À Espreita nas Sombras
5 Capítulo 5
Notas iniciais
No dia seguinte os policiais ligaram para Arthur, avisando que os testes haviam dado negativo para Sarah e para ele, que também teve que se submeter a eles. Apesar da felicidade em saber que Sarah era de certa forma inocente, ainda havia um mistério a ser explicado, pois não havia nenhuma impressão digital na faca, a pericia acredita que o criminoso possa ter usado luvas, mas isso ainda não explica tudo, portanto as investigações iriam continuar. Arthur despediu-se da policia agradecendo pelas informações e eles gentilmente desejaram melhoraras para Ana, falando que assim que ela estivesse boa o suficiente iriam conversar com ela.
Passados alguns dias, Sarah e o pai conseguiram normalizar um pouco as suas rotinas e embora as coisas estivessem melhor para Arthur, Sarah ainda sofria algumas ameaças provocadas pelas sombras e não havia nada que ela pudesse fazer para se livrar daquele tormento.
Preocupado com a filha, Arthur tentava anima-la de todas as maneiras possíveis, ele sempre foi um pai carinhoso e dessa vez sua atenção estava redobrada para a filha, mesmo quando conseguia tirar um ou outro sorriso dela, ele logo desaparecia e para piorar ela passava a maior parte do dia trancada no quarto e não queria falar-lhe sobre o que tanto a incomodava.
– Sarah estou ficando muito preocupado com você.
–...
– Você esta ficando tão distante, o que esta acontecendo?
Sarah olhou nos olhos de Arthur e disse:
– Se eu contasse você não acreditaria.- respondeu secamente.
– É aquela velha historia das tais sombras, não é mesmo?
–...
Arthur soltou um longo suspiro.
– Esta bem, quando quiser conversar estarei disponível.
Quase sempre as conversas terminavam assim, Sarah nunca dizia o que estava acontecendo e sempre dava a desculpa das sombras. Arthur não sabia mais o que fazer.
Um dia ele recebeu um telefonema que o deixou bastante animado, talvez aquela fosse a solução para seus problemas. Ele foi correndo chamar Sarah.
– Sarah, arrume-se depressa!
– Hã! Por que?
Perguntou Sarah curiosa por tamanha euforia que o pai mostrava.
– Acabei de receber um telefonema do hospital! Sua mãe esta boa o suficiente para receber visitas!
– Serio? Isso é ótimo!
Rapidamente Sarah foi para o guarda-roupa se trocar, ela estava tão feliz com aquela noticia que queria vestir-se com a roupa mais bonita que tivesse para ir ver a mãe. Aquele era o raio de Sol vindo para iluminar seus dias obscuros.
Quando o carro estava chegando no hospital, Sarah desceu dele bastante eufórica assim que seu pai o estacionou.
Arthur foi procurar informações na recepção para saber onde sua esposa estava localizada e descobriu que estava encontrava-se no quarto C-103. Logo os dois dirigiram-se para aquele quarto. Sarah ia na frente e quando acharam o quarto com a numeração correspondente, ela abriu a porta devagarinho e sorriu ao ver sua mãe deitada na cama, envolta por lençóis brancos, a atenção dela estava voltada para uma revista que lia atentamente, Ana apenas se deu conta da presença de sua família, porque Sarah gritou bastante animada:
– Surpresa!
Ana tirou quase que imediatamente os olhos da revista e ao olhar para quem havia gritado, seus olhos brilharam de felicidade.
– Sarah!
Ela disse sorrindo com os braços abertos para receber um abraço.
– Mamãe!
Sarah correu e abraçou-a como nunca a tinha abraçado na vida. Arthur com um sorriso chegou perto delas e disse:
– Cuidado Sarah, assim você vai acabar machucando a sua mãe, não vê que ela ainda esta se recuperando.
– Oh não, é verdade tinha esquecido!
Respondeu Sarah bastante nervosa e desgrudando-se da mãe.
– Desculpe mãe, como a senhora esta?
– Melhor agora porque vocês estão aqui.
Respondeu Ana com um sorriso no rosto.
– Tem certeza querida, não sente nenhuma dor?
– Ainda sinto desconforto pela dor que sinto e tenho dificuldades em dormir, mas fora isso estou bem.
– Graças a Deus que não ocorreu nada pior.
– Sim, eu tive sorte.
Arthur lançou um olhar para Sarah e disse:
– Sarah querida, poderia ir na máquina de refrigerantes pegar alguns?
Arthur perguntou entregando para ela algumas moedas.
– Claro!
Sarah retirou-se do quarto.
– Sente sede querido?
– Não, apenas usei isso como desculpa, quero conversar sozinho com você.
– Entendo.
– Ana, sei que isso pode lhe doer, mas podemos falar daquela noite?
– Ah! Aquilo de novo, já não sabia que fui interrogada mais cedo?
– Sim, mas eu preciso ouvir da sua boca a sua versão.
Ana soltou um longo suspiro.
– Sei que todos ainda desconfiam de Sarah apesar dos testes terem dado negativo, mas acredite em mim, ela não tem nada a ver com isso!
– Acalme-se, eu também acredito na inocência de nossa filha, mas precisamos descobrir quem te atacou!
– Você deveria perguntar isso para Sarah, eu estive de costas o tempo todo e não vi nada, ela é a única testemunha que temos.
Arthur sentou-se em uma cadeira próxima à cama, cruzando os braços.
– Isso de nada vai adiantar, Sarah insiste em dizer que algumas sombras te atacaram.
– Sombras?
Perguntou Ana confusa.
– Exatamente!
Arthur explicou tudo o que Sarah lhe havia dito sobre aquela noite.
– Meu Deus, isso é horrível!
– Eu sei, você acredita numa coisa dessas?
Ana não respondeu, em meio ao silencio da esposa, Arthur lançou um olhar incrédulo para ela.
– Não me diga que você acredita numa coisa dessas?
– Eu não sei, mas de uma coisa eu tenho certeza, minha filha não é uma mentirosa!
Arthur baixou a cabeça pensativo.
– Isso é verdade...
– Hum, agora que você falou nisso acabo de me lembrar que no momento em que senti aquela dor aguda pela faca sendo cravada nas minhas costas, eu também senti uma mão fria me tocar.
– Mão?
– Sim e não era humana.
– Mas então o que poderia ser?
Os dois ficaram se olhando sem saberem o que dizer ou pensar.
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