back to the past
10 Sexy Back
Notas iniciais
Annabeth POV
– Eu ainda não entendi o porque de termos que ir de vestido pra festa — Thalia resmungou.
– Você sabe que ela não vai deixar a gente ir embora até escolhermos um — respondi, enquanto analisava um vestido laranja, que ia até minha coxa — O que acham desse?
– Laranja desfavorece a cor do seus olhos, gata — Silena respondeu, do outro lado da loja e revirei os olhos, colocando o vestido de volta na arara.
Estávamos Thalia, Silena, Clarisse e eu, em uma loja de roupas, escolhendo nossos vestidos para a festa de 18 anos de Silena. Ou melhor, nós mostramos á ela e ela diz se é bom ou não. "Thalia, amarelo não favorece os seus cabelos" "Clarisse, você não fica bem de verde".
Já fazem duas semanas que meu pai morreu. Foram duas semanas bem difíceis, mas todos ficaram do meu lado o tempo inteiro. Me levaram em lugares legais depois das aulas, me encheram de doces e deixaram que eu bancasse a nerd em tempo integral.
Mas, apesar de serem só duas semanas, minha mãe já está totalmente enrolada com as coisas da empresa. Ela descobriu que meu pai havia processado uma empresa que tentou roubar bens dos meus pais, e precisaria contratar um novo advogado. Fora os milhares de clientes que aguardavam os seus projetos.
– Vocês não acham que usar vestidos tão caros e extravagantes em uma festa na piscina, é meio estranho? — Clarisse perguntou.
– Lisse, você não entende nada — Silena disse, revirando os olhos — Minha festa vai durar dois dias. No primeiro dia, vai ser praia, sol e curtição, e no segundo...
– Praia, sol e curtição? — Thalia perguntou — Sério?
Dei uma risadinha e continuei a passar os vestidos.
– Isso de líder de torcida, está subindo sua cabeça — falei — Não acha melhor deixarmos esse teste de lado?
Silena me fuzilou com os olhos e levantei os braços, em sinal de rendição. Thalia e Clarisse deram de ombros e voltaram á escolher seus vestidos.
Depois de meia hora revirando três grandes araras, finalmente encontrei um vestido. Não, não era um vestido. Era O vestido.
Silena não nos disse que os vestidos deviam ser realmente extravagantes, então este seria o perfeito. Um tom de azul escuro, com algumas flores estampadas. Ele é justo ao corpo até a cintura, abrindo em uma saia um pouco rodada na coxa.
– Gente... — levantei o vestido para que elas vissem — Encontrei o meu.
Thalia e Clarisse sorriram e vieram até mim. Silena ficou olhando de longe por um tempo e depois chegou perto, com um olhar não muito bom.
– Esse vestido... — ela disse — É a sua cara! — ela deu um gritinho histérico — Tenho um par de sapatos que combinam perfeitamente com ele! Ai. Meu. Deus — ela balançou as mãos — Já até sei que maquiagem vou fazer em você. Vou cachear seus cabelos, te colocar num salto e um brinco que vai brilhar lá longe!
Ri com o comentário, enquanto Thalia e Clarisse, rindo também, voltaram a escolher os seus.
Depois de uma hora, finalmente estávamos todas com nossos vestidos. Clarisse acabou pegando um vermelho, e Thalia um roxo, quase vinho. Silena, obviamente, pegou um rosa, cheio de pedrinhas brilhantes. Passamos em um restaurante de comida japonesa e fomos todas para a casa de Silena, já que faríamos a primeira noite das meninas do ano.
A primeira noite das meninas, é nada mais, nada menos, que: Uma festa do pijama, onde ficamos a noite inteira acordadas, falando de roupas, garotos e da vida dos famosos. Além de fazer os cabelos, pintar as unhas, limpeza de pele, e por aí vai. Digamos que, fazemos uma noite dedicada a nós, uma vez por mês.
– Tem bastante tempo que a gente não faz a noite das meninas, né? — Silena disse, enquanto tirava o carro do estacionamento.
– Acho que a gente só está fazendo isso mesmo, porque os meninos saíram sozinhos hoje — Clarisse murmurou.
Percy POV
– Meu cabelo está muito estranho hoje — Luke disse, mexendo no cabelo, em frente ao espelho.
– Desde quando você se preocupa com isso? — Chris perguntou.
Luke mostrou o dedo do meio á Chris, que deu uma risadinha.
Estávamos todos na casa de Luke, jogando video-game, comendo porcarias e jogando conversa fora.
Faze duas semanas que Frederick morreu, e todos ficaram bem abalados. Mas, apesar disso, ninguém está demonstrando, por causa de Annabeth. As semanas de todos fora dedicadas a ela: Ajudá-la nos estudos, deixá-la falar demais sobre contas e monumentos históricos e fazê-la comer, o que foi bem difícil. Ninguém diz nada sobre o assunto, o que acho ótimo, já que só de ouvir o nome de Frederick, Annabeth se encolhe e fica de cabeça baixa.
– Vamos passar a noite toda comendo essas merdas e jogando video-game? — perguntei, deitando na cama — Por que não vamos á uma balada ou coisa do tipo?
– Se acalme, pequeno gafanhoto — Charles disse — As coisas não são assim. Você nem trouxe aquela peruca estranha, como a gente iria pra uma balada? E além do mais, se Silena descobre que fui á uma balada sem ela, fico sem poder fazer filhos.
– A gente pode jogar o Percy numa poça de graxa e vestir ele com roupas pretas — Nico sugeriu — Ninguém vai reconhecer.
– Você nasceu idiota assim mesmo ou te ensinaram? — perguntei e ele me deu língua — E eu estou com a peruca aqui. Sempre ando com ela.
– Ok, mas e a parte das meninas? — Luke perguntou, se sentando na cama.
– Chamamos ela, oras — resmunguei.
– Mas hoje elas não estão fazendo aquela noite das meninas? — Nico perguntou — Duvido que elas vão querer ir. E além do mais, — ele olhou o relógio em seu pulso — Está muito cedo pra ir numa balada.
– Que horas são? — ergui uma sobrancelha.
– 20h — ele respondeu, voltando ao jogo.
Bufei e tomei o controle da mão dele, que protestou e ignorei.
Depois de duas horas matando terroristas num jogo qualquer, se enchendo de salgadinhos, finalmente resolvemos ligar para as meninas e sair.
– Elas disseram que nos encontrarão na porta da boate — Luke disse, dando de ombros — Provavelmente vão se arrumar.
– Vamos agora? — perguntei.
– Claro que não, né — Charles disse — Nós também precisamos nos arrumar.
Chris lhe deu um pesco-tapa e todos rimos.
Fui em direção ás minhas coisas, e peguei uma peça de roupa que havia trago, virando para os outros.
– Quem vai primeiro? — perguntei.
– Eu! — todos responderam juntos.
Nos entre-olhamos e corremos, todos juntos, em direção á porta do banheiro.
Annabeth POV
– Eles ligam pra gente em cima da hora, para nos chamar pra balada? — Silena bufou — Graças a Deus que vocês vestem o mesmo tamanho que eu, porque se não, estávamos ferradas.
– Si, amiga, saiba que nós vamos á uma balada, não um casamento — falei.
– Ai gente, não é pra tanto, né — ela revirou os olhos — No meu closet tem uma arara destinada á roupas de baladas.
Ela levantou, e foi em direção ao closet, que parecia mais um quarto, destinado só a roupas.
O closet de Silena é grande, rosa e cheio de roupas, sapatos, acessórios do teto ao chão. Ela mantêm tudo organizado em araras, por cor e eventos em que as roupas podem ser usadas.
Na arara das roupas de balada, haviam roupas de apenas três cores: azul marinho, preto e vermelho. Ergui uma sobrancelha ao observar as roupas.
– Nada rosa? — perguntei, mexendo nos cabides — Nem roxo, ou amarelo?
– Claro que não — Silena disse, jogando os cabelos — Baladas são feitas de cores escuras. Rosa, infelizmente, não combina.
– Ai, graças a Deus! — Thalia gritou, indo em direção á uma jaqueta de couro — Si, tenho uma jaqueta igual á essa, mas eu perdi ela...
– Na verdade, ela é sua — Clarisse disse — Quando a gente foi naquele festival de música, você entregou a jaqueta pra Silena, e ela esqueceu de te devolver.
– Credo, — Silena disse, olhando Clarisse — Como você sabe disso? Nem eu lembrava.
– Uau, melhor ainda! — Thalia disse, abraçando a jaqueta.
Fiquei rindo ao vê-las tão animadas, e acabei pegando um vestido preto, colado ao corpo, bem básico. Pra completar, Silena me emprestou um par de botas pretas, com salto, e uma jaqueta vermelha.
Depois de duas horas, finalmente estávamos todas prontas.
* * *
– Esse tuts tuts está me incomodando profundamente — Thalia gritou — Não tem outra música nessa porra?
– O que? — gritei de volta.
– Quem está te incomodando? — Clarisse gritou.
– A música — Thalia gritou de volta.
– A musa? — Silena perguntou — Que musa?
Dei uma gargalhada e as outras me olharam, rindo também. Eu com certeza teria rido daquilo, mas não chegaria ao ponto de jogar a cabeça para trás e ficar rindo um tempão. Provavelmente é efeito da bebida.
Assim que me recuperei da crise de risos, avistei os meninos na porta, tentando passar pelo mar de gente, para chegar ao bar.
Luke estava com uma camisa social, com as mangas dobradas até o cotovelo, e uma calça skinny. Chris usava uma blusa branca, que destacava seus músculos, e uma calça jeans normal. Charles estava com uma blusa branca e uma jaqueta jeans. Nico estava com as roupas pretas de sempre, e Percy, estava gato.
– Ah, eles chegaram! — Clarisse gritou, e assentimos.
Uma batida bem conhecida começou a ecoar por toda a boate, e parei para ouvir.
"I'm bringin' sexy back,
Them other boys don't know how to act..."
– É a nossa música! — Silena berrou e todas gritamos juntas, indo em direção a pista de dança, esquecendo dos meninos.
Há dois anos atrás, nós resolvemos ir escondidas em uma festa, que tem todos os anos, e acabamos escolhendo Sexy Back, do Justin Timberlake, como a nossa música. Ainda não entendemos o porque dessa, mas foi o que escolhemos na hora, e além do mais, como não amar Justin Timberlake?
Entramos bem no meio da pista, e começamos a dançar. Silena rebolava feito louca, e entendi o porque: Os meninos já haviam encontrado os seus lugares, e estavam nos vendo. Clarisse, que geralmente é a que menos se solta, estava dançando junto de Silena, e as duas estavam em perfeita sincronia. Thalia ria, e eu a acompanhei.
Resolvi dançar de olhos fechados, para esquecer o que estava ao meu redor, e focar só na música. Pensei em meu pai, e por incrível que pareça, não tive uma crise de choro. Pelo contrário, sorri mais ainda ao lembrar dele. Balancei meu quadril, enquanto a voz do Justin ecoava em minha cabeça.
"Come here girl
Go 'head be gone whit it
Come to the back
Go 'head be gone whit it"
Senti alguém esbarrar em mim, e abri os olhos, assustada. Dei de cara com Percy, que sorriu para mim e gritou algo, que eu não entendi, mas acabei concordando.
Continuei a dançar e ele me seguiu. Antes que eu pudesse sequer entender o que estava acontecendo, as mãos de Percy foram parar em minha cintura, e as minhas, passavam por ser abdômen. Eu sabia que aquilo era errado, mas não consegui tirar minhas mãos dali e nem empurrá-lo.
"Dirty babe
You see these shackles? Baby I'm your slave"
Estávamos em perfeita sincronia. A única coisa que eu via era Percy, e a única que eu ouvia, era a música.
Sem querer, minha mão foi parar em seus cabelos, ou melhor, em sua peruca, e eu acabei a puxando um pouco forte demais. Não prestei muita atenção, já que estava concentrada em Percy.
Quando ouvimos as últimas notas da música, abri os olhos e o olhei.
– Eu... — murmurei e arregalei os olhos — Sua peruca!
Ele arregalou os olhos mais ainda e passou a mão pelos cabelos, os deixando desgrenhados. Me joguei no chão, procurando a peruca, mas não havia nem um sinal dela.
– Meu Deus! — uma menina gritou — É Percy Jackson!
– O que? — a menina que estava ao lado dela perguntou.
Percy ficou parado, encarando-a, sem saber o que fazer.
Nossa única salvação, antes de provocar gritinhos histéricos, era levá-lo embora dali ou tampar o seu rosto.
Claro que eu escolhi tampar o rosto dele. E de uma forma bem estranha.
Eu o beijei.
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