back to the past
11 Up All Night
Notas iniciais
Percy POV
Se um selinho demorado pode ser considerado um beijo, eu acabei de ser beijado.
Por Annabeth.
No meio de uma balada.
Há dois minutos atrás, estávamos dançando, e agora ela está me beijando.
Me separei dela e a olhei, confuso.
– Annie? — perguntei.
– Era isso ou te derrubar para fora da pista — ela respondeu — Não fala disso pra ninguém, ok? Eu tenho namorado.
Assenti e ela me puxou para fora da pista, indo em direção ao bar, onde Thalia e Luke estavam se agarrando num canto e Nico ria de alguma coisa.
– Nico? — perguntei, me sentando ao lado dele — Qual é a piada?
– OLHA O JAPA! — ele gritou e apontou para frente.
Annabeth e eu olhamos para onde ele apontava, e ele voltou a rir.
– Japassou — ele respondeu, jogando a cabeça pra trás e rindo.
Balancei a cabeça negativamente e ri. Annabeth deu uma risadinha, e apoiou a mão no ombro de Nico.
– Não acha que está na hora de te levarmos pra casa? — ela perguntou.
– Ainda não — ele respondeu, se levantando e indo pra pista — Volto daqui duas músicas! — e sumiu no meio da multidão.
O bar não tem tanta iluminação, portanto, estava a salvo. Annabeth estava concentrada em sua bebida, então decidi pedir uma marguerita. O barman começou a misturar os ingredientes, e eu teria prestado atenção, se algo não tivesse chamado minha atenção.
Havia uma roda, com quatro caras, e uma garota, ruiva, dançando no meio dela. Ela usava um vestido completamente colado no corpo, com um decote, digamos que... Bom. E se não fosse as últimas semanas na Goodie, eu nunca saberia quem era.
– Aquela ali não é a Rachel? — perguntei para Annabeth, que levantou a cabeça e olhou na direção da roda.
– Sim — ela deu de ombros e virou um copo — É bem comum ela vir pra cá e fazer essas coisas, mesmo tendo namorado.
Ergui uma sobrancelha e voltei a encarar a roda. Era meio estranho imaginar Rachel passeando de mãos dadas com um cara, pelo Central Park. Sempre imaginei que ela era com aquelas meninas dos filmes: Transa com todos os caras do time, e fim.
– Nunca vi ela com o namorado — murmurei.
– Ah, é porque ele estuda em outra escola — Annabeth respondeu, bebendo outro copo.
– E o Max? — perguntei, antes de pensar — Por que ele não veio?
Ela colocou a bebida no balcão, e se virou para me olhar. Ela tinha lágrimas nos olhos e eu a olhei, espantado.
– P-Por que v-você está c-chorando? — perguntei.
– Porque o Max nunca sai comigo — ela respondeu, colocando a mão na cabeça — Ele sempre diz que tem coisas da faculdade pra resolver. Mas a faculdade só começou tem um mês! — ela gritou — Como ele pode ter tanta coisa pra fazer? — fui responder, mas ela continuou falando — Max é a pessoa mais linda, fofa, gentil e sexy que eu conheço. Eu o amo. Mas eu preciso de atenção! — ela fez um bico — Eu te beijei há uma hora atrás, não foi?
– Tecnicamente foi um selinho. Acho que não pode ser considerado um beijo — respondi e olhei para o copo em sua mão — Você só bebeu dois copos disso e já está assim?
– Bebi um pouquinho antes de vocês chegarem — ela respondeu — Ah, olha, sua marguerita está pronta — ela disse apontando para o balcão.
Me virei e peguei a bebida da mão do barman, agradecendo. Quando virei de volta para Annabeth, ela estava se jogando em cima de Thalia e Luke, que estavam gritando.
– Annabeth, pelo amor de Deus, sai de cima de mim! — Thalia berrou.
Corri em direção aos três e puxei Annabeth, que me olhou, confusa.
– Como você chegou aqui tão rápido? — ela perguntou e começou a me cutucar — Seu corpo é duro.
Afastei as mãos dela delicadamente, e a sentei em uma cadeira.
– Geralmente as pessoas quando ficam bêbadas, começam a rir de tudo e choram pra caralho — falei para Thalia — Mas ela parece criança quando toma café.
– É assim por uns trinta minutos — Luke respondeu — Depois ela vai começar a falar de um cachorro que ela teve quando pequena e vai começar a chorar. Que horas são? — ele perguntou.
– Duas e meia — respondi.
– Achei que era mais tarde — Thalia murmurou — Fique de olho em Nico, porque se ele beber demais, você não vai ter uma visão muito legal.
– Que nada — Luke disse — O menino é gato, tem que exibir mesmo.
– Eu posso levantar agora? — Annabeth perguntou, de onde estava sentada — Quero mais daquele líquido rosa — e se levantou, antes que eu respondesse.
– Deixa ela — Thalia disse — Ela está cheia de problemas e acabou de perder o pai. Ela precisa esfriar a cabeça um pouco.
Concordei e me sentei de frente para os dois. Ficamos conversando sobre coisas idiotas como o tempo, as provas que estavam vindo e falando sobre as pessoa que estavam dançando. Durante o tempo que ficamos sentados, vi Annabeth virar cinco copos do tal líquido rosa e depois ir em direção à pista de dança. Nico havia saído do meio, portanto, estavam os dois dançando.
Thalia deve ter percebido que eu estava olhando os dois, porque disse:
– Antes de Annabeth e Max começarem a namorar, Nico teve uma queda por ela — ela passou a mão nos cabelos de Luke, que havia adormecido em cima da mesa — Foi nada demais. Os dois deram um selinho e depois Nico se apaixonou por uma garota, num acampamento de verão.
– Hum... — murmurei — Ela sempre fica assim quando bebe demais?
– Sim — ela respondeu — Como o Luke disse, depois ela vai começar a falar do cachorrinho. Aí depois ela vai começar rir e vai cair na cama, e vai adormecer em menos de cinco minutos.
Dei uma risada e continuei observando os dois dançando.
* * *
Annabeth POV
Por que o Sol resolveu brilhar tanto hoje? Por que os pássaros resolveram cantar tão alto? E por que Thalia e Luke estão brigando à essa hora da manhã?
Soltei um xingamento e me virei na cama, procurando o relógio, que deveria estar ali, mas não estava. Ao invés disso, dei de cara com Silena, que dormia ao meu lado.
– Si? — chamei — Onde estamos?
– Na casa da Thalia, oras — ela murmurou e se virou — Agora deixa eu dormir por mais trinta minutinhos.
Bufei e levantei da cama. Percebi que eu usava meu pijama de bolinhas, que havia levado pra casa de Silena, e resolvi não querer saber, quem me vestiu. Amarrei meu cabelo em um coque e desci em direção à cozinha.
Encontrei Nico massageando as têmporas, Percy tomando café e Thalia e Luke discutindo.
– POR QUE VOCÊ NUNCA CONCORDA EM NADA COMIGO? — Thalia berrou.
– POR QUE VOCÊ TEM QUE SER TÃO TEIMOSA? — Luke berrou de volta.
– Vocês precisam discutir à essa hora da manhã? Numa casa em que todos estão de ressaca? — perguntei, me sentando na mesa — Sério?
Os dois bufaram e Thalia se sentou ao meu lado. Luke sentou entre Nico e Percy, de frente para nós.
– E então, como foi a noite de vocês? — perguntei, enquanto mordia uma torrada.
– Consegui cinco telefones — Nico respondeu — E uma ressaca dos infernos.
– Eu teria conseguido pelo menos dez, se não tivesse que ficar de olho numa certa criança — Percy disso, me encarando.
– Nem adianta me culpar — respondi — Depois que tomei o terceiro copo daquele líquido rosa, lembro de mais nada.
Ele balançou a cabeça rindo, e Clarisse e Chris entraram em seguida, abraçados.
– Bom dia, pombinhos — Luke disse — Aceitam chá de camisinha?
Os dois coraram.
– Devem ter usado todas ontem, porque só ouvi gemido — Silena murmurou atrás deles, andando em direção à uma cadeira vazia.
– Vocês tomam conta demais da vida dos outros — Clarisse bufou e se sentou ao lado de Chris.
Charles se junto à nós e comemos. Ficamos conversando sobre a noite de ontem, as aulas de amanhã e sobre o churrasco que faríamos mais tarde.
Percebi que Nico e Percy estavam calados demais, mas resolvi deixar pra lá, já que deviam estar de ressaca.
Depois de uma hora comendo e falando sobre coisas nem um pouco produtivas, resolvemos entrar na piscina. Corri para o quarto, e me troquei. Coloquei um bíquini vermelho, de bolinhas brancas, e a parte de cima, imitava um laço. Silena passou protetor solar em meu corpo, enquanto eu amarrava meu cabelo em um rabo de cavalo. Coloquei uma saída de praia, e um óculos escuro, que estava jogado em minha bolsa e desci.
Os meninos estavam tentando acender a churrasqueira, e pareciam não estar dando certo, então resolvi ir ajudar.
– Vocês estão colocando pouco carvão — falei, esticando a mão — Me dá o saco aqui.
Nico me entregou o saco e joguei mais um pouco de carvão na churrasqueira, empurrando-os com as mãos.
– Vai ficar com a mão toda cagada — Chris disse.
– Tanto faz, — resmunguei — Me dá o fósforo.
Percy me passou a caixa de fósforo e acendi um, jogando-o dentro da churrasqueira. Passou um tempo e o fogo acendeu.
– Aprendam — eu disse e joguei a caixa de fósforo para Percy.
– Podíamos ter chamado o Leo para vir acender esse negócio — Luke disse — Aquele cara se dá muito bem com essas coisas.
– Por que não chamamos ele? — Charles sugeriu.
– Porque ele se mudou de estado? — Nico perguntou, revirando os olhos.
Dei uma risadinha e voltei pra beira da piscina, onde as meninas estavam
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