Em uma pequena aldeia chamada Alus, vivia uma jovem garota de cabelos negros como a noite, olhos alaranjados e intensos e pele incrivelmente branca. Essa garota se chamava Évora, tinha 17 anos e vivia com seus pais.

Desde pequena ela sabia que era diferente, pois era capaz de fazer coisas que ninguém mais conseguia. Isso sempre assustou muito seus pais e por esse motivo eles sempre mantiveram a filha presa dentro de casa. Ela não podia sair sem estar acompanhada deles em hipótese alguma.

A vida dela sempre foi muito solitária, afinal, só possuía a companhia de seus pais que muitas vezes eram muito duros. Eles a amavam, mas nunca conseguiram compreender a capacidade que a filha tinha. Diferente de todos os outros habitantes de Alus, Évora possuía poderes incrivelmente fortes. Era capaz de realizar qualquer coisa que desejasse apenas com a força de seus pensamentos. Ela era especial, mas ninguém nunca a viu dessa maneira.

Em uma tentativa de impedir que os outros ficassem sabendo do que ela era capaz, seus pais foram radicais demais e privaram Évora de conhecer outras pessoas, de fazer amizades. Ela simplesmente não possuía uma vida de verdade.

Após muito tempo presa, Évora finalmente encontrou uma maneira de sair escondida. Para conseguir sair despercebida, acordava sempre bem cedo, quando ainda era noite e caminhava pela bela floresta aproveitando cada momento de liberdade que possuía.

Em muitas ocasiões, a garota utilizava seus passeios à floresta como uma forma de praticar seus poderes. Ela controlava a agua, o vento, criava fogo e outras coisas surpreendentes que se tornaram um grande hábito em sua vida.

Em um dia normal, Évora acordou cedo como sempre fazia para ir caminhar na floresta. Ela vestiu um vestido preto e longo, prendeu seus cabelos em uma trança bagunçada e saiu silenciosamente a fim de não acordar seus pais. Ela caminhou lentamente por toda a aldeia para chegar até a floresta e ao chegar lá, ficou um longo tempo admirando as belas arvores que eram tão longas que quase não era possível ver o fim dos galhos. Após um longo período caminhando e admirando as arvores, Évora decidiu ir até o lago para praticar seus poderes sem se preocupar em ser pega.

Ao chegar lá, para sua surpresa encontrou um rapaz parado em frente ao lago, como uma enorme e linda estatua de mármore que permanecia imóvel. O rapaz tinha cabelos loiros, pele morena e um corpo esculpido que era notável mesmo através das roupas.

Um misto de fascínio e medo se apoderaram dela. Ela estava encantada com o garoto a sua frente, mas estava também com muito medo de ser reconhecida, afinal, se seus pais descobrissem sobre suas saídas secretas nunca mais permitiram que isso acontecesse novamente.

Ela permaneceu parada aonde estava e ficou lá apenas admirando o belo rapaz por um longo tempo pensando no que faria. Deveria ir embora ou falaria com o garoto? Antes que uma resposta fosse formulada em sua cabeça, ele se virou e a encarou com um largo sorriso.

Évora então percebeu os incríveis olhos verdes e penetrantes que a encaravam, os lábios rosados que se encontravam curvados em um sorriso sedutor, notou também cada traço do rosto do garoto que antes não havia visto. Ele era realmente lindo.

Algo novo se apoderou dela. Um sentimento que ela nunca havia sentido antes. Era como se aqueles olhos a despissem lentamente a deixando totalmente envergonhada e sem ar.

Antes que ela pudesse reagir – ou até mesmo se recompor – o garoto se aproximou ainda sorrindo.

— Olá – Disse o rapaz. Essa simples palavra foi o suficiente para encanta-la ainda mais. Era como se ela estivesse hipnotizada com aqueles olhos verdes que ainda a observavam com intensidade.

— Está tudo bem? – Perguntou o garoto subitamente preocupado.

Ela então percebeu que ainda não havia respondido ou se mexido de nenhuma maneira e logo despertou de seus devaneios com o rosto totalmente avermelhado de vergonha.

— Ah, hã.. Si-sim – respondeu gaguejando.

O rosto do garoto que outrora exibiu um olhar preocupado agora exibia um sorriso ainda mais largo do que antes. Ele já estava acostumado a causar esse efeito nas garotas, mas de alguma forma a reação de Évora foi a que mais o encantou e isso fez com que toda a preocupação que outrora sentirá simplesmente desaparecesse.

— Qual é o seu nome? – Perguntou o loiro se aproximando ainda mais de Évora.

— Évora – Respondeu timidamente. Finalmente ela conseguiu se recompor e a resposta saiu firme a clara. – E o seu?

— Jonathan – Respondeu cordial ainda sorrindo – O que faz por aqui sozinha a essa hora?

Évora ficou sem saber o que responder, afinal, não era muito comum encontrar alguém acordado tão cedo andando pela enorme floresta que ficava próxima à aldeia. Então resolveu apenas contar a verdade. Simplesmente já estava se sentindo mais confiante com a presença de Jonathan.

— Eu sai escondida para caminhar. Meus pais são muito protetores. Mas e você, o que faz aqui?

— Eu gosto da calmaria a essa hora. Posso ficar aqui admirando o lago, as arvores e ainda consigo pensar com mais calma. – Respondeu com um sorriso.

— Eu costumo vir aqui todos os dias e nunca vi você – indagou com desconfiança – Como eu nunca te vi?

Jonathan caminhou graciosamente até uma pedra próxima ao lago e sinalizou para que ela fizesse o mesmo. Ainda desconfiada a garota caminhou até lá e se sentou esperando ansiosamente por uma resposta.

— Eu apenas nunca quis ser visto – Respondeu calmamente.

— E o que mudou hoje? – Questionou ainda desconfiada.

— Faz algum tempo que eu tenho te observado, apenas quis ter a oportunidade de te conhecer.

Évora ficou novamente tímida e suas bochechas ficaram ainda mais coradas do que antes. A desvantagem de ser tão branca é que fica muito perceptível sempre que a garota ficava com vergonha.

— Mas enfim, de onde você é? – Perguntou Jonathan tentando mudar de assunto.

— Alus. E você?

— Lune. Fica um pouco mais afastado da floresta – Respondeu Jonathan apontando para o sul da floresta – Então seus pais não te deixam sair?

— É complicado. Eles apenas se preocupam muito comigo – Respondeu calmamente.

A conversa entre eles fluiu de forma natural e logo Évora percebeu que já era hora de ir embora. Eles então marcaram de se encontrar naquele mesmo lugar no dia seguinte.

Enquanto caminhava para casa, algo chamou a atenção da garota. Uma enorme nuvem de fumaça negra se formava ao redor das arvores. Algo estava errado. A fumaça emitia uma energia negativa, totalmente ruim. Sem pensar duas vezes a garota caminhou em direção à fonte da fumaça e ficou paralisada ao constatar que de fato era fruto de algo ruim. Antes de conseguir dar mais um passo, Évora foi atingida por uma enorme onda de energia e caiu no chão desmaiada...

Continua...........