THE DARK GIRL – Capítulo 4

O cemintério estava vazio, e estava frio. Eu não sabia porquê eu estava naquele lugar. No entanto, ali era o lugar perfeito para estar depois de um dia completamente maluco.

O cemintério ficava na minha rua. Também na rua de Karla. Devo dizer que naquela colina de DangerHill, dava pra ver toda a cidade e montanhas além dela. Eu observei ao longe, naquela noite, aquelas estradas e aquelas colinas e mais colinas que levavam para outras cidades. E lá estava eu. Uma garota deprimida, preocupada com coisas fúteis enquanto eu devia estar aproveitando a vida. Droga. Eu não conseguia aproveitar a vida. Eu não conseguia agir normalmente. Eu sempre tinha que ser diferente, não é?

{...}

Naquele momento, peguei meu livro. Sim, eu estava com ele. O livro que eu havia pego na biblioteca e havia me encontrado com ele. Com aquele garoto misterioso. Aliás, eu havia pensado muito nele ultimamente. Ele era diferente dos outros, já dava pra notar isso. No entanto, eu podia dizer que ele era... familiar. Sim, eu já disse que eu já devia te-lo conhecido um dia. No entanto, eu nunca havia visto ele em toda a minha vida.

Naquele momento, no cemintério, foquei na leitura. Enquanto a noite apenas ficava mais escura. A tempestade já havia cessado naquele horário.

Havia passado mais de duas horas naquele chão coberto por água. Eu não me importava. Eu estava feliz. Por quê? Porquê eu estava sozinha. Eu estava em paz e isso era o que importava para mim. Eu precisava apenas repousar e descansar minha alma. Hum. Qual é o melhor lugar para fazer isso do que em um cemintério?

{...}

O amanhã havia chegado finalmente. Eu acordei em meu quarto escuro e sem graça. Me troquei, e fui para o colégio. Não esperei meus pais acordarem ou nem meu irmão demoníaco acordar para dar a eles bom dia. Eu simplismente desapareçi. É, sempre foi assim que eu fiz. Eu sempre achei melhor jogar esse jogo com as pessoas que eu não me importava muito.

O colégio era um lugar horrível também. No entanto, eu tinha a Karla ao meu lado. Eu sempre podia contar com ela.

— E aí? Como foi?

— Como foi o quê? – Perguntei a ela com uma cara de desentendida.

— Com o seu irmão. Como ele é?

— Ah. O pedaço de lixo, você quer dizer?

— Como assim?

— Karla... ele é um idiota completo. Eu não acredito que eu vou ter que conviver com ele.

— Ah, vamos. Ele não pode ser tão ruim assim.

— Acredite em mim. Ele é ruim assim.

— E o que vai ser agora?

— Bem. Eu vou ter que conviver com ele. Fazer o quê?

Eu então começei:

— Você sabia que ele me fez ameaças ontem?

— Sério?

Naquele momento, contei tudo para Karla. Contei do olhar maluco de Harry para ela, contei sobre as suas possíveis dificuldades ou coisas do tipo sobre a vida... nós eramos parecidos. No entanto, eu não era sínica e baixa como ele. Eu tentava ficar na minha. Bem... e eu ficava. Até ele chegar e passar na minha frente.

Era ele. O garoto misterioso de ontem a tarde. Um dos motivos pelo qual eu odiei aquele dia. Na verdade... qual era o problema daquele cara? Ele tinha algum problema ou coisa do tipo? Ele era grosseiro, rude... ódio. Era melhor tentar esquecer ele. No entanto, minha curiosidade era grande.

— Quem é aquele? – Perguntou Karla com um olhar de interesse.

— Não sei. Eu encontrei com ele ontem na biblioteca.

— Sério? Não perguntou o nome dele?

— Não. Ele estava lendo lá... sozinho. Não quis incomodá-lo. – Mentirosa.

{...}

Eu não sabia o que iria acontecer naquele dia. No entanto, quando eu entrei na sala de aula, eu tive uma surpresa logo no primeiro período de aula. A professora de Geografia nos apresentou ele. O aluno misterioso da biblioteca. Aquele que havia mexido comigo até os ossos. Aquele que uma parte de mim odiava mas uma parte de mim também estava insegura sobre eles. Eu não havia conseguido o tirar da minha mente. Alguma coisa estava errada comigo. Eu estava... gostando dele, de alguma maneira?

— Olá, alunos. Deixem-me apresentar um novo aluno pra vocês.

Quando eu o vi, meu coração desparou dentro do meu peito. Eu fiquei completamente assustada. Ao mesmo tempo... parada, hipnotizada por seu olhar. Sim, ele estava olhando para mim. E estava sorrindo. Que garoto sínico. No que ele estava pensando? Depois de me dar uma patada daquelas ontem...

— Olá, meu nome é Giovanni. – Falou ele finalmente. Falou sem tirar os olhos de mim. Que droga!

Desviei o meu olhar naquele mesmo instante.

Ele então continuou a se apresentar para a turma. Para evitar de vê-lo, continuei a escrever a matéria em meu caderno. No entanto, minhas mãos tremiam. Eu podia ver o sinal de nervosismo surgir em mim.

— Eu sou da Itália. Meus pais vieram para cá por causa de uma proposta de negócios. Eu devo confessar que eu estava nervoso e muito curioso para conhecer a escola. – Caramba. Ele era muito amigável. – Por esse motivo, ontem a tarde eu vim aqui para conhecer o local. E eu devo dizer que gostei. Principalmente da biblioteca.

Olhei ao redor e vi que todas aquelas garotas idiotas estavam encarando nele. O que elas estavam pensando? Que iriam transar com ele na primeira oportunidade? Nossa! Eu deveria realmente tentar me acalmar naquele momento. Espere! ele falou biblioteca? Será que ele vai falar sobre...

— Eu tive no entanto o prazer de conhecer... ela. – Ah, não. Droga. Ele apontou o dedo pra mim. Toda a sala virou. Todos ficaram em silêncio, inclusive Karla que ficou me encarando.

Agora, Karla iria dizer:

— Pelo visto você mentiu quando disse que não queria incomodá-lo com a sua leitura.

Naquele momento, eu olhei para ele. Claro, depois de olhar para todo mundo da sala de aula e depois deles verem a vergonha estampada em meu rosto completamente. Meu pai. O que aquele garoto iria falar?

— Nós não tivemos a chance de nos conhecer-mos melhor ontem. Prazer... Giovanni.

Ele foi até a minha carteira no canto da parede para me comprimentar? É serio isso?

Eu olhei para todo mundo da sala, e em seguida, eu olhei para ele finalmente. Que espécie de jogo que ele estava jogando? Eu fiquei hipnotizada mais uma vez pelo seu olhar. Sem sequer vi que eu já havia o comprimentado e havia sorrido feito idiota.