Notas iniciais
Raumzeit : Pronuncia-se "rromzait"

Lord Von Raumzeit (do alemão "Senhor do Espaço-Tempo").

Já passava da meia-noite, o sereno embaçava a visão da Lua cheia. O cheiro de putrefação penetrava intensamente nas narinas. Árvores secas carregadas de corvos que espreitavam a todo e qualquer barulho. Centenas de lápides de mármore branco cravadas no chão úmido faziam daquele lugar um labirinto. Uma sombra negra saiu de dentro da floresta densa. Os corvos a observavam atentamente. Uma pessoa viva no meio da terra dos mortos? Coberta com uma capa preta e um capuz que a luz da Lua só conseguia revelar sua boca, a pessoa ia em direção a uma parte do cemitério onde havia um círculo grande no chão desenhado com um pó branco. Um círculo de uns quinze metros de diâmetro e com vários desenhos estranhos.

–Está na hora do mundo tomar um novo rumo.– disse, e ergueu as mãos. Era um homem.

O pó branco brilhou tomando diversas cores. Seus símbolos começaram a se mover em ordem aleatória e o círculo girava ora no sentido horário, ora no anti-horário. Nuvens negras se formaram no céu e cobriram a Lua, mas o círculo ainda iluminava o que estava próximo. O homem de capuz deu uma risada alta. Os corvos o observavam com seus olhos amarelos. Ele fechou os olhos e resmungou algo em outra língua enquanto pegava quatro esferas (uma vermelha, uma azul, uma verde e uma prateada) em seu bolso e reerguia sua mão para frente, segurando-as.

–Acordem meus futuros servos.

Jogou as esferas no centro do círculo, que pulsou. As esferas borbulharam por dentro e derreteram. O círculo as absorveu e pulsou de novo. Agora raios e trovões emanavam do céu. Ele apontou para o céu e um buraco nas nuvens se abriu, revelando somente a Lua.

–Guardiões Elementais, revelem-se!!– ele gritou.

O círculo brilhou intensamente e uma forte ventania soprou por todo o cemitério. Os corvos voaram assustados. Quatro rugidos foram dados ao mesmo tempo, de dentro do círculo.


Quatro esferas de energia, enormes saíram do círculo e flutuaram paradas à frente do homem encapuzado. Elas se esticavam e comprimiam tentando tomar forma.



A primeira a terminar foi a que alternava entre vários tons de verde. Não tinha exatamente uma forma definida. Ela simplesmente se tornou um gigante de terra, cheio de músculos, sem muitos detalhes no rosto. Era somente os buracos dos olhos e o nariz.


–Ah, Kunitsukami da terra.– foi como ele o chamou. –O gigante sem alma que protege aquilo que lhe é solicitado. Também conhecido como o Golem.

A segunda foi a que alternava entre os vários tons de cinza e branco. Parecia uma doninha do tamanho de um urso, com três cabeças, asas de morcego e garras em forma de foices.

–Kamaitachi do ar.– foi como ele o chamou. –O youkai que cortava humanos com o vento.

A terceira foi a que alternava entre vários tons de azul e ciano. Era uma grande serpente marinha. Era tão comprida que seu corpo dava umas três voltas no círculo.

–Sarutahiko da água.– foi como ele a chamou. –O patrono da força e orientação. Também conhecido como Leviatã.

Por fim, a quarta foi a que alternava entre os vários tons de vermelho e magenta. Demorou um pouco a tomar forma, mas se tornou um grande dragão negro com enormes asas que só precisavam vibrar para ele se manter no ar. Ele tinha três olhos vermelhos intensos como as chamas, sua calda era comprida e cheia de espinhos, como o galho de uma roseira. Suas escamas eram agrupadas de tal forma que era como se ele usasse uma armadura impenetrável.

–Kagutsuchi do fogo.– foi como ele o chamou. –O demônio das trevas que queimava seus servos. O mais temido e poderoso dos quatro.

Os raios e trovões ficaram mais fortes. Então, doze sombras surgiram em torno do círculo de magia. Doze pessoas encapuzadas como o homem.

–Thousand?– disse o homem atrás dele e tirou o capuz.

Era um idoso. Deveria ser mais velho que o diabo. Sua barba prateada quase chegava à cintura e seus cabelos, aos ombros. O feiticeiro olhou para trás e retirou o capuz também. Tinha aparentes quarenta anos, embora seus cabelos pretos intensos indicassem menos.

–Mashhur Kupffer.– ele respondeu e deu uma risada esganiçada. –Sim, sou eu. E vejo que trouxe sua seita junto.

–A Royal Society foi criada para guardar os segredos do universo e...– Mashhur viu as quatro feras à frente de Thousand e se espantou. –Thousand Scream, esses... o que raios você fez?

–Eu fiz aquilo que você não teve coragem de fazer.

–O universo irá se desestabilizar, seu tolo. O equilíbrio espiritual irá se desfazer.

–Bah! Você e suas crenças de equilíbrio e espíritos. Os elementos contidos na natureza podem e devem ser usados pelos magos nas invocações de seres elementais ou de outros espíritos.

O céu continuava desabando.

–Você não fará isso, Thousand!

–Thousand?! Eu sou Lord Von Raumzeit, o espectro.– ele deu uma risada que ecoou por todo o cemitério.

Thousand-Raumzeit tentou absorver os espíritos guardiães.

–Não deixem que ele faça isso!– gritou Mashhur aos outros.

Todos juntaram as mãos, como se estivessem meditando, e murmuraram algo.

Omm.

–Você perdeu Thousand.– Mashhur pegou um livro que estava preso à cintura, e o abriu numa página em branco. –Espíritos do norte e sul. Aqueles que quebram as barreiras do leste ao oeste. Seguindo em direção ao tempo. O livro do início e fim, com suas dez mil páginas. Os ossos, sangue, carne e oxigênio usados para saciar seu desejo. Desperte o guardião daqueles que os punem e escreva seu destino neste livro.– suas palavras fizeram o vento sumir e Yoshinobu parou de absorver os guardiões.

–O que você fez, seu velho?!

Os espíritos voltaram a forma de esferas de energia e entraram no livro, que se fechou sozinho.

–Eu os selei neste livro e você...

Raumzeit tentou se mover, mas era como se seus pés estivessem grudados no chão e seu corpo não obedecia.

–Você será mandado para o Mu, Thousand.

Raumzeit sorriu.

–Então eu vou para aquela dimensão. O lugar onde o nada e o vazio se casam.

–Você permanecerá lá por toda a eternidade.

Raumzeit riu alto e disse:

–Então assim será. Você se arrependerá por ter feito isso comigo. Eu voltarei!– e sua voz ecoou enquanto o círculo brilhava e o sugava para dentro. Era como se dentro do círculo fosse água e Raumzeit estava afundando lentamente. Quando a cabeça dele terminou de afundar, um raio caiu no centro do círculo e, então, o som de uma gota caindo na água se fez ouvir e o círculo voltou a ser sólido, porém com a marca negra no centro onde o raio havia acertado. Os raios e trovões cessaram e o vento apagou o desenho de pó branco.

Notas finais
Irá melhorar!

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Revisado por Magdalena Cunha