À flor da pele

21 O amor dos tolos


Notas iniciais
Olá, já voltei u.u Mas tô com uma gripe tão forte, mas tão forte, tomando um remédio que dá um p**a sono, e é difícil ficar acordada tempo suficiente para escrever '-' Então, perdoem-me se demorar os próximos capítulos u.u Boa leitura!

Diana

Desço com Theo no elevador, ele fez o favor de ficar de um lado, enquanto eu estou do outro, mas ele praticamente me devora com os olhos.

– Linda!– Ele diz sem realmente deixar algum som sair. Eu me sinto estranha sobre isso. É ótimo ser apreciada dessa forma. Minha autoestima dá pulinhos, mas é apenas uma pequena parte de mim. Uma mínima. A razão é quem tem tido o controle sobre por mim por anos e ela não se importa se minha autoestima está bem ou não.

Quando o elevador para e a porta libera, Theo a empurra e segura para mim. Infelizmente é um prédio antigo, aqueles elevadores com portas que abrem automaticamente, nem tinham sido inventadas quando isso foi construído. Mentira, um grande exagero na verdade. Mas deveriam ser bem caras. Assim como corrimão, que não tem na saída de emergência. Não sei como o prédio não foi interditado ainda. Ele é um grande exemplo do que não se pode ter e o que falta em um lugar desse porte. Tyler diz que esse é o charme do lugar...

Caminho para o apartamento, já esperando o pior. Olho para o lado, tentando ganhar algum incentivo de Theo. Mas descubro que ele não anda ao meu lado. Espio sobre meu ombro, encontrando-o atrás de mim, com os olhos bem abaixo do que deveria.

Me viro para ele, andando de costas, então ele me encara.

– Você quer parar com isso?

– E por que eu faria isso? A vista está muito boa...

– Está me constrangendo, homem!

Ele sorri e isso serve para me acalmar.

– Olha... — Ele começa, mas para. Estende a mão e tenta alcançar a minha, não consegue e eu bato em algo.

– Ai! — Solto ao sentir o impacto.

– E tudo porque não me deixou observar...

Me viro e encontro a parede. A porta do loft fica há uns três passos para a direita.

Passo a mão na minha bunda, que foi a mais prejudicada.

Eu percebo uma coisa sobre Theo. Uma coisa que gosto muito.

Ele não liga...

Theo abre a porta e me espera entrar.

– Tudo bem? — Me pergunta calmamente e eu concordo. E isso é tudo.

Nada de “Oh, meu deus, você se machucou?, quebrou uma perna? Um braço? Você está morrendo?”. Tá, é exagero! Os caras não fazem isso. Não assim.

Mas a grande maioria que namorei, ficava alarmado ao mínimo tropeço. Até Tyler é assim. Theo só... continua em frente.

Na minha casa foi assim, quando bati a cabeça na janela. Tá certo que na hora do tombo e com meu susto ele pareceu um pouco preocupado, mas foi isso, um pouco.

Eu gosto disso nele. Sem aquela afobação que torna o momento constrangedor. É isso e só isso. Ou talvez ele seja um grosseiro. Insensível. Nada cavalheiro.

Não! Ele é gentil, sim. A maior gentileza dele é me deixar me restabelecer por conta própria.

Entro no apartamento e ele fecha a porta atrás de si.

Não vejo Tyler em canto nenhum do loft, nem mesmo os outros convidados. Aposto que ele deve ter dado um show e botado todo mundo para fora. Típico dele!

Jane está visivelmente chateada. Ela está sentada com Terry no sofá. A tal de Amy parece ter partido com os outros. O que é um alívio. Eu não poderia encará-la sabendo que beijei, tão profanamente, o cara que, provavelmente, transou com ela. E por falar em transar com outras garotas, e ir contra o pensar nas ex, aqui estou eu. Pensado no que não deveria. Será que ele é do tipo que transa com qualquer uma meramente porque se sentiu atraído? E se não for, significa que ele namorou a motorista dele? Ou namora ainda...

Ele disse que não tem ninguém, mas Tyler disse que sim, e embora tenha o empurrado para mim em algumas situações, não desmentiu isso.

Ah, droga! Para de pensar, Diana! Pelo menos sobre isso, você tem problemas bem maiores agora.

– Jane... — Me aproximo dela e de Terry, que abre um sorriso, se afasta, para que me sente a seu lado. — Sinto muito... — Digo a ela. Não me sento, apenas fico observando-a. Ela pode querer que eu dê o fora daqui, então...

Não que ela tenha autoridade, mas eu fui uma parte responsável por estragar a festa dela para o Theo.

– Eu que sinto, se soubesse que ele ia agir feito um idiota, não o teria convidado. Não seria a primeira vez que o deixaria de fora de algo pela péssima atitude.

Concordo com ela. Tyler é realmente um péssimo elemento, ele já recebeu diversos convites, nesses anos que nos conhecemos, para se retirar dos lugares..

– Eu estava quase partindo. — Terry se manifesta. — Pensei que você tinha ido embora a pé. — Ela ergue a chave do carro, que estava em sua bolsa de mão.

– Que bom que não foi, preciso de carona pra casa. — Sorrio para ela.

– Não mesmo! — Escuto Theo, ao longe. E uma descarga no banheiro.

Olho para trás, não é Theo que está no banheiro, ele está na cozinha, com um bolo nas mãos.

– Ainda tem o meu bolo!

Olho em direção ao banheiro, desesperada com a ideia de confrontar Tyler de novo. Mas quem sai de lá é pior. Amy.

Eu nem conheço a garota e já a odeio.

Acho que meus sentimentos foram ampliados. Primeiro porque ela tem um vestido lindo, e cabelo lindo, e olhos azuis e agora, porque ela pode ser namorada, ou ex, do Theo.

– Cadê o Tyler? — Pergunto a Jane, quase sussurrando. Não quero parecer àquelas mulheres que apanham e continuam voltando para o marido.

– Quem sabe...

Ela fica em pé e vai em direção à mesa de jantar, onde Theo e Amy estão.

Terry sorri para mim e fica em pé, passa a mão em volta da minha cintura e me empurra para lá.

Me sinto mal. Queria Tyler aqui. Acho que sou exatamente dessas mulheres que gostam de apanhar. Por que outro motivo eu continuaria voltando para ele e me preocupando? Ele nem merece minha atenção. Mas eu continuo pensando nele, e querendo que sua raiva passe logo, e ele esteja aqui conosco.

Burra, isso que sou.

– Com licença. — Peço e vou em direção ao banheiro. Ao entrar, tranco a porta e me apoio na pia. Só queria ir embora. Ou melhor, queria não ter vindo. Teria perdido a oportunidade de dar o “presente” do Theo. Mas em compensação, daria tempo do Tyler se acalmar, mas agora ele explodiu, ferrou com tudo, inclusive a tal recepção, e por isso preciso sentir raiva dele. Porque é o certo. É o que se espera de pessoas normais...

Fico tentada a ligar para ele, só para saber como ele está. Mas estou sem meu celular, ficou na minha bolsa. Respiro fundo e levanto meu rosto, me assustando com a imagem do espelho. Olhos brilhantes, bochecha vermelha, lábios inchados. E me sinto ainda mais incomodada pelo fato da minha calcinha estar molhada...

Mas não tem muita solução essa última parte. Créditos ao Theo!

Estou preocupada com Tyler. E ansiosa com Theodor. E com inveja de Amy. E sentindo uma culpa que não me cabe.

O que Theodor Blake quer de mim? Por que um cara escolheria uma mulher sem sal como eu, quando tem aquela fada da Amy do lado? Talvez ele só esteja se divertindo às minhas custas e ela bem sabe disso. Podem ser aqueles casais modernos que gostam de se aventurar com outras pessoas de vez em quando.

Agora que minha mente está, razoavelmente, livre daquela onda de desejo. Eu volto a raciocinar.

Eu não quero nada com Theo. Ou com qualquer cara. Eu já tentei, de verdade, mas se tem algo que eu não consigo fazer, é estar envolvida com outra pessoa. É algo penoso demais. Não há paciência, não há tolerância. Cedo ou tarde a pressão começa e o romance vai para o espaço. E embora eu seja praticamente uma criminosa nos últimos meses, observando Theo e conhecendo seus horários, e não me orgulho disso, eu nunca tive qualquer expectativa sobre. E agora, conhecendo pessoalmente o tipo de mulher que ele... Dorme, eu não acho que tenha uma chance mesmo.

Por mais maldosa que as palavras de Tyler tenham saído, fato é fato, há uma diferença gritante entre as mulheres que Theo sai e quem eu sou.

Abro a torneira e lavo o rosto, as mãos, e então me seco com as toalhas de papel, na última gaveta do armário da pia. Tyler deixa-as especialmente para mim.

Tyler...

Eu acho que sei onde ele está... Mas talvez seja melhor lhe dar um tempo para se acalmar.

Suspiro.

Por fim deixo o banheiro, e encontro os outros em volta da mesa de jantar.

A mesa é para oito pessoas e tem quatro lugares disponíveis. Um do lado do Theo, entre Amy e ele. E então vem Terry, com dois vagos em um lado e um do outro. Eu fico tentada a sentar ao lado do Theo, claro, mas isso seria muito suspeito, certo? Apesar de termos chego juntos ao apartamento agora a pouco, e eu ter meus lábios inchados, ninguém pareceu realmente notar. Ou então pensaram que eu estava me pegando com algum ex. Afinal, Theodor Blake é Theodor Blake. Quando na vida que ele iria se interessar por uma designer de interiores meia-boca e não por uma modelo? Ah não ser que a designer fosse muito parecida com uma modelo. Tipo Terry.

Me sento ao lado de Terry, deixando uma cadeira vaga entre Amy e eu.

Essa garota me olha de um jeito estranho. Nem as encaradas de Jane me deixaram tão desconfortáveis assim. Mas isso pode ser culpa da minha parte, por isso me sinto tão angustiada com seus olhos em mim.

– Vamos cantar parabéns! — Jane diz animada e vejo Theo franzir o cenho.

– Nunca! — Ele diz, partindo para cima do bolo com uma espátula.

– Ah não, Theo! — Jane reclama, mas ele já cortou o bolo bonito, cheio de creme branco e frutas decorando, e coloca um pedaço em um prato. — Você é tão chato!

– Come quieta, pequena Jane. — Ele coloca o prato com a primeira fatia na frente dela, que suspira.

Separa outros quatro pratos e coloca as fatias, depois disso, espeta os garfos e entrega a Amy, a Terry e então a mim. Seus olhos encontram os meus por um momento e um sorriso se forma. Ele me deu por último, mas eu notei que foi o segundo pedaço que ele cortou.

Talvez não signifique nada, mas, meu lado criança, que está com tudo hoje, se lembra nitidamente da mamãe me chamando antes de todas as festas de aniversário e dizendo que o primeiro pedaço deveria ser dela e o segundo de Julie. Nunca do papai.

Theo se afasta da mesa e volta com uma garrafa de champanhe e duas taças. Terry, Jane e ele já tem uma. Então ele enche uma delas e coloca na frente de Amy. Enche a segunda, pega ela e o bolo, e senta ao meu lado, entre Amy e eu. Colocando a taça em minha frente.

– Obrigada. — Agradeço corada.

– Então, como está o bolo, garotas? — Ele pergunta.

– Terrivelmente doce, Theo! — Amy comenta e começa a rir. — Essa apreciação por açúcar vai te mandar para o túmulo mais rápido, sábia?

Dou uma garfada no bolo e confirmo o que ela disse. Chega a ser enjoativo, então tomo um gole da minha bebida.

Jane e Terry começam a fazer comentários sobre o quão terrível à saúde aquilo faz.

Eu me viro para ele e sussurro.

– Você que fez?

Ele sorri e se inclina um pouco, falando perto da minha orelha, mas não a ponto de chamar atenção.

– Se eu tivesse feito, provavelmente estaria salgado.

– Nisso vou ter que concordar... Café amargo, bolo de açúcar puro... Você é uma contradição Theo...

Ele dá de ombros.

– Talvez esse seja meu charme.– Me oferece uma piscadela.

– Você nunca mais, mas nunca mais mesmo – Jane começa, falando alto e apontando para Theo – Vai escolher o bolo.

Ele ri.

– É meu aniversário, sabia? Eu tenho o direito!

– Não tem mais! Isso é veneno puro, Theodor!

Fico lutando para engolir o bolo, revezando com champanhe e observando Jane, Theo e a tal de Amy discutirem sobre os gostos dele. E sabe uma coisa que eu percebo com isso? Eles se conhecem. Quer dizer, Theo e Jane obviamente, mas Amy também. Há reconhecimento ali. Isso me incomoda um pouco. Me pergunto se Jane se sente da mesma forma quando estou com Tyler. Porque esse comportamento deles, essa cumplicidade, é algo que você não adquire de um dia para o outro. É resultado de muito tempo ao lado um do outro.

Sinto um toque em minha mão, é Terry. Ela me entrega o celular dela.

Podemos conversar?”– Diz a mensagem, e é do Garry. Então estica a mão e, tocando a tela com o dedo, passa para a próxima. Essa chegou a menos de um minuto.

“Por favor amor, não vamos jogar tudo fora por um deslize. Eu fui um burro, mas nunca deixei de te amar. Eu só quero conversar com você. Por favor, me dá uma chance de me explicar.”

Explicar o que exatamente? Meu deus, será que existem mulheres que caem nessa?

Olho para Terry, revirando os olhos e quase rindo, mas então encontro o seu olhar brilhoso e o rosto triste e ansioso.

É, tem mulheres que caem nessa!

Aí, eu não posso deixar de me comparar a ela, porque sei que eu terei algo desse tipo com Tyler, como sempre acontece. Ele pisa em mim, eu piso nele, nos humilhamos, e no fim, acabamos de mãos dadas no parque, tomando sorvete e falando mal dos casais que passam por nós. Mas, apesar disso, eu nunca acreditei em nada que meus ex-namorados diziam. Tyler é família, então, eu acho que posso me isentar desse grupo poe esse motivo.

– Você quer ir conversar com ele?– Pergunto, mantendo minha voz baixa, para não chamar atenção.

Ela nega, mas então para. A dúvida é clara e batalha dentro dela também.

– Não acho que deveria, mas eu não posso negar que gostaria. Isso é tudo tão fodido. E apesar de me sentir um lixo, eu não posso deixar de desejar que eles tivessem escolhido outro lugar para fazer aquilo. Assim eu não teria visto e meu coração estaria inteiro ainda.

Pisco algumas vezes, confusa, surpresa... Em outro lugar para que ela não visse? O que aconteceu com o “Ele não deveria ter feito isso!”?. Isso é horrível! É por esse motivo, entre tantos, que não consigo levar relacionamentos à diante. É um vício tão terrível que destrói até mesmo a honra de uma pessoa.

O amor é para tolos, é isso que eu acho. Ele te faz fraco, cego, e incapaz. Ou talvez só covarde...

– O que acha? — Ela me pergunta.

Essa é uma pergunta difícil, não quero magoá-la, mas também não quero mentir.

– Acho que você deve seguir seu coração. — Digo, na tentativa de ser genérica.

Terry me encara e estreita os olhos.

– Diga, o que você realmente acha? — Ela insiste.

Penso por um momento na situação toda dela.

– Acho que alguém que traí uma vez pode fazer de novo. E quem perdoa uma vez, pode perdoar outra. E no fim, será um círculo vicioso.

Ela apenas me encara, com os olhos começando a juntar lágrimas.

– Então – Me assusto com a voz de Theo. Ele ainda vai me matar do coração. — Você acha que não há segundas chances?

O encaro. Ele tem sua atenção toda em mim, assim como Jane. Amy come seu bolo concentrada em seu prato.

– Eu... — Odeio falar com tantas pessoas prestando atenção em mim. — Acho que se alguém é tolo o bastante para estragar a primeira chance que ganha com uma traição, e isso abrange mais que traição física, ele não merece uma segunda chance. Isso é tudo.

O tensão que se segue é um pouco constrangedora. De alguma forma, eu acho que sou a única que vê algum sentido em minhas palavras.

Serão todos eles tolos apaixonados?

Notas finais
Tolos apaixonados levantem a mão! Felizmente eu já me curei desse mal... Não, mentira! o/ o/ o/ o/ Indicação do dia: Coleção de fanfics one do mangá/anime Hakushaku to Yousei. São lindas, fofinhas e indico a todos *--* http://fanfiction.com.br/historia/529296/A_Raposa_A_Fada/ Cenas do próximo capítulo: "- Você não entende nada de relacionamentos mesmo, né?" "É uma cobra peçonhenta que só pensa no próprio rabo e destrói tudo que toca." "- Talvez você devesse arrumar outro cara" E ó, o próximo capítulo tem uma surpresinha ;) Bj bjs