Notas iniciais
Tudo parecia calmo, ate que houve uma tentativa de assassinato.

Sarah passou a noite inteira no quarto dos pais, embora ela já fosse grande o suficiente para poder dormir sozinha sem que um pesadelo bobo a incomoda-se, a situação em que fora encontrada na noite anterior pelos pais fora tão agonizante que eles não tiveram outra alternativa e permitiram que ela passasse a noite com eles, para acalma-lá.

Na cozinha, a mãe de Sarah preparava um delicioso café da manhã, com bolo, frutas, ovos com bacon e misto quente, enquanto isso o pai dela estava sentado em uma cadeira tomando café amargo e lendo jornal.

– Querido, estou muito preocupada com a Sarah.

– Sim, eu também, aquilo tudo foi muito estranho.- ele da um longo suspiro.

– Arthur eu sei que nossa filha é super desconfiada com estranhos, mas o que aconteceu ontem foi surreal!

Arthur toma um gole de café antes de voltar a falar.

– Eu sei Ana, mas ela ainda deve estar cansada, vamos deixa-la dormir mais um pouco e quando ela acordar perguntaremos o que a fez ficar daquele jeito.

Ana ficou um pouco pensativa, mas logo volta a olhar para o marido com um sorriso.

– Sim, você tem razão! Ela tem sorte de hoje ser sábado, porque se não fosse, acho que ela não iria para a escola hoje.

Arthur concorda com a esposa e logo volta a ler seu jornal.

Sarah olhava fixamente para o teto, ela não tinha a menor vontade de se levantar. Ainda tinha na memoria tudo o que ocorrera na noite anterior e tinha receio de que sua sombra voltasse a ataca-la. Ela revirava-se na cama de casal dos seus pais, simplesmente porque não tinha nada melhor para fazer, até que finalmente decidiu que já era hora de se levantar. Saiu da cama com um pulo e foi procurar por seus chinelos que estavam enfiados em algum canto debaixo da cama. Quando conseguiu acha-los, sentou-se na cama para poder calça-los e assim que se levantou, ficou de cara com a parede branca do e inevitavelmente com sua sombra sendo projetada pelos raios solares que atravessavam a janela do quarto. Sarah olhava receosa para sua sombra, ela esperava que esta fosse ataca-la como ontem, mas a sombra permanecia imóvel. Sarah tomou um grande ar de coragem e gritou:

– Sua sombra idiota, eu não tenho medo de você!

Nada aconteceu.

– V-Você não vai me m-matar?

Nenhuma resposta.

Sarah ficou confusa, ela tem certeza de que tudo aquilo não foi um pesadelo, mas então por que sua sombra agia normalmente, imitando os movimentos dela como qualquer outra sombra normal, sem tomar nenhuma reação anormal? Ela logo pensou que sua sombra deveria estar tentando confundi-la para que assim pudesse pega-la desprevenida, mas Sarah não deixaria isso acontecer! Ficaria de olho na sombra. Antes de ir para a cozinha, ela olhou pela ultima vez para sua sombra e mostrou-lhe a língua, esta não expressou nenhuma reação.

Chegando na cozinha, foi recebida por sua mãe que já estava com o café da manhã pronto, esperando por ela.

– Bom dia Sarah! Como se sente?

– Melhor...

Sarah responde puxando uma cadeira para sentar-se à mesa ao lado de seu pai.

– Tem certeza que esta bem? Pode nos contar o que houve ontem?

Sarah não sabia o que responder, seus pais nunca acreditariam nela, então decidiu usar uma explicação mais razoável.

– Foi um pesadelo.

– Um pesadelo?

Seu pai perguntou com uma cara de quem não estava acreditando no que lhe era dito.

– Apenas um pesadelo? Aquilo tudo foi só por causa de um pesadelo?

– Sim pai, foi isso e eu não quero mais tocar nesse assunto.

Arthur achou melhor não ficar mais insistindo com a filha, Ana o mirou concordando com a atitude que tomara e os três tomaram café da manhã tranquilamente.

Sarah decidiu ficar em casa o dia todo, ela não gostava de sair, com exceção de suas obrigações como estudante. Ela já tinha problemas demais com uma sombra psicopata, não precisava arranjar mais um. Ficou sentada por um bom tempo pensando no que tinha acontecido e se a sombra iria tentar alguma coisa novamente.

As horas foram passando e nada de anormal aconteceu. Sarah seguia para seu quarto, quando de repente viu um vulto negro passar bem rápido pela parede e ir na direção da cozinha. A garota piscou varias vezes tão surpresa com o que tinha acontecido que nem conseguiu entender o que houve. Então lembrou-se da sombra e rapidamente olhou para sua própria sombra, mas esta lhe parecia perfeitamente normal, então o que foi que ela viu? Sarah sentiu uma forte angustia no peito, ela sabia que naquele horário sua mãe estava na cozinha preparando a janta e decidiu ir correndo para lá.

– Mãe, esta tudo bem?- Perguntou bastante preocupada.

Ana a olhou sem entender a gravidade da pergunta da filha.

– Sim, por que não estaria?

– Não, por nada.

Sarah continuou a olhar para a mãe mesmo depois que esta virou-se para continuar preparando a janta. A garota começou a se indagar se não havia imaginado tudo aquilo.

De repente a sombra de sua mãe começa a oscilar de uma maneira bem esquisita e vai começando a ficar cada vez mais alta, ganhando olhos brancos e um terrível sorriso, aquele era o mesmo fenômeno que ocorrera com sua sombra. Sarah olhava para aquilo assustada, sua mãe no entanto, não se dera conta de nada, estava ocupada demais em frente ao fogão.

A sombra de Ana olhava para Sarah com um longo e amedrontador sorriso. Sarah tentou gritar, mas uma mão negra e fria tapou-lhe a boca, não era uma mão humana, pois não era feita de carne, parecia algo mais fantasmagórico, Sarah tentou ver quem lhe havia imobilizado e teve a desagradável surpresa de ver os terríveis olhos brancos de sua própria sombra que a olhou de volta com um sorriso maligno. A garota tentou lutar mas era inútil, as duas sombras riam das tentativas frustradas dela tentar se soltar. O coração de Sarah batia muito rápido e ela não sabia o que iria acontecer. Quando ela percebeu o que as duas sombras planejavam, seus olhos se arregalaram, a sombra de Ana deslizou ate a mesa e pegou uma faca que estava em cima dela e olhou para Sarah de forma ameaçadora.

Sarah estava no ponto mais alto de seu desespero, iriam mata-la e sua mãe não notaria nada? Foi então que Sarah percebeu que a sombra estava indo em direção de sua mãe com a faca empunhada para cima. Sarah tentou gritar vendo que na verdade quem era o alvo era sua mãe e não ela. Sua sombra tapava-lhe a boca com mais força e sussurrou no ouvido dela.

'' Isso vai ser divertido Sarah.''

Infelizmente Ana possuía uma expressão bastante calma, mas essa expressão logo se desfez, sendo substituída por um olhar penetrante de dor e duvida. A faca estava encravada em suas costas, sangue escorria pela ferida e sujava suas roupas e o chão. Assim que a mãe de Sarah caiu no chão, as sombras deixaram a garota que correu na direção da mãe ferida no chão. As lagrimas não paravam de escorrer de seu rosto e ela gritava:

– Mamãe! Mamãe por favor não morra!

– O que esta acontecendo aqui?

Arthur perguntou surgindo na cozinha devido aos gritos e a cena que ele viu o deixou horrorizado. Sua esposa caída no chão com uma faca cravada em suas costas e muito sangue em volta e sua filha ajoelhada chorando ao lado do corpo com as mãos sujas de sangue.

– S-Sarah o que você fez?- sua voz saiu tremida.