À flor da pele

22 Nossa última chance


Notas iniciais
Oie, deixa eu contar. Esse capítulo ta pronto faz alguns dias, mas, foi um daqueles que eu revisava e pensava "Eu posso melhorar" e ai deixei o texto descansar (Como diz a Ju XD) para então mexer nele. Eu acho que está bacana agora, eu consegui acrescentar coisas legais, detalhes importantes e dar um presente pros leitores. Pelo menos acho que é presente... Boa leitura ;)

Diana

Terry dirige na volta. O que é muito bom, porque eu não estou com ânimo. A noite não foi legal. Não foi o mesmo sem o Tyler. Ruim com ele, pior sem... Eu o queria lá e ao mesmo tempo, não. Torcia para que ele não voltasse enquanto eu estivesse lá.

Eu tenho quase certeza onde encontrá-lo e tive que me segurar para não abandonar o loft e ir atrás dele.

– Talvez você esteja certa sobre Garry. — Terry diz de repente.

– Pensei que você já o tinha superado. — Digo, não querendo voltar ao tema de antes.

– Não dá pra superar dois anos juntos em três dias, Diana. — Ela diz calma. — Bem que eu queria!

– Talvez você devesse arrumar outro cara e ver se isso ajuda.

Ela ri e começa a negar.

– Arrumar um outro cara, assim? Sem mais nem menos? Ainda chateada e amando aquele boboca?

Eu não sou, nem nunca fui, uma boa conselheira para relacionamentos, ou qualquer outra coisa. Os namoros que tive foram um desastre e quase todos acabaram de formas dramáticas. Não acho que estive apaixonada realmente por algum dos caras com quem sai. Então, meus conselhos e opiniões, admito, deixam um pouco a desejar.

– Bem, tinha caras bonitos na festa, você ficou à vontade por um bom tempo. Talvez esteja pronta, só com medo.

– Você não entende nada de relacionamentos mesmo, né?

Nego e ela ri.

– Eu não quero ir a festas para chorar, mas isso não significa que todos os caquinhos foram colados. Nós estávamos juntos por cinco anos, Diana. — Uau! Eu sabia que era bastante, mas não imaginei tanto! — Moramos juntos por dois e estávamos, finalmente, tocando no assunto "casamento". Não há como deixar cinco anos da sua vida para trás. — Ela suspira. — E ninguém prestou atenção em mim, o ponto forte da festa foi você e esse jeans quentíssimo! — Ela começa a rir.

Sinto minhas bochechas corarem, especialmente por lembrar do Theo...

Faminto... Ele quer comer minha bunda, é isso? Bem, eu nunca fui adepta a esse tipo de prática e não acho que serei algum dia. Mesmo com um cara como o Theo.

– Não teve um cara que não lhe deu uma boa olhada, danadinha! — Ela continua. — Até algumas garotas...

Eca!

– Que exagero, Terry!

Minha amiga continua seu riso escandaloso.

– Talvez um pouco exagerado, mas o Theodor ficou te olhando. Ele nunca olhava nos meus olhos enquanto falava, então eu fiquei curiosa ao que desviava sua atenção da nossa conversa e adivinha! Sua bunda!

Ai, meu deus!

Levo a mão ao rosto, o escondendo. Eu nunca tive amigas para falar sobre caras, e essas coisas que meninas conversam. Eu gosto de falar com Terry, mas não sei como me sentir sobre isso. Não sei se há um limite. Até onde posso ir sem correr risco de estragar as coisas ou me arrepender depois?

Quando Julie e eu éramos pequenas, ela foi, até certo ponto, minha melhor amiga. Mas a nossa amizade era válida de acordo com nossas necessidades. Se ela precisava de algo, ela usava minhas confissões contra mim. E eu fazia o mesmo com ela, admito. E com Tyler é quase igual. A diferença é que as coisas mais pesadas ele realmente guarda para ele. Usa como chantagem às vezes, mas apenas isso.

Como será com Terry se eu deixá-la ir além das minhas barreiras?

– Mas, quem sabe no sábado, eu decida seguir seu conselho.

– Sábado?

– Aham, Theodor me convidou para a festa dele.

Hum... Será que isso foi antes ou depois do... Nosso momento...

– Quem sabe alguém legal não se aproxima?

Pelo que Theo me falou, a festa promete ser um porre, mas não estragarei sua alegria.

– Certamente que muitos o farão, você é tipo A, isso deve valer algo. — Digo a ela.

Ela bufa, e aperta o volante.

– Não deixe o que ele disse te afetar, Di. — Na verdade não afetou... Ao menos não agora. Já passou. Eu só queria aproveitar a piada, mas não posso dizer isso a ela. Quer dizer, isso se fala? Quando alguém não entende suas piadas, você deve explicar? Isso parece tão constrangedor. — E além do mais, ele disse “De Terry pra cima”, o que significa que não sou tão tipo A assim. — Ela suspira. — Não acredito que ele fez uma merda daquelas. Depois que você saiu, ele surtou. Botou todos para fora e se não fosse por Jane, eu provavelmente teria sido expulsa também e então ele saiu. Deixando quem ficou de boca aberta. O que é que está havendo com Tyler? Ele tem algum problema de mental?

Problema... Se ela diz isso dele, imagina o que não pensaria a me ver surtar...

– Menopausa. Eu acho...

Ela gargalha.

– Isso explica muita coisa! Talvez ele tenha nascido com os dois sexos, por isso é tão temperamental.

– Não duvido nada quando o assunto é o Tyler...

Terry chega em casa e abre o portão maior com o controle. Ela estaciona meu carro logo atrás do dela.

Saio do carro e vou abrir a porta. Está tudo escuro.

– Vou me retirar já, se não se importar. — Digo, depois de acender a luz do corredor.

– Claro, também vou, boa-noite! — Me dá um beijo na bochecha.

Outra coisa muito estranha... Nem minha mãe me beijava quando ia me dar boa noite. Isso parece um pouco estranho e não posso deixar de imaginar nos germes se alojando em minha bochecha. Ou passando para a boca dela, afinal, eu estou suja!

– Boa-noite, durma bem. — Ela vai para as escadas e sobe. Eu vou pra cozinha e pego minha garrafa de água na geladeira, depois passo na lavanderia, onde deixo minhas sapatilhas e pego um chinelo. Tranco a porta dali e vou para a sala, deixo a bolsa no sofá e pego apenas o celular. Apago as luzes e subo.

Quando entro no meu quarto, não me surpreendo em encontrar o abajur acesso e Tyler dormindo em minha cama. Eu tinha 80% de certeza de que ele viria para cá, os 20% de dúvida eram por causa Terry estar ficando aqui e isso poderia afugentá-lo.

Tem sido apenas nós dois por um longo tempo. Um sempre foi o apoio do outro, nos bons e maus momentos. Se ele não tivesse vindo para cá, eu provavelmente estaria com os nervos à flor da pele agora de tanta preocupação.

Caminho na ponta do pé e deixo minha garrafa de água no criado mundo, então pego meu pijama no guarda-roupa.

Quando estou no banheiro, noto as roupas dele no cesto. Pelo menos ele não deitou sujo no meu colchão novo. O que faz com que me sinta culpada por “sujar” a casa dele.

Tomo um banho demoradinho. Mas me concentro apenas em sentir a água descer sobre meu corpo. Tento aproveitar o momento para criar minhas defesas para a batalha que vem pela frente.

Não esfrego minha pele, ela já está bem vermelha das sessões de esfregadas que eu me dei antes.

Quando termino o banho, me seco e depois visto o pijama. Fico alguns minutos concentrada, esfregando bem a toalha no cabelo, não quero acordar Tyler com o barulho do secador. Se fizer isso, ele vai acordar assustado e ficará mais irritado do que já deve estar.

Depois de conseguir secar, consideravelmente, o cabelo, escovo os dentes e passo creme no rosto. Então, estou pronta para a guerra.

Me aproximo da cama e alcanço minha garrafa de água no criado mudo. Dou um gole, então me sento na beira da cama e estendo os dedos para tocar o ombro de Tyler, mas desisto. Talvez seja melhor deixá-lo dormir por hoje... Com sorte ele acorda mais tranquilo amanhã.

Dou a volta na cama, com minha garrafa e a deixo ao lado do abajur acesso, então me deito e o desligo.

Eu sou covarde, admito! Mas não sei o que dizer quando ele acordar. Eu não vou dizer que a culpa é toda dele, e que ele é um maluco temperamental. Embora ele seja, de fato, mas não é por isso que tudo desandou dessa vez. Ele não é responsável por tudo. Eu tenho lá minha parcela de culpa pelo seu comportamento.

Com um pouco de sorte, ele só vai dar alguns gritos e tudo estará no lugar de novo amanhã.

Tyler

Acordo bem antes da Diana e me visto com roupas que separei na noite anterior. Não acho que Terry iria gostar de me ver em seu quarto pela manhã pegando roupas... Aliás, acho que ela pode querer não me ver por um tempo...

Diana está dormindo profundamente. Ainda faltam umas duas horas para ela levantar. Eu aproveito esse tempo para fazer café e algumas ligações, cobrar favores.

Tenho certeza que se alguém que participou da festa, soubesse o que estou fazendo prestes a obrigá-la a fazer, diria que estou maluco, que quem precisa de ajuda sou eu. Mas eles não sabem. Ninguém naquela festa sabe. É fodido demais assistir alguém que você ama se autodestruir.

Ao menos é assim que eu vejo toda a situação.

Ela precisa de ajuda, mas nunca vai aceitar isso. Não sem um empurrão. De acordo com ela, "maluca" são as pessoas que a chamam assim. Só que essas pessoas não ficam histéricas por qualquer coisa. Ou se mutilam por estarem assustadas e ansiosas. Essas pessoas que “ela” diz serem as malucas, não têm necessidade absoluta de controle, ou um ataque de pânico duas vezes ou mais ao mês, e pelo menos uma crise infernal, com direito a meia dúzia de calmantes, a cada noventa dias. Crises de assustar qualquer pessoa, e de, no mínimo, fazer um padre optar por um exorcismo.

Diana está doente. Quando a conhecei, ela relutava em aceitar, mas ao menos ia ao médico, tomava os remédios. Até o dia em que a Eleonor se meteu. Aquela mulher não deve ser considerada uma mãe. É uma cobra peçonhenta que só pensa no próprio rabo e destrói tudo que toca. Ela estragou tudo e eu só observei a merda sendo tacada no ventilador. Não fiz nada para impedir.

No entanto, eu não posso mais suportar isso. A doença da Diana não a prejudica apenas, está acabando comigo também.

Eu quis pisar nela ontem. Quis deixá-la no chão, queria que ela se sentisse tão frágil que todos seus medos saíssem ali mesmo, na frente de todos. Assim, outras pessoas veriam como é pesada a bagagem que eu tenho que lidar.

Se eu não amasse tanto essa mulher, eu já teria lhe virado a cara há um bom tempo. Teria fugido desse problema. Mas invés de fazer isso, que era o correto, eu me afeiçoei a ela, aprendi suas manias, aprendi a ser seu apoio e, sinceramente, acho que um apoio era justamente o que ela não precisava. Ela se folgou, mentiu para si mesma, aceitou que seus problemas eram apenas cansaço, estresse, algo comum à sociedade moderna.

De onde que limpar a casa mais de uma vez ao dia, só porque alguém entrou de sapato, é normal? Não deixar que as pessoas a toquem, ou se trancar em casa, como se fosse uma prisioneira. Ou viver dependendo de rotinas. Como um robô! Onde isso é normal?

Não há nada de normal na Diana.

Ela acha que eu não sei que sempre termina com os namorados para não dar. No começo, quando ela me recusou, pensei que era por falta de conexão. Com o tempo descobri que era algo mais. O contato para ela era algo nojento. Ela nunca me disse nada sobre o tema, mas eu tenho lá minhas suspeitas que minha melhor amiga nunca deixou um cara afogar o ganso em seu lago.

Não importava quem eu arrumasse para ela, depois de algum tempo era a mesma coisa, término! E eles sempre diziam que era por falta de sexo. Que ela nunca deixava a coisa pegar fogo, aliás, ela sempre cortava qualquer tipo de contato físico. Ou é isso, e minha amada amiga é virgem mesmo, ou algo muito ruim aconteceu antes de nos conhecermos. Essa eu espero, de verdade, que seja a opção errada. Me incendeia a alma pensar que alguém poderia ter tocado de forma errada no meu pequeno anjo.

Mas isso não é algo que eu pareça perto de descobrir. Ela não vai me dizer. Não contou em todos esses anos, duvido que conte agora. Mas se não falará para mim, me certificarei de que seja para outra pessoa. Uma que possa, finalmente, ajudá-la de verdade.

Depois de combinar tudo que preciso para hoje, pego uma xícara de café e me preparo para acordar Diana, para então ter aquela conversa que eu deveria ter tido há uns sete anos atrás. Mas paro assim que saio da cozinha. Vários e envelopes estão no chão, colocados por baixo da porta.

O maldito carteiro de novo!

Deixo a xícara no aparador e olho em volta, atrás da chave. Abro a porta e saio. O portão está com o cadeado.

Só pode ser brincadeira isso. Esse filho da puta pulou o muro?

Volto para a porta e pego a chave, destranco o cadeado do portão e dou uma olhada na rua, atrás de um cara de uniforme azul e boné, mas não acho.

Esse cara é maluco, só pode! E Diana uma irresponsável que ignora esses detalhes absurdos. Essas coisas não são normais. O cara tem uma caixa de correio na rua, mas nunca coloca as malditas cartas lá. Nem mesmo a porra do cadeado adianta.

Isso já está virando invasão de domicilio.

Volto para dentro, recolho as correspondências e deixo no aparador. Não subo, vou pro escritório, onde a Diana deixa, geralmente, o notebook.

E lá está ele, em cima da mesa, fechado. Me aproximo e o abro, ligo e espero iniciar.

Encontro o site dos correios, procuro alguma área para reclamação e encontro. Então, coloco os dados da Diana, endereço e reporto os abusos do carteiro. Depois de enviar, pego o número no mesmo site e ligo. Faço a mesma reclamação, agora me passando por namorado dela.

A atendente diz que não tem serviço de correios nas sextas para esse bairro. O que é um grande erro. Quando desci as cartas não estavam ali, fiquei por volta de meia hora na cozinha, até que as notei.

Com muita insistência, a mulher abre o caso para averiguação e promete dar uma resposta em até dois dias úteis. Aposto que se fosse para pagar algo, eles dariam um jeitinho de fazer tudo no dia de hoje.

Após desligar, vou para fora e olho o jardim da frente, garagem, muros, portões, janelas...

Ela precisa por grades, precisa de uma cerca elétrica em cima do muro, de um alarme decente. E se possível, alguém pra viver com ela. Ter Terry em casa não tem sido algo ruim. Quem sabe ela não desiste daquele botijão e se muda de vez.

Eu dei várias oportunidades para Diana se juntar a mim no loft, ela não quis. Me ofereci outras milhares de vezes para me mudar para cá. Ela recusou também. Nossos tempos vivendo juntos foram os melhores, e piores ao mesmo tempo. Ela tinha um ataque por dia... Tudo era motivo para ela perder as estribeiras.

Então, quando mudamos para San Francisco de vez, decidimos cada um ter seu próprio canto. Mesmo que ela sempre estivesse no loft, ou eu em sua casa. Ter cada um seu território fez bem aos dois. Mas o fato é, Diana não foi feita para viver sozinha. Isso pode fazer bem para ela, mas ela tem uma visão tão distorcida sobre os perigos do mundo. Sua casa é um convite a qualquer pessoa má intencionada. Mas diga isso a ela...

Entro e tranco a porta, pego o café, agora morno, e subo.

Diana dorme tranquilamente. Ela não é do tipo que se espalha na cama, ela fica nos cantinhos, se encolhe e parece não se mexer em momento algum. Tem vezes que penso que ela está morta. Em muitas ocasiões me aproximei para sentir sua respiração. É meio assustador isso.

Coloco a xícara de café ao lado da sua garrafa de água. Ela sempre a tem ao lado da cama, mas só dá alguns goles, então apaga a noite toda. Ela diz que não, mas acho que ela anda batizando a água com alguma coisa. Da última vez que estive por aqui e dei um gole, sem que ela visse, é claro, eu dormi como uma pedra. Não faço ideia do que seja, ela insiste em negar.

Me sento na beira da cama, a empurrando no processo, e isso a desperta.

O cabelo dela esta espalhado no travesseiro e as bochechas estão vermelhas. Resultado da temperatura que caiu, isso sempre a deixa corada. Ou, ela estava tendo algum sonho sujo...

– Bom-dia! — Digo.

Eu deveria estar constrangido pelo meu comportamento de ontem. Mas não estou. Foda-se quem ficou chateado. E além do mais, se alguém merece ser culpado por isso, é Diana, logicamente. Ela que me tira do sério.

– Bom-dia... — Ela senta, passa a mão no rosto e então nos cabelo. Seus olhos castanhos se prendem aos meus por um momento. — Só... Um minuto.

Ela afasta as cobertas e levanta, vai para o banheiro e se fecha lá.

O pijama de inverno que ela usa é ridículo. Ele é branco e tem estampas de bichos. Di é como uma criança às vezes. A inocência dela é algo tão certa e compatível à sua personalidade, que acaba parecendo algo normal. Acho que isso é o grande fator que faz os caras errados gostarem dela. Os idiotas, sádicos, galinhas, e por aí vai, eles se sentem atraídos por essa coisa tão pura e natural.

Aquilo que nós não temos, é o que geralmente nos atrai nos outros. É como se o ser humano buscasse, de alguma forma, se tornar completo, buscando o que não tem em si mesmo.

Ela sai do banheiro. O cabelo está enrolado em um coque e parece mais desperta agora. Ela puxa a coberta e passa sobre seus ombros, então se senta no centro da cama. Passo a xícara de café. Ela dá um gole e o afasta, me devolvendo.

– Tá frio... — Faz careta. Até suas caretas são bonitinhas. Ela é toda delicada e cheia de modos, outro motivo que chama atenção. Parece um bichinho de estimação adestrado. Quando não está descontrolada, é claro.

– Temos que conversar. — Deixo a xícara de lado.

– Você vai me pedir desculpas? — Ela franze o cenho, está tentando mostrar que está brava, mas eu sei que não está mais.

– Desculpe por convidar o Derek e te chamar de doente. — Eu a conheço, sei que esses foram os únicos motivos que a deixaram doida. Ela não me viu expulsar todo mundo, mas se tivesse visto, duvido que teria ligado.

Derek é um ponto fraco porque tentou se aproveitar dela. Isso é algo que desde que nos conhecemos, a afeta. O que me leva, constantemente, a pensar sobre o motivo dela de não dormir com os caras. Isso reforça a teoria número dois, que eu preciso acreditar ser a errada. E sim, eu sou um idiota por convidá-lo mesmo tento essa suspeita.

E doente... bem, acho que ninguém gosta de ouvir verdades...

Ela acena positivamente e olha para o colchão, não para mim.

– Diana... — A vejo morder os lábios e então me olhar. — Você precisa ir ao médico.

Ela me olha incomodada. Eu já tentei levá-la outras vezes, mas nunca a obriguei. Coisa que farei hoje.

– Eu não preciso de um! — Ela começa a se armar, percebo.

– Sim você precisa.

– Não, eu não preciso. Foi só um surto de estresse. Você sabe que eu ando cansada do trabalho e...

– Diana! — Digo com firmeza, a calando. — Você está doente. — Estendo minha mão e passo sobre a dela, que a afasta, mas insisto e a seguro com firmeza agora. — E está me deixando doente.

Não grito com ela. Isso não vai funcionar, só deixá-la irritada e fazer com que diga não, meramente para me deixar irritado.

– Eu não posso mais fazer isso...– Baixo meu tom, quase sussurrando. Pressão psicológica talvez seja a única coisa que funcione. Mas dessa vez eu tenho que ser muito claro e preciso, até mesmo cumprir ameaças, caso contrário, será só mais uma discussão que acabará em nada. E eu a amo demais para deixar isso acontecer de novo. Ela precisa de ajuda. — Eu te amo. Você tem sido minha melhor amiga, minha irmã, meu tudo, por tanto tempo. Mas eu não posso mais suportar isso. Estas... Crises, estão me consumindo. Eu nunca me senti tão fora de controle como nesse último ano. — Mentira, eu sou um trem desgovernado desde que saí da barriga da minha mãe. — Eu não posso mais estar com você dessa forma. — Seus olhos se prendem no meu. Agora sim tenho sua atenção.

– Você está errado, eu estou bem. Nós podemos... — Tenta se convencer, mas sua voz morre antes de acabar.

– Diana, a quem você quer enganar? Olha para nós, somos um acidente ambulante. E só nos prejudicamos mais a cada ano que continuamos forçando nossa convivência. Eu sempre fui um péssimo exemplo e amigo para você.

– Não! — Ela muda a posição de sua mão, a colocando por cima da minha.

– Sim, amor. E você, que no começo era minha luz, se tornou um buraco fundo de escuridão. — Meio exagerado, mas acho que funcionou. — Não podemos mais continuar assim. Nenhum de nós dois.

Ela baixa a cabeça. Hora de soltar a bomba!

– Eu marquei o médico para hoje...

Ela levanta a cabeça. Afasta a minha mão da sua com um empurrão. Dizer a ela para procurar um médico é uma coisa. Marcar um é outra.

Por muito tempo eu me perguntei se o problema dela era não assumir a doença ou ter que ver um médico. O que, mais uma vez, me leva a teoria de número dois, sobre o porquê dela não transa com ninguém. Será que um médico, filho da puta, teria sido o responsável pelo que ela se tornou hoje?

– Não vou...

– Você vai, Diana, porque se você não for, você não precisa mais me procurar.

Me levanto.

– Essa é nossa última chance, ou a gente se conserta, ou nos afastamos, mas do jeito que está... Não pode e não vai continuar.

Dou de costas para ela e ando em direção a porta.

– Isso é sério, Tyler? — Sua voz está carregada. Ela vai hiperventilar em questão de minutos. Quando fica nervosa se esquece de respirar, até sentir falta e então começa a sugar o ar em um frenesi desesperado. E depois diz que é normal...

Abro a porta e saio do quarto, mas dou uma última olhada para ela.

– Vou te mandar o endereço em um e-mail. Ele é um amigo meu e vai te atender depois do trabalho. Diana, sem mais chances. Eu cansei.

E lá está. Ela vai ficando vermelha, seu corpo começa a balançar lentamente. Primeiro se esquecendo de respirar, para então puxar o ar com força quando lembra.

– Devagar, garota. — Digo da porta e então me afasto, indo para as escadas e então saindo da casa.

Isso me parte o coração, deixá-la para trás, não abraçá-la e sussurrar em seu ouvido que tudo ficará bem. Isso acaba comigo. Porque de certa forma, isso se tornou tão natural para mim quanto os ataques para ela. Eu sempre estive presente, mesmo quando zangado e decidido a por um fim a esse drama. Eu nunca virei as costas para ela. Essa é a primeira vez. A primeira vez que eu me obrigo a andar e não tomá-la em meus braços. E isso parece tão errado.

E vendo por esse ângulo agora, eu não menti lá dentro. Nós estamos fazendo mal um ao outro, alimentando nossos piores lados. Talvez essa seja, definitivamente, a nossa última chance.

Notas finais
E ai? Gostaram da cabecinha do Tyler? Ele é como vocês imaginavam? u.U E Diana? Ver ela pelo ponto de vista de outra pessoa, mudou a opinião de vocês a respeito dela? Hoje não tem indicação ou cenas do próximo capítulo u.u Tô cansadinha! E por falar em cansaço, queria agradecer a minha beta linda, que ficou até de madruga comigo pra revisar o capítulo e me ajudar a melhorar. Te amo do tamanho do sol Camisinha U.U E é isso... Bj bjs procês ;)