É Tão Difícil Dar Certo...
10 Amizade e culpa
Notas iniciais
É tão difícil dar certo...
Capítulo 10: Amizade e culpa.
Caroline
Eu ouvia vozes a minha volta, reconheci que eram das minhas amigas, e por esse motivo continuei fingindo que ainda estava dormindo. Não queria encará-las, não queria conversar com elas, e de preferência, não queria vê-las por um longo tempo, pois absolutamente tudo nelas me lembravam a minha culpa que eu tenho certeza que nunca vai me deixar em paz.
Eu não mereço paz.
– Precisamos fazer alguma coisa Bonnie, e rápido. Já faz uma semana que ela está dormindo direto. – Como a Elena é dramática, eu devo ter dormido por algumas horas no máximo e ela já faz esse escândalo todo.
– Eu sinceramente não sei mais o que fazer, já fiz tudo que sabia para tentar acordar ela, e nada deu certo, é como se ela mesma se recusasse a voltar para a realidade. – Bonnie parecia nervosa e cansada ao dizer isso. Será que não foi exagero da Elena? Eu realmente dormi por uma semana inteira, mesmo com os esforços da Bonnie em me acordar?
– Bonnie... Desculpa, eu sei que você está fazendo tudo o que pode, mas eu já não sei mais que desculpas dar para a xerife, há uma semana que eu a enrolo, e sei que ela não está mais acreditando em mim – Elena suspirou, cansada, e se sentou antes de continuar a falar. Mesmo sem vê-las, era nítido para mim que ambas estavam exaustas. Seria muito egoísmo meu não informá-las que eu acabei de acordar, e que elas não precisam mais se preocupar? – Mais cedo ou mais tarde ela vai descobrir o que aconteceu com a Caroline, e vai nos culpar e odiar por isso, mas apesar disso, acho que precisamos contar a verdade pra xerife de uma vez.
– Sim, digam a verdade a minha mãe, digam que eu estou bem.
– Car! – Ambas gritaram e se jogaram na cama, em cima de mim, me sufocando com beijos e abraços.
– Oh, meu Deus! Você não tem ideia do quanto estamos felizes por você ter finalmente acordado, Car, estávamos tão preocupadas com você amiga.
– Estávamos mesmo, e para mim ainda foi pior, porque durante esse tempo todo que você dormiu, eu tive que aturar uma Elena mega insuportável, chorona e reclamona, me cobrando uma solução que eu não sabia da onde iria arrumar.
– Eu estou aqui do seu lado ouvindo tudo isso, sabia? – Foi engraçado ver a Elena se fingindo de ofendida, e mais engraçado ainda quando a Bonnie a derrubou da cama, acertando-a com um travesseiro, e Elena se levantou a chamando de “galinha preta de macumba”; claro, sem preconceito, não existe isso entre nós, estamos à cima disso, afinal, somos amigas de infância e por incrível que pareça, fazia muito tempo que não ríamos dessa forma leve e descontraída.
Agora me dei conta que eu jamais conseguiria ignorá-las ou ficar muito tempo sem sequer vê-las, elas são as minhas melhores amigas desde sempre, minhas irmãs por escolha minha, e não por um laço de sangue que às vezes não tem o menor valor.
Não seria justo com elas, e nem comigo mesma eu alimentar raiva ou desprezo pelos meus amigos, como se isso fosse redimir os meus pecados... E a minha culpa! Nada que eu fizer vai trazer o Klaus de volta, nada! E eu sabia muito bem disso quando aceitei o meu vergonhoso papel na morte do Klaus... Só não sabia ainda que eu o amava.
Mas agora já era tarde demais para se arrepender. Eu não podia culpá-los pelo que aconteceu, decidimos fazer isso juntos, eu decidi distrair Klaus mesmo sabendo como tudo isso terminaria, nós pensamos no que era o melhor para gente, pensamos em nossa própria sobrevivência e na daqueles que amamos, afinal, Klaus não nos deixou escolha, ou virávamos os assassinos, ou as vítimas do Mikaelson bipolar.
Então por que dói tanto?
A quem eu estou tentando enganar? Essa dor nunca vai passar, e eu nunca vou conseguir aceitar o que eu fiz, apesar de saber que foi para proteger as pessoas que eu amo, mesmo assim... O remorso está me corroendo por dentro, estou ficando doente de tanta dor e tristeza, eu queria voltar a dormir agora, mas dessa vez, dormir para nunca mais acordar.
– Car, está tudo bem com você? Estamos ficando preocupadas, você está sentindo alguma coisa? Qualquer coisa que seja você pode nos contar, somos suas amigas. – Foi só então que eu percebi que estava me derretendo em lágrimas que pareciam não terem mais fim. Eu não conseguia mais falar, e a sensação de estar sendo esganada e perder o ar voltou com tudo, e aos poucos, tudo que eu conseguia enxergar eram borrões, e as vozes desesperadas das minhas amigas iam ficando cada vez mais distantes...
Quando acordei, minhas amigas ainda estavam ao meu lado na cama, começo a pensar que durante toda a semana que eu dormi, elas não saíram do meu lado para nada, são amigas de verdade, não existem dúvidas quanto a isso.
– Por quanto tempo eu apaguei dessa vez?
– Dessa vez foi só um dia. Eu fiz alguns feitiços para tentar descobrir o que está havendo com você, já que vampiros não ficam doentes, e você aparentemente está bem doente.
– E o que você descobriu Bonnie?
– Infelizmente, nada, eu sinto muito por ainda não ter conseguido, mas eu garanto que vou con...
– Está tudo bem Bonnie, não precisa se preocupar tanto com isso, o máximo que acontecerá comigo é eu cair em sono profundo, mas como vocês mesma podem ver, eu sempre acordo. – É, infelizmente eu sempre acordo para mais uma dose de culpa, dor e sofrimento, a vida não é linda?
– Levando em consideração o tempo que você dormiu, presumi que você acordaria com fome, então te trouxe essas duas bolsas de sangue. – Quando a Elena me estendeu aquelas duas bolsas, na hora me veio à mente um flashback da última vez que eu me alimentei:
“Desculpa a demora. Foi difícil achar bolsa de sangue aqui em casa, sabe que eu prefiro beber direto na veia, bolsas só em último caso. – Klaus me disse, me mostrando duas bolsas e se sentando ao meu lado no sofá enquanto abria uma e me entregava”.
Como não ter o coração partido com tais lembranças? Se alguém souber, me diz, por favor, porque eu não tenho ideia de como fazer o meu coração parar de sangrar a cada momento que eu penso nele, e o problema é que eu penso nele o tempo todo.
Segurei-me para não voltar a chorar, e me alimentei das bolsas antes que eu atacasse o pescoço da Bonnie, que já estava ficando apetitoso demais para o meu gosto. Só então percebi que não estava no meu quarto, e muito menos em minha casa — que eu tenho certeza que foi onde eu apaguei a primeira vez -, eu estava na mansão dos Salvatore, mas precisamente no quarto do Stefan.
– Por que estou aqui, e não na minha casa?
– Hum... Não sabíamos muito bem como contar a sua mãe que após o sucesso do nosso arriscado plano, você inexplicavelmente entrou em coma, então te escondemos aqui e contamos a ela que, em um impulso descontrolado, você resolveu partir em busca do Tyler, para contar a ele que ele já está livre para voltar para casa.
Aquela conversa literalmente embrulhou o meu estômago, lembrar o “sucesso” do nosso plano e da minha participação nele não me fez nada bem, ou o que me fez realmente mal agora foi lembrar algo, ou melhor, alguém, que até então eu havia esquecido: Tyler.
– Eu preciso de um banho urgente, não sei como vocês estão aguentando ficar do meu lado, depois de eu passar tanto tempo sem um bom banho.
– Bom... Eu juro que não ia falar nada, mas já que você tocou no assu... – E foi a minha vez de jogar uma almofada na Elena e fazer ela beijar o chão.
Quando me sequestraram para a mansão Salvatore, eles se esqueceram de pegar algumas roupas, por sorte Elena e eu usamos o mesmo número, e ela me emprestou algumas. Eu já estava tomando banho quando finalmente notei um detalhe importantíssimo, ao olhar para a minha mão esquerda não vi o anel de casamento que o Klaus me deu, e que deveria estar brilhando no meu dedo.
Não consegui raciocinar direito, uma raiva súbita tomou o meu corpo, antes de eu desmaiar a primeira vez, eu estava na minha casa e com esse anel no meu dedo, e acordo na mansão contra a minha vontade e com o anel furtado! Alguém iria pagar caro por isso.
Estava com tanta pressa de colocar as minhas amigas contra a parede, que nem me dei ao trabalho de me vestir, saí pelada e molhada do banheiro e invadi o quarto igual um furação, mas o que eu vi no quarto me paralisou totalmente.
– Oi, Car...
– Ty... Tyler!
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