back to the past
18 So What
Notas iniciais
Percy POV
Eu estava achando que Annabeth havia caído do sofá, por causa do choque que teve ao ouvir o que Thalia disse, mas não foi bem assim.
Ela estava deitada no sofá, com as pernas em cima de Clarisse, e algumas almofadas estavam ao redor. Quando ouviu o que Thalia disse, Clarisse levantou em um salto, fazendo com que Annabeth caísse e as almofadas voassem pela sala.
– Eu sabia! — ela berrou — Aquele filho de uma puta, eu não acre...
– O que eu já falei da porra da almofada? — Luke berrou, interrompendo o ataque de raiva dela — Eu arrumei essa merda de apartamento ontem!
Se Nico não tivesse sussurrado que o tal namorado da Rachel era o Max, eu teria perguntado: "E o que isso tem a ver com a gente?" e com certeza iam ficar me encarando.
– E tem mais coisa, não terminamos ainda — Thalia disse e pegou o controle da televisão, abaixando o volume — Pedimos ao Travis que verificasse uma coisinha e ele descobriu uma coisa bem interessante.
– Descobriram que animal print é uma droga? — Silena perguntou, revirando os olhos — Disso eu já sabia.
– Não, Si — Thalia disse e deu uma risadinha — Nós descobrimos que a empresa não anda muito bem ultimamente.
Annabeth parecia estar pensando, porque colocou um dedo nos lábios e olhou para cima. Ela ameaçou dizer algo, mas voltou aos seus pensamentos e permaneceu calada. Ela parecia estar confusa e estava tentando não demonstrar.
Eu continuava sem entender muita coisa, mas preferi não perguntar, porque Thalia voaria em mim.
– Eu escutei meu pai conversando com um cara pelo telefone, um dia desses — Thalia disse, se sentando no colo de Luke — Era um dos advogados da empresa, e pelo que entendi, eles estão com várias despesas. A morte de Frederick acabou deixando todos muito abalados, e a concorrência se aproveitou disso.
– Falando em concorrência, você esqueceu de dizer uma coisa — Luke disse, colocando os braços pela cintura dela — Muitas empresas estavam em dívida com a Olimpo — Olimpo era o nome da empresa de Zeus e Atena. Esse é um dos motivos de Thalia e Annabeth serem tão amigas — E uma delas era a Tartarus e...
– Aquela empresa de molho de salada? — perguntei.
– Essa não é a empresa dos pais do Max? — Chris perguntou.
– Os pais do Max são donos de uma empresa que faz molho de salada? — Nico perguntou — Disso eu não sabia...
– Claro que não, seus idiotas — Clarisse resmungou — O nome da empresa do molho de salada é Tártaro. A empresa do pai do Max é Tartarus. É uma construtora, assim como a Olimpo — ela se sentou de novo — Meu pai disse uma vez, que há um top 100 de empresas, mas cada uma participa do rank do seu ramo. A Olimpo é uma das primeiras no rank, e a Tartarus vem logo em seguida.
– É exatamente isso — Nico disse, se sentando de forma descente na cadeira — Meu pai está nesse rank. Quinto lugar, acho. A Olimpo vem logo depois.
– Mas o que isso tem a ver com a empresa de molho de sala... — hesitei — Quer dizer, o que isso tem a ver com a empresa dos pais de Max?
– A Tartarus abriu um processo contra a Olimpo — Thalia explicou — Isso era segredo, e nem mesmo Atena sabia. Frederick pediu ao meu pai para mater sigilo, e ele aceitou. Os dois estavam tentando arranjar uma maneira de concertar tudo sozinhos.
– Isso está parecendo CSI — Silena murmurou — Vocês não tem o que fazer?
– Si, é importante — Charles disse e Silena deu de ombros, apoiando a cabeça em seu colo.
Eu achava os dois incríveis. Charles e Silena eram completamente diferentes um do outro, mas se davam muito bem. Nunca vi os dois brigando e estava sempre se abraçando, beijando ou rindo juntos. Era incrível. Era a mesma coisa com Clarisse e Chris: Enquanto ele era calmo e na dele, Clarisse é escandalosa e muito esquentada. Mas os dois se dão super bem.
Fiquei pensando nisso e nem vi que estava encarando Annabeth. Olhei para os lados, tentando disfarçar, mas tenho certeza que ela havia percebido.
– A questão é a seguinte: Nós desconfiamos que o pai de Max tem alguma relação com a morte de Frederick — Luke disse.
Todos ficaram sérios. Annabeth estava olhando para o teto e não sei se foi imaginação minha, mas vi uma lágrima cair em sua perna. Clarisse estava séria e Chris parecia bem preocupado. Silena estava de braços cruzados e fazendo bico — igual à uma criança quando faz birra — e Nico estava com cara de espanto.
– E se vocês estão surpresos com isso, tem mais coisa — Thalia disse e se levantou — O pai de Max é sócio dos pais da Rachel. Acredito que o namoro deles tenha a ver com isso.
– Cara, o que vocês estão fazendo na escola? — Charles perguntou — Vocês deviam virar detetives.
Quando Charles disse isso, acabei me lembrando de uma coisa.
– No dia em que saí com Annabeth, quando terminei com a Calypso — revirei os olhos ao lembrar dela — Vimos alguém saindo da casa.
– Deve ter sido o tal sujeito que ele pagou pra ir até lá — Thalia explicou — Pode ser que Luke e eu estejamos errados, mas é uma suposição — ela olhou para Annabeth, que voltou à encarar o teto — Nós não acreditamos quando ela veio nos dizer que não havia traição da parte dele e eu fui obrigada à ir mais fundo nessa história e...
– Está tudo bem — Annabeth disse, se levantando e indo até a cozinha — Eu não ligo mais pra essa história de traição. Já sei o que quero — por algum motivo senti alguns olhos em cima de mim quando ela disse isso — Mas eu não vou continuar com um cara que é filho do suposto culpado pela morte do meu pai — ela suspirou e voltou para a sala com um copo de água na mão — Vou pôr um ponto final nisso.
Tive vontade de levantar, gritar e beijá-la. Meu coração estava acelerado e eu me sentia eufórico. Cada célula do meu corpo parecia soltar fogos de artifício e era uma sensação boa. Era mal estar feliz por sua amiga terminar o namoro dela? Desde que beijei Annabeth no jantar, não paro de pensar nela um segundo. É irritante, estranho e bom ao mesmo tempo. Uma confusão de sentimentos.
Fiquei em silêncio e pensando naquilo.
Ameacei dizer algo, mas fui interrompido pelo som da campainha. Thalia se levantou, abriu a porta e deu um gritinho histérico.
– Tyson! — ela gritou e o abraçou.
– Oi — ele murmurou, dando uma risadinha e entrando no apartamento.
Ele estava usando uma calça jeans escura, uma camisa verde e um tênis all star comum. Tinha um boné dos Yankees na cabeça, o qual tampava seus cabelos castanhos, que já estavam abaixo de suas orelhas. Tyson estava com as bochechas vermelhas e parecia estar envergonhado por ver tantas pessoas novas.
Ele sempre fora assim. Enquanto ele era tímido e quieto na dele, eu era agitado e extrovertido. Tentava fazer amizade com todos e não era tão tímido.
– E aí, garotão — falei e ele sorriu.
– Então esse é o famoso Tyson? — Annabeth perguntou, sorrindo.
– Eu achei que o Percy que fosse o famoso por aqui — ele disse, parecendo surpreso e depois disse: — Ei, eu conheço você.
– Conhece? — ela perguntou, erguendo uma sobrancelha e dando uma risada.
– Há algumas fotos suas e Percy no mural do quarto dele — ele disse, me entregando — Acho que ele não está muito feliz por eu ter dito isso.
Os outros riram e ele abriu um sorriso tímido, se sentando ao lado de Thalia, que não parava de lhe encher de perguntas.
– Por que você não vai mais lá em casa? — ela perguntou com uma voz manhosa e parecendo chateada — Você me trocou pelo Percy?
– Ah, não — ele respondeu — Sou muito ocupado, sabe? E Percy não para em casa, então...
– Ei! — protestei — Não jogue a culpa em mim.
Ele deu de ombros e passou a conversar com todos. Se apresentou para cada um e contou que passava as férias em um acampamento e que sabia montar diversas coisas. Era interessante vê-lo daquele jeito, já que ele passava a maior parte do tempo vendo desenho animado.
Senti alguém me cutucar e me virei.
– Pode me levar para casa? — Annabeth sussurrou.
– Claro, mas você tem certeza que quer ir agora? — Perguntei e ela olhou para os lados, parecendo nervosa.
– Eu... — ela hesitou.
– Ok, eu te levo — e me levantei, indo em direção à Tyson, que estava contando a história do avião de controle remoto que ele havia construído — Daqui a pouco eu volto — falei para ele e os outros pareceram não perceber, já que estavam rindo.
Annabeth pegou sua bolsa em cima do sofá, calçou os tênis e foi em direção à porta, comigo logo atrás.
* * *
A conversa no carro não foi das mais agradáveis.
Na verdade, nem houve uma conversa.
Assim que chegamos no carro, Annabeth abriu a porta de trás e se jogou no banco traseiro. Ao longo do caminho, jurei ter ouvido ela fungar, suspirar e choramingar. Todas as vezes que eu perguntei se ela estava bem, ela levantava o polegar e não dizia nada. Ficamos assim no caminho inteiro, até que parei o carro e saí.
Abri a porta de trás e puxei Annabeth para fora. Ela estava com os olhos vermelhos e estava fazendo um biquinho — ela faz isso desde pequena -. Tive vontade de abraçá-la e nunca mais soltar. Sussurrar que ficaria tudo bem e que eu não a deixaria sofrer de novo.
Ela pegou sua bolsa, pendurou no ombro e me abraçou. Fiquei surpreso, mas retribui o abraço.
– Ei — chamei-a — Vai ficar tudo bem.
Ela balançou a cabeça, assentindo e dando um pequeno sorriso. Me deu um beijo na bochecha e entrou em sua casa.
Fiquei ali, parado, vendo ela entrar e processando tudo que havia acontecido só hoje. Senti que estava esquecendo de algo, mas ignorei e entrei no carro.
Annabeth POV
O ministério da saúde adverte: Se seus amigos suspeitarem de algo, acredite neles. Em hipótese alguma ignore-os e diga que são loucos. Eles sempre vão estar certos. Sempre.
Estava me sentindo um lixo. Descobrir que é traída e que o seu sogro pode ser o culpado pela morte do seu pai, não é nem um pouco fácil. Assim que Percy me deixou em casa, entrei correndo e me joguei em minha cama.
Percy... Ele não deixava os meus pensamentos. Há seis meses atrás, se me dissessem que voltaríamos a ser amigos, eu riria e mandaria a pessoa para o inferno. Mas hoje, tenho a vontade de beijá-lo. Mesmo estando comprometida.
Quer dizer, não estou mais. Comecei a chorar de novo e fechei os olhos, tentando clarear a mente — o que é até esquisito de se fazer — e durante o momento de reflexão, tive uma ideia.
Peguei o envelope com as fotos que Calypso, ou melhor, a "namorada misteriosa" de Percy havia me enviado e tirei as fotos de lá. Fiquei observando-as por um tempo e depois peguei um envelope qualquer que havia dentro de uma das gavetas da minha escrivaninha. Coloquei todas la dentro, lacrei o envelope e escrevi no verso:
Oi, Max. Então, eu acho injusto ter que fazer a Rachel te dividir comigo. Estou sendo legal o suficiente para deixá-la ficar com você, ok?
E, ah! Essas são algumas fotos minha e de Percy. Tiradas no último sábado.
Somos fotogênicos, não acha?
Com amor, Annabeth.
Ps:. Não me procure. Você é um idiota. Reconciliação dos seus pais? Corta essa.
Dei um sorriso ao terminar de escrever e coloquei o endereço de Max na parte da frente do envelope. Desci às escadas, corri para o jardim e coloquei a carta na caixa de correio para ser entregue.
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