Às vezes eu imagino.
1 A Garota do Parque
Notas iniciais
O nome dela era desconhecido até o momento, tinha cabelos negros na altura da cintura, pele branca como a lua, chegava a reluzir a luz do sol no seu simples e mais curto movimento, era cheia de marquinhas vermelhas como se fossem pequenas pintas espalhadas pelo corpo todo oque dava um certo charme, não era muito alta nem muito baixa mas uma garota de estatura normal digamos, estava parada usando uma blusa preta, com uma estampa de caveira prateada com as palavras "One Is Life Bitch" escritas embaixo, oque realçava mais ainda sua palidez. Uma enorme sombra causada pela arvore atingia o chão aonde ela estava sentada conversando com mais umas quatro ou oito pessoas, não reparei muito nelas, mas também quem repararia? Pelo oque pude ler em seus lábios vermelho e cheios de batom a conversa era sobre carros ou bandas talvez mas provavelmente era sobre golfinhos, juro que me esforcei para poder entender oque falavam, talvez conseguiria usar aquilo para uma interação futura mas que no caso não a nem a mais remota chance de isso acontecer, não nessa vida. Ela ficou la por uns trinta minutos, rindo bebendo e comendo com seus amigos, enquanto eu já estava atrasado para minha consulta ao medico. Então imaginei minha vida com ela, nosso primeiro beijo, nossa primeira viagem juntos, nossa primeira vez, terá que ser muito especial, primeiro levarei ela ao cinema la ficaríamos abraçados o filme todo depois daríamos voltas em torno do shopping de mãos dadas, então levarei ela ao parque ontem comprarei um balão de gás do Mikey, sentaremos ao na grama riremos, nos abraçaremos e nos beijaremos intensamente. Logo após isso levarei ela para casa, e chegando lá receberei a noticia que seus pais não estão então ela me convidará para entrar me mostrará seu quarto que é roxo, sua cama arruma e seus livros em uma pratilheira simples e meio torta, enquanto ela me mostra eles, vou lhe dar um abraço beijando seu pescoço e fazendo assim sentir sua pele se arrepiar, cairemos na cama e nos beijaremos mais intensamente ainda, tirarei sua blusa azul estampada com flores, passarei a mão por seu corpo todos lentamente, só para sentir sua pele lisa e sedosa em mim. Imagino também nosso casamento, nossos filhos até mesmo o nome do nosso cachorro.
Me perdi no mundo da fantasia por alguns minutos, mas fui forçado a interromper ela por causa de um simples som vindo do bolso de minha calca jeans azul marinha, era o toque do meu celular "black in black do ac/dc" , eu coloquei esse para as pessoas me acharem mais másculo ou com visual de roqueiro tinha espera de alguma interação social por causa da musica , mas ate agora só ouvi um comentaria de uma velha gorda no ônibus dizendo "Que musica horrível queimara no inferno, Jesus Cristo!" pelo menos consegui fingir que não escutei o agradável som de sua voz de corvo rouco. Atendi o telefone era minha mãe perguntando aonde eu estava e se estava bem falei que estava na parada esperando o ônibus oque era uma puta mentira, ela perguntou também se eu não ia no medico, respondi que não graças ao horário do ônibus mas que eu tentaria chegar la, minha mãe acreditou e falou para eu voltar para casa porque já estava escurecendo, no entanto pediu para que falasse os números de meu CPF para que ela pudesse ligar para o medico e remarcar a consulta. Enquanto eu lia os números para ela, perdi a atenção da garota do parque, quando parei de ler e desliguei o celular, ela não estava mais lá, havia desaparecido no meio da multidão de adolescente com camisas de bandas de rock, embora que eu ache que a maioria ali nem sabia que as estampas nas camisas era bandas de rock.
Fiquei triste por não poder mais observar seu lindo rosto, se eu soubesse pelo menos o nome, poderia pesquisar no facebook entre os milhares ou talvez bilhões de nomes iguais ao dela e de que adiantaria se nem coragem para mandar um convite eu teria. Aceitei logo que minha vida com garota nunca seria real e que nem na minha própria imaginação ela existiria, aceitei também que ela seria do uma entre as milhares de garotas que eu já tinha imaginado minha vida junto. Bom depois de aceitar a cruel realidade que me cercava, atravessei o parque de cabeça baixa, rezando para que ninguém me provocasse por causa de minha aparência um pouco quanto estranha, dei sorte ate porque o parque não estava muito cheio. Caminhei umas duas quadras até a parada mais próxima e la esperei o ônibus por um breve período de tempo.
Quando ele finalmente chegou estendi o braço fazendo sinal para que parasse, fico imaginando se é só eu que tenho medo do ônibus passar reto pela parada mesmo comigo fazendo sinal e me deixar com mais cara de otário. Mas felizmente ele parou, entrei rápido e de cabeça baixa só há levante para pagar a passagem, mas foi ai que eu há vi.
Fale com o autor