as Caçadoras e as Paixões Proibidas.
4 Capítulo III - Nunca confie em um fantasma
Notas iniciais
( --- Mou Entrando ---
Mais um capítulo, espero que gostem.
Frase: " A verdade é uma coisa bela e terrível. Por isso deve ser tratada com grande cautela." ---)
Pov Sara:
Eu estava na cozinha e pretendia ir de fininho até meu quarto, quando minha mãe e meu pai entraram e fecharam a porta, impedindo meu plano de passar despercebida por eles.
_ Muito bem, o que foi aquilo Sara? — Minha mãe perguntou.
Ela já estava com aquela cara de quem não ia gostar da resposta.
_ Bem, eu... Quer dizer... Aquilo? Ah, é... – Eu murmurava.
Eu não conseguia pensar em nada para explicar. Mas eu fui interrompida:
_ Não me diga que você e sua irmã continuam indo atrás daquelas criaturas? – falava o meu pai.
Ele tinha me interrompido, aborrecido.
_ Bom, na verdade pai, eu e a Sam estávamos bem aqui quando isso aconteceu, então, tecnicamente não fomos nós que saímos atrás do... – Eu murmurava.
Droga! Eu havia confessado sem querer que o garoto era uma criatura.
_ Eu sabia! Quem é aquele garoto Sara? E o que ele é? — Meu pai gritou.
Agora ele estava enfurecido.
_ James querido, não vamos conseguir nada se ficar gritando com ela. – murmurou minha mãe.
Ela tentou acalmá-lo, pois sempre foi um pouco mais paciente do que ele.
_ Como quer que eu fique calmo, Cecília? Eu avisei para essas duas não irem atrás dessas coisas, ou melhor, eu as proibi de fazerem isso. E pelo jeito minhas ordens não foram cumpridas, não é Sara? – falou meu pai.
_ Eu... – Murmurei.
Eu abaixei a cabeça sem graça. Esqueci de contar, meu pai já foi caçador de criaturas, mas infelizmente a irmã mais nova dele, foi possuída por um demônio e acabou morrendo. Desde então, meu pai desistiu de caçar, ele se culpa por não ter salvado minha tia. Só o marido dela que continua as caçadas até hoje, ele jurou vingança e mata todos os demônios que encontra pela frente. Meu pai cortou as relações com ele, porque não queria que eu e Sam virássemos caçadoras também.
Mas um dia, nosso tio veio nos visitar e Sam acabou descobrindo o que ele fazia, eu já tinha esse dom maluco de ver fantasmas e localizar as criaturas, então, Sam se animou e me convenceu, e pronto, a confusão estava armada.
Nós viramos caçadoras, aprendemos tudo com o nosso tio, fizemos tudo escondidas do nosso pai, é claro, mas um dia, meu pai achou uma das facas que usamos para cortar a cabeça de um demônio nas coisas da Sam.
Eu e ela ficamos sem sair de casa por um mês, era do colégio pra casa e da casa pro colégio, e meu pai ia nos levar e nos buscar só pra ter certeza de que estávamos obedecendo. Mas a Sam sempre foi esperta, no intervalo, nós pulávamos o muro do colégio e continuávamos nossas caçadas. Depois que saímos do castigo, tomamos todo o cuidado possível para manter tudo em segredo, e agora meu amigo, que já não é tão amigo assim, resolve estragar tudo, tenho que pensar em um jeito de deixar ele de castigo, porque se eu for cair, ele vai comigo!
_ Sara! Está me ouvindo? – Falou uma voz.
Meu pai deu um soco na mesa, me fazendo voltar à realidade.
_ Desculpe pai, eu juro que não sabia que isso ia acontecer. – Murmurei.
_ Sara, querida, quem é esse garoto? — Minha mãe perguntou.
Ela falava suavemente, mas com preocupação na voz.
_ Eu, bem... Eu achava que ele era um fantasma, eu via e conversava com ele desde quando eu tinha 12 anos, mas, agora vocês conseguiram ver ele, e eu sinceramente não sei o que está acontecendo. – Murmurei.
Eu estava nervosa e pensando a onde estava a Samantha quando eu precisava dela?
_ Se ele apareceu, já pensou na possibilidade de que ele não é um fantasma? — Meu pai perguntou.
Ele ainda estava aborrecido.
_ Eu... – comecei.
_ Sara! Maninha, você está aqui, ah, oi pai, oi mãe, que dia lindo não? – Falou uma voz, me interrompendo.
Sam entrou na cozinha sorrindo sem se importar com o olhar de reprovação que meu pai lhe lançou.
_ Samantha, pode me dizer... – Começou.
_ Olha pai, depois eu digo tudo que o senhor quiser, agora, eu e Sara temos uma coisa importante pra fazer no quarto. – Falou ela.
_ Sim, verdade, temos que estudar para uma prova muito difícil de Matemática, e acho que o senhor não iria querer que a gente tomasse recuperação, não é? – Falei.
Era tudo tão mais fácil quando a Sam me ajudava.
_ Querido, deixe as meninas, depois com mais calma, nós conversamos. – Murmurou minha mãe.
Ela pediu com a mão no ombro de meu pai.
_ Vocês duas, pra cima! Agora! – Meu pai ordenou.
Eu e a Sam não dissemos mais nada. Saímos da cozinha e fomos direto para meu quarto.
Quando Sam fechou a porta, eu me sentei na cama e suspirei. Agora ia começar um segundo interrogatório, que não iria ser fácil de responder, porque a Sam era bem curiosa e não se contentava com respostas curtas.
_ Muito bem, comece a falar irmãzinha. – Disse minha irmã.
Ela se sentou ao meu lado e me encarou séria.
_ Sam, eu vejo e converso com aquele garoto desde quando eu tinha 12 anos. Era isso que eu ia fazer no porão, que te deixava tão curiosa. Mas sinceramente, eu me assustei hoje, só eu podia ver ele, não era pra vocês conseguirem também. – Falei.
Apesar da conversa me deixar envergonhada, era como se eu estivesse tirando um peso de cima de mim.
_ Era por isso que você pedia pra ninguém ir ao porão? Você dizia que lá era seu cantinho especial, mamãe achava isso uma coisa bonitinha, ela dizia que você devia guardar seus brinquedos lá dentro. Mas quando você foi crescendo, ela começou a achar estranho. – Disse Samantha.
_ Sim, eu me lembro disso. Ela dizia que eu devia parar de ir até o porão, isso era coisa de criança e eu já estava grandinha demais. – Falei.
_ É, você ficou super assustada quando ela disse que ia fazer uma limpeza lá dentro. – Murmurou minha irmã.
_ Sam! – Exclamei.
Eu dei um pulo e fiquei de pé, indo até a porta.
_ Ei! A onde a senhorita pensa que vai? – Perguntou ela.
Samantha se levantou e foi até onde eu estava.
_ Sam, a mamãe deve ter aberto o porão! – Exclamei.
_ E o que isso tem haver com... – Começou ela, mas eu a interrompi:
_ Eu fazia um encantamento que deixava meu amigo preso lá dentro, e antes de entrar, eu dizia aquele outro encanto que deixa os demônios paralisados, assim, eu podia abrir a porta e entrar, assim, eu podia abrir a porta e entrar, sem que ele pudesse escapar. – Expliquei.
_ Ta, ainda não entendi onde você quer chegar com isso. – Resmungou ela.
_ Eu sou tão desligada! Eu estava tão empolgada em ter um amigo fantasma, que esqueci que esse encanto serve para paralisar demônios, e não funciona em fantasmas, com fantasmas, é outro encanto. Isso significa que meu amigo, não é fantasma Sam!
_ Ta querendo dizer que ele é um demônio? – Perguntou ela, preocupada.
_ É provável, e pelo jeito, alguém abriu a porta do porão, e ele conseguiu se libertar. – Falei.
_ Deve ter sido a moça que limpa nossa casa, mamãe pediu pra ela dar uma boa limpeza no porão. Eu disse que você não ia gostar, mas ela falou que já estava na hora daquele lugar ser aberto e limpo. – Lembrou, Sam.
_ Essa não! Vem, temos que ir pra lá. – Chamei, saindo do quarto.
Sam me acompanhou até o porão, e eu abri a porta com um arrepio percorrendo minha espinha.
Quando Sam entrou, eu fechei a porta, e lá estava ele, fazendo uma cadeira levitar. Ele tinha um sorriso travesso no rosto, e estava tão tranqüilo, que parecia uma coisa normal ficar levitando cadeiras em um porão de uma família que estava enfrentando uma confusão graças a ele.
_ Ah, olá Sara, vejo que veio acompanhada dessa vez. – Disse ele.
Ele deixou a cadeira cair e encarou minha irmã com um brilho estranho nos olhos.
_ Não tenho tempo pra suas ironias. Vai me explicar o que foi aquilo? — Eu disse.
Já estava me irritando, enquanto Samantha observava-o, interessada.
_ Eu já falei, eu apenas quis ficar visível, e fiquei. Ponto final. – Disse ele.
A voz dele era calma, mas seu tom fez um frio passar pela minha espinha e eu tive que me controlar para não perder a voz.
_ Olha, eu quero saber, o que você quer? — Eu disse.
Eu estava com uma voz fraca.
_ Essa é uma boa pergunta. Mas, não vou te responder agora, apenas vou dizer que não ficarei mais neste porão. – Murmurou ele.
_ O quê? – Perguntei.
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo, e porque a Sam não falava nada? Isso era estranho, ela sempre falava muito nessas horas de tensão.
_ Me manteve preso durante muito tempo, Sara, e eu aceitava isso sem reclamar. Eu sempre conversei com você e te ouvia quando você precisava. Mas agora, eu vou fazer o que eu quero. – Disse ele.
Ele deu uma risada fria, se aproximando de mim e da Sam.
_ Escuta... — Eu tentei dizer.
Mas claro, ele me interrompeu.
_ Sara, irei ficar na minha forma humana, e meu nome será Ivan, é bom você não tentar impedir isso, você sabe o que eu posso fazer quando me irrito. – Disse.
_ Forma humana? – Perguntou minha irmã.
Sam finalmente falou alguma coisa, já estava na hora né?
_ Sim, e não se preocupe Sara, eu tenho um lugar para morar. – Disse ele.
_ Onde? – Perguntei.
Foi a única coisa que eu consegui dizer.
_ Um dia você vai descobrir, eu terei o prazer de levar você e sua irmã pra lá. – Disse ele.
O sorriso dele foi sombrio, e pela primeira vez, eu tive medo daquele que eu achava que era meu amigo.
_ Espere, você vai continuar nos encontrando? — Samantha perguntou.
Minha irmã estava o encarando de uma forma estranha. Porque ela havia perguntado isso?
_ Claro que sim, Sara sabe que não pode se livrar de mim, não é mesmo minha querida humana? – Perguntou.
Eu tremi quando ele me chamou daquele jeito, porque era assim que ele me chamava em nossas conversas.
_ Sei, com certeza eu sei. — Eu disse.
Agora eu o olhava com raiva.
_ Muito bem. Agora, vou indo, depois, eu respondo as suas perguntas Sara. É claro que eu vou responder só as que eu quiser. — Ele disse.
Isso, antes de se retirar, rindo alto.
Sam ficou me olhando em silêncio, quando eu finalmente consegui quebrar o clima de tensão que ele havia deixado.
_ Ele não era assim. – Falei.
Eu abaixei a cabeça, por um lado, estava triste de ter perdido meu amigo.
_ Sara, você sabe que quando eles querem conseguir alguma coisa, eles fingem ser o que você quiser. — Samantha disse.
Ela estava tentando me consolar.
_ Sim, mas eu pensava que ele era um fantasma. — Eu respondi.
Agora eu estava desanimada, me sentia mal por não ter percebido que ele não era realmente era meu amigo.
_ Não esquenta irmãzinha, vamos estar juntas nessa. Mas tenho que admitir, ele é tão lindo... – Murmurou Sam.
Pronto, minha irmã estava ficando maluca de vez!
_ Sam, eu não acredito que você está falando uma coisa dessas, por favor, não é? – Perguntei.
_ Como se eu estivesse dizendo alguma mentira. – Resmungou ela.
Eu a olhei espantada, minha irmã havia batido a cabeça quando era pequena, era essa a resposta para as loucuras que eu estava sendo obrigada a ouvir. Antes de qualquer coisa, ouvimos a voz de meu pai berrar lá da cozinha:
_ SAMANTHA E SARA, VENHAM JANTAR! E AGORA!
Nós nos olhamos rindo, e antes de sair do porão, Sam disse baixinho:
_ Hora de encarar algo muito mais difícil do que uma criatura sobrenatural.
_ Ah é? E o que é? — Eu disse.
Eu já estava rindo.
_ A fúria do senhor James, o caçador aposentado!
Eu não me aguentei, e soltei uma gargalhada.
E descemos as escadas rindo. Eu sabia que algo muito sério com certeza estava para acontecer, mas nem por isso, eu iria deixar de me divertir com minha irmã, que sempre esteve comigo nas piores e melhores horas.
E amanhã, seria um novo dia. Na escola, e ai meu Deus! Eu iria ver o Nathan de novo! Meu estômago deu uma revirada, e eu achei melhor deixar todos os meus pensamentos para depois, agora, era hora de ajudar a Sam a nos livrar de um outro castigo.
Notas finais
( ---Moukiki na parada ---
Aaah, quando a Sara descobrir a verdade sobre o Nathan, éé, pessoal, ainda tem muita coisa pela frente. Acho que o segredo do Nathan vai se revelar rapidinho, mas as maiores complicações vão demorar um pouco para se revelar, mas o próximo capítulo é pov Sam, então fiquem preparados. Bjs.
--- Moukiki Saindoo---)
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