Notas iniciais
Ei, gente... Aqui está mais um cap =D

Pov Samantha:

E eu tive o sonho mais estranho do mundo. Acordei com o despertador apitando na minha orelha. Derrubei ele no chão de tão assustada que fiquei. Sara gemia algo como: "Bosta, eu nem dormi! Passei a noite em claro...”.

_ Sara? — murmurei, estremecendo.

_ Fala! — gemeu ela, um pouco mau-humorada.

_ Eu tive um sonho muito estranho. — sussurrei, sentindo meu corpo todo estremecer.

_ Conta. — resmungou ela, abrindo os olhos que estavam vermelhos.

_ Eu... — murmurei, me encolhendo ao lembrar do sonho.

Sonho: ---

Eu estava em um cemitério, o vento açoitava meu cabelo, frio como o gelo. Outono, quase inverno. Alguns flocos de neve antecipados caíam, formando um aspecto até bonito, se uma neblina espessa não tampasse o chão. A lua brilhava, cheia como um olho, me fitando, branca e pálida. Encolhi-me de frio.

_ Sam? — perguntou a voz do demônio, antigo amigo da minha irmã.

_ O que você faz no meu sonho? — perguntei, já sabendo que era um sonho. Só podia ser, afinal, estávamos no verão!

_ Eu fiz este sonho. — disse ele, sem sorrir, aparecendo da neblina e estalando os dedos. A neblina desaparecera, do nada. — É um modo de falar com você, sem te machucar, enquanto você descansa.

_ Hum. — falei, sem conseguir olhar em seu rosto.

_ Eu quero falar com você. Sam, eu gosto muito da sua irmã, ela é, ou melhor, era, minha amiga de verdade. Eu gostava muito dela, ainda gosto. Mas ela não gosta mais de mim, então o que me resta é você. Eu sei que você ainda é muito imatura, mas eu espero que compreenda. Eu sou um demônio. Eu amo fazer maldades, para mim, o bom é mau. E o mal é bom. Fui criado em um lugar frio, medonho. O inferno não é quente. É frio, muito frio. Mais do que você imagina. E acaba tendo fogo, um fogo quente, mas que não produz calor... É horrível. Meu lar. E isso me torna algo horrível. Sou mal, fui criado assim, sempre apoiaram as minhas maldades e me xingaram quando eu fazia algo bom. Desde a primeira vez que eu te vi, na cozinha, eu vi que você tinha algo especial. Não é um poder, como a Sara. Você não é má, Sam. Você se finge de má, é como... Uma defesa. — disse ele, parando para respirar. — Quero que você me ajude. Não quero mais ser... Mal. Quero ser diferente. Quero... Poder... Amar. Poder... Ser feliz. A felicidade não existe para mim, Sam. Amor é apenas uma palavra de quatro letras. E nunca é falada no meu lar. Amor é apenas uma palavra de quatro letras. Naquela prisão... Eu nasci para te maltratar, maltratar todos... É melhor apenas se agachar... Se você revidar, eu posso acertar a sua carne e você cairia no chão... Eu sempre vivi com... Mentes tão cheias de mentiras... Que tendiam a enegrecer meus olhos... A única coisa que eu podia fazer é mantê-los fechados, continuar rezando, apenas continuar esperando... Eu apenas ficava abaixado... Escondido dentro de mim mesmo, rastejando em mim mesmo e pensando que eu teria a minha hora. Eu farei eles pagarem, dar isso de volta pra eles um dia... Eu terminaria este dia, eu derramaria cor neste cinza! Esperando um dia em que o sol viria... Eu me levantaria e sentiria o calor? Mas a luz do sol nunca vinha... Não, a luz do sol nunca vinha. Eu já sofri demais, eu colocarei um fim nisso, eu juro. — disse ele, me olhando, parecendo ver através de mim. — Adeus, tenha um bom dia. — disse, sorrindo.

Nesse momento eu acordei, assustada.

_ Sam? — disse Sara, me fazendo voltar para a realidade.

_ Não tem como eu te contar. Sinto muito. — falei, correndo para o banheiro. Eu me troquei e me arrumei para a escola. Estava terminando de arrumar a mochila, e vi Sara deitada lá, naquela cama, aparentando estar pálida. — Sara? — perguntei, sem obter resposta. — SARAAA! — berrei, a sacudindo. Ela tremia, mais do que o normal. Meu pai chegou correndo no quarto, no mesmo instante em que Sara parou de respirar, fazendo eu ficar desesperada. — MÃEEE! — berrei correndo para a porta. Minha mãe estava ali, sem saber o que fazer. Ela me abraçou com força e meu pai soltou um grito. Olhei e vi Sara sentada na cama, fitando o vazio.

_ Sara! — gritei indo até ela. Ela nem sequer me olhou, e, agindo feito uma esquisitona, se levantou normalmente da cama e ficou parada, fitando o sol. Depois, se virou para a porta e soltou uma gargalhada.

Eu dei dois passos para trás. Aquela gargalhada foi sinistra.

_ Sarinha? — perguntou minha mãe, com medo.

_ Vocês duas, para fora. — disse meu pai, minha mãe saiu e quando eu iria sair, a porta se fechou.

_ Não, não, não, volte aqui, Samizinha.

Paralisei. Aquela voz... Aquela voz... Eu já tinha ouvido ela em algum lugar... Em um sonho, talvez. Olhei para a minha irmã, que me olhava de um modo assassino. Meu pai arrumava uma Bíblia murmurando algo como: "Não, a minha filha não, não agora, não, não...".

_ Samizinha, você se lembra de mim, pequenina? — perguntou aquela voz, saindo da boca de minha irmã.

Então eu me lembrei. Eu deveria ter um sete anos.

Flash Back on --

Minha mãe me pusera na cama. Eu estava quase dormindo quando uma risada me acordou.

_ Oi? — sussurrei, me sentando na cama. Sem resposta. — Olá? É alguma criatura? — perguntei, com sono.

_ Samantha... — ouvi meu nome ser sussurrado.

_ Oi? Chamaram-me? — perguntei, franzindo as sobrancelhas, tentando ver através do escuro.

_ Olá, Samizinha... — disse a voz, vindo de todos os cantos. Aquela voz me fez ter um arrepio.

_ Oi? Apareça. O que você quer? — perguntei. — Tinha que ser agora? Eu to com sono... — resmunguei, coçando os olhos, tentando tirar o sono deles, inutilmente.

_ Humm, Samizinha, não se assuste... Não vou demorar... — disse a voz estranha e ouvi um vidro sendo quebrado. — Ops. Eu só quero uma coisinha... Nada demaiss...

Nesse instante, algo com uma capa negra apareceu, digo, se materializou, no meio do meu quarto.

_ Hum... — murmure, coçando novamente os olhos.

Então a coisa se aproximou, e se aproximou, se aproximou tanto que eu só pude ver o negro da capa que ela vestia... Uma capa não-sólida, claro... E vi coisas terríveis, me fazendo ter um pavor absoluto para sempre, daquela voz.

Flash Backoff–---

_ Sara... — sussurrei, andando até a porta. Os olhos de Sara continuavam azuis. Ela parecia sinceramente a mesma. — O... O que está acontecendo? — sussurrei, com a voz fraca.

_ Estamos tendo dificuldades, queridinha... — disse aquela voz esquisita. — O mestrinho não ficou muito contente com aquele último demônio em que vocês atiraram... Então, fiz o seguinte: Deixei que eu viesse á Terra no lugar dele... Mas o mestre não ficou satisfeito ainda, então prometi vingá-lo. E antes que diga algo, eu não vou machucar sua irmã, não só ela, mas vocês duas. É só um aviso. Da próxima vez que nos encontrarmos, não será tão bonitinho assim. — disse a voz e Sara desabou no chão.

Eu a segurei, esperando que acordasse e pensando no assunto.

Sara acordou. Sorri e a olhei. Ela parecia zonza e rodava a cabeça um pouco, sem querer.

_ Por que está tudo rodando? O que aconteceu? — perguntou Sara.

_ Sara, bom... — começou o papai e eu pedi que ele nos deixasse a sós. Ele foi, meio a contra-gosto.

_ Olha, Sara, quando eu era pequena... — comecei e contei tudo a ela.

Ela me olhou, boquiaberta.

_ Sam... Eu... Não sei o que dizer, digo, não foi minha culpa ou sua... — começou ela, tentando achar as palavras certas.

Olhei para baixo.

_ Reconheço o que diz, mas sinceramente, não foi sua culpa. Foi minha culpa. Eu sei, eu sei, nós só matamos coisas que achamos que são más, por exemplo, anjos nós não matamos. Então... — comecei e Sara me interrompeu:

_ Eu sei que não é sua culpa. Você não chamou demônio algum, ele simplesmente veio atrás de você e de mim. E agora temos dois problemas: Ivan e demônio esquisito que quer nos matar. — disse Sara. Sorri. Era para ter graça, não era?

_ Sara... Uma coisa do meu sonho ficou na minha cabeça, várias coisas na verdade, mas duas coisas ficaram na minha cabeça... — comecei, olhando para o chão.

_ Me diga. Talvez eu possa ajudar. — falou ela.

_ Ham... Sabe... O Ivan?- perguntei.

_ Sim... — murmurou ela.

_ Ele... Bem... Ele pode... Sei lá... Falar com agente pelos sonhos? — perguntei, descontraídamente.

_ Sim. — disse Sara sorrindo.

Senti a cor sumir do meu rosto.

_ Sara, eu acho que ele falou comigo. — falei. Ela abriu a boca para fala, mas eu fui mais rápida. — Ele disse que eu não sou má, só me finjo de má como uma defesa. E... Ele disse que gosta de você. E que no inferno é frio. E que... Ele quer a minha ajuda. Para não ser mais mal. — falei, engolindo em seco. — Será uma pegadinha?

_ Acho que ele inventaria pegadinhas melhores, mas não pode ser que... — murmurou Sara, ficando pensativa. — Eu não sei. Sinceramente, eu não sei. — disse ela, me olhando.




Notas finais
Espero que esteja bom =DD