Notas iniciais
E aqui está o segundo capitulo. Peço desculpas pela demora, tive alguns problemas com o notebook rs. Espero que tenham gostado do primeiro capitulo e informo que esse segundo capítulo está bem interessante :)

Évora acordou assustada sem entender o que tinha acontecido. A ultima coisa que ela se lembrava era de estar na floresta e então acordar em seu quarto.

“O que aconteceu? ” – Perguntou-se em pensamento.

Foi então que sua mãe entrou no quarto e sentou-se na cama ao lado dela. O olhar de reprovação era evidente em seu rosto, mas havia também uma fúria que projetava uma energia sombria por todo o quarto. Depois de um longo momento encarando a filha, ela então suspirou tentando recuperar a calma.

— Há quanto tempo você tem saído escondida? – Perguntou em tom de reprovação.

Évora ficou em silencio. Não sabia o que dizer para sua mãe. A verdade era simples: a garota morria de medo de seus pais e o simples pensamento de revelar toda a verdade a assustava demais.

— Eu te fiz uma pergunta!! Responda! – Gritou a mãe da garota com um olhar sombrio. O pouco de calma que ainda restava se esvaiu dando lugar á tradicional figura autoritária de sempre, mas dessa vez estava muito pior.

— Fo-foi a primeira v.. – Antes que a jovem feiticeira pudesse terminar a frase foi surpreendida com o tapa que sua mãe havia dado em seu rosto.

— Não minta para mim!

A garota ficou totalmente sem reação por um breve momento e ela logo se recuperou e disse:

—E-eu não estou mentindo!

E mais uma vez sentiu a mão pesada de sua mãe a atingir com força.

— Eu irei perguntar apenas mais uma vez: Há quanto tempo você tem saído escondida? Pense com cuidado antes de responder!!

Évora sentiu uma onda de fúria a preencher por completo. Ela estava cansada de ser tratada dessa maneira por sua mãe. Estava cansada de toda a dor que seus pais a faziam sentir.

Sempre viveu presa e mesmo assim seus pais sempre achavam motivo para a castigar e isso a machucava demais. Era como se eles simplesmente não se importassem com ela.

Sem conseguir pensar em mais nada a feiticeira desejou que ela sentisse toda a dor que causou nela a vida toda. Desejou que todo o sofrimento, medo e aflição que sentia se projetassem inteiramente em sua mãe, e como sempre acontecia, o desejo dela foi atendido e ela observou com espanto sua mãe se contorcendo de dor com um olhar de puro medo.

Por um breve momento ela observou sorrindo. Finalmente estava se vingando de todos os anos que sofreu. Mas então, subitamente recobrou o juízo e logo percebeu o erro que cometerá.

A garota não era assim. Ela não era capaz de machucar ninguém dessa maneira. O fato de ter feito isso com sua mãe tão facilmente a assustou a um ponto totalmente desconhecido. Ela então começou a se sentir culpada pelo que havia acabado de fazer.

Assustada, ela saiu de seu quarto e correu em direção à porta a fim de fugir do que havia feito. Após sair de casa, caminhou novamente para a floresta a fim de tentar retomar o controle e deixar para trás a imagem de sua mãe se contorcendo no chão.

Ela não podia voltar para casa, precisava arrumar um refúgio. Nunca mais iria se sujeitar ao tratamento de seus pais.

Enquanto corria cada vez mais para dentro da floresta, a garota trombou em algo sólido que logo percebeu ser uma pessoa.

—Aonde está indo com tanta pressa? – Perguntou Jonathan sorrindo.

—Hâ... Estou apenas caminhando – respondeu rápido.

Jonathan a encarou com uma sobrancelha erguida. Ele não estava acreditando o que a garota havia dito.

— Sei... – disse sorrindo – Se quiser conversar, saiba que sou um ótimo ouvinte.

O coração de Évora disparou. Por um momento ela esqueceu de tudo que havia acontecido, esqueceu-se de que havia ferido sua mãe com magia. Tudo na mente da jovem feiticeira se esvaiu dando lugar a um vazio calmo e convidativo.

— Você pode me tirar daqui? Preciso de um tempo longe de tudo isso – pediu com desespero.

Após um longo momento pensando, o garoto alargou ainda mais o sorriso e abraçou a garota que tanto lhe fascinava.

— Claro – disse o garoto – Vamos sair daqui.

Jonathan pegou na mão de Évora e os dois começaram a caminhar lentamente por toda a floresta. Eles andaram bem devagar a fim de admirar as enormes e verdes arvores, ouvir o barulho de animais de diversos tipos e espécies.

Por todo o caminho Évora ficou totalmente perdida em pensamentos como sempre fazia enquanto andava pela floresta. Ela amava conhecer cada pedacinho do mundo.

O fato de ter vivido presa por toda a sua adolescência a fazia ter um enorme desejo de conhecer tudo sobre o mundo e suas belezas.

Após muito tempo caminhando em silencio, Jonathan apontou para uma enorme e lisa pedra próxima a um lindo lago cristalino sinalizando para que se sentassem lá.

— Agora você pode me dizer o por que estava correndo assustada daquele jeito? – Pediu com calma – Eu nunca havia visto você naquele estado tão devastado.

Évora se sentiu confiante para contar tudo que havia acontecido à Jonathan, porém possuía muito medo de contar sobre a magia e isso a fez contar apenas sobre a briga que teve com sua mãe.

— E foi por isso que você saiu correndo daquele jeito? Seus pais devem ser realmente bem complicados.

—Eles são mais do que complicados. Eu estou tão cansada de viver dessa maneira. Não irei voltar mais para casa!

—Mas para onde você vai? Não pode ficar dormindo sozinha na floresta. Tem que pensar que por mais difíceis que eles sejam, ainda assim são seus pais. Não pode simplesmente virar as costas e deixá-los dessa maneira.

— Eu sou uma pessoa que tem sentimentos Jonathan, não posso mais continuar ignorando tudo que sinto por medo de ser repreendida por eles. Está na hora de crescer e ser livre. Não posso mais viver nessa jaula que eles criaram para me prender.

— Mas isso realmente é o certo a se fazer? Você está realmente pronta para crescer? Acho que você é jovem e tem toda a vida pela frente. Tem que pensar em todas as dificuldades que surgiriam ao resolver sair de casa dessa maneira.

— Eu estou disposta a arcar com todas as consequências pois só assim serei livre para viver da forma como eu desejo. Como você se sentiria se não pudesse sair de casa nem para caminhar um pouco sozinho? Sabe como é difícil viver presa no próprio quarto sendo o tempo inteiro criticado? Você só entenderia o que estou passando se algo parecido acontecesse com você!

— Você já tentou conversar com seus pais e dizer tudo isso que está me falando? Eu posso não ter passado por tudo isso que você passa mas sei o quão ruim é ser privado de seus próprios desejos e vontades, mas isso simplesmente não justifica uma fuga desse jeito.

— E o que você me recomenda então? Que volte para minha prisão e me conforme em nunca poder ser livre?

Jonathan se calou por um longo momento para refletir sobre tudo que havia ouvido e falado. Como poderia encoraja-la a voltar para casa quando ele mesmo havia fugido a muito tempo atrás?

— Fique essa noite em minha casa, pense um pouco com mais calma e pela manhã você saberá o que fazer. Nenhuma decisão deve ser tomada de cabeça quente.

O coração de Évora novamente começou a bater mais forte. Parecia um martelo batendo contra seu peito. Seria o certo ficar na casa de alguém que acabou de conhecer? Muita coisa poderia sair do controle e ela não sabia se estava preparada para isso.

— Eu não sei, talvez eu deva procurar abrigo em minha própria aldeia.

Jonathan que até o momento estava totalmente sério começou a sorrir novamente. Ela estava com medo e isso era um pouco divertido.

— Se ficar em sua aldeia, logo seus pais irão te encontrar e leva-la de volta para casa. Fique comigo, prometo que não lhe farei mau – disse com confiança. Ao notar que a garota ainda estava insegura acrescentou: — Eu prometo me comportar. Não farei nada que você não queira.

O garoto fez questão de enfatizar a parte “Nada que você não queira”

— Tudo bem, você tem razão. Não seria muito inteligente voltar para tão perto de minha casa nesse momento.

Jonathan ficou feliz ao conseguir convencer a garota a ir com ele, e logo pegou novamente na mão de Évora a fim de guia-la até sua casa.

"Finalmente conseguirei minha vingança" — Pensou o garoto ainda sorrindo.

— Vamos? – Perguntou suavemente.

—Vamos.

Continua.......

Notas finais
E assim como o amor floresce, logo pode se tornar algo obscuro. O que será que acontecerá com Évora na casa de Jonathan? Ela realmente deve confiar nele? Espero que tenham gostado desse segundo capitulo. Estou ansioso para saber a opinião de todos, então não tenham medo de comentar o que estão achando até o momento. Comentários bons ou ruins são totalmente bem-vindos. Tentarei postar o próximo capítulo na segunda-feira. Até a próxima!!