Depois de muito conversar com Jim na segunda-feira seguinte, quase que dei a minha viagem por encerrada antes de começar.

- Mas Jim, pense bem. Precisamos verificar a filial e saber como andam o trabalho por lá.

- Samantha, desde que a filial foi estabilizada, não precisamos ficar grudados para saber o que acontece lá. Desde que o Sr. Jacobs foi contratado, eu não preciso mais me preocupar em fazer viagens constantes até lá, pois ele tem sido muito eficiente e me deixando a par de tudo o que acontece lá.

- Sr. Jacobs? Nunca ouvi falar nele.

- Ele está lá desde o começo do ano. Bom Sam, o mais o importante é que não vejo a necessidade de sua viagem até lá, em vista que eu preciso de você muito mais aqui.

Droga! Tô vendo que essa causa está perdida. Como faço pra convencê-lo a ir até lá? Filho da mãe do Sr. Jacobs estragou todo meu plano. Simplesmente dei um sorriso e voltei bufando para minha sala. Passei o resto do dia revoltada pelo plano ter murchado e liguei para Jhenna no almoço.

- Jhenna, o chefe não me liberou para viajar. Teremos que ficar por aqui mesmo, mandar os convites pelo meu pai e pedir que ele os entregue para mim. Duvido muito que ele tenha tempo de fazer isso.

- Você é tonta mesmo. Não sabe argumentar nada para seu próprio benefício. Quando é para outras coisas como a empresa, você tem tudo na ponta da língua e agora parece uma gata mansa com medo de tomar banho?

- Jim falou que um tal de Sr. Jacobs está cuidando muito bem da filial, que ele nem mais viaja para resolver algo. Imagino que deve ser um gordo careca que mal aguenta correr para pegar um taxi.

- Sam, pensa bem mocinha. Alguma coisa deve ter de errado nesse Sr. Jacobs. Vê nos relatórios da empresa se ele está prestando contas direito e se não tem alguma falha em alguma coisa. Tem que ter algo de errado nisso. Não é possível que ele seja cem por cento correto.

- Bom... eu, eu vou olhar. – Não tinha tanta certeza que conseguiria extrair algo sujo em alguém a quem Jim confiava.

Jim é o tipo de chefe que não é difícil lidar. Embora ele esteja chegando aos quarenta anos, ele sempre foi o estilo paternal comigo. Trabalhamos tão bem juntos que não temos problemas com o trabalho do outro. Muitas das vezes brigamos como cão e gato, mas no final conseguimos e resolvemos os nossos problemas com se fosse uma luta de MMA, sabe? Tipo... tem cara feia um com o outro, briga e a ponto de quase sair uns porradeiros, mas depois que um ganha, aí nos cumprimentamos e esperamos a próxima luta. Ele fala que, por mais que temos divergências, ainda sou mais fácil de lidar do que com sua a própria mulher, mas por causa das viagens, reuniões e coisas do gênero que só diretor faz, pouco nos vemos durante a semana.

Segui o conselho da Jhenna e fui à sala que fica as documentações da empresa. Procurei na estante F e achei tudo o que precisava. Peguei a caixa certa e fui correndo pra minha sala.

- Kurt, bloqueie todas as minhas ligações. Se tiver alguma reunião diga que não poderei comparecer.

— Sim, Senhora pode deixar.

Na caixa tinham 10 pastas. E li todas, o que foi totalmente exaustivo. Meu Deus esse Sr. Jacobs é muito bom, é incrível o trabalho dele, muito organizado e correto. Quando minhas esperanças estavam se esvaindo iguais as minhas forças, na ultima pasta, a terceira folha eu encontro o que procuro. Minha esperança retoma e saio quase que correndo da minha sala à do Jim.

Quando entro em sua sala, ele se levanta fazendo cara de que iria degolar meu pescoço. Antes que consiga abrir a boca pra me defender ele começa:

—Samantha Cooper, o que esteve fazendo? O Kurt bloqueou até as MINHAS LIGAÇÕES! — Nota mental: conseguir um aumento pro Kurt, ele segurou essa pra mim. — Marquei uma reunião e onde estava minha funcionária? Rá, Nem eu sei!

—Jim. – O interrompo. — Antes que continue a me passar este sermão, que eu considero desnecessário já que estava trabalhando, deixe-me explicar umas coisinhas.

Faço uma pausa e sinalizo para que ele se sente.

- No mês de maio, tivemos uma queda de vinte e cinco por cento nos lucros, e desde então você nos feito trabalhar que nem loucos, mas o que você não sabe – faço outra pausa – essa queda é referente à filial de Jadville. A meu ver, não querendo desmerecer o trabalho do senhor Jacobs, mas imagino que algumas informações estão vagas no relatório do mês de abril.

Entrego a pasta pra ele com os dados e deixo-o analisando por alguns minutos, que para mim pareciam infinitos pela ansiedade que estava.

- Eu olhei esse material, mas não percebi isto. – Diz calmamente.

- Jim, na segunda nós conversamos e você disse que não havia necessidade de eu ir lá, então agora há. Eu realmente acho necessário que alguém vá até lá. E eu gostaria que esse alguém devesse ser eu! Acho que uma semana é o suficiente para resolver tudo.

Ele passa a mão no cenho. Relutante, ele finalmente se rende.

— Sabe que não pode demorar muito porque preciso de você aqui tá? Preciso de você de volta em até uma semana. Não aguento o gênio da Betty

Contorno a mesa e lhe dou um abraço sorrindo.

- Obrigada!

Saio disparada pra minha sala.

- Arrume suas malas, vamos viajar neste fim de semana. – Digo para Jhenna ao telefone.

- Ok! Mas minhas malas já estão prontas, querida.

- Ah, é mesmo? Está tão ansiosa pra voltar a, como foi que você disse mesmo? Ah sim, a terrinha sem-graça?

- Ra Ra Ra! Não mesmo, sua besta. Tinha um palpite que seu chefinho iria deixar — diz Jhenna rindo.

- Vou ligar pro meu pai, para avisar que vamos ficar lá enquanto durar nossa estadia.

- Ta bom, tenho que ir. Bye!

Papai e mamãe moram em Jadville desde que se casaram. Foi lá que ele começou com uma pequena marcenaria e agora está com uma empresa de móveis modulados. Não é de grande porte, mas faz bons serviços ainda e tem clientes fixos que são os mais antigos que conhecem desde que a cidade começou, na época em que se mudaram. Liguei para a casa: Secretaria eletrônica. Mãe só pode estar na ginástica. Celular: caixa postal. Por fim, última opção: Liguei pra empresa.

- Vip Madeira, Amy, boa tarde.

- Oi Amy? É a Samantha. Tudo bom? Meu pai esta aí? Não estou conseguindo falar com ele!

- Oi querida, estou bem. John esta fora com um cliente, gostaria de deixar algum recado?

-- Não, Não. Depois eu ligo pra ele. Obrigada Amy, foi bom falar com você.

-- De nada Sam. Saudades de você. Espero que esteja tudo bem. Direi pra ele que você ligou.

Resolvi ir ao Coffee Table’s e estava louca pra tomar um cappuccino com chantilly que eu tanto amo. Eu e Rob sempre procuramos usar o intervalo para vir aqui no mesmo horário, nem sempre dá pra nos encontrar. Hoje eu dei sorte. Assim que ele me vê abre um lindo sorriso.

- Oi amor, ia te ligar agora para vir aqui. Que bom que teve a mesma ideia. – diz enquanto me cumprimenta com um beijo doce e suave.

- Oi querido, como está seu dia?

- Acabou de melhorar – diz rindo — como resolveu a questão dos convites?

- Depois de muito custo ele deixou. Tive que urrar pra conseguir minha liberação e tenho uma semana para resolver tudo.

- Bom, pelo menos vai poder ir lá? — diz me lançando um sorriso.

Fico olhando pra ele por um instante.

- Rob, sabe que não é apenas entregar os convites, tenho que ir ao alfaiate encomendar um fraque, convencer o meu pai a vir pelo menos a um ensaio. — olho pra ele, preocupada.

Abaixo a cabeça, apoiando a cabeça na mão.

-Não se preocupe, vai dar tudo certo. Ruim é ficar uma semana sem você.

Na hora que ia responder o telefone toca. Era Vicky, assistente do Jim, desesperada gritando que meu chefe estava que nem louco me procurando e que se tivesse cabelo estaria se descabelando. Dou um beijo rápido em Rob, e saio correndo triste por não tomar o meu cappuccino com ele, peço um pra viagem e saio correndo.

No final do dia, quando estava a caminho de casa meu celular toca.

- Samy, filha, a Amy me disse que me ligou hoje cedo. Desculpe não ter ligado mais antes, estive em reunião com clientes o dia todo.

- Oi pai, não se preocupe, tudo bem. Como você está?

- Estou bem querida. E então, porque me ligou?

- Bom, na verdade terei que resolver algumas coisas da empresa aí e aproveitar para entregar os convites de casamento, estou ligando para avisar que eu e a Jhenna vamos ficar aí casa enquanto estivermos na cidade.

- Claro filha. E quando vocês virão?

- Eu pensei em ir sábado, algum problema?

-Não, esta tudo bem. Vou pedir pra Vilma já deixar tudo pronto a tempo de vocês chegarem.

- Obrigado, pai. Avisa a mamãe que estou chegando. Desculpe mais vou ter que desligar. Novamente obrigada, sinto sua falta.

- Eu também querida.


Sábado, 25 de agosto.


Pegamos um taxi, pois a Amy, secretária do papai ligou dizendo que ele não teria como me buscar junto com a mamãe.

- Senhorita Samanta — diz ela rindo — Há quanto tempo. Sentimos muito a sua falta. Sua mãe foi comprar coisas para casa e ligou falando que não estaria a tempo de te receber. Seu pai disse que o cliente está o segurando que não consegue terminar.

- Oi Vilma, também senti sua falta. Tudo bem, já previa isso deles. – Devolvendo o sorriso com sinceridade.

- Jessica, é bom vê-la também.

- Oi Vilma, eu sou a Jhenna, e é bom te ver.

Vilma ruboriza.

-- Sinto muito Jhenna. Ainda não me acostumei com as diferenças.

- Tudo bem, já me acostumei, acontecia várias vezes. Agora estamos bem diferentes.

- Vilma pode nos ajudar a levar as malas até nossos quartos? Gostaríamos de descansar, a viagem foi muito longa.

Meu quarto é enorme, paredes na cor creme, cortinas avermelhadas, uma cama king size com colcha vinho, em cima algumas almofadas vinho e creme e ursinhos de pelúcia. Ao lado da cama uma penteadeira com fotos minha com as gêmeas, alguns amigos que nem vejo mais e minha família ao redor do espelho, do outro lado do quarto, tem um closet, ao lado o banheiro, de frente pra porta, há duas cadeiras perto sacada que fica de frente pra piscina. Atrás da porta, um pôster do Backstreet boys minha banda da adolescência que alguém andou fazendo bigode e pintando alguns dentes de canetinha preta.

Desfiz minhas malas e me preparar para tomar um banho, quando estava indo para o banheiro quando alguém bate na porta.

-Pode entrar.

Meu pai entrou com um buquê de rosas.

- Oi querida, bem vinda ao lar.

- Obrigada, pai, são lindas. Não precisava pra tanto assim. — digo enquanto o abraço e pego o buquê.

- Então... Como você está? Como está o noivado?

- Estou bem, o noivado vai bem espero que tudo dê certo no grande dia e você?

- Estou bem, eh... Senão se importa eu gostaria de tomar um banho, estou muito cansada — digo com um sorriso fraco.

- Ah, sim, me desculpe. Eu vou ali ao.., bem, eh, vou tomar um banho também, te vejo no jantar a noite.

- Tudo bem!

Depois que ele sai e me jogo na banheira e fico lá uns trinta minutos relaxando. Desço a cozinha pra assaltar a geladeira, afinal, sou filha de Deus, o jantar ia ser mais tarde e estava com uma baita fome e encontro Jhenna.

- Achei que tinha morrido- diz Jhenna sorrindo — bati no seu quarto e não obtive resposta.

- Me concentrei tanto na banheira que não ouvi.

Fiz um sanduba reforçado pra nós e depois fomos pro quarto. Logo mais tarde minha mãe aparece fazendo a barulheira que é típica dela.

— Minha querida filhaaaaa. Que bom te ver. Vem cá dar um abraço na sua mãe que sente muito a sua falta.

— Claro mãe. – Recebi um abraço tão apertado com se a saudade se aliviasse na força.

— Minha linda, mamãe sentiu tanto a sua falta. Deixa-me ver como você está. – Me puxa para o lado e se afasta para me avaliar e imagino a palestra que vai ser, quando a mãe vê o filho depois de muito tempo. Lá vem o discurso de respostas curtas.

— Nossa querida, você está tão magra. Não está ficando anoréxica né?

— Não, mãe.

— Está se alimentando direito?

— Sim, mãe.

— Está se exercitando, indo ao médico?

— Claro, mãe.

— Não está trabalhando demais? Está tão cansada minha filha.

— Não, mãe. – Essa eu menti.

— Tem cuidado da sua pele? Está usando os cremes que te enviei?

— Sim e sim, mãe.

— Está se lembrando de sair para se divertir, né? Sabe que não pode ficar se prendendo ao trabalho.

— É claro, mãe.

— Minha flor, espero que esteja realmente tudo bem com você. Sabe como os jovens hoje tem o seu próprio jeito de se cuidar.

— Não se preocupe mãe. Estou me cuidando direitinho. – Ela percebeu que menti.

Ela sabe sempre quando minto. Mas ela sempre finge que acredita em mim e eu finjo que ela não sabe disso e é assim que funciona entre nós. Mãe sempre teve um jeito diferente de ver as coisas. Ela leva a vida mais relax, pois desde que a empresa do papai começou a crescer, ela largou o emprego de secretária do lar. Dizia que a chefe dela era muito brava. Desde então fez de tudo para ter a sua própria secretária e contratou a Vilma que está conosco desde que eu tinha sete anos. E quando a empresa ficou numa boa fase e consolidada, ela decidiu que teria o estilo de perua. Lembro de vê-la assistindo as novelas, não porque ela gosta mas era porque ela queria imitar o jeito das ricaças da TV. Pode saber que ela está chegando em casa pelo barulho das pulseiras, que antes me irritavam, depois me acostumei e agora me irritam de novo.

— Jenny minha linda. Tudo bem com você? Estou tão feliz em te ver novamente. Não sabe o quanto sou feliz por você ser amiga da minha filha. Ajudou a levantar a baixa-estima dela de uma forma que não conseguiria com terapia.

— É bom te ver também senhora Cooper, mas é Jhenna.

— Hoje é um dia especial. Minha filha está de volta – Diz ignorando a correção e falando como se tivesse uma plateia. Jhenna continua olhando. – Vamos fazer desta, noite uma noite especial para todos nós. Vou falar com Vilma. – Sai levando consigo seu barulho de pulseiras.

— Nossa Sam, sua mãe está cada vez mais diferente com o passar dos anos. Ela ficou tão vaidosa.

— Realmente, quase não a reconheci. Ela está cada vez mais perua.

Ao anoitecer, meu pai finalmente aparece quando a janta estava quase pronta. Desço correndo para abraçá-lo.

— Nossa pai, que saudades de ti!

— Oi filhinha. Como você está?

— Estou bem. Finalmente nos vemos.

Pode até parecer estranho, mas eu e pai nos damos super bem. Quando passei pela fase de rejeição, ele me apoiou muito dizendo que eu era bonita e que as pessoas ainda não viam isso em mim. Finalmente concordei logicamente depois de me recauchutar. Eu e ele somos os únicos não afetados pela mudança de padrão de vida pelo crescimento da empresa dele ao contrário de mãe. Estava tão preocupado comigo, que deixou a empresa um pouco de lado, atrasando um pouco seu crescimento em favor da minha felicidade social.

Durante o jantar, mamãe mandou preparar uma deliciosa macarronada na pressão e um monte de coisas que não aguentei comer. Na hora da sobremesa eu reservei um espaço para o sorvete feito especialmente para mim. Pai não liga para isso e mãe não quer perder a forma. Conversamos sobre tudo que estava precisando de por em dia inclusive sobre o casamento.

Depois do jantar papai foi para escritório, mãe ficou com Vilma tomando café. Eu e Jhenna saímos pra dar uma volta de carro. A praça da cidade estava diferente, os balanços eram os mesmos, algumas casas estavam mais modernas e outras ainda estavam típicas da cidade como se houvesse parado no tempo. Paramos em frente a um pub aparentemente novo, pois não o vi aqui da última vez que vim. Poucas coisas mudaram o que me dá aquela sensação nostálgica de que ainda estou na adolescência prestes a ir para a faculdade. Estava relutante em entrar no pub, mas parece que com a Jhenna dizer não é o mesmo que nada.

- Jhenna, eu não estou afim, vamos dar uma volta.

- Sam, aqui está com cara que vamos nos divertir a noite toda.

- Olha só, eu vou entrar você querendo ou não, você tem duas opções: Ou entra, ou fica trancada dentro do carro porque eu vou levar a chave comigo.

E ela saiu do carro, e foi direto para dentro do pub. Ah, como ela me irrita. Eu não ia ficar trancada dentro do carro, então saí. O pub estava cheio, pois era dia de jogo, mas conseguimos encontrar uma mesa. Assim que sentamos, um rapaz se aproximou.

- Oi gaaata, quer dançaaaaar? — disse o rapaz levemente bêbado.

Assim que Jhenna saiu, levantei-me e fui para o banheiro. Quando voltei, Jhenna já estava quase engolindo o cara, rapidamente peguei a chave do carro e fui pra casa, depois ela sabe se virar. Fui direto pro quarto e liguei pro Rob.

- Oi amor – digo — como estão as coisas por ai?

- Oi amor, estão bem, e aí?

- Tranquilo. Segunda eu começo no trabalho, e a Jhenna como sempre não perde tempo, e está num pub com um cara que ela conheceu.

- Sério? Já? – Diz surpreso depois de dar uma risada gostosa.

- Sério. Eu a deixei lá e vim pra casa. Como está a organização do casamento?

- Esta tudo nos conformes, a Andy é muito boa no que faz, ela tem me ajudado muito para decidir algumas coisas. Inclusive, lembrei que tenho que te falar, a fotógrafa que conseguiu pra nós não poderá comparecer, parece que um parente está nas últimas e disse que iria passar os últimos momentos ao lado, isso significa que estamos sem fotografia por enquanto, mas Andy tem me mostrado os trabalhos de uns que estão ainda disponíveis e tem sido muito boa pra fazê-los aceitarem mesmo sendo curto prazo.

- Que bom, acho tão ruim ficar esse tempo todo longe dos preparativos e não estar por perto e principalmente de você.

- Eu também acho ruim, mais nem tudo é fácil, tem que haver alguns sacrifícios — diz rindo.

Conversamos por mais algum tempo e depois fui dormir. Mas não fechei os olhos por horas. Até que ouvi Jhenna nos seus passos pesados entrando pela casa e subindo as escadas. Ela chegará em três, dois, um.

- Porque foi embora sem nem me avisar, te procurei o pub todo? — Jhenna estava furiosa – Contei certinho!

- Não queria ficar e ponto final. Ah, pelo jeito sua noite não estava ruim.

- Foi boa, mas isso não vem ao caso Samantha. Arf! Quer saber? Vou pro meu quarto.

Saiu bufando e batendo a porta. Voltei a dormir tranquilamente linda e ruiva como sou.

Jhenna acordou melhor, acho que foram as biritas que ela andou tomando. Passamos a manhã na piscina. No almoço, meu pai chegou e nos levou pra almoçarmos na cidade e a tarde foi jogar golfe com alguns políticos e sócios. Passamos à tarde também na piscina. Liguei pro Rob e acabei dormindo no meio da ligação de tão cansada que estava. Há tempos não tirava uma folga que até estranhei ficar parada. Pena que o domingo acabou.

Acordei bem cedo e comecei a me arrumar pra ir trabalhar. Assim que cheguei na empresa, fui direto à administração.

- Bom Dia, Sarah! Sou Samantha Cooper. Jim me mandou pra averiguar algumas coisas, vou ficar por algumas semanas e preciso de uma sala. Onde posso ficar?

- Ahm, oi Senhorita Cooper, Jim deixou avisado semana passada que a senhorita viria, por aqui, por favor. Já deixamos tudo pronto para poder trabalhar tranquilamente. – Disse enquanto levantava.

Sarah me levou ate uma sala mediana com uma mesa de vidro e uma cadeira giratória muito confortável. Tinha janelas enormes, o que aproveitava a luz do dia.

- Obrigado, Sarah! Ah, por favor, chame o Senhor Jacobs pra mim!

- Tudo bem! Posso te trazer alguma coisa?

- Não, obrigada, por enquanto estou bem.

Meia hora depois o Sr. Jacobs entra em minha sala enquanto eu estava procurando por um papel na gaveta.

— Com licença. Bom dia. Mandou me chamar?

- Bom dia! Mandei sim, senhor Ja... — quando levando a cabeça mal posso acreditar em que meus lindos olhos castanhos estão vendo. Era Mark, o mesmo que me atormentou durante anos de minha adolescência, o mesmo que me fez ir a seções de terapia. Aquele quem praticava bulling e me fez ter ódio dele por tanto tempo, meu Deus! E pra piorar eu estava incrivelmente e inegavelmente vendo o rapaz mais maravilhoso e bonito que já virá nesses últimos anos.