THE DARK GIRL – Episódio 3

A escola estava vazia. A noite já se aproximava ao longe, mas ainda eu podia ver os raios fracos de sol me iluminar. Todos já tinham ido embora. Apenas a diretora estava lá, junto com seus amigos da diretoria. No entanto, em breve, novas pessoas iriam chegar.

Eu precisava de um lugar para me esconder. Eu precisava de um lugar para me libertar e ser quem eu realmente era. No entanto, meus pensamentos estavam presos e confusos. Vai ver era melhor ir para casa e conversar com Harry, como minha mãe havia falado. No entanto, eu devo dizer: Eu não havia gostado de Harry e nem de sua cara. Ele me dava medo. O seu olhar era sombrio e tempestuoso. Seu sorriso era maquiavélico e o medo me cercava de todas as formas só de pensar que eu poderia ficar sozinha com ele. No entanto, eu não poderia mais adiar aquela conversa.

Por esse motivo, lá fui eu para a minha casa depressiva, ter uma conversa com o meu meio-irmão depressivo e meio demoníaco.

{...}

Eu abri a porta da casa. Ela estava escura. Todas as luzes estavam apagadas. Eu sentia que uma forte tempestade iria cobrir Danger Hill no início daquela noite. Eram seis e meia. E lá estava ele. Estudando, em seu quarto. Ouvindo música em seu head-phone. Meu coração tremeu um pouco quando eu olhei para ele e ele me olhou de volta. No entanto, eu não poderia ter medo. Eu tinha que continuar aquilo de qualquer maneira. Eu tinha que conversar com ele, me abrir mais. Quer dizer... não abrir nada de mim para ele.

Eu podia ouvir vozes na minha cabeça dizendo:

“ Saia daí enquanto você ainda pode”.

E eu tentei sair. No entanto, era tarde demais. Eu já estava presa naquela situação meio que constrangedora.

— É... olá.

— Oi. Precisa de alguma coisa?

— É... – Saia daí, garota. Saia daí enquanto você ainda tem chance. – Na verdade, eu queria conversar um pouco. Será que é possível?

— É que eu estou meio ocupado agora.

— Será rápido. Eu prometo.

Ele olhou para mim com uma certa desconfiança. No entanto, ele aceitou com um movimento da cabeça.

Eu então suspirei fundo e parti para a parte difícil. Conhecer Harry. O meu meio-irmão que eu nunca havia visto na minha vida.

— Eu sei que... isso tudo é muito constrangedor. Eu sei que as coisas estão meio difíceis. – Dei uma leve risada para descontrair. No entanto, eu acho que não havia adiantado muito.

— Uhum... – Ele não estava olhando para mim. Estava focando em seu computador e nos cadernos. Seu head-phone ainda estava ligado. E bem alto. Eu conseguia ouvir o barulho de longe. Está na cara que ele não queria me dar atenção.

— Eu quero saber que... talvez a gente poderia ser amigos ou...

— Parou, tá?

O quê?

— Como?

Ele retirou os head-Phones e me encarou. Meu pai. Ele realmente havia me encarado com aquele olhar assustador. Diferente do garoto misterioso que eu havia acabado de encontrar no colégio agora a pouco, Harry tinha um olhar diferente do dele. Um olhar que dava medo. Não um medo bom, mas um medo agonizante. Um medo de receio e sombrio. Eu não me atrevi a continuar focando nele. Eu tive que desviar meu olhar para outro lugar.

— Ah, vamos. – Ele exaltou a sua voz. – Estamos apenas nós dois aqui, Amanda. Deixe de ser falsa e se enxerga. Não temos que ter nenhum relacionamento. Não fique esperando que eu vou ser o seu irmão e falar coisas sobre garotos e outras merdas idiota porquê eu não vou fazer isso. Eu nunca gostei do meu pai, Amanda. Eu quero que você saiba disso. Ele nunca esteve nem aí pra mim. A minha mãe sim. A minha mãe estava aí pra mim. No entanto, ela morreu. Triste não é? Acontece.

Ele continuou:

— Eu quero que você entenda que eu não vou fingir ter um relacionamento lixo com você. Eu sei da laia que você faz parte. Não me encaixo nesse grupo de pessoas desocupadas. Vamos fazer o seguinte? Toma conta de seus próprios assuntos que eu tomo conta dos meus. Eu não vou ter que te aturar muito tempo. Meu pai vai se cansar de novo da sua mãe vadia e nós vamos sair dessa cidade de merda.

Mãe vadia? Agora aquele garoto havia me deixado puta.

— Sua mãe que deve ter sido uma vadia. Olha a educação que você teve.

— Não abre essa boca imunda pra falar da minha mãe, garota.

— É mesmo? Igualmente pra você. Olha... meu pai realmente fez muitas merdas na vida. Largou a minha mãe, fugiu para outra cidade, ficou dez anos sem dar notícias...

Então, encarei bem em seus olhos.

— Mas sabe a maior merda que ele fez? Foi ter feito você.

Naquele momento, encarei mais ainda em seu olhar. Dessa vez, estávamos empatados. Eu não sentia mais o medo sair de sua alma. Eu sentia agora raiva e um leve desejo de rebaixá-lo ainda mais. Ele havia mostrado a máscara dele. Ótimo. Eu também poderia mostrar a minha, sem nenhum problema.

Então, apenas quando ele desviou o seu olhar confuso, que eu o deixei e saí daquele quarto. Bati a porta fortemente e eu senti que ele se tremeu quando ouviu o barulho alto. Foi o barulho de raiva. O barulho de aviso.

{...}

Eu não havia prestado atenção em mais nada naquela noite, e fui dormir. No entanto, quando eu o deixei sozinho naquele quarto escuro, ele revelou ainda mais coisas do que iriam acontecer. Seu olhar naquele momento de solidão era de coisas além da maldade. Eram de coisas que... eu não estaria preparada para enfrentar.

— Sua puta idiota. A vida não foi justa. Você teve uma família perfeita. Teve as coisas perfeitamente desde quando você nasceu. Agora, no entanto, eu acho que tá na hora de você pagar. Guarde-me em sua memória, Amanda Anderson. Porquê você não irá me esquecer nunca mais em sua vida. Pode ter certeza disso.

Continua...