as Caçadoras e as Paixões Proibidas.
13 Capítulo XII - A Floresta de fogo.
Notas iniciais
Pov Sam:
A minha cabeça doía que era uma beleza!
_ Ai... — murmurei e vi que estava tudo escuro. — Onde é que eu vim parar... — comecei e senti uma mão gelada no meu ombro. Dei um pulo. Ouvi uma risada aguda, essa risada não era do Ivan. Soltei um grito e pulei, percebendo que as mãos em meus ombros eram mais ossudas, além das unhas gigantes e da maciez, do que as de Ivan.
_ Ah, eu sinto a presença de outro demônio, além dessa risada, quem está aí? — ouvi a voz de Ivan.
_ Ivan! — gritei. — Cadê você?
Era mil vezes ficar com aquela raiva e aquele medo do Ivan do que ficar com aquele pavor absoluto daquela mulher. Eu me sentia um pouco mais segura com Ivan.
_ Então, essa é a famosssa Sssamantha... — ouvi um murmúrio ao longe.
_ Quem é que está aí? — perguntou a voz de Ivan. — Lilith?
_ Não, não... — a voz de uma mulher ecoou.
_ Ah, Súcubo, saia daqui, não me faça te expulsar. — ordenou Ivan.
_ Masss... Sssenhorrr... Eu esstava doida parra conheccerr a famossa Sssamantha... Não esstrrague...
_ Vá embora! Vá caçar outro homem para possuir e cale a boca! — disse Ivan.
Possuir?
_ O que? Não, coitado do cara! — falei, sem querer e a voz de Ivan berrou:
_ Não se intrometa, Samantha!
Engoli em seco, o tom daquela voz foi assustador.
_ Ta, eu vou, já fui, tccchauzzzinho, nosss vemosss depoisss... Sssamantha. — a voz da tal Súcubo sumiu.
Ouvi um suspiro.
_ Luzes! — exclamou Ivan.
Eu estava em uma floresta, muito diferente de qualquer outra, pois... As árvores... Eram feitas de fogo. E o riacho ao lado de lava. O chão era feito de cinzas.
_ Meu Deus... — sussurrei, boquiaberta.
_ Este era o lugar em que eu descansava do tumulto do inferno. Aqui, todas as criaturas me conhecem e não chegam perto, não se preocupe. E estamos longe do inferno. — falou ele, olhando feio para uma serpente que aparecera e logo sumira. Até a serpente era diferente... Ela era... Feita de algo parecido com aço, mas por dentro, o vermelho do sangue era visível. Espera... Criaturas?
_ Ai credo! — exclamei, vendo um monte de coco maior do que eu, bem atrás de mim.
_ Humm, Charlotte! — chamou Ivan. Eu engoli em seco e uma coisa molhada e gelada se esfregou nas minhas costas. Gemi, sem ter coragem de me virar.
_ Aaah... — sussurrei, sentindo a coisa se mover. — Credoo... — falei quase sem voz.
_ Ah, ela é só um caramujo esquisito! Venha aqui! — disse Ivan, que estava recostado em uma casca... O que...
A casca era enorme e toda feita de... Alguma substância parecida com uma gosma super resistente, endurecida.
“Melhor?" Uma voz ecoou na minha cabeça. Corri até Ivan, sem nem olhar para a coisa.
_ Eu preferia com o coco... — comecei e a voz falou em minha cabeça: "Ah, então..." — Não! — exclamei. — Eu preferia aguentar o coco a sentir algo tão... Iiirch! Em mim! — falei, sem conseguir me expressar.
“Isso eu não controlo”.Sussurrou a voz em minha cabeça e uma coisa começou a se arrastar em direção á casca. Gritei, fechando os olhos. Quando os abri de novo, tinha um caramujo em tamanho gigante na minha frente. Suspirei, aliviada e vi que o caramujo soltava uma teia negra...
_ O coco. — falou Ivan.
_ Aaahh, não precisava falar... — gemi.
_ Vou falar logo. — disse Ivan, perdendo a paciência. — Samantha, eu preciso saber... Foi... Foi você quem mandou de volta o O-Yama?
O fitei, confusa. O... O que?
_ O... Aquele, enorme, com asas de fogo, língua de serpente, todo vestido de ouro e cheio de luxuria... — começou Ivan e eu o interrompi:
_ Fui eu mesma. Por que? Eu só encostei nele e... Aconteceu aquilo tudo. — falei, franzindo as sobrancelhas.
_ Ele era meu irmão gêmeo. — disse Ivan, olhando para baixo.
_ Mas... Então eu o mandei de volta para você, não? — perguntei, engolindo em seco.
_ Um anjo desceu só para destruí-lo, pois tinha feito Ekkel cair. — disse Ivan. — Aquela era a última chance de ele viver sem ser notado pelos anjos e... Você acabou com tudo.
Ai meu Deus, e agora?
_ B-bom... — gaguejei.
_ Ele era o único que ficava do meu lado, pois eu era muito excluído por ser apenas... Um príncipe que não podia fazer nada... E você simplesmente denunciou tudo. — disse Ivan.
Uma lágrima escorreu solitária por seu rosto. Foi a única vez que eu vi ele chorando.
_ Eu... Desculpe... Eu não sabia... — comecei e ele me olhou. Nem parecia que ele tinha chorado, tamanha era a raiva em seu olhar.
Agora era eu quem estava com vontade de chorar. Eu estava com medo. Aquele olhar perverso, dominado pela raiva me dava medo... Não, era muito mais do que medo...
_ Você acha mesmo que só isso basta? Um simples desculpe vai trazer ele de volta? Acho pouco provável. — disse Ivan, pegando meu pescoço. Ele me levantou no ar, a sua mão apertava fortemente meu pescoço e as suas unhas cravavam em minha pele. Ele me jogou contra uma arvore que me queimou.
_ Ai... — murmurei, tremendo e pegando o meu braço.
_ Humanos são tão fáceis de matar... — murmurou Ivan.
_ Por favor,... O que eu posso fazer para te recompensar? Eu... EU FAÇO QUALQUER COISA! — berrei sem pensar.
_ Qualquer coisa?
Ele tinha parado, me fitando com um sorriso divertido nos lábios. Seu olhar ainda não mudara.
_ Ahn... Eu... Depende do que...
_ Um serviço? Quero que destrua Nathaniel para mim, se fizer isso, acho que posso te dar uma chance como minha serva. Nem pense em me enganar, conheço todos os truques, nem pense em me manipular. Quero a alma de Nathan nas minhas mãos. Afinal... Foi ele quem destruiu O-Yama. — disse Ivan.
Engoli em seco e apareci novamente no meio da cozinha. Minha mãe correu até mim, na verdade, todos correram até mim, inclusive Nathan e Sara. O que eu faria agora? Eu faria o que ele mandou ou seria morta?
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