back to the past
17 By The Way
Notas iniciais
Percy POV
– O que você está fazendo aqui? — perguntei rispidamente — Quem te deixou entrar?
– Ai, amor, não precisa me tratar assim... — ela disse, com a voz manhosa.
– Amor? — dei uma risada — Você também chamava o outro de amor?
Ela parou de sorrir e me encarou, como se estivesse ao ponto de chorar. Aquilo não me abalou nem um pouco. Para ser sincero, eu queria que ela chorasse. E muito.
Apesar de tudo, Calypso foi a minha primeira namorada, e é claro que eu fiquei mal. Acho que qualquer pessoa em sã consciência, ficaria mal, ao saber que estava sendo traído.
– Eu... — ela tentou dizer.
– Esquece — interrompi — Já pode me dizer o que você veio fazer aqui?
Ela piscou algumas vezes, como se tivesse acabado de sair de um transe. Ajeitou o casaco, e ficou me encarando.
Desde o que aconteceu, eu nunca mais havia tido notícias dela. Ela meio que sumiu da mídia, e eu fiquei bem agradecido por isso. Mas ela estava diferente. O cabelo estava maior, estava com mais curvas e não estava usando tanta maquiagem como antes.
– Só vim te dar um oizinho — ela disse, chegando mais perto — Eu sinto a sua falta, amor. Queria te pedir desculpas pelo que eu fiz — tentei interromper, mas ela foi mais rápida — mas eu sei que você é cabeça dura demais pra isso — quis interromper de novo, mas não consegui — E eu sei da Annabeth.
Gelei. Como ela sabia?
– Sei que vocês andam se pegando por aí, e também sei que ela está namorando — ela deu um sorriso malicioso — Que feio, hein?
Acho que parei de respirar por um tempo, porque eu estava muito ofegante. Calypso não parava de sorrir, e eu estava com vontade de jogar a minha garrafa de água na cara dela. Mas me contive.
– O que você sabe sobre isso? — perguntei, tentando me manter calmo.
– Eu estava no jantar que a sua mãe fez — ela disse, me empurrando para o sofá e se sentando no meu colo — Apesar de tudo, ela foi fofa o suficiente para me convidar. Mas não te disse nada — ela ficou mexendo na minha camisa — Vi você e a Annabeth indo ao banheiro, e segui os dois. Achei que era uma oportunidade pra falar com você — ela riu — Mas quando cheguei no quarto, você estava muito ocupado.
Ela deu um beijo no meu pescoço e eu a empurrei para o lado.
– Você veio me chantagear? — perguntei, suspirando.
– Claro que não, bobinho — ela se levantou e parou na minha frente — Só vim dar um oi! — ela me deu um selinho e foi embora.
Não sei exatamente quanto tempo eu fiquei parando no meio do camarim, encarando a porta e pensando em mil coisas ao mesmo tempo, mas o meu celular estava tocando e parecia tocar há bastante tempo.
– Alô? — atendi.
– Percy?– ouvi a voz sonolenta de Tyson.
– Oi, Tyson — falei — O que houve?
– Papai e mamãe saíram, e a Marie já dormiu– ele murmurou — Você pode voltar logo? Não gosto de ficar sozinho de madrugada.
– Ah... — olhei para o relógio, que marcava 1:30 da manhã — E o que você está fazendo acordado?
– Não tenho aula amanhã, então resolvi terminar a primeira temporada de Pokémon agora– ele respondeu — Você vem logo?
– Sim, já estou indo.
– Traz um big mac pra mim, tchau– ele disse e desligou.
Que menino abusado – pensei.
* * *
Annabeth POV
Eu estava decidida a descobrir o que havia acontecido com o meu pai e tudo o que estava acontecendo com a empresa.
Assim que chegamos do cemitério, minha mãe recebeu uma ligação urgente e teve que sair de imediato. Tínhamos acabado de fechar a porta, e ela teve que sair.
E não passou a noite em casa.
Era ou não a oportunidade perfeita?
Coloquei meu despertador para tocar uma hora mais cedo, para eu ter tempo de olhar no escritório e não me atrasar para a aula. Assim que levantei, tomei um banho rápido, coloquei um jeans qualquer, uma regata branca e uma jaqueta de couro, já que estava frio.
Desci correndo as escadas, me certifiquei que minha mãe não estava e entrei no escritório.
Ele estava bem mais bagunçado do que a última vez que entrei lá. Havia diversas pilhas de papéis em cima da mesa, a estante de livros estava desarrumada, os armários estavam com vários papéis colados — com datas, contas e compromissos -. A única coisa que estava "normal", eram as gavetas, que estavam trancadas com chave.
– Droga... — murmurei, tentando abri-las.
As chaves não pareciam estar ali, então resolvi deixar isso para depois. Quando saí e fechei a porta do escritório, meu celular tremeu em meu bolso.
Vou passar na sua casa daqui meia hora. Precisamos conversar.
– Percy
Senti meu coração acelerar, mas ignorei. Coloquei o celular de volta no bolso, peguei minha mochila e sentei no balcão da cozinha para comer.
Algumas cartas e contas, estavam em cima dele, mas um envelope pardo me chamou a atenção. Tinha o meu nome nele.
Abri o envelope, e algumas fotos caíram no chão, e dentro dele, havia um bilhete:
Achou que ninguém ia saber? Hahahaha
Como você é inocente...
Afasta-se dele.
As fotos que haviam caído, eram fotos minha e de Percy. Tiradas no quarto dele, no dia do jantar.
A primeira foto, nós estávamos nos beijando e a mão de Percy estava na minha coxa. Na foto seguinte, ele estava dando beijos no meu pescoço, enquanto eu o abraçava. E na última, estávamos em pé. Nessa última, não era um beijo. Ele foi tirada só para provar que era Percy e eu. E nela, havia outro recado:
Seu namorado iria amar receber essas fotos, não acha?
Não tive vontade de chorar e nem senti desespero, o que achei esquisito. Dei uma risada, enfiei o envelope na mochila e peguei uma maçã. Enquanto andava pela cozinha, ouvi a buzina do carro de Percy e fui em direção à porta.
Percy estava encostado no seu carro. Ele usava uma calça jeans, uma blusa xadrez azul, uma touca e um óculos escuro — mesmo não estando Sol -, provavelmente para não ser reconhecido.
Ele deu um sorriso tímido quando me viu andando em sua direção, e abriu a porta do carro, para que eu entrasse.
– Oi — murmurei, quando ele entrou no carro.
– Bom... — ele disse, tirando o óculos e me olhando — Ontem eu te procurei pela escola inteira, mas não te encontrei...
– Percy, olha... — eu disse — As coisas andam meio confusas pro meu lado. Primeiro, você aparece e nós voltamos a ser amigos. Depois, meu pai morre, descubro que meu namorado mentiu pra mim e...
– Sobre essa parte do seu namorado mentir pra você — Percy murmurou e ligou o carro — Hoje, quando acordei, Thalia me mandou uma mensagem e disse que descobriu uma coisa.
– Que coisa? — perguntei, prendendo a respiração.
– Ela não disse — ele respondeu — Mas disse que era importante. Por isso, estamos indo pra casa do Luke.
Casa do Luke? Foi então que eu percebi, que não estávamos no caminho para a escola, e sim no caminho em direção a casa do Luke.
– Mas e a aula?
– A escola está fechada — ele respondeu, dando de ombros — Você não ouviu a mensagem que o diretor deu ontem?
Balancei a cabeça e ele riu. Era estranho estar ali com o Percy. Estranho e... Bom.
Percy POV
Annabeth parecia pensativa, e começou a procurar algo dentro de sua mochila. De lá, ela tirou um envelope pardo e tirou três fotos de dentro.
– Sua namorada me mandou isso — ela disse, me mostrando as fotos.
Eram fotos minha e de Annabeth. Se beijando.
– Minha namorada? — perguntei, confuso.
– Sim — ela respondeu — A Calypso. Ela acha que eu sou idiota o bastante para não saber que foi ela.
– Eu a vi ontem... — murmurei.
– Como assim?
– Depois do show, ela apareceu no meu camarim — resmunguei — Disse que nos viu juntos e...
– Aí está a prova que eu precisava — ela disse, sorrindo.
– Você não está preocupada com isso? — perguntei, erguendo a sobrancelha.
– Nem um pouco — ela respondeu, parecendo confiante — Minha mãe me contou uma coisinha e eu não estou tão certa de que Max estava me contando a verdade — ela olhou para a janela — Essa história está esquisita demais. Se era um anel pra mãe dele, — ela parecia querer chorar — Por que dizer que era pra namorada dele?
Fiquei em silêncio e ela também. Foi assim no resto do caminho, até chegarmos na casa de Luke.
Na verdade, é um apartamento. Luke mora sozinho há um ano, porque seus pais vivem viajando e ele não estava afim de sair de Nova York, então eles lhe deram um apartamento
Simples assim, né?
Pegamos o elevador e paramos em frente ao apartamento de Luke. Literalmente.
Assim que você sai do elevador, já está na sala do apartamento. Ela é grande e bem confortável. Uma televisão presa à parede, com vários aparelhos eletrônicos em uma pequena estante que fica embaixo. De frente para a mesma, havia um sofá branco enorme, com um tapete grande entre um e outro. As cortinas, eram de um tom bem escuro de verde e estavam fechadas.
– Seja bem-vindos ao meu pequeno palácio — Luke disse, vindo com uma bandeja na mão — Querem brigadeiro?
– Luke, são sete horas da manhã — Annabeth disse — É cedo demais para comer doces.
– Nunca é cedo demais para comer doces, loira — ele disse, e enfiou um brigadeiro na boca.
Annabeth revirou os olhos, jogou sua mochila em cima do balcão e se jogou no sofá, ligando a televisão.
– Cadê o resto do pessoal? — ela perguntou.
– Silena e Charles estão vindo, Chris e Clarisse foram no mercado comprar umas coisas, Nico também está vindo e...
– E eu estou bem aqui — Thalia disse, descendo as escadas que ligavam um andar ao outro.
Dei uma risada e peguei a bandeja de brigadeiros da mão de Luke, me sentando ao lado de Annabeth, que mesmo deitada, não estava ocupando nem 1/3 daquele sofá enorme.
– Ah, Golfinho, — Thalia disse, se sentando com as pernas em cima de mim e pegando alguns brigadeiros — Tia Sally ligou e disse que o motorista vai deixar Tyson aqui.
– Por que? — perguntei, confuso.
– Porque você é um irresponsável e esqueceu de avisar pros seus pais que estava vindo pra cá — ela retrucou — E além do mais, Tyson ia ficar a tarde inteira sozinho, e eu não posso permitir isso, porque sou uma prima legal demais.
– Eu ainda não entendi isso de não ter aula hoje e o porquê de estarmos aqui — Annabeth resmungou.
– É lógico que tem aula hoje — Thalia disse — Inventamos essa história pra que você viesse.
– Sua traíra! — Annabeth gritou e jogou a almofada nela.
– Olha só, vocês duas! — Luke disse, pegando a almofada e colocando de volta no lugar — Eu arrumei essa merda toda ontem, então tentem não estragar, valeu? — e bufou.
Ficamos conversando e rindo por uma hora, até que os outros se juntaram à nós. Eu nunca havia passado uma manhã inteira com os meus amigos fazendo essas coisas, então tudo isso é bem novo pra mim.
– Mas então, Thals — Clarisse disse — Por que você nos chamou aqui?
– Na sexta-feira, Luke e eu ouvimos a Rachel falando que havia arrumado um namorado novo e que eles iam comemorar três meses juntos — Silena tentou dizer algo, mas Thalia continuou — Nós ficamos mais um tempo ouvindo, e ela disse que o cara era universitário e os pais eram dono de um banco.
Annabeth caiu no chão, assim que Thalia terminou de falar. Eu não estava entendendo tudo, mas pelo que Thalia disse, e pelo que sei, o cara de quem Rachel dizia parecia com...
– Max — Nico sussurrou.
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