Notas iniciais
Olá.

Agradecimento especial a: Karem Scarabelli por recomendar a minha historia. Linda, esse capítulo é todinho dedicado a você.

Agradeço também, a todos os comentários e favoritos que eu recebi.

PS 1: O capítulo de hoje pode parecer um pouco confuso para vocês, mas garanto que no decorrer dos próximos capítulos, tudo será explicado e vocês vão entender.

PS 2: Notas finais importantíssimas hoje, leiam, por favor!

Capítulo 9: Coração quebrado

"Dizem que a vida é cheia de surpresas. Que nossos sonhos realmente se realizam, assim como nossos pesadelos..."

Caroline

Despertei dos meus sonhos, sem abrir os olhos. O fato de eu ter acordado não significa propriamente que o meu dia já tinha que começar. Alonguei-me preguiçosamente na cama, sentindo uma gostosa sensação de ter um corpo abaixo do meu.

Sorri inconscientemente. Então não foi apenas um sonho? A noite mais quente, sexy e excitante da minha vida, havia realmente acontecido. E melhor ainda, foi a melhor noite de amor ao lado do homem que eu amo.

Mesmo sem abrir os olhos, eu sabia que já tinha amanhecido, pois podia sentir os raios solares vindo da janela aberta. Meu coração se aqueceu e vibrou de alegria, se já havia amanhecido e eu ainda sentia Klaus junto a mim, só podia significar uma coisa: o plano falhara, e Klaus continuaria imortal ao meu lado, para vivermos juntos sempre e para sempre.

Resolvi despertar de vez, abrir meus olhos e ver o rosto que eu nunca vou me cansar de ver, e acordá-lo com um delicioso beijo na boca. Depois colocaremos a ideia dele em prática e faremos amor em sua banheira de hidromassagem até não aguentarmos mais, em seguida eu desceria para preparar o nosso café da manhã, e depois poderíamos voltar para o quarto e fazermos mais amor, depois mais amor, em seguida mais amor ainda, e daí por diante.

Eu estava tão feliz que a minha felicidade parecia não caber mais dentro do peito. Mas ao finalmente abrir os meus olhos, a minha felicidade desceu direto para o inferno, me arrastando junto com ela. Klaus estava cinza e aparentemente desnutrido, com os olhos esbugalhados implorando por ajuda, sua boca parecia querer se mexer para pedir socorro, mas não saíam palavras, não saía nada... O único som que se podia ouvir no quarto era o do meu choro e dos meus gritos de desespero.

– Não Klaus! Por favor, não me deixe... Não... Não... Me deixe, por favor, eu imploro, continua comigo! – O meu pedido era inútil. O plano de Bonnie havia funcionado, e o amanhecer estava levando embora a vida de Klaus.

A cada segundo que se passava, o corpo dele ficava mais desnutrido e acinzentado, seus olhos esbugalhados mostravam total desespero, em seu grito silencioso por ajuda – pela minha ajuda -, mas nada mais poderia ser feito para salvá-lo; o homem que eu amo estava morrendo na minha frente, e a culpa disso era toda minha.

Klaus tentava inutilmente se mexer, seu corpo estava totalmente paralisado, mesmo assim ele não parava de tentar me falar alguma coisa. Ao ver que não conseguiria falar e que seu tempo estava acabando, ele simplesmente usou o seu olhar para me mostrar à direção da sua mão direita que estava bem fechada, como se estivesse guardando algo importante.

Entendi que era para eu pegar, seja lá o que fosse que estava em sua mão. Mas as minhas mãos tremiam tanto que eu mal conseguia segurar a mão dele entre as minhas, e a minha visão nublada pelas lágrimas não me ajudava nenhum pouco nesse momento.

Com esforço consegui abrir os dedos de Klaus, que tinham enrijecido por conta do feitiço que o estava levando à decomposição de uma forma lenta e dolorosa. E ao ver o que tinha em sua mão eu só consegui chorar mais ainda: uma linda e grossa aliança de ouro branco, com uma nada modesta pedra de diamante em formato de coração, brilhava na palma da mão necrosada de Klaus.

– Me perdoe... – Klaus pareceu não entender o meu pedido de perdão, e muito menos porquê eu chorei ainda mais ao ver a aliança, ao invés de ficar feliz pela atitude que ele pretendia ter comigo. Não adiantaria nada lhe contar agora a minha culpa em sua morte. Resolvi atender o seu pedido, tirei a aliança de sua mão, e a coloquei no meu dedo anular da mão esquerda. – Agora estamos casados. – minha voz estava tão trêmula e chorosa, que eu nem tive certeza se ele entendeu o que eu falei, mas quando vi algo sutilmente parecido com um sorriso tentar se desenhar nos lábios pipocados dele, soube que ele tinha entendido, e que estava partindo feliz, enquanto eu viveria infeliz pela eternidade.

E de repente o sofrimento de Klaus pareceu acabar quando seu corpo se transformou por completo em cinzas que se dissiparam no ar. É como se ele estivesse sofrendo toda aquela dor e agonia só para se manter vivo a tempo de conseguir me ver usar o anel e aceitar seu pedido, após ver isso ele se deixou partir. E eu queria ter partido com ele. Ou partido no lugar dele...

– Me perdoa Klaus... Perdoa-me... Perdoa-me... – Eu estava ajoelhada na cama que eu havia compartilhado com Klaus, abraçada a meu próprio corpo, encarando o lugar onde Klaus havia acabado de virar cinzas. E a única ação que eu conseguia realizar no momento era continuar pedindo perdão a ele, como se agora isso fizesse alguma diferença. — Me perdoa Klaus... Perdoa-me... Perdoa-me...

Durante um bom tempo, tudo o que eu consegui fazer foi chorar e espernear de arrependimento em cima da cama. Mas do que adiantava fazer isso afinal? Se arrependimento mudasse o passado, o mundo seria um lugar tão menos infeliz... E eu seria uma pessoa tão feliz.

“Caroline, você está brincando com fogo... Você não tem ideia da força que eu estou fazendo para te respeitar. A noite inteira eu venho me segurando para não te arrastar para a minha cama e fazer amor com você até nenhum de nós aguentarmos mais. Só que eu não sou de ferro, Caroline... Estou a um passo de mandar todo o meu autocontrole pro inferno e te agarrar, e depois disso não vai ter mais volta, não a nada que vá me fazer parar depois que eu provar o seu gosto, Caroline. E tem mais... Você está proibida de usar essa calcinha e esse vestido. Ninguém além de mim pode te ver usando essa tentação, ouviu bem Caroline? Você está proibida e nem ouse me desafiar!”

Eu conseguia sorrir e chorar, ao mesmo tempo em um misto confuso de emoções, toda vez que eu relembrava os meus últimos momentos com o Klaus. Chorava por não ter desistido do plano quando tive a chance, aceitando a vontade do Klaus em me respeitar, e voltar apenas no dia seguinte, para dizer que o meu desejo era verdadeiro. E sorria ao lembrar os momentos engraçados – que também foram tensos -, como por exemplo: o ciúme possesivo do meu Mikaelson.

“Eu estou confiscando as suas roupas a partir de agora! Amanhã você vai embora usando uma roupa comportada que Rebekah deixou aqui.”

Percebi, então, que eu nem tinha ideia do que o Klaus tinha feito com as minhas roupas, mas isso não importava, mesmo que eu soubesse onde minha roupa está eu não a usaria – eu nunca mais a usarei -, irei respeitar a vontade do meu Mikaelson. Quase: futuro marido... Ou atual, já que a aliança continua brilhando em meu dedo.

(...)

Eu caminhava lentamente pelas ruas – aparentemente pacatas – de Mystic Falls, andando de cabeça baixa, com os ombros curvados, parecendo pesados demais para eu carregar, e estavam realmente pesados, só que de culpa, e a culpa nunca morre!

Minha mente estava tão absorta que eu nem conseguia enxergar o que acontecia ao meu redor. Eu não via e nem ouvia ninguém por onde passava, mesmo tendo plena consciência que as ruas estavam cheias de pessoas, que estavam levando suas vidas normalmente como se essa fosse só mais uma manhã qualquer, como se eventos sobrenaturais não tivessem abalado a cidade ontem à noite, como se um assassinato não tivesse sido friamente planejado e executado, contra um membro da família fundadora mais velha de Mystic Falls.

E ao me dar conta disso, eu os invejei profundamente. Desejei ferozmente possuir a mesma ignorância e ingenuidade que eles, sobre os assuntos sobrenaturais que rondam essa cidade desde o início dos tempos.

Lembrei-me de quando eu era apenas uma líder de torcida fútil e inútil, que só ligava para si mesma e para festas. Agora sim eu consigo compreender muito bem o ditado que diz: “a ignorância é uma benção”. Eu era uma feliz abençoada, alheia a todo e qualquer problema sobrenatural que essa merda de cidade viesse a ter, e nem me dava conta disso.

Mas tudo mudou completamente desde que os irmãos Salvatore voltaram para Mystic Falls, e eu acabei por me tornar a Barbie vampira. Depois disso, tudo mudou tão rápido e inesperadamente que eu nem tive tempo de refletir a respeito, nunca parei para pensar sobre como a minha vida era bem mais fácil quando eu era uma simples e mortal humana.

Como não sentir saudade de quando a minha maior preocupação era: que roupa usar na festa que eu organizei essa noite? Agora, nem em uma simples festa conseguimos ir, sem sofrer alguma espécie de ataque sobrenatural. Quando não estamos preocupados com nós mesmos, estamos preocupados com os demais, então eu me pergunto, aonde foi parar a nossa paz?

Agora mais do que nunca consigo sentir em minhas costas o peso de ter me tornado uma vampira e guardiã dos muitos segredos que essa cidade abriga. Se a cura para o vampirismo não fosse apenas uma lenda, eu queria ser a primeira a tomar, em seguida faria o Stefan me hipnotizar para esquecer tudo que eu descobri nos últimos anos, e iria embora de Mystic Falls para sempre.

Não, eu nunca poderia fazer isso. Pois esquecer tudo significa esquecer Klaus, e apesar da dor e do arrependimento serem pesados demais para carregar, eu jamais abriria mão deles, porque eles são a prova que o que eu tive com o Klaus foi real, e também são o meu castigo, e mereço muito ser castigada pelo que eu fiz a Niklaus Mikaelson.

Parei em frente à minha casa, e ouvi vozes vindas de dentro, minha mãe já tinha saído para trabalhar, então não podia ser ela. Forcei a minha – no momento, desatenta – audição e descobri de quem se tratava; meus amigos aparentemente estavam dentro da minha casa me esperando enquanto comemoravam o sucesso do nosso maldito plano.

Acho que passei alguns longos minutos em frente à porta, simplesmente sem reação alguma, até que a porta foi aberta e eu pude ver a Elena me sorrindo.

– Pessoal, a nossa heroína, senhorita Caroline Forbes, chegou! – Elena anunciou a minha chegada a todos, e correu para me abraçar, e eu continuei da mesma forma que estava: sem reação.

Após um “abraço de urso” que me pareceu durar horas, Elena finalmente me soltou, mas com certeza reparando na minha falta de emoção ela não falou mais nada, apenas segurou a minha mão e me guiou para dentro da minha casa, fechando a porta atrás de mim.

Fiquei espantada com a alegria que transbordava de Elena, nem parecia que ela tinha acabado de participar de um assassinato. Aliás, reparando em todos os presentes na minha sala de estar, eu pude concluir que todos além de mim, estavam transbordando alegria pela morte de Klaus. O erro estaria em mim, ou neles?

– Que roupa é essa Barbie? Eu não acredito que você foi vestida assim! E os conselhos que eu te dei sobre você ir transbordando luxúria? Não sei como você conseguiu seduzir Klaus sem seguir os meus conselhos.

Diferente dos outros, Damon estava feliz, bêbado e indignado. Feliz – igualmente aos outros – pela morte de Klaus. Indignado por achar que perdeu tempo me dando conselhos que eu não segui, e bêbado porque ele é um bêbado.

– Eu estava com a Car, antes dela ir para o Grill ontem à noite, e não era essa roupa que ela estava usando. O que aconteceu com as suas roupas Car? – Elena continuava sorridente ao meu lado enquanto falava, e por incrível que pareça, ainda estava segurando a minha mão.

Eu podia ter falado que estava usando a roupa mais simples e comportada que eu achei no closet da Rebekah, mas não respondi nada, não me mexi, não mostrei uma emoção sequer. Continuei parada, apenas encarando a todos os meus amigos.

– Amiga, eu estava tão preocupada que você não conseguisse realizar a sua parte no plano, mas você conseguiu, enganou aquele monstro do Klaus direitinho, finalmente ele está no quinto dos infernos, a onde é o lugar dele.

Finalmente Bonnie se pronunciou se destacando dos demais. Quando eu a vi, meu gelado coração sem emoção pareceu reagir com uma explosão de sentimentos: dor, raiva, amor, ódio, tristeza, alegria... Eu não conseguia mais controlar o que eu estava sentindo, por um momento meu coração ficou pesado demais, eu não conseguia mais respirar... Era como se tivesse alguém apertando o meu pescoço com muita força; comecei a ficar tonta e tudo a minha volta começou a ficar desfocado.

Senti meu corpo desmoronar e cair, mas não senti o baque no chão porque Elena e Bonnie me seguraram e me levaram até o sofá. Eu conseguia ouvir as vozes preocupadas dos meus amigos, mas era como se eles tivessem ficando cada vez mais longe de mim.

– Faça alguma coisa bruxinha, vampiros não ficam doentes.

– Oh, meus Deus! A Car não pode morrer, só você pode ajudar ela Bonnie, por favor, não deixa a nossa amiga morrer...

– Isso só pode ser culpa do Klaus, mas eu vou resolver, não importa como.

Se eu conseguisse falar, ia pedir para ninguém fazer nada. Eu queria morrer, queria me encontrar novamente com o meu Klaus.

Notas finais
Bonnie viva? Klaus morto? Barbie vampira, doente? Alguém arrisca um palpite do que está acontecendo nessa historia???

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A Gueixa