Notas iniciais
Tentarei ao máximo ser explicativa e não tornar essa história um grande devaneio

Nesse mundo, existem vários tipos de pessoas. Pessoas que se ferem, pessoas que ferem os outros. Pessoas sem lágrimas. Pessoas que gostam da angústia, e pessoas que não conseguem evitá-la.

Que tipo de pessoa eu sou?

Essa é uma pergunta que me faço frequentemente.

Não sou o tipo de pessoa que consegue levar uma vida normal, e ignorar a crescente dor do mundo. Essa dor é formada primeiramente pela dor individual de cada um, e secundariamente pelo peso de todos os corações juntos.

Ah, por falar nisso, não sou um humano normal. Na verdade, nem tenho certeza se seria classificado como "humano" nos dias de hoje. Mas também não existe um nome para minha... Subespécie.

Você pode nos chamar de sensitivos, bruxos, demônios ou o que quiser. Nenhum desses nomes nos representa realmente. Nós somos capazes de sentir a dor do mundo. A sua dor.

Até mesmo a sensação de ser observado é uma consequência da nossa existência. Não é como se pudéssemos ver o que você fazem... Essa sensação é apenas consequência da ligação entre nossas almas.

Uma pessoa como eu tem a alma mais forte e por isso é ligada a várias outras, o que as permite descarregar parte de sua dor.

Aleatoriamente, pessoas como eu são lançadas no mundo. Bebês sorridentes, calmos, quietos e que não causam muitos problemas, apenas algumas complicações médicas, mas nada grave o bastante deixá-los entre a vida e a morte. Ninguém é capaz de descobrir, na maternidade, quantos bebês foram desse modo aleatório escolhidos para sofrer.

Não é injusto, apenas necessário.

Afinal, nesse mundo existem vários tipos de pessoas.

Pessoas como eu. E pessoas como você.