rEVERSE - O conto da primeira estrela
17 Se não fosse voce, seria eu
Notas iniciais
(Sakura) Se não fosse eu, seria você
Meu corpo congelou no lugar, eu não tinha coragem o suficiente de olhar para trás. Desejei fortemente que estivesse apenas alucinando e que seria uma grande mentira. Virei de vagar e senti aqueles olhos perfurantes, aquela mesma sensação que me fazia encostar contra a parede, me desarmando.
Quando ergui a cabeça e meu olhar cruzou com o dele, rapidamente eu levantei da cadeira para me afastar, sentindo uma vergonha imensa subir por meu corpo. Pulei para trás, mas ele segurou meu braço e me puxou de volta, segurando meus ombros e me trazendo para perto. Olho a olho.
—Não fuja, Sakura!
Eu tinha me preparado por tantos anos, imaginando o que eu poderia dizer se o encontrasse novamente. Mas agora, não tinha coragem de levantar e olhar para seu rosto. Estava envergonhada de mim mesmo, no que eu tinha me tornado, comparado com ele. Levantei os braços para cobrir meu rosto vermelho, mas ele não queria deixar.
—Olha pra mim! – disse nervoso.
Levantei o rosto e vi aquele olhar que tive tanta saudade, tão mais incisivo e penetrante do que antes, tão de perto que me fazia parar de respirar. Eu queria fugir, queria correr, como poderia olhar para Syaoran daquela forma?
—Sya..Syaoran – consegui dizer, desviando o olhar novamente – o que você esta fazendo aqui?
Fiz força para me soltar de suas mãos, conseguindo com muita dificuldade. Mas sua presença me prendia. Porque eu me sentia tão assustada? Ele havia seguido em frente, arranjado uma família e iria ter um filho, enquanto eu trabalhava em um restaurante desde que terminamos a escola, sem ensino superior ou qualquer coisa importante na vida.
—Sakura...
Sua voz de apelo me fez parar para escuta-lo. Eu parecia como um animalzinho encurralado. Olhei para ele. Havia ficado tão bonito, sua aparecia amadurecera para um homem. Os cabelos, um pouco mais curtos que antes, mas ainda rebeldes. Dava para ver um pouco da barba por fazer na lateral do rosto, dando vontade de passar a mão. E os olhos...
Eu o encarei, colocando meus braços ao redor de meu corpo, numa tentativa de me segurar para não sair correndo. Como eu era covarde.
—Eu sei que faz muito tempo – começou ele – mas eu precisava te ver.
Desviei o olhar novamente. Ele se aproximava devagar, tentei segurar meus pés no lugar e levantar o queixo, mas eles teimavam em dar passos para trás e meus olhos de olhar para o chão.
—O que você precisa de mim? É muito bom te ver – tentei passar segurança em minha voz – mas eu estou ocupada, se me der licença, vou embora.
Eu havia desejado vê-lo novamente, mas agora queria correr. Que situação vergonhosa a minha. Queria dar as costas, droga, meu coração estava batendo rápido demais.
—Não vai não – me assustei com sua voz, ele estava ficando nervoso, reconheci um pouco o velho Syaoran de antigamente – você teve encontros e ficou a noite toda com os outros, agora é a minha vez.
Como ele sabia dos outros encontros? Os buques! Olhei para o buque que estava segurando, eu havia recebido esses buques durante todos os encontros. Os confundira com o de Raphael, mas devia ter percebido pela diferença de cores. O que ele queria? Ele andou a passos rápidos até mim e me guiou para a mesa posta no centro do jardim. Puxou a cadeira e me fez sentar a força, segurando meus ombros.
—Ei! – protestei eu – você agora é um príncipe legitimo, não deveria ser mais educado?
—Não quando o assunto se trata da sua teimosia – meu deus, como era bom ouvir sua voz melodiosa novamente.
—Como é que você pode falar de minha teimosia, não me vê há sete anos. – ele ainda segurava meus ombros, o contato com sua pele deixava a minha mais quente.
—Mas eu sei que durante esse tempo você não mudou nem um pouquinho.
Senti uma raiva crescente dentro de mim, talvez um desapontamento, como eu não poderia ter mudado? Eramos dois adultos agora, ou era porque eu continuava a mesma garota doida por ele? Eu queria que ele me visse mais madura, como eu o tinha visto.
—Eu mudei sim! – insisti, sentindo meus olhos lacrimejarem, pois estava morta de vergonha. Não é que eu não queria vê-lo, eu apenas gostaria de estar mais apresentável.
Ele pareceu ter percebido isso e deu a volta, se abaixando e ficando de joelhos a meu lado. Estava me tratando feito criança, mas esse ato fez eu me acalmar mais, pois sua voz era gostosa de se ouvir naquele tom.
—Desculpe, não foi isso que eu quis dizer – ele segurou minha mão – você se tornou a mulher mais maravilhosa que alguém poderia pedir, mas fico feliz de ainda ver um pouco da Sakura que eu conheci.
Ele me ofereceu o sorriso mais lindo que já vi, não um sorriso galanteador ou malandro que tinha, mas um de pura alegria e satisfação. Como se estivesse realmente feliz em me ver. Droga. Puxei a mão de volta e apertei minha blusa. Se aquiete coração.
Consegui reparar em suas vestes. Era uma roupa tradicional em tons escuros, fechado na parte da frente, com o tecido caindo até os pés e aberto na lateral. Ele também usava um sobretudo do mesmo estilo, para se manter um pouco discreto, com desenhos quase invisíveis de dragões chineses por todo o corpo. Era uma roupa linda, sempre tinha achado suas roupas tradicionais muito bonitas.
Diferente do que imaginei, ao invés de sentar-se em minha frente e esperar alguém nos servir – quem? Estávamos sozinhos – ele foi até um carrinho que não havia reparado estar ali e colocou ele mesmo o jantar sobre a mesa.
—Não sei se seus gostos são os mesmos, mas fiz o que mais gostávamos de comer naquela época. Rolinho primavera salsichinhas cortadas.
Virei o rosto para tentar não rir, mas ele percebeu. O príncipe líder da família imperial chinesa estava me servindo rolinhos primavera e salsichinhas cortadas. Realmente, Syaoran sempre soube me fazer sorrir – ou ficar irritada.
—Ei, eu sei que você ainda gosta – disse ele, se fingindo de emburrado – esta gostoso. Você adorava minha comida.
—Eu gostava mais da comida do meu pai, as suas eu comia por obrigação para não passar fome.
—Sei! Imagino que agora tenha aprendido a cozinhar – ele falou rindo mais como se fosse uma piada que ouviu falar.
—Eu dou meu jeito.
Comemos conversando sobre trivialidades. O que eu estava fazendo, como estava Tomoyo ou Yeilan, o casamento de meu Irmão e a aposentadoria de meu pai. Sobre como foi a posse de sua posição e como foi voltar para a china depois de muito tempo, ou ao Japão. Em nenhum momento, tocamos no assunto de casamento ou filhos.
O silencio caiu sobre a mesa assim que terminamos de comer. Nenhum de nós tinha coragem de começar a conversa, apesar de ter muito a falar, mas sem saber como começar. Eu olhava para ele e desviava o olhar assim que ele olhava para mim. Tentei ser direta e acabar logo com aquilo.
—Porque veio para o Japão Syaoran? Porque tudo isso? Onde está sua esposa?
Ele finalmente olhou para mim e eu consegui sustentar o olhar. Havia dor em seus olhos, isso era algo que ele nunca conseguiu esconder de mim. Por um breve momento, ele virou aquele mesmo garoto de antes.
—Vim atrás de uma coisa que quero muito. Que ficou insuportável ficar longe. Sakura, eu...
Aquela porcaria de esperança se plantou em meu âmago e eu senti que queria chorar novamente. Minhas mão se apertaram e eu fiz a atitude mais covarde que um rato poderia ter feito. Me levantei e me afastei da mesa o mais rápido que pude, com as mãos juntas na frente do corpo, cravando as unhas uma na outra. Eu jamais poderia deixar essa esperança crescer novamente. Não vivíamos em um conto de fadas.
—Syaoran, espera... Olha, é melhor não... Eu não sei o que esta acontecendo, mas... – eu procurava uma justificativa. Ele olhou para mim assustado e depois decidido – olha, sério mesmo, vamos resolver tudo outra hora, esta bem? Não estou tão bem... Espera, fiquei ai... Não se aproxime...
Mas era tarde demais. Eu disse que não queria criar esperanças, mas como era possível quando um homem como aquele te abraça daquela forma? Era tão apertado, quase impossível de não abraçar de volta. Eu tentei. O empurrava, mas ele era mais forte do que eu. Minha voz estava tão chorosa que eu não conseguia suportar mais segurar.
—Para. O que estamos fazendo? – Ele passava um de seus braços por minha cintura e o ouro por meu pescoço – Espera... Syaoran, para! Eu não vou aguentar...
—Não estou pedindo para você se segurar! – disse ele em meu ouvido, fazendo minha alma subir e voltar, como eu sentia falta daquela voz, daquele cheiro – eu não sabia como começar a falar, mas talvez esse seja o único jeito.
Ele secou rapidamente uma lagrima de meu rosto e enfiou o nariz entre as mechas de meus cabelos, respirando fundo.
—Como eu senti falta desse cheiro! – sua voz parecia grogue, sua mão se enterrou em minha nuca e sua boca em meu pescoço, fazendo minha voz falhar – Como eu senti sua falta Sakura! Já não aguentava mais. Quando você me chamou aquela noite...
Eu estava tentando recobrar o juízo. Lembrar de que ele era um homem casado. Eu tinha que parar de puxar sua blusa e de enterrar meu rosto entre suas roupas. Consegui me separar muito pouco... suas mãos ainda mantinham-se em minha cintura.
—Espera... Eu chamei? Que noite? – minhas mãos tremiam, eu sabia disso.
Minhas costas bateram contra a arvore, quando havíamos chegado ali? Syaoran me encurralou com os dois braços para me impedir de fugir. Eu não acho que conseguiria correr mesmo. Ele olhou em meus olhos e bufou, sínico – sim, aquele era mesmo o chinês que eu conhecia.
—Você saiu bêbada com aquele cara, ainda o abraçou e o beijou, depois ficou perambulando pela rua que nem uma doida descontrolada, chorando que nem um bebe – eu fiquei escarlate, tenho certeza, eu sabia que havia alguma coisa errada – te levei para casa, mas você não parava de chamar por meu nome.
Ele sorriu. Aquele sorriso inicial da noite que ele me deu havia desaparecido. Agora, era um sorriso de um demônio manipulador e cínico.
—Voce chamou o porteiro de Syaoran, dizendo que me amava e morreria de saudades – ele era um verdadeiro demônio, pois estava satisfeitíssimo de jogar isso em minha cara, seu sorriso se alargava cada vez mais – e depois me xingou de todos os tipos de nomes possíveis. Me amaldiçoando com a estrela, e ainda gritando bem alto que eu trocaria de corpo com um macaco da próxima vez.
Eu não sabia o que fazer, a não ser querer enfiar minha cabeça num buraco. Eu acabei confundindo Syaoran com Raphael aquela noite e cavei minha própria cova. Cristo que vergonha, eu tinha tacado pedra na cruz. Estava chorando de tanta vergonha. Baixei o olhar, e me encolhi totalmente.
—Syaoran... – disse eu tremendo – só me deixe ir embora, por favor!
—Eu deixaria – falou ele ainda sorrindo – se não tivesse ficado tão feliz da vida. Foi a melhor coisa que me aconteceu em anos. Acha mesmo que vou ser bonzinho agora? Tomoyo me fez esperar por duas semanas inteiras para te ver.
Então ela tinha mesmo um dedo naquilo tudo. Eu queria arrancar a cabeleira dos dois.
—Mas agora não é hora pra isso. Vamos matar as saudades Sakura – ele se grudou em mim de novo. Não parecia mais ser o rapaz cavalheiro que era antes. Ele agora se mostrava dominador, querendo possuir o que lhe era seu – vamos nos encher de amor como naquela noite.
Ele apoiou seu corpo sobre o meu, tomando-me nos braços e me beijando como se estivesse com sede. Eu queria protestar e manter minha honra, como num primeiro encontro eu acabava assim? Em um estalar de dedos e eu estava nas mãos desse cara novamente. Não tinha como resistir, deixei o chinês me tomar como dele. Diferente das ultimas vezes, não sentia estar fazendo a coisa errada. Ainda.
****
No mesmo carro em que eu fui trazida, voltamos para a casa de Syaoran. O que me surpreendeu foi ele ter alugado um apartamento perto do meu, quase vizinho na verdade. A frente aos dois seguranças que tinham me trazido, ele assumiu outra postura irreconhecível, a de líder de verdade, apesar de não tirar o braço de minhas costas durante todo o trajeto.
Em seu apartamento, ele dispensou os seguranças e entramos.
—Não consigo mais andar sozinho desde que tomei posse do clã, tem horas que eles são insistentes! – disse como se estivesse tentando se justificar.
—Se considerar que eu levei um tiro no seu lugar...
Foi só ficarmos sozinhos de novo que ele retirou a mascara novamente, me puxando para si, e me apertando outra vez. Eu não tive tempo de observar a decoração interior, o novo rei demônio supremo me pegou no colo e me levou para seu quarto. Me colocou na cama e ficou sobre mim, colocando os joelhos de cada lado. Aquilo estava indo rápido demais.
Por um minuto ele parou e olhou para mim. Eu soube dizer o que tinha ali perfeitamente, eu também estava no mesmo estado. Era como se para nos dois, o momento era surreal e impossível, mas que ao mesmo tempo, muito esperado. Eu nem me lembrei mais de esposa ou de filho, por uma noite, eu teria Syaoran novamente só para mim.
Não saberia dizer apenas em um dia o quanto ele havia mudado. Porem, eu conseguia afirmar que ele estava mais ousado, tinha confiança de sobra para passear as mãos por todo o meu corpo, sabendo exatamente o que estava me provocava. As mordidas nos lugares certos, a pressão necessária para me fazer esquecer quem eu era. Eu me satisfazia agarrando os fios de cabelo que tanto senti falta. Por vezes, ele apenas queria olhar em meus olhos, e ficávamos bons minutos assim.
Quando ele começou a retirar minhas roupas, eu não pensava mais. Porem, ao olhar para um gigantesco espelho na lateral da cama, que cobria quase toda a parede, ouvi um estalo em minha mente. Observando para meu reflexo, me perguntei o que eu estava fazendo.
Empurrei Syaoran e pulei da cama, de repente assustada com tudo aquilo, recoloquei minhas roupas no lugar e cobri a boca com as mãos. Eu amava Syaoran, mas nunca fui assim. Ele era um homem casado, líder de uma família imperial e iria ter um filho. O que eu estava fazendo? Não queria ser a amante oportunista.
—Sakura, o que... – ele me olhava confuso.
—Isso não esta certo! – disse eu, desesperada – Meu Deus, o que eu estou fazendo? Você... Você esta casado, vai ter um filho... Eu...
—Sakura, escuta – ele parecia estar ficando desesperado, pulando da cama e tentando me alcançar novamente – não é da forma que você imagina...
—Syaoran, eu... Eu não quero isso... Quero dizer... Eu ainda...
—Eu te amo, Sakura! – insistiu ele, tentando se aproximar devagar – Eu nunca parei de amar... Fui obrigado a cumprir os acordos do Clã para pegar meu lugar de direito, mas eu nunca te esqueci em nenhum momento... Já tentei te procurar tantas vezes, mas eles sempre complicavam.
Eu não sabia como encaixar o que estava sentindo em palavras. Como eu queria ficar com ele, mas... ele não era meu, me sentia suja ao estar tentando roubar algo importante para outra pessoa. Syaoran me alcançou, segurando as mãos nas laterais de meu rosto.
—Eu ainda te amo Syaoran, mas não é desse jeito que eu quero. – disse eu, olhando em seus olhos – Isso esta errado!
— Pois para mim, errado é não estar com você... Durante todo esse tempo... por esses sete anos... Me sentia angustiado de não estar a seu lado. Como pode dizer que isso é errado quando eu finalmente me sinto feliz?
—Syaoran, eu...
Ele me beijou – golpe baixo – rodeando os braços por meu pescoço. Uma de suas mãos baixando para minhas costas, impossibilitando uma fuga completa. Acho que não conseguiria, mesmo que eu quisesse.
Ele me empurrou em direção ao pequeno sofá, provavelmente porque era longe do espelho. Seu corpo recaiu sobre mim, ele não estava dando tempo para que eu raciocinasse. Passou as mãos pelas minhas pernas, por debaixo de minha saia, e enroscou os dedos na borda da calsinha. Pulei de susto, mas ele foi tão rápido que eu não reagi a tempo. Ele puxou minha peça de baixo e jogou para o outro lado do quarto.
—Sem isso – disse rindo – não tem como você ir embora.
—Quem... Quem é você? Seu... Seu rei demônio Supremo – disse eu nervosa, colocando as mãos entre as pernas para tampar a visão privilegiada dele ao meio de minhas pernas.
—Ora, me promoveu de nível? Desde quando?
—Ei! Espera! Ai não!
Ele segurou minhas mãos e mordeu a palma de uma delas, desceu mordicando meu antebraço e passou por meus joelhos, lutando para abrir minhas pernas. Mordiscou entre minhas coxas e desceu ainda mais. Eu não sabia nem mais o que eu estava falando...
—Syaoran, para! Ai não... Oh Meu Deus!
Minhas mãos se prenderam em seus cabelos, não sei se eu estava tentando afastar sua cabeça de entre minhas pernas ou se estava querendo aprofunda-la. Meu corpo se contorcia de prazer, era algo que eu nunca havia sentido, tão mais forte do que da primeira vez em que havíamos ficado juntos.
Eu explodi de prazer, sentindo todo o meu corpo tremer. Minha voz havia se prendido em minha garganta até que meu corpo relaxou, enquanto eu respirava com dificuldades. Syaoran levantou o corpo, olhando para mim e lambendo os lábios. Sorriu para mim como uma criança feliz e eu só consegui cobrir o rosto. Ele me puxou para mais perto, se aconchegando em mim, encaixando seu quadril em meu corpo.
—Desde que trocamos de corpos, eu sempre quis fazer isso!
—Seu tarado!
Minhas mãos se moviam sozinhas, puxando os botões de sua roupa para poder ver aquele homem por completo. Ele me ajudou, sem quebrar o contato de nossas línguas. Perdi o fôlego quando consegui me livrar da parte de cima. Ele estava muito maior e mais forte do que antes, mais trabalhado, mas cheio de marcas e cicatrizes. Fiquei imaginando pelo que ele tinha passado.
Eu não conseguia deitar meu corpo. O sofá só me permitia uma leve inclinação. Syaoran puxou minha cintura, e reverteu a posição, para deixar a situação mais confortável, porem, eu me sentia mais constrangida. Eu estava sem calcinha, montada em seu colo, sentindo sua ereção por baixo da roupa. Ele me beijou e me abraçou.
—Eu estou muito feliz por ter você de volta... te esperei durante todos esses anos.
—Eu... sentia sua falta todos os dias – admiti eu, jogando meus braços por seus pescoço.
Foi minha vez de enfiar meu nariz em seu pescoço e respirar fundo. Como eu sentia falta daquele cheiro. Acho que durante todo o restante da noite eu devo ter ficado dopada ou entrado num estado de estupor de alegria tão imensurável que devo ter perdido a memória no dia seguinte.
Acordei de manha, sem roupas, na cama gigantesca. O sol entrava forte pela janela declarando que já estava tarde. Era sábado, então hoje eu teria que ir ajudar na creche. Parei para lembrar o que eu havia feito na noite anterior.
Syaoran. Ele havia desaparecido. Olhei ao redor, procurando por ele, não parecia estar no banheiro. Uma sensação terrível me assolou, assim como da ultima vez, exatamente da mesma forma. Ele nunca disse que ficaria comigo.
Secando as lagrimas e me sentindo uma total idiota, recolhi minhas roupas e me vesti. Atravessei a sala, encontrando o buque exatamente igual a todos os outros que ele havia me mandado. Iria joga-lo no lixo, mas antes de dar mais dois passos. Braços fortes envolveram meu corpo e eu senti o peito quente de Syaoran contra meu corpo.
—Onde pensa que esta indo? – disse ele, apoiando o queixo em meu ombro. Tinha levado um susto, não tive tempo de secar as lagrimas. Ele olhou para mim e as enxugou com os dedos – besta, achou que eu havia ido embora? Eu disse pra você que voltei para ficar.
—Não disse nada! – murmurei eu irritada.
—Você não se lembra do que fizemos a noite passada? Nós nem bebemos!
Ele me puxou para a cozinha, onde preparava um café da manha caprichado. Havia ovos e torradas, bolo de laranja, sucos e muitas outras coisas que eu não conseguiria comer. O chinês pediu para eu sentar e ele ficou de frente para mim.
—Nossa conversa de ontem foi bem produtiva – senti meu rosto esquentar, e eu sabia que ele estava sorrindo, mesmo sem precisar olhar – espero que cumpra com sua promessa.
Parei uma torrada com baicon e ovos na metade do caminho de minha boca. Olhei para Syaoran, que parecia animado demais para tocar na comida.
—O que foi que eu prometi?
—Sakura, querida Sakura – ele estava sendo irônico, mantendo um sorriso muito convencido no rosto – nós nem chegamos até o final, você foi teimosa demais, mas parecia que não resistia a meus beijos. Me concentrei em você a noite toda, o suficiente para aceitar todos os meus pedidos e desejos.
Eu comecei a me preocupar com o rumo daquela conversa.
—O que foi que eu prometi? – perguntei novamente, desconfiada.
—O próximo herdeiro de clã Li – respondeu ele feliz da vida – um filho meu.
****
Passei em casa para me arrumar e pegar minhas coisas, me encaminhando para a creche a passos largos. A todo momento eu balançava a cabeça tentando tirar a ideia de minha mente. O que diabos estava acontecendo comigo? Liguei para Tomoyo e sem esperar por seu bom dia, eu disse:
—Você está extremamente encrencada, mocinha! – ela riu do outro lado da linha.
—Você não atendeu minhas ligações no celular, nem no telefone de sua casa. A noite deve ter sido divertida.
—Estou falando sério Tomoyo! – disse eu apontando com o dedo indicador sei lá para onde, mas imaginava ser o ombro dela – ele esta casado!
E queria um filho meu. Syaoran deve ter perdido a cabeça, ele queria um filho meu, a mulher que não era sua esposa. Poderia me classificar como amante? O que essa estrela estava fazendo com meu destino? Não foi isso o que eu tinha pedido.
— Acho que você tem que conversar direitinho com ele, sem distrações carnais – comentou ela rindo – Sakura, falando sério. Syaoran veio atrás de mim perguntando de você, mas eu não queria deixa-lo se aproximar, pois ele já estava comprimetido... mas quando descobriu que você estava tendo encontros arranjados, se candidatou na hora. Disse que queria conquistar seu coraçao novamente... E eu não tinha o direito de impedir, pois ele ainda te amava... Eu até concordei, mas avisei que ele ficaria por ultimo e não poderia interferir se você gostasse de outra pessoa.
Meu deus, no que eu estava me metendo. Porem, ao lembrar do inicio da noite passada, não conseguia deixar de sorrir. Não podia esquecer que estávamos falando do líder da família imperial chinesa. Ele sempre era procurado na mídia, aparecendo em jornais e revistas. Como ficaria sua imagem se descobrissem que estava traindo a esposa?
Mas desde o inicio eu já não tinha o direito? Nunca deixamos de nos amar, havíamos trocado de corpos e feito pedidos incansáveis as estrelas, como eu poderia desistir tão facilmente?
Mas um filho?
Passei pelos portões da creche, cumprimentando o pessoal que já varria o pátio antes das crianças chegarem. Guardei rapidamente minhas coisas e corri para preparar as sala de brinquedos e logo depois as camas, para a hora da soneca. O tempo todo, lembrando das palavras do chinês.
Porque ele queria um filho meu? Não havíamos terminado a conversa. Eu enfiei o máximo de comida na boca que pude e corri, dizendo que estava atrasada – mesmo que faltasse duas horas para meu horário de saída.
Não é que eu não estivesse feliz. Estava apenas um pouco confusa. Para mim, Syaoran estava com a esposa viajando a negócios, planejando ter um filho como próximo herdeiro. E de repente, ele aparece em minha frente, com uma bomba de emoções e lembranças... pedindo um filho meu. Era muita informação para processar.
Me ocupei recebendo as crianças como sempre. Passamos a tarde brincando e desenhando no horário de ir embora. Como um remédio caseiro, novamente me ocupava a ponto de me dedicar totalmente as tarefas com os pequenos, por uma vez ou outra, sentindo arrepios ao lembrar dos beijos da noite passada. Ainda era inacreditável, como um sonho louco.
Recolhendo os lápis de cor e os papeis, achei o desenho de Shooji. Era um garotinho de palito segurando uma estrela azul nas mãos. Sorri docemente, o que ele teria pedido? Na saída, depois de me despedir de todos, eles me aviaram que havia alguém me esperando na entrada da creche. Imaginei ser Syaoran.
Mas era a esposa dele.
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