as Caçadoras e as Paixões Proibidas.
17 Capítulo XVI - O outro lado de Ivan.
Notas iniciais
Pov Samantha:
_ Calma, vamos tomar um café primeiro. — sugeriu Paul, vendo como eu estava desesperada para voltar para casa.
_ NÃOO... — comecei a gritar, mas ele me arrastou até uma padaria, pedindo um chá e me entregando uma rosca.
_ Hum, aqui tudo é grátis para mim. — explicou.
_ Aaah... — comecei, querendo voltar para casa, mas uma curiosidade veio á tona e foi mais forte do que a minha consciência: — Ei, você é filho de um demônio, certo? — perguntei.
Ele quase se engasgou, claramente sem gostar do assunto.
_ Sim... — começou ele e logo tratou de dizer: — Um filho não escolhe o seu pai.
_ Mas... Você não gosta de ser filho de um demônio? Qual é o nome do seu pai? Como é ser um meio-demônio? — perguntei, curiosa demais para fazer uma pergunta de cada vez.
_ Eu... Não, eu não gosto de ser o filho de um demônio. Meu pai se chama Luminis. Não é nada bom ser filho de um demônio. — disse ele, parecendo muito triste, mas não querendo se deixar abater pela tristeza.
_ Por que não é bom? Você tem os poderes de um demônio ao mesmo tempo em que pode ser bom como um humano! — falei, sem entender.
Ele engoliu o choro, tentando se conter.
_ Não gosto de falar nisso. — disse ele, olhando para o outro lado.
_ Mas... Por que não? O que há de errado? — perguntei. Ele parecia realmente triste.
_ Não há nada de errado, eu nem sei por que estamos falando nisso. — disse ele.
_ Porque eu estou curiosa. — falei.
Ele ficou alguns segundos em silêncio, até que disse:
_ Não é uma boa hora para falar disso.
_ Nenhuma hora vai ser boa para falar disso. Por favor? — falei, erguendo as sobrancelhas como se eu fosse chorar.
_ Olha... Não é nada do que eu me orgulhe ter um pai que mata as pessoas. Aliás,... É só que... Quando se é um meio-sangue, você nunca é completamente aceito em nenhum lugar. Os demônios me desprezam e me menosprezam. Os humanos nem me olham, mas também não me tratam mal enquanto não sabem, apenas sentem. Os anjos me ignoram completamente, a não ser se eu estiver envolvido com alguém ou alguma situação estranha, aí eles apenas me olham com tristeza. Acho que é isso. Está feliz agora? — disse, sem se virar.
Nossa... Que...
_ Que triste. — soltei sem querer em voz alta. Ele abaixou a cabeça e saiu, andando até sumir no meio da neblina, que agora era perceptível, mas não era tão densa.
_ São dez reais. — disse a moça. Eu a olhei surpresa e ela disse:
_ Ele não paga. Mas você paga.
_ An... — falei, surpresa demais para falar alguma coisa.
_ Eu pago. — disse uma voz.
Eu me virei e vi um cara... Nossa, ele era lindo! Os olhos eram castanhos, o cabelo... O cabelo meio que variava no sol, alguma cor clara, não pude identificar.
_ Por que você paga? Eu te conheço?
Que perguntas foram essas?
_ Eu sou o Ivan, não estraga o disfarce. — resmungou ele.
_ O QUE? — quase gritei.
_ Calada! — sussurrou ele.
_ Está tudo bem? — perguntou a moça para mim.
_ Claro! — falei, sorrindo forçadamente.
_ Então tudo bem! São vinte e dois reais e noventa. — disse a moça para Ivan.
_ Ok, eu pago dez reais e você me da o troco de cinqüenta centavos, o valor real, ok? — perguntou Ivan.
A mulher ficou sem fala, o Ivan falou aquilo muito naturalmente. Foi mesmo estranho.
_ O-ok. — gaguejou ela, olhando para ele pela primeira vez. Ela arregalou os olhos e não conseguiu desviar os olhos. — Q-qual é-é a f-forma de p-pa-pag-gamento? — gaguejou ela, com a voz fraca e corando.
_ Dinheiro. Digo, nota. — disse Ivan, dando uma nota de dez para a moça. Um homem veio até Ivan, lhe dando cinqüenta centavos e arrastando a moça que agarrava a nota de dez junto ao peito.
_ AAAH, MEU DEUS, QUE GAATOO! — ouvi um grito de dentro da loja e algumas vozes. Ivan deu uma gargalhada.
_ Que tipo de disfarce é esse? — perguntei.
_ Ah, sei lá, imitei uma loira que estava na rua. Não deu muito certo, eu fiquei com o cabelo estranho, mas fazer o que? — disse ele, pegando um fio de cabelo e examinando. — Que cor é essa? Parece meio um azul bem claro, com um verde super claro e um... Prata? Que isso, parece um arco-íris!
_ Ficou legal. — falei, sentindo as minhas bochechas esquentarem e virei para o outro lado.
_ Eu acho patético. — disse Ivan.
_ Então por que você não muda de aparência, já que achou tão ruim assim? — perguntei, voltando a o olhar.
Ele olhou para outro lado, parecendo maio sem jeito.
_ É que... Eu... Não consigo. — disse ele.
_ O que? Como assim? — perguntei, um pouco confusa.
_ Bem... Uma vez todos os anos, meus poderes somem. Então, acho que hoje é um desses dias... Então eu não tenho muita escolha... — disse ele. — Eu vim aqui, porque eu não pude ir em outro lugar.... Eu meio que caí aqui, quando eu saí lá de perto da Sara, que saiu com o anjo... Eu não tenho como julgar nada... Então... Me ajuda? — perguntou Ivan, engolindo em seco, com os olhos grudados na parede. — Eu... Eu não imitei ninguém, na realidade, eu sou assim mesmo, mas não consegui ir na minha forma humana... Afinal, eu perdi os poderes. Então... Eu preciso mesmo de ajuda, tipo, foi do nada, e se algum demônio, anjo ou meio-sangue me pega assim... Eu não gosto de pedir ajuda, mas você é a pessoa mais confiável por aqui. — disse Ivan, finalmente me olhando.
Eu o fitei, quase boquiaberta. Isso era totalmente novo.
_ Am... — murmurei. Eu queria dizer sim, ele parecia mesmo muito mais indefeso do que antes, mas tipo, ele é um demônio e tudo...
_ Por favor. — disse ele.
Como dizer não para aquele cara... Aquele Deus Grego que estava na minha frente?
_ Ta. Ok, vem comigo. — falei, me levantando.
Ele sorriu e me abraçou. Paralisei.
_ Ou, ou, ou! — murmurei e ele me soltou.
_ Obrigado. — disse, sorrindo.
Ele parecia tão inocente, meus Deuses!
_ Não foi nada, vamos falar com a Sara. — falei.
_ Espera! — disse ele e eu o fitei.
_ Não conta para ela, nem para ninguém, por favor. — disse.
Eu sorri.
_ Então esse é o seu eu de verdade? — perguntei. Ele sorriu.
_ Acho que sim. Eu era um anjo antes, não é? — disse ele. — Depois de como tudo aconteceu, onde eu fui criado e tudo mais... Acho que eu virei um demônio. Mas eu tenho um lado bom uma vez por ano. É nesses dias que eu fico mais livre, mas ao mesmo tempo, mais limitado, sem os poderes. Mas, afinal, acho que a resposta para aquela pergunta é sim. — disse, olhando o céu. — É raro quando eu não gosto do céu nublado e dessa nevoa toda.
Eu ri, andando ao lado dele. Até que ele era legal sem aquele sarcasmo todo e tudo... Ele estava... Diferente. Ele parecia mais um anjo do que um demônio agora. Cheguei na porta de casa, me deparando com Sara e Nathan.
_ Ah, não... — murmurou Ivan, dando meia-volta.
_ Le... Digo, Ivan? — disse Nathan, erguendo uma sobrancelha. Ivan deu um riso fingido, com uma cara de choro.
_ Oi, Nathan. — disse Ivan, sorrindo com as sobrancelhas para cima como se ele fosse chorar.
_ É você mesmo? O que aconteceu? — perguntou Nathan. Sara estava nos olhando com uma cara de interrogação.
_ Nathan, você pode nos dar um minuto? — perguntei para Nathan, que assentiu minimamente. — Vem. — sussurrei para Ivan.
Fui até um beco e Ivan suspirou.
_ Obrigado. Ai que medo! Se o Nathan descobre, eu to morto! — disse ele, suspirando e abaixando a cabeça. — Você salvou a minha pele.
Sorri. Ele estava mesmo diferente. Esse Ivan eu não conhecia.
_ Ivan... Aquele outro eu seu é como uma máscara de defesa? — perguntei.
_ Não sei. Eu só não consigo controlar isso. E eu fico fraco assim do nada, sabe, eu nunca sei que dia, que horas, vai acontecer. Por isso sou tão cauteloso, sempre sumindo dos lugares. Acho que você é a única que sabe, nem a Sara sabe. Eu escondi dela todos esses anos. Tenho muito medo quando eu estou assim. Medo do que vai acontecer, medo de... Se alguém me pega... Qualquer um deles... Aaah! — disse Ivan, novamente com cara de choro. — Mas não vou chorar. Não mais.
O fitei. Ele devia estar bem encrencado para ter tanto medo.
_ Se você quiser, podemos ir até o porão lá de casa. Eu arranjo um jeito de sumir com o Nathan e a Sara e você passa despercebido. No porão, não entra nenhum demônio, mas depois eu vou ter que te soltar. Ok? — perguntei. Ele assentiu, rindo. E então, eu fui até Nathan e Sara, arranjar um jeito de fazer eles irem comigo para algum lugar.
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