Zombie apocalypse - You need to survive
5 Vamos sair
Notas iniciais
"As vezes, o medo é um aviso. É como se alguém pusesse a mão no seu ombro e dissesse: — Não dê mais um passo." {Anne Rice}
#Scarlett Anders
O telefone chamou incontáveis vezes, antes de cair na caixa postal. O quê isso poderia significar? Ele poderia estar preocupado com os infectados e tudo que vem acontecendo e se esquecer do celular, ou, poderia ter acontecido uma tragédia. Torci silenciosamente que se tratasse da 1º opção. Após tentar 8 vezes, finalmente desisti, sentindo minhas entranhas se revirarem.
— Não atende. — Falei.
— Ele deve estar ocupado — Disse Ruby pondo a mão em meu ombro ao perceber a expressão preocupada estampada em meu rosto.
— É...
Um silêncio caiu sobre nós durante algum tempo. Nenhuma de nós parecia ter ideia do que fazer, ou falar. Após 10 minutos (que mais me pareceram 10 horas) quebrei o silêncio dizendo algo que não me parecia uma má ideia e, tampouco, uma ideia boa.
— Bom... Podemos andar pelas ruas aqui por perto para verificar a situação. Uma hora teremos de sair daqui, e é com certeza melhor que as ruas estejam vazias.
— É... OK, mas precisaremos de algo para... matar — Respondeu Ruby apreensiva.
Pensei por um momento e uma luz iluminou minha mente. Meu pai gostava de cortar lenha quando algo o estressava profundamente, então, ele mantinha guardado num quarto exclusivo para bagunças e utensílios domésticos, um machado de lâmina afiada e cabo de madeira ébano.
Me dirigi ao quarto para pegar o machado e já estava me perguntando que outra arma poderia usar, quando algo caiu no chão com um ruído metálico. Olhei para o chão e percebi que acabara de derrubar algo próximo ao meu pé. Me abaixei e vi que se tratava de uma machete. Dei um leve sorriso.
— Você leu minha mente — Murmurei.
Voltei para o quarto segurando a machete e o machado, cada um em uma mão.
Ruby arregalou os olhos.
— Uau! — Exclamou.
Dei um sorriso.
— Achei no quartinho da bagunça — Falei — Vou ficar com o machado, ok?
— Ah, certo, acho que vou me sair melhor de machete mesmo.
— Certo, vamos.
Segurei o machado pronta para atacar a primeira coisa que se mexesse, abri a porta da sala e sai para o pequeno gramado à frente da casa. O sol já brilhava fortemente no horizonte. Vi de relance o mesmo gato em cima do muro da casa do outro lado da rua, parecendo um pouco mais relaxado. Olhei para o chão abaixo da janela do lado da porta e vi a garota caída no chão numa posição estranha, ao qual, um ser vivo não poderia se dar o luxo de ficar, a menos que quisesse quebrar alguns ossos. O sangue ainda escorria de seu olho esquerdo e uma poça de um tom preto-avermelhado aumentava a cada segundo.
Continuei andando e quando cheguei no asfalto, olhei para os dois lados da rua, a procura de algum infectado, mas ambos os lados estavam vazios.
— Esquerda ou direita? — Perguntei olhando para Ruby.
— Hum... Esquerda.
— Ok.
Seguimos penosamente pela esquerda, como sugerira Ruby e à frente avistamos um infectado.
— Deixe comigo. — Disse Ruby erguendo a machete em posição de ataque. Automaticamente ergui o machado também, logo atrás dela, por precação.
Quando o infectado estava à menos de meio metro de distância de Ruby, ela ergueu a machete a cima da cabeça e acertou em cheio a cabeça, do que antes devia ser um belo homem, alto, de cabelos loiros, curtos e maxilares marcados. O homem caiu no chão imóvel e Ruby arrancou a machete do crânio do infectado, que agora jorrava sangue.
— Muito bem! — Falei abaixando o machado para descansar os braços, devido ao peso que tinha a arma-branca.
Ela sorriu.
— Obrigada.
Continuamos andando e só após 10 minutos, encontramos uma mulher loira, trajando um vestido azul florido, rasgado, vagando no meio da rua.
— Esta é minha. — Falei tomando a dianteira e erguendo o machado — Quero testar uma coisa.
Me aproximei calmamente da mulher e enfiei o machado em sua barriga.
— Como imaginei. — Falei.
A mulher cambaleou um pouco, mas continuou avançando com seus olhos, brancos, fixos em mim. Puxei o machado de sua barriga, fazendo com que seu intestino pulasse para fora, (não tente imaginar — foi uma cena horrível.) e em seguida, o enfiei em sua cabeça.
— Só morrem se acertarmos a cabeça. Menos um mistério — Falei colocando o pé na cabeça do infectado para apoiar, enquanto eu arrancava o machado de lá.
Me virei para a Ruby sorrindo e dei um sobressalto. Atrás dela, um homem de meia-idade, se preparava para dar o bote. Percebi que se tentasse correr, não conseguiria salvá-la antes que o infectado pudesse morde-la. Então fiz a única coisa que poderia dar certo.
— ABAIXA! — Gritei.
E quando, sem entender, Ruby se abaixou, arremessei o machado com toda a minha força no homem, o machado rodopiou algumas vezes no ar, antes de atingir, e rachar ao meio, a cabeça do homem, que caiu, estatelado no chão.
Fui até Ruby, que estava abaixada, muito próxima ao homem e ergui a mão para ajudá-la a se levantar.
— Você está bem? Ele te mordeu? — Perguntei preocupada.
— Não, estou bem. Obrigada! — Respondeu Ruby com a voz trêmula.
— Ok.
Me abaixei e peguei o machado.
— Vamos continuar. — Ela falou.
Continuamos por uns 15 minutos sem encontrar sinais de infectados, até percebermos que havíamos andado tanto, que já estávamos à um quarteirão de distância da escola, e já podíamos ver as centenas de infectados vagando pela porta a procura de algum lanchinho para enfiarem os dentes. Apontei silenciosamente para uma árvore grande à nossa esquerda, mas quando tentamos nos esconder atrás dela, pisei num graveto, que se partiu com um ruído exagerado. Fiquei paralisada por um instante, então, um a um, os infectados foram virando as cabeças e se preparando para vir em nossa direção.
— Merda! — Exclamei.
Olhei para os lados e vi, do outro lado da rua, uma casa de tamanho médio, com as cortinas fechadas. Fiz sinal para Ruby me seguir, e corri até a casa.
" Ok. Não pode ter mais infectados lá do que aqui. " — Pensei.
Alcançamos a casa, abri a porta, entrei e tranquei a porta. Paramos por um momento, a respiração ofegante, as mãos no joelho a procura de apoio.
— Ok, conseguimos. — Falei.
— Quem está ai? — Gritou uma voz masculina do interior da casa.
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