que apronta e é descoberta.
– VOCÊ O QUE? – Eu não queria sair com ninguém não estava no momento para isso.
– Olha, você disse que queria refazer a vida, está aí, nova vida, novo amor. – Ela fez um carinha de ‘por favor, não te peço mais nada’.
– Me dá esse telefone – Ela começou a pular e me entregou o celular – Alô? Oi, tudo bem. Jantar? Às 20h? Fechado! – Desliguei o celular e olhei para Mary com uma cara de “satisfeita”.
– Ótimo! Agora precisamos de uma roupa! – Ela me olhou com aquele mesmo olhar, isso já estava me deixando com medo.
...
– Eu não vou usar isso! – Ela insistiu que eu colocasse um Vestido Midi Preto, só que, ele não era mais como quando eu havia comprado, ele estava mais justo ele marcava até a alma, eu não podia usar isso para um jantar com um amigo.
– Porque não? Está ótimo, ele destaca bem seu bumbum! – Puta que pariu, a Mary estava me zoando, só pode.
– Exatamente, por isso que eu não vou usar esse vestido!
– Por favor! Por favor! Por favorzinho – Ela me olhou com uma carinha de dó, eu sabia que se não usasse esse vestido ela não ia me deixar em paz.
– Ta bom! Ta bom! Eu vou com esse maldito vestido. Pega o scarpin preto – Ela me entregou com uma cara de vitoriosa e eu frustrada, por ter sido vencida por ela.
O policial que a Mary enciste tanto, se chama Henry Miller, ele é detetive da polícia de NY, eu o conheci quando fui testemunha de um assalto em uma cafeteria na frente do prédio onde trabalho, ele foi supersimpático e me chamou para tomar um café com ele, hoje ele quer jantar.
...
John
Rebecca estava me contando como tinha sido toda sua viagem para Paris e como devíamos ir para lá na lua de mel. Eu mal estava prestando atenção ao que ela falava, eu estava com a cabeça cheia de coisas e aquilo era só mais coisas para eu me preocupar.
– Não sabia que ia tanta gente nessas conv... – Eu engasguei com o vinho quando a vi.
– Você está bem? – Rebecca me questionou, preocupada – O que houve?
– Nada, o vinho desceu pelo lado errado – Tossi um pouco e logo aliviou.
Ela estava aqui, com um vestido que eu havia dado para ela, e Deus! Como ela estava linda. Mas ela estava acompanhada, e de um HOMEM! Como? Ela tinha acabado de chegar em Nova York e já havia jogado seus charmes para cima de um novo homem, Como ela podia ser tão, tão promiscua.
– Vamos embora? Eu estou um pouco cansado – eu não estava mentindo, aquele dia havia sido cheio de mais para o meu gosto.
– Mas você nem pediu sua sobremesa, você sempre pede uma. – Eu não queria dar explicações eu só queria ir embora.
– Vamos, por favor.
– Está bem, vou pedir a conta. – Meu deus! Como eu queria sair dali o mais rápido possível.
...
Eu estava sentado na cama, desabotoando a camisa. Quando Rebecca saiu do banheiro com uma lingerie preta e uma cinta liga da mesma cor.
– Eu dei uma passada na Victoria’s secret de Paris – Ela me olhou com um olhar provocante.
Ela subiu em meu colo e começou a me beijar, ela desceu a mão até a minha camisa, onde começou a desabotoa-la, aquilo começou a mexer com a minha cabeça, subi a mão até seu longo cabelo castanho que cheirava a baunilha, ela me empurrou e eu deitei na cama, ela voltou a me beijar, mais ferozmente, massageei suas coxas volumosas até chegar ao bumbum, ela desabotoou minha calça e começou a me excitar, respirei fundo, por quanto tempo esperei para isso acontecer de novo? Comecei a beijar seu pescoço, foi quando percebi que ela não tinha o mesmo cheiro, não era o mesmo perfume e Cabelos Louros? Foi então, que me dei conta, não era Anna que estava ali comigo, era Rebecca.
– Não, não. Rebecca, por favor, pare! – Ela olhou em meus olhos, eu não podia, tinha perdido todo o clima.
– O que foi? O que aconteceu? – Porque eu estava com a Anna na cabeça?
– Me desculpa, eu não consigo. Hoje não, ok? Desculpa.
– Meu amor, tudo bem, isso acontece com a maioria dos casais.- Ela me deu um beijo leve.
Deitei-me com a cabeça apoiada no travesseiro, Rebecca repousou sua cabeça em meu peito. Fiquei ali parado por um tempo. Rebecca logo adormeceu e eu continuei ali, pensando. O que estava acontecendo comigo? Qual era o problema? Eu nunca pensei em Anna desse jeito, porque isso agora? Meu deus, preciso tirar essa mulher da minha cabeça de uma vez por todas.
Fale com o autor